"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 4
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Capítulo 4: Domínio Técnico
Dante Valente sentia o peito esmagado contra o de Bernardo Imperial. A lona sob seus pés descalços parecia queimar.
Ele forçou os antebraços contra o torso do rival, tentando cavar um espaço para respirar.
Cada centímetro do corpo de Bernardo parecia uma parede de concreto maciço, bloqueando suas saídas.
— Me solta... — Dante sibilou, os dentes roçando o tecido úmido da camisa branca de Bernardo. — Solta... porra.
O som do trovão lá fora sacudiu o teto de zinco do ginásio. A vibração ecoou direto no osso de sua mandíbula.
— Você se mexe demais, Dan — Bernardo respondeu.
A voz dele saiu rente ao ouvido de Dante, grave e compassada, sem o menor sinal de cansaço.
Bernardo deslocou o peso do corpo para a frente. Calçou os quadris de Dante contra o poste do ringue.
Os braços longos de Bernardo mantinham as cordas superiores esticadas. Uma jaula elástica ao redor dos ombros do menor.
Dante puxou o ar com força, mas o sândalo invadiu seus pulmões. A densidade do feromônio fez o menor engolir em seco, a queimação descendo pela garganta.
— Usa a porra do seu bloqueador... — Dante rosnou, a vista turvando de leve.
— Por que o incômodo? — Bernardo rebateu, o tom baixo, quase inaudível. — Achei que o rei da escola controlasse os próprios instintos.
Uma fraqueza súbita atingiu os joelhos de Dante.
Os músculos das coxas, acostumados a aguentar doze rounds de impacto, fraquejaram por uma fração de segundo.
Dante travou a articulação das pernas à força. Os olhos escuros focaram o queixo do rival, recusando-se a deslizar até o chão.
O estômago de Dante ardeu. Os nós de seus dentes se chocaram, o sangue subindo para o rosto de pura humilhação.
Dante tentou um soco curto na lateral das costelas de Bernardo. O impacto foi seco, mas o rival nem piscou.
— Isso é tudo? — Bernardo provocou, os olhos cor de âmbar brilhando por trás da barreira dos corpos.
Em vez de recuar, Bernardo soltou a corda esquerda do ringue.
A mão dele desceu rápido, agarrando o pulso enfaixado de Dante com a precisão de uma pinça.
Com um puxão firme, Bernardo ergueu o braço de Dante. Colou o membro contra o peito do próprio menor, neutralizando qualquer chance de contra-ataque.
Dante tentou usar o peso do corpo para girar. Bernardo antecipou o movimento milimetricamente.
Cada impulso de Dante parecia um livro aberto. Bernardo deslocou o pé direito, calçando o calcanhar de Dante por trás e desestabilizando completamente a base do lutador.
O corpo de Dante pendeu para o lado.
Antes que ele atingisse a lona, a mão livre de Bernardo envolveu sua cintura por trás. Puxou-o de volta contra o próprio peito com uma força incontestável.
Clack.
O som das bandagens de Dante raspando contra o algodão da camisa de Bernardo ecoou no ginásio vazio.
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Dante se viu de costas para o rival. Os ombros presos contra o torso largo e os braços imobilizados em um cruzamento perfeito sobre o próprio peito.
— Me... larga! — Dante estancou os pés na lona, o corpo inteiro tremendo. — Eu vou acabar com você, Imperial.
— Você fala muito — Bernardo sussurrou contra a nuca dele. — Mas continua preso.
Dante tentou escorregar por baixo do braço de Bernardo, os pés arrastando na lona. O aperto em sua cintura era implacável.
As palmas das mãos de Bernardo estavam quentes. A textura firme dos dedos pressionava o tecido fino da regata cinza.
Foi nesse momento que o corpo de Dante o traiu de forma definitiva.
Ao sentir o toque firme e possessivo das mãos de Bernardo diretamente sobre a sua cintura, um espasmo involuntário de calor explodiu na base de sua espinha.
A queimação subiu em linha reta, atingindo a nuca com a força de uma febre súbita.
Os poros de Dante se abriram. Uma gota de suor frio escorreu pelo seu pescoço, bem em cima da glândula hormonal ainda adormecida.
Dante soltou um gemido abafado entre os dentes, os olhos se arregalando no escuro.
Não era cansaço. Não era raiva. Era um calafrio desconhecido, um puxão biológico que fazia seu estômago revirar de uma forma absurdamente sensual e assustadora.
Bernardo Imperial congelou atrás dele.
O peito do Alfa parou de subir por dois segundos inteiros. Dante conseguiu sentir a rigidez repentina nos músculos dos braços do rival. Os dedos prendiam sua cintura com uma força que quase machucava a pele sob a roupa.
O cheiro de sândalo de Bernardo mudou de intensidade no mesmo instante.
Deixou de ser uma lufada passiva e transformou-se em uma onda opressiva, pesada. Cercou o corpo de Dante como se quisesse marcá-lo como propriedade.
Bernardo inclinou o rosto milimetricamente para a frente. Aproximou o nariz da nuca exposta de Dante. Seus lábios quase tocaram os fios pretos e bagunçados do menor.
— O que você... fez? — Dante conseguiu verbalizar, a voz saindo falhada, rouca.
— Eu não fiz nada, Dan — Bernardo respondeu, o hálito quente roçando a pele úmida do menor, fazendo os pelos de seus braços se arrepiarem por completo. — É o seu corpo que está decidindo o que quer.
A satisfação possessiva de Bernardo era palpável no ar. Uma energia escura que dominava o perímetro do ringue.
Ele mantinha Dante preso contra si. Os corpos colados da nuca aos calcanhares, sentindo cada tremor involuntário que a fera encurralada soltava.
Lico estava estático na beira do tablado, os olhos arregalados enquanto segurava o cronômetro. Ele não conseguia ver o rosto dos dois, mas a densidade do ar no ginásio o impedia de dar um único passo à frente.
Dante fechou os olhos. Os dentes cravados no lábio inferior até sentir o gosto ferroso do sangue.
Ele odiava a sensação de estar à mercê de Bernardo. Odiava ainda mais o fato de que seu próprio corpo parecia clamar por aquele aperto, como se estivesse encontrando um encaixe perfeito que a mente se recusava a aceitar.
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O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da água da chuva correndo pelas calhas de metal do ginásio.
Devagar, quase com relutância, a pressão nos braços de Dante começou a diminuir.
Bernardo abriu os dedos. Retirou as mãos da cintura de Dante centímetro por centímetro.
A perda do contato físico fez a pele de Dante esfriar instantaneamente. Deixou uma sensação de vazio incômoda em seu abdômen.
Dante deu um passo trêmulo para a frente, apoiando-se nas cordas do ringue para não cair.
Ele virou o rosto devagar. Os olhos escuros, ainda nublados pelo calor da febre, encararam o rival.
Bernardo Imperial deu um passo para trás. Recuperou a postura reta e aristocrática em um segundo.
Ele ajeitou o colarinho da camisa branca com os dedos firmes, o rosto frio voltado para o menor. As pupilas cor de âmbar estavam dilatadas, mas a máscara de gelo já estava de volta no lugar.
Bernardo caminhou até la corda inferior. Abaixou-se com elegância e passou por baixo do elástico, saindo do ringue sem fazer barulho.
Ele parou na beira do tablado de madeira. Pegou o paletó do uniforme e os óculos de armação dourada do banco.
Antes de colocar os óculos, Bernardo virou o rosto na direção de Dante uma última vez.
— Você está sem fôlego, Dan.
A voz de Bernardo saiu baixa, firme, cortando o ar úmido do ginásio.
Dante prendeu o fôlego. As mãos agarraram a corda do ringue com tanta força que as bandagens brancas quase cederam.
— Isso... isso não acabou, Bernardo — Dante ameaçou, a voz ainda trêmula.
Bernardo colocou os óculos. A armação dourada refletiu a luz fluorescente, escondendo o brilho âmbar de seus olhos.
— Para mim, já acabou — Bernardo respondeu, frio.
Ele jogou o paletó sobre o ombro esquerdo, pegou a pasta de couro e caminhou em direção às portas duplas do ginásio com passos calmos e compassados.
Clack.
As portas de madeira se fecharam atrás dele, deixando apenas o som da tempestade ecoando no espaço vazio.
Dante soltou as cordas. Desabou de joelhos na lona do ringue, a mão direita subindo automaticamente para apertar a base da nuca, onde a queimação persistia.
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