"O BEBÊ SECRETO DA SALA 307" Capítulo 8
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O bebê finalmente estabilizou, e o monitor respiratório voltou a um ritmo constante.
Camila sentiu um alívio momentâneo, mas o coração permanecia pesado.
Ela olhou para Rafael, esperando que um sorriso ou gesto de conforto surgisse, mas ele permaneceu rígido, os braços cruzados, os olhos fixos no chão.
“Você podia ter perdido ele, Camila,” disse Rafael, a voz fria, carregada de raiva e dor.
Camila engoliu em seco, sentindo a culpa pesar.
“Eu… eu não sabia… eu juro que tentei…”
“Não adianta palavras agora,” cortou Rafael. “Você me colocou no limite. Não sei se posso confiar em você novamente.”
Renata observava a cena silenciosa, preocupada.
Sabia que a tensão emocional entre o casal poderia afetar o bebê novamente.
“Rafael, por favor, mantenha a calma,” disse ela, firme, tentando proteger Camila.
Ele a ignorou, olhando apenas para a esposa com reprovação intensa.
Camila baixou os olhos, lágrimas escorrendo pelo rosto.
O bebê se mexeu levemente, como se também sentisse a dor no ambiente.
“Eu nunca quis que isso acontecesse,” disse ela, a voz quase sumindo.
Rafael apenas suspirou, passando a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado.
“Isso não é só sobre você, Camila. É sobre todos nós. É sobre responsabilidade.”
Enquanto isso, Renata decidiu investigar discretamente o desaparecimento do exame de DNA.
Ela voltou ao computador, digitando cuidadosamente cada comando, buscando rastros ou qualquer detalhe que pudesse explicar o sumiço da ficha.
Os olhos dela percorreram cada linha do sistema, cada histórico de acessos.
Nada parecia fora do lugar, exceto um nome antigo que chamou sua atenção.
“Isso é estranho…” murmurou Renata para si mesma, franzindo a testa.
Ela encontrou uma ficha antiga, com detalhes muito semelhantes aos do exame desaparecido, mas registrada meses atrás.
Algo não se encaixava.
Quem teria motivos para apagar a ficha mais recente e manipular o sistema?
Camila continuava imóvel na cama, sentindo o peso das palavras de Rafael.
Cada reprovação dele era como uma lâmina atravessando seu peito.
“Eu… eu não sei mais o que fazer,” disse ela, quase sem ar.
“Você precisa aprender a controlar suas emoções,” respondeu Rafael, a voz dura.
“Eu estou tentando,” sussurrou Camila, sentindo-se humilhada e impotente.
O bebê mexeu-se novamente, e Renata percebeu sinais de estresse.
Ela aproximou-se de Camila, segurando sua mão.
“Respire devagar, Camila. Ele sente cada emoção sua,” disse, firme.
Camila fechou os olhos, tentando se concentrar nas palavras de Renata.
O bebê se acalmou levemente, mas a tensão entre ela e Rafael permanecia intensa.
Rafael virou-se para a janela, olhando para o céu cinza do hospital.
O silêncio era pesado, cheio de culpa e ressentimento.
Ele não conseguia entender como a situação havia chegado àquele ponto.
Tudo o que ele queria era proteger a família, mas a sensação de traição parecia dominá-lo completamente.
Renata continuava a examinar o sistema, tentando encontrar alguma pista concreta.
Finalmente, encontrou uma correspondência parcial com outro nome antigo no registro.
“Isso não faz sentido,” murmurou ela, examinando a ficha com cuidado.
Algo estava escondido, mas o que exatamente ninguém sabia.
Camila sentiu o corpo tremer, uma mistura de alívio e desespero.
Ela não queria perder o bebê, mas também sentia que estava perdendo Rafael a cada momento.
“Por favor, ele precisa ficar bem,” disse, quase em oração.
Renata apertou a mão dela, transmitindo força e segurança.
Rafael finalmente se aproximou, olhando para a esposa com uma expressão complexa.
“Eu… não sei como lidar com tudo isso,” disse ele, a voz baixa e cheia de emoção.
Camila ergueu os olhos para ele, tentando encontrar algum resquício do marido amoroso que conhecia.
Mas havia apenas dor, medo e desconfiança.
O monitor apitou novamente, lembrando a todos que a vida de Camila e do bebê estava em jogo.
“Vamos ter que refazer o exame de DNA assim que possível,” disse Renata, voltando-se para o computador.
“E descobrir quem está manipulando o sistema.”
Camila respirou fundo, tentando se acalmar.
O bebê se mexeu suavemente, e ela sentiu um fio de esperança.
Se Renata conseguisse descobrir a verdade, talvez Rafael voltasse a confiar nela.
Rafael continuava observando em silêncio, a tensão diminuindo lentamente.
Mas a culpa e o medo permaneciam, lembrando que a batalha estava apenas começando.
Renata anotou mentalmente cada detalhe, determinada a descobrir a verdade antes que qualquer outro dano fosse causado.
Camila fechou os olhos, sentindo o bebê se mover de forma mais calma.
Ela sussurrou para si mesma:
“Vamos superar isso. Juntos ou sozinhos, vamos sobreviver.”
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