"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 6
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Capítulo 6: Febre Silenciosa
Dante empurrou a porta de vidro do jardim de inverno com força desmedida, o vidro vibrando contra a estrutura de metal.
O ar frio da noite paulistana atingiu seu rosto úmido, mas não foi suficiente para apagar a queimação que subia por seus braços.
Ele caminhou até o centro do gramado escuro, os sapatos sociais afundando na terra fofa pela garoa.
— Ficou maluco, Imperial? — Dante girou o corpo abruptamente, os punhos fechados contra as laterais da calça social.
Bernardo cruzou a soleira da porta com passos lentos, as mãos enfiadas nos bolsos do terno cinza. A luz do salão de jantar batia em suas costas, projetando uma sombra imensa que cobriu o corpo de Dante.
— Você se irrita muito fácil, Dan — Bernardo respondeu, a voz mantendo aquele tom baixo, estável e gélido.
— Que porra de jogo foi aquele sob a mesa? E o toque na taça? — Dante deu um passo à frente, o queixo erguido, tentando sustentar a postura de enfrentamento. — Você acha que pode me intimidar na frente da minha própria mãe?
Bernardo parou a dois passos de distância. Os óculos de armação dourada refletiam a escuridão do jardim, escondendo o brilho âmbar de suas pupilas.
— Eu não precisei fazer esforço nenhum. Você se desestabilizou sozinho.
— Você está blefando! — Dante semicerrou os olhos, os dentes cravados no lábio inferior.
Ele abriu a boca para continuar o xingo, mas as palavras travaram em sua garganta.
Uma onda de tontura repentina atingiu o topo de sua cabeça, fazendo o cenário do jardim girar de golpe. Dante cambaleou meio passo para trás, os calcanhares buscando aderência na grama molhada.
Seus sentidos, antes focados na raiva, aguçaram-se de uma forma absurda e dolorosa. O som das gotas de chuva batendo nas folhas de jasmim parecia ecoar dentro de seus ouvidos como estalos.
Uma queimação interna, profunda e sufocante, começou exatamente na base de sua nuca.
Dante levou a mão direita lá atrás, os dedos apertando o ponto exato da glândula hormonal. A pele ali estava fervendo, o pulso latejando contra a ponta de seus dedos com uma velocidade assustadora.
— O que... que porra é essa... — Dante sussurrou, as pernas trêmulas perdendo a sustentação.
Ele tentou puxar o ar, mas seus pulmões pareciam rejeitar o oxigênio frio. O calor interno subia em linha reta por sua espinha, derretendo qualquer vestígio de força física.
O ex-Alfa do colégio experimentou o início do colapso biológico. Seu corpo, a estrutura atlética que ele usava para dominar os rivais no ringue, começava a trair sua mente de forma definitiva.
Bernardo Imperial deu um passo à frente, a postura reta congelando no lugar.
O Alfa Rei tirou as mãos dos bolsos do terno. Seus olhos cor de âmbar se fixaram no pescoço de Dante, as pupilas dilatando até engolir a cor clara das íris.
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Bernardo percebeu a mudança antes mesmo que o menor pudesse compreender o que estava acontecendo. O cheiro de sândalo de Bernardo recuou, abrindo espaço para o instinto predatório que foi ativado em seu peito de golpe.
A diferenciação tardia de Dante havia começado.
— Não... chega perto — Dante ameaçou, mas a voz saiu falhada, um fio de som agudo que expunha toda a sua vulnerabilidade física inicial.
Ele tentou erguer os punhos para se defender, mas os braços caíram ao lado do corpo, pesados como chumbo. Sua mente gritava para ele correr, mas as pernas recusavam-se a mover um milímetro.
No ar úmido do jardim, misturando-se com a fragrância das flores e da terra molhada, algo novo surgiu.
Um cheiro doce, cítrico e absurdamente suave começou a emanar discretamente da pele suada de Dante. Era o aroma característico de uma glândula Ômega despertando após anos de atraso, cortando a atmosfera pesada do ambiente formal.
Bernardo soltou uma lufada de ar quente pelo nariz, os maxilares travando de forma ríscida.
— Dan... — Bernardo chamou, o tom de voz mudando por completo. Não havia mais a ironia aristocrática; apenas uma gravidade densa, possessiva e perigosa.
Dante fechou os olhos, o suor frio escorrendo pela linha de sua têmpora. Ele se sentia pequeno sob a sombra do rival, o calor em sua nuca transformando-se em uma agonia febril que implorava por alívio.
Bernardo deu o último passo à frente, eliminando qualquer distância restante entre os dois.
Ele abriu os ombros largos, bloqueando completamente a rota de saída de Dante em direção às portas de vidro da mansão. Dante estava encurralado contra o escuro do jardim de inverno.
Devagar, Bernardo inclinou o torso largo para a frente.
Aproximou o rosto da lateral do pescoço de Dante, onde a pele fervia, e fechou os olhos.
Ele aspirou o ar perto da glândula exposta do menor com força, capturando a primeira nota pura daquela fragrância proibida.
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