"O BEBÊ SECRETO DA SALA 307" Capítulo 6
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Camila ainda estava deitada, exausta, tentando recuperar o fôlego.
O bebê se mexia lentamente, mas a tensão no ar fazia cada contração parecer mais intensa.
O monitor apitava com frequência, um lembrete constante de que ela precisava se controlar, mas a ansiedade dominava seu corpo.
A porta se abriu suavemente.
Bianca entrou com um sorriso que não chegava aos olhos.
“Oi, Camila. Como você está se sentindo?”
A voz era doce, quase preocupada, mas Camila percebeu imediatamente a frieza por trás da expressão.
“Estou… tentando ficar bem,” respondeu Camila, a voz fraca, tentando não chorar.
Bianca aproximou-se, fingindo preocupação, mas havia um brilho cruel nos olhos.
“Você sabe, essa situação toda é muito delicada. Rafael está preocupado, e a família também…”
Camila engoliu em seco.
Cada palavra soava como uma lâmina cortando lentamente seu coração.
“Eu sei, Bianca. Eu… eu não quero problemas,” murmurou Camila, segurando a barriga, sentindo a tensão aumentar a cada frase.
“Problemas?” Bianca inclinou-se, o sorriso se transformando em um esgar.
“Você já trouxe problemas demais, não acha? Tudo o que aconteceu… a humilhação, o exame… isso não é fácil de esquecer.”
O estômago de Camila se revirou.
Uma pontada intensa atravessou a barriga.
“Camila, você está bem?” perguntou Bianca, fingindo preocupação.
“Sim… só… dói,” respondeu Camila, tentando controlar o choro.
“Dói?” Bianca fez uma pausa dramática, a voz quase sussurrando.
“Eu não duvido. É o peso de suas próprias escolhas.”
Camila sentiu as mãos suarem, o bebê se mexendo violentamente dentro dela.
Renata, observando de perto, franziu a testa.
A pressão emocional estava prejudicando a gestante.
O bebê sentia cada ataque, cada palavra, e reagia com movimentos mais fortes.
“Você precisa entender, Camila,” continuou Bianca.
“Não é só sobre o exame, não é só sobre Rafael. É sobre tudo o que você fez. Sobre toda a família.”
Camila tentou abrir a boca, mas nenhuma palavra veio.
As lágrimas rolavam sem parar.
Cada frase de Bianca cortava mais fundo, tornando a dor quase insuportável.
“Você acha que pode se safar?” Bianca riu, cruel.
“Mas ninguém esquece o que você fez. E eu? Eu nunca vou esquecer.”
Renata respirou fundo, tentando manter o controle da situação.
“Bianca, por favor… ela precisa se acalmar. Isso está prejudicando o bebê.”
“Prejudicando o bebê?” Bianca quase gargalhou.
“Camila, olha para você. Se acha que ele merece algo melhor, faça o favor de ficar quieta e refletir sobre seus atos.”
Camila sentiu o mundo desabar novamente.
O bebê se mexia com força, e ela sentiu um leve sangramento.
Renata correu para observar, segurando a mão de Camila.
“Respire fundo,” disse a enfermeira, preocupada.
“Está tudo bem, só precisamos acalmar você.”
Bianca não se intimidou.
“Você sabe que Rafael vai ouvir tudo isso. Ele vai tomar decisões. E você vai ficar sozinha, Camila. Entenda isso.”
Camila engoliu em seco, sentindo a possibilidade cruel de ter que criar o bebê sozinha pela primeira vez.
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“Não… não pode ser assim,” murmurou, sentindo o desespero crescer.
Renata olhou para Bianca, irritada.
“Você não tem o direito de falar assim! Camila está passando por um momento crítico. Precisamos manter a calma e protegê-la.”
“Proteger?” Bianca ergueu as sobrancelhas, zombando.
“Ela precisa aprender as consequências. O bebê sente tudo, e ela precisa entender que não pode continuar enganando.”
O monitor apitou novamente, mais rápido desta vez.
Bip… bip… bip…
Camila segurou a barriga com força, tentando acalmar o bebê.
“Por favor… não faça isso com ele,” implorou, os olhos marejados.
Bianca deu um passo para trás, com um sorriso frio.
“Isso não é comigo, Camila. Isso é com você e suas escolhas.”
A tensão no quarto atingiu o ponto máximo.
Renata suspirou, percebendo que precisava agir antes que o estresse físico de Camila se tornasse grave.
Camila fechou os olhos, respirando com dificuldade.
O bebê se mexia com força, alertando todos da situação.
Ela sabia que precisava resistir, mas o peso da humilhação estava esmagando seu corpo e sua mente.
“Eu não… eu não aguento,” murmurou, quase sem voz.
Renata segurou sua mão firmemente.
“Você consegue, Camila. Respire comigo. Cada respiração ajuda o bebê também.”
Camila respirou fundo, mas sentiu uma nova pontada.
“Está doendo… de novo,” disse ela, o medo evidente na voz.
Bianca sorriu levemente, observando a gestante lutar.
“Veja só… até o bebê está reagindo. Não é só você, Camila. É a vida inteira sentindo o impacto de suas ações.”
Rafael permaneceu em silêncio, no corredor, assistindo à cena.
Ele não entrou, mas cada palavra que chegava aos ouvidos dele aumentava a tensão.
Camila percebeu que, mesmo sem falar, Bianca havia plantado a dúvida no coração dele.
“Eu vou ficar bem,” disse Camila, tentando se convencer.
Mas sabia que estava sozinha.
Rafael não intervinha.
A família não intervinha.
E Bianca continuava lá, silenciosa, observando cada reação.
O bebê mexeu-se novamente, mais forte.
Renata olhou rapidamente para os sinais vitais.
Tudo ainda estava estável, mas o estresse físico e emocional de Camila era evidente.
“Vamos controlar isso,” disse Renata, firme.
“Você vai conseguir passar por isso, Camila. Respire fundo.”
Camila encostou a cabeça no travesseiro, as lágrimas continuando a escorrer.
“Talvez eu tenha que criar você sozinha,” murmurou, acariciando a barriga, sentindo o bebê reagir.
O silêncio se tornou quase absoluto.
A única coisa que preenchia a sala era o bip constante do monitor e a respiração trêmula de Camila.
Ela fechou os olhos novamente, tentando reunir forças.
Renata permaneceu ao lado, atenta a cada movimento, sabendo que a gestante precisava de apoio total.
O peso da humilhação, da pressão familiar e do medo do futuro era quase insuportável, mas Camila sabia que precisava resistir..
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