"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 7
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Capítulo 7: O Primeiro Sintoma
Dante empurrou o peito de Bernardo com toda a força que restava em seus braços, um empurrão cego, desesperado e ríspido.
O Alfa Rei mal se moveu, a estrutura de seus ombros largos absorvendo o impacto sem ceder um único centímetro na grama molhada.
No entanto, o espaço aberto foi suficiente para Dante girar os calcanhares, romper o cerco físico e correr em direção à saída da mansão Imperial.
Ele ignorou os chamados distantes de Dona Helena que ecoavam pelo jardim de inverno.
Entrou no primeiro táxi que encontrou na avenida escura, batendo a porta do veículo com violência e desabando contra o banco de couro sintético.
Durante todo o trajeto, Dante manteve os dentes cravados no lábio inferior, usando a dor física para conter os tremores involuntários que sacudiam suas mãos.
Ao chegar em sua residência, ele subiu as escadas correndo, pisando pesado nos degraus de madeira. Entrou em seu quarto e bateu a porta com força.
Girou a chave duas vezes na fechadura de metal, trancando-se naquele espaço familiar como se as paredes pudessem protegê-lo da própria biologia.
A madrugada transformou-se em um inferno particular.
A febre subia em ondas sufocantes, encharcando os lençóis de suor frio e transformando o colchão em uma armadilha desconfortável.
Dante rolava de um lado para o outro na cama, os dedos cravados no tecido do travesseiro com tanta força que as costuras ameaçavam romper.
A base de sua nuca latejava com uma intensidade dolorosa, emitindo agulhadas quentes que desciam em linha reta por sua espinha.
— É só uma gripe... Uma gripe forte por causa da chuva no ginásio — ele sibilou para o quarto escuro, a voz saindo rouca, seca e raspando na garganta inflamada.
Ele se apegava àquela negação absoluta com unhas e dentes. Tentava convencer a si mesmo de que o colapso no jardim de inverno era apenas o cansaço acumulado do treino de boxe combinado com o estresse psicológico do jantar com os patriarcas.
Um Alfa de elite não sucumbia a febres sem motivo. O laudo médico de sua infância garantia sua força.
No dia seguinte, o despertador do celular tocou como uma sessão de tortura. Dante forçou o corpo para fora da cama, os músculos das pernas pesados e rígidos como blocos de chumbo.
Ele vestiu o uniforme do Instituto Santa Cruz com movimentos lentos, os dedos trêmulos errando os botões da camisa social branca duas vezes antes de conseguir fechá-los até o colarinho.
Ele não usou o bloqueador de feromônios habitual; acreditava que não havia necessidade para um corpo doente de gripe.
Na escola, a primeira aula parecia um borrão de luzes e sons distorcidos. Dante sentou-se em sua carteira habitual na última fileira, mas mal conseguia focar nas fórmulas de física matemática que o professor Branco desenhava na lousa.
As linhas brancas de giz dançavam diante de seus olhos escuros, misturando-se a uma tontura persistente que fazia sua cabeça pender para os lados.
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Para piorar o tormento, o tecido do uniforme começou a parecer pesado, áspero e sufocante contra sua pele superaquecida.
O colarinho da camisa social parecia uma corda de escalada apertando seu pescoço, interrompendo o fluxo de ar a cada movimento.
O suor brotava na linha de sua testa de cinco em cinco minutos, escorrendo pelas bochechas avermelhadas.
Dante apoiava o queixo na mão esquerda, os olhos fixos no caderno aberto, simulando copiar a matéria técnica. Ele mantinha os ombros largos erguidos à força, sustentando o desespero velado sob a velha máscara de bad boy intocável da instituição.
Ele tentava a todo custo manter a pose de Alfa dominante enquanto desabava por dentro, uma vulnerabilidade oculta que fazia sua caneta esferográfica tremer contra o papel.
Atrás dele, o silêncio de Bernardo Imperial era absoluto, mas a pressão invisível de sua presença física triplicou de intensidade dentro do perímetro da sala de aula.
Bernardo não anotou uma única linha em seu caderno durante toda a primeira metade da explicação do professor Branco. Seus olhos cor de âmbar, frios e focados por trás das lentes de armação dourada, permaneciam cravados diretamente nas costas rígidas de Dante.
Era uma observação vigilante, tensa e estranhamente protetora que acompanhava cada arquejo sutil ou contração de ombros do menor.
O sinal para a troca de salas e início do intervalo finalmente tocou, ecoando pelo teto alto do corredor como uma explosão de metal dentro da cabeça de Dante.
Os alunos começaram a recolher as pastas e a se movimentar em direção à saída em um falatório barulhento.
Dante levantou-se da carteira devagar, segurando a alça de sua mochila com os dedos rígidos para evitar que o objeto escorregasse de suas mãos sem força.
Ele deu o primeiro passo em direção ao corredor lotado, forçando os calcanhares contra o mármore para manter o caminhar firme e imponente que todos esperavam do líder do colégio.
Foi no meio do fluxo de estudantes que o perigo real deu o primeiro sinal físico.
Luan e outro Alfa veterano do time de rúgbi da escola pararam perto dos armários de metal azuis. Quando Dante passou a um metro de distância deles, o jogador de rúgbi travou o passo de golpe, as narinas inflando sutilmente enquanto farejava o ar do corredor com as sobrancelhas franzidas em confusão.
— Cara... Você está sentindo isso aqui? — o Alfa do rúgbi cochichou alto para Luan, os olhos correndo pela multidão de uniformes, intrigados. — Tem um cheiro doce cruzando o corredor... Meio cítrico, forte. Estranho para caralho para uma sala cheia de marmanjo.
Dante acelerou o passo, o coração batendo contra as costelas como um animal selvagem encurralado em uma armadilha de caça.
O pânico biológico atingiu seu ápice dentro de seu peito; a febre estava rompendo suas defesas, e a fragrância nova e proibida começava a vazar pelos poros de sua pele suada de forma perceptível para os outros predadores do colégio.
O corredor começou a girar mais rápido diante de seus olhos escuros, as paredes e as portas das salas se misturando em um borrão cinzento e claustrofóbico.
A sensação de sufocamento aumentou até arrancar um som sibilante de sua garganta.
O ar sumiu de seus pulmões de vez, e a base de sua nuca queimou com uma força tão brutal que sua visão falhou por completo, escurecendo as bordas do cenário e apagando as luzes do teto.
Os joelhos de Dante cederam sob o peso de seu próprio corpo. Seus pés desequilibraram-se no piso liso, e sua silhueta pendeu para o lado esquerdo, caindo sem amparo no meio do fluxo pesado de alunos que se deslocavam.
Antes que suas calças sociais atingissem o chão de mármore frio do Instituto Santa Cruz, um movimento rápido, ríspido e preciso cortou a multidão de estudantes como um raio.
Uma mão grande, de dedos longos, firmes e frios, agarrou o cotovelo de Dante com uma força incontestável, suspendendo todo o peso de seu corpo antes que o impacto contra o chão acontecesse.
Dante forçou as pálpebras pesadas a se abrirem uma última fração, focando o brilho da armação dourada dos óculos que surgiu bem acima de seu rosto.
Bernardo Imperial o segurava firme contra o próprio peito largo, os braços compridos envolvendo os ombros do menor enquanto seus olhos cor de âmbar faiscavam uma advertência perigosa e territorial para os Alfas que assistiam à cena ao redor.
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