"Instinto Feroz: Marcado pelo Alfa Rei" Capítulo 3
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Capítulo 3: O Desafio no Ringue
O som do couro batendo contra o saco de pancadas ecoava como tiros de revólver no ginásio antigo.
Dante Valente descarregava cada gota de frustração acumulada nas últimas duas horas. Os nós de seus dedos, envoltos apenas por bandagens brancas, já estavam marcados pela força dos impactos.
Ele não usava luvas. Queria sentir a dor seca do atrito para abafar o cheiro de sândalo que parecia impregnado em suas narinas desde a aula de exatas.
O suor escorria pelo seu pescoço, encharcando a regata cinza que colava ao peito largo. Dante girava o tronco, soltando um cruzado de esquerda que fez o saco de cem quilos oscilar violentamente no suporte de ferro.
Ele odiava o norte. Odiava óculos de armação dourada. Odiava, acima de tudo, a calmaria irritante de Bernardo Imperial.
— Chefe, vai devagar... Você vai rasgar o couro desse jeito.
Lico avisou da beira do tablado, segurando uma garrafa de água e um cronômetro. O treino acabou faz vinte minutos e o zelador já queria fechar as portas.
— Deixa o zelador esperar — Dante rosnou entre os dentes, sem interromper a sequência de golpes. — Mais uma série. Cronometra.
Lico soltou um suspiro, apertando o botão do aparelho. Ele conhecia o ritmo de Dante quando o rapaz estava cego de raiva. O melhor era não cruzar o caminho daquela fúria.
Dante se moveu rápido, os pés descalços desenhando círculos ágeis na lona desgastada. Jabs, diretos, esquivas gesticuladas contra o ar.
Ele imaginava o rosto frio de Bernardo diante de seus punhos, querendo quebrar aquela expressão aristocrática em pedaços.
Clack.
O som pesado das portas duplas de madeira do ginásio se abrindo cortou o ritmo dos socos. Dante interrompeu o movimento no meio de um upper.
Limpou o suor dos olhos com as costas do antebraço, virando o rosto em direção à entrada com a respiração pesada, o peito subindo e descendo.
Bernardo Imperial estava parado no vão da porta.
Ele ainda vestia o uniforme completo do colégio, a gravata perfeitamente alinhada e o paletó escuro sem um único vinco. Os óculos dourados brilhavam sob a luz fraca do ginásio, e a pasta de couro preta balançava em sua mão direita.
Bernardo não deu um passo para frente. Apenas encostou o ombro esquerdo contra o batente da porta, cruzando os braços. Ele assistia ao treino em silêncio absoluto.
Os olhos cor de âmbar de Bernardo fixaram-se no corpo suado de Dante, descendo pela linha dos ombros tensos até parar nas coxas fortes que sustentavam a base do lutador.
Não havia deboche na expressão do Alfa novato, apenas uma fixação cirúrgica e predatória.
Dante sentiu o sangue ferver instantaneamente, os dentes rangendo dentro da boca. A presença de Bernardo ali parecia um insulto, uma invasão de território intolerável.
— Perdeu alguma coisa aqui, Imperial?
Dante cuspiu as palavras, caminhando até as cordas do ringue e apoiando os braços enfaixados sobre o elástico.
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Bernardo manteve o silêncio por três segundos longos, sustentando o olhar furioso do menor.
— O ginásio é uma área pública do colégio, Dante. Só estou observando a sua técnica de briga de rua.
A voz fria e polida ecoou pelo espaço vazio.
— Técnica de briga de rua?
Dante soltou uma risada curta, o queixo erguido em puro deboche.
— Isso aqui é boxe de verdade, seu engomado. Mas acho que no norte vocês só aprendem a segurar caneta e ajustar gravata.
Lico deu um passo para trás, sentindo a temperatura do lugar subir dez graus em um segundo. O ar entre os dois rapazes estava carregado de uma eletricidade perigosa.
Dante saltou por cima das cordas do ringue, caindo com os pés descalços na lona com um baque surdo. Esticou os braços enfaixados na direção de Bernardo, os dedos chamando o rival para o confronto.
— Se você acha a minha técnica ruim, por que não sobe aqui e me ensina algo melhor? Ou está com medo de sujar essa camisa branca impecável?
O desejo violento de vitória pulsava nas veias de Dante. Ele queria humilhar Bernardo fisicamente, usar a força bruta que o laudo de Alfa de elite lhe prometia para colocar o vizinho de infância de joelhos. Queria apagar a memória daquela humilhação silenciosa da sala de aula.
Bernardo Imperial não se moveu por um instante. Seus olhos âmbar desceram para os nós dos dedos enfaixados de Dante, depois subiram para o pescoço alvo do rapaz, onde o suor brilhava sob a luz.
Um brilho sombrio, uma mistura de luxúria contida e desejo latente de subjugar aquela fera barulhenta, reluziu por trás das lentes dos óculos de Bernardo.
— Tem certeza de que quer isso, Dan?
Bernardo perguntou, usando o apelido de infância com uma calma que pareceu um tapa na cara de Dante.
— Sobe logo, Imperial. Para de falar e bota a mão na massa se você for homem de verdade.
Bernardo soltou o ar devagar. Caminhou até o banco de madeira mais próximo, colocando a pasta de couro sobre o assento com movimentos lentos e calculados.
Em seguida, levou as duas mãos à frente do corpo. Seus dedos longos e firmes descolaram o botão do paletó do uniforme.
Ele tirou a peça de roupa escura com uma elegância aristocrática, dobrando-a perfeitamente antes de deixá-la sobre a pasta. Dante assistia a cada movimento com os punhos fechados, as pernas tensas de ansiedade combativa.
Bernardo levou as mãos à gravata, afrouxando o nó de seda com um único puxão firme. Abriu os dois primeiros botões da camisa branca, revelando a linha forte da clavícula e o início de um peito robusto, onde a pele clara indicava a força de um Alfa já desenvolvido.
Por fim, ele tirou os óculos de armação dourada, colocando-os sobre o paletó. Sem a barreira das lentes, seus olhos cor de âmbar pareceram duas brasas no escuro do ginásio.
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Bernardo caminhou até o ringue. Apoiou a mão direita no poste de ferro e saltou para dentro do tablado com uma agilidade surpreendente para o seu tamanho, os sapatos sociais batendo contra la lona com um som seco.
— Sem luvas, já que você prefere assim.
Bernardo parou a dois metros de distância de Dante, os braços caídos ao lado do corpo em uma postura relaxada, mas defensiva.
— Você vai se arrepender de ter voltado para São Paulo, Bernardo.
Dante sibilou, avançando o primeiro passo de forma explosiva. O combate físico de alta voltagem começou sem avisos.
Dante disparou um jab de esquerda direto na direção do queixo de Bernardo. O novato moveu o tronco para o lado milimetricamente, o punho de Dante cortando apenas o ar.
Dante não parou, girando o corpo para soltar um direto de direita que visava as costelas do rival. Bernardo interceptou o golpe com o antebraço esquerdo, o som do impacto de pele contra os ossos ecoando pelo ginásio.
A força do bloqueio fez os dentes de Dante vibrarem, mas a raiva o impulsionava para frente. Os corpos suados começaram a se chocar sob o pretexto daquela rivalidade antiga.
Dante atacava como uma tempestade de fogo, os socos rápidos, pesados e cheios de uma ferocidade selvagem. Bernardo recuava com passos calculados, a camisa branca colando ao corpo à medida que o suor começava a surgir em sua pele.
Dante sentia o calor do corpo de Bernardo a cada aproximação, uma densidade térmica que parecia mexer com seus próprios batimentos cardíacos. Ele queria quebrar aquela defesa perfeita, queria ver Bernardo perder o controle.
— É só isso o que você sabe fazer? Desviar?
Dante provocou, desferindo uma sequência de três golpes rápidos na linha de cintura de Bernardo. Bernardo absorveu um dos impactos com o ombro, deixando uma marca vermelha na camisa branca.
Seus olhos âmbar escureceram de golpe, a paciência contida atingindo o limite. Em um movimento rápido, Bernardo avançou em vez de recuar.
Quebrou a distância de soco, entrando direto na guarda de Dante e envolvendo o corpo do menor com os dois braços em um clinch violento. Os dois corpos se chocaram de frente com força, o peito de Dante batendo contra o de Bernardo.
A lona do ringue rangeu sob o peso combinado dos dois Alfas. Dante travou os braços contra o peito de Bernardo, tentando empurrar o rival para trás com as pernas.
Bernardo era como uma parede de pedra estável, os braços longos travando a cintura de Dante com uma força esmagadora. A proximidade era sufocante.
Dante estava preso contra o torso de Bernardo, os rostos colados de lado. Foi então que o hálito quente de Bernardo bateu direto contra o ouvido direito de Dante.
A respiração pesada do esforço físico roçava a pele sensível do menor. Junto com o ar quente, uma lufada concentrada de feromônios de sândalo e tempestade escapou, atingindo os sentidos de Dante à queima-roupa.
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O pulso de Dante acelerou de forma violenta. O coração batia contra as costelas como se quisesse escapar.
Suas pernas perderam a sustentação por uma fração de segundo, os músculos amolecendo sob o impacto daquele aroma dominante. Um calafrio elétrico subiu pela sua espinha, concentrando-se na base da nuca.
Dante arregalou os olhos, o pânico biológico misturando-se à fúria. Tentou desferir uma joelhada para se libertar, mas o corpo parecia não responder com a velocidade habitual, dopado pela proximidade do Alfa Rei.
— Me solta... Desgraçado.
Dante rosnou perto do pescoço de Bernardo. Sua voz saiu abafada contra o tecido da camisa do rival.
A raiva disputava espaço com o arrepio que subia por sua espinha. Bernardo não cedeu um milímetro.
O aperto em sua cintura ficou ainda mais firme, colando os tecidos suados das regatas. Dava para ouvir o compasso acelerado dos dois corações batendo no mesmo ritmo caótico.
— Você está mole, Dan... Cadê aquela marra toda da sala de aula?
O sussurro de Bernardo roçou a orelha de Dante. O tom era baixo, denso, carregado daquela calmaria predatória que desarmava qualquer tentativa de defesa.
Dante rangeu os dentes, os nós dos dedos prensados contra as costas de Bernardo. Ele forçou os calcanhares contra a lona do ringue, buscando alavanca para empurrar o Alfa.
O cheiro de sândalo parecia entrar direto em sua corrente sanguínea. Uma queimação incômoda se instalou na base de sua nuca, fazendo suas vistas turvarem por um breve segundo.
— Eu mandei... me soltar!
Com um grito sufocado, Dante usou a testa para empurrar o queixo de Bernardo. O impacto quebrou o clinch à força, afastando os dois corpos.
Dante recuou cambaleando dois passos, os pés descalços buscando aderência. Limpou a boca com as costas da mão enfaixada, os olhos fixos no rival, faiscando puro ódio.
Bernardo Imperial permaneceu no centro do ringue. A camisa branca estava desalinhada, com uma mancha escura de suor no peito.
Passou os dedos pelo cabelo desalinhado, os olhos cor de âmbar brilhando com uma intensidade perigosa no escuro do ginásio. Lico assistia a tudo da beira do tablado, prendendo a respiração com o cronômetro travado nos dedos.
Dante não esperou o fôlego voltar. Avançou novamente, o corpo inclinado para a frente, desferindo um gancho de direita com toda a força que restava em seus ombros.
O golpe cruzou o ar com um som pesado, visando a lateral do rosto de Bernardo. Bernardo moveu o tronco para trás em um reflexo cirúrgico.
O punho de Dante passou a milímetros de seu queixo, cortando apenas o vento.
Aproveitando o impulso do erro de Dante, Bernardo deu um passo lateral rápido.
Ele segurou o ombro de Dante com a mão esquerda e, com um movimento contínuo e ríspido, empurrou o rapaz para trás. O corpo de Dante voou em direção à extremidade do ringue.
As cordas elásticas bateram contra as suas costas com força, pegando-o no impulso e jogando-o para a frente de novo.
Antes que Dante pudesse recuperar o equilíbrio ou erguer a guarda, a figura alta de Bernardo ressurgiu bem na sua frente, bloqueando qualquer saída.
Ploft.
Bernardo bateu as duas mãos abertas contra as cordas superiores, uma de cada lado dos ombros de Dante. O elástico esticou sob o peso, prendendo o menor contra a estrutura de metal do poste do ringue.
Dante estava encurralado. A proximidade voltou com o dobro da intensidade.
Os rostos dos dois rapazes ficaram a milímetros de distância, as respirações curtas e quentes se misturando no espaço confinado. Dante tentou levantar os punhos.
Bernardo inclinou o torso para a frente, usando o próprio peso para pressionar os braços enfaixados do menor contra o peito dele.
Os olhos cor de âmbar de Bernardo encaravam os de Dante sem piscar, as pupilas completamente dilatadas por trás da ausência dos óculos.
Havia um sorriso imperceptível e terrivelmente frio no canto de seus lábios. Dante sentiu o peito subir e descer freneticamente, as pernas trêmulas sob a pressão invisível daquele olhar.
Nenhum dos dois moveu um músculo. O silêncio no ginásio foi quebrado apenas pelo som do trovão que estourou do lado de fora, iluminando a lona do ringue por um segundo sob a tempestade de São Paulo.
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