"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 8
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Capítulo 8: Encurralado no Corredor
Bernardo não hesitou. Ele passou o braço esquerdo sob as axilas de Dante, erguendo o corpo trêmulo do menor com uma facilidade assustadora, e o arrastou para longe do fluxo principal de alunos.
Os passos de Bernardo eram rápidos e ríspidos, empurrando as portas corta-fogo em direção ao corredor secundário dos laboratórios de química.
Aquele setor do colégio permanecia deserto durante o horário do intervalo, imerso em uma penumbra silenciosa e fria.
Dante tentou apoiar as mãos no peito de Bernardo para se desvencilhar, os dedos arranhando o tecido do terno cinza-escuro.
— Me... me solta, Imperial... Eu consigo andar — Dante balbuciou, a voz saindo falhada, sem qualquer vestígio de sua antiga autoridade.
Suas forças haviam sumido por completo, drenadas pela queimação que subia por sua espinha. Suas pernas apenas arrastavam no chão de mármore, totalmente dependentes do apoio do rival.
Bernardo ignorou o protesto. Ele girou o corpo de Dante com um movimento contínuo e o pressionou contra a fileira de armários de metal cinzentos do corredor vazio.
Baque.
O metal dos armários ecoou o impacto das costas de Dante, um som seco que morreu no teto alto do bloco isolado.
Bernardo avançou o torso largo imediatamente, colando seu próprio peito ao de Dante.
Ele usou a envergadura de seus ombros robustos para criar uma barreira física, escondendo completamente a silhueta fragilizada de Dante de qualquer olhar alheio que cruzasse a entrada do bloco.
— Fica quieto, Dan — Bernardo ordenou entre os dentes, a voz grave vibrando contra o rosto do menor.
— Vai para o diabo... — Dante tentou erguer o queixo, os olhos escuros nublados pela febre, mas a tontura o fez pender a cabeça para o lado.
Nesse instante, Bernardo abriu completamente o seu bloqueador hormonal.
Uma onda violenta e concentrada de feromônios de sândalo e chuva gélida inundou o corredor estreito. O aroma envolveu o corpo de Dante como uma lona pesada, sufocando o ar ao redor.
Dante travou a respiração, os olhos arregalados no escuro.
O aroma de sândalo de Bernardo agiu como um anestésico imediato sobre a febre de Dante.
A queimação excruciante na base de sua nuca diminuiu de intensidade no mesmo segundo, os músculos de suas pernas relaxando involuntariamente sob o efeito do hormônio dominante.
O estômago de Dante revirou de puro ódio e humilhação.
Ele odiava a sensação de depender do cheiro do inimigo para não desabar no chão. Odiava ainda mais o fato de que seu próprio organismo clamava por aquela opressão protetora de feromônios, acalmando a dor biológica através da submissão à aura de Bernardo.
— Você... você está fazendo de propósito... — Dante sussurrou, as mãos trêmulas agarrando as lapelas do terno de Bernardo para não cair.
Bernardo mantinha os olhos cor de âmbar fixos no pescoço do menor, as pupilas completamente dilatadas por trás das lentes de armação dourada. Seu instinto de proteção violento controlava cada linha de seu rosto rígido.
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Ele mantinha os braços travados de cada lado da cabeça de Dante, pressionando o corpo do rapaz contra o metal frio, os maxilares travados de forma ríspida para conter a própria fera interna.
A proximidade forçada fez o ar entre os dois ficar saturado.
Bernardo inclinou o rosto milimetricamente para a frente, as narinas inflando enquanto captava a fragrância doce e cítrica que continuava a brotar da pele suada de Dante.
Naquele milissegundo, a postura de Bernardo congelou por completo.
Os batimentos cardíacos do Alfa Rei falharam uma batida. Bernardo percebeu, através do choque direto de suas auras no corredor confinado, que o cheiro que emanava de Dante era perfeitamente compatível com o seu.
Um encaixe biológico absoluto, raro e devastador, que as leis da genética purista de sua família exigiam há gerações.
Os dedos de Bernardo cravaram-se no metal do armário, deixando marcas sutis na pintura cinza sob a força de seu aperto.
Dante soltou um arquejo sutil, sentindo a mudança de densidade no ar, a pressão do rival tornando-se quase física sobre o seu peito.
— Bernardo... — Dante chamou, o tom de voz misturando medo e desafio.
Bernardo não respondeu com ações. Ele apenas inclinou a cabeça, aproximando os lábios do ouvido direito de Dante, o hálito quente roçando a pele febril do menor.
— Vá para casa — Bernardo sussurrou, a voz baixa, cortante e carregada de uma urgência perigosa que fez a espinha de Dante estremecer. — Vá antes que os outros sintam o que eu estou sentindo.
Devagar, Bernardo recuou o corpo de golpe, quebrando o contato físico e deixando o espaço vazio.
Ele ajeitou os óculos de armação dourada com os dedos firmes, girou os calcanhares e caminhou em direção à saída do bloco de laboratórios sem olhar para trás, os passos calmos e compassados ecoando no mármore.
Dante escorregou de costas contra o armário de metal até atingir o chão, a mão direita apertando a base da nuca onde o sândalo de Bernardo ainda pairava como uma marca invisível.
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