"O BEBÊ SECRETO DA SALA 307" Capítulo 3
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A porta da Sala 307 abriu-se com violência poucos minutos depois da ligação de Rafael.
Camila ainda tinha lágrimas nos olhos quando viu Helena Albuquerque entrar no quarto.
Atrás dela vinham Bianca e Augusto.
Os três avançaram sem hesitar.
Como se já tivessem chegado a uma conclusão antes mesmo de ouvir qualquer explicação.
O coração de Camila afundou.
Ela conhecia aquele olhar.
Helena nem sequer tentou esconder o desprezo.
“Então era verdade.”
A voz da sogra cortou o silêncio.
Camila fechou os olhos.
Nem sequer tinha começado a falar.
E já tinha sido condenada.
“Helena, por favor...”
“Não me chama assim.”
A resposta veio imediatamente.
Fria.
Cruel.
Helena aproximou-se da cama.
O olhar percorreu Camila da cabeça aos pés.
Depois parou na barriga.
“Eu sabia.”
Camila sentiu um nó formar-se na garganta.
“Sabia o quê?”
“Que você não era a mulher certa para o meu filho.”
O quarto mergulhou num silêncio pesado.
Bianca cruzou os braços.
Um sorriso discreto apareceu no canto da boca.
“Finalmente alguém falou.”
Camila virou-se para ela.
“Bianca...”
“Não olha para mim desse jeito.”
Bianca deu de ombros.
“Todo mundo está pensando a mesma coisa.”
“Não.”
“Está sim.”
“Eu nunca traí Rafael.”
“Claro.”
A ironia na voz de Bianca fez Camila sentir ainda mais vergonha.
“E o DNA apareceu sozinho.”
Renata respirou fundo.
Precisava intervir.
“Bianca, ninguém sabe exatamente o que aconteceu.”
“Eu sei.”
“Não sabe.”
“Sei sim.”
Bianca apontou para os documentos espalhados sobre a cama.
“O exame está dizendo tudo.”
Camila sentiu as lágrimas voltarem.
Mais fortes.
Mais dolorosas.
“Vocês estão me julgando por um papel.”
“Não.”
Helena aproximou-se mais.
“Estamos julgando pelos fatos.”
“Não existem fatos.”
“Existe um exame.”
Camila olhou para Rafael.
Desesperada.
Implorando.
Precisando que ele dissesse alguma coisa.
Qualquer coisa.
Mas Rafael permaneceu em silêncio.
E aquele silêncio machucou mais do que qualquer insulto.
“Você também acha isso?”
A voz dela saiu quase sem som.
Rafael fechou os olhos.
A mandíbula travou.
“Eu não sei o que pensar.”
Camila sentiu o peito apertar.
Porque aquela resposta era quase pior do que um "sim".
“Você deveria me conhecer.”
“Eu achava que conhecia.”
A frase caiu sobre ela como uma pedra.
Helena assentiu imediatamente.
“Está vendo?”
“Helena, para.”
Augusto falou pela primeira vez desde que tinha entrado.
A voz era calma.
Mas a decepção estava ali.
Visível.
“Não precisamos transformar isso num espetáculo.”
“Espetáculo?” respondeu Helena.
“Meu filho acabou de descobrir que talvez esteja criando o filho de outro homem.”
“Talvez.”
Renata enfatizou a palavra.
“Talvez.”
Helena virou-se imediatamente.
“Você continua insistindo nisso?”
Renata apertou a ficha contra o peito.
“Porque existe uma inconsistência.”
Bianca soltou uma risada.
“Claro.”
“Estou falando sério.”
“E eu também.”
Bianca aproximou-se da cama.
“Camila sempre teve alguma coisa estranha.”
“Bianca!”
Rafael finalmente elevou a voz.
Bianca ficou surpresa.
“Estou mentindo?”
Rafael não respondeu.
Porque nem ele sabia mais o que pensar.
O exame dizia uma coisa.
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Camila dizia outra.
E Renata parecia escondendo alguma coisa.
O quarto estava se transformando num pesadelo.
“Eu não fiz nada.”
Camila falou novamente.
As lágrimas escorriam sem parar.
“Eu só queria ter meu filho em paz.”
“Nosso filho.”
A correção saiu automática.
E doeu.
Porque Rafael não respondeu.
Não corrigiu.
Não confirmou.
Nada.
Helena percebeu.
E aproveitou.
“Nem Rafael acredita mais em você.”
Camila sentiu o estômago afundar.
“Por favor.”
“Você quer que eu tenha pena?”
“Eu quero que alguém me escute.”
“Então responde.”
“Eu já respondi.”
“Responde de novo.”
“Eu nunca traí Rafael.”
“Mentira.”
“É verdade.”
“Mentira.”
“É verdade!”
O grito de Camila ecoou pela sala.
Até Helena ficou em silêncio por um segundo.
Apenas um segundo.
Mas foi suficiente.
Porque todos perceberam algo.
Camila estava quebrando.
De verdade.
A força que tinha sustentado ela nas últimas horas começava a desaparecer.
“Eu estou cansada.”
A voz dela tremeu.
“Eu estou tão cansada.”
Renata aproximou-se imediatamente.
“Camila...”
“Eu não consigo mais.”
O monitor acelerou.
Bip.
Bip.
Bip.
Bip.
Renata olhou rapidamente para os números.
E não gostou do que viu.
“Camila, respira.”
“Eu estou tentando.”
“Mais devagar.”
Mas Camila já não conseguia.
As lágrimas.
O medo.
A vergonha.
Tudo estava esmagando ela ao mesmo tempo.
“Vocês acham que isso está sendo fácil para mim?”
Silêncio.
“Acham que eu gosto de estar aqui?”
Ninguém respondeu.
“Acham que eu gosto de ver meu marido me olhando como se eu fosse uma estranha?”
Rafael desviou os olhos.
Porque não suportava ouvir aquilo.
“Eu acordei hoje acreditando que teria uma família.”
Camila apertou a barriga.
“E agora todo mundo me olha como se eu fosse uma criminosa.”
O monitor voltou a acelerar.
Bip.
Bip.
Bip.
Renata começou a ficar preocupada.
Muito preocupada.
“Camila, eu preciso que você se acalme.”
“Como?”
As lágrimas escorriam livremente.
“Como eu posso me acalmar?”
Helena cruzou os braços.
Mas até ela parecia um pouco desconfortável agora.
Porque aquilo já não era apenas uma discussão.
Camila estava desmoronando diante deles.
“Camila...”
Rafael deu um passo à frente.
Pela primeira vez.
“Eu não queria que isso acontecesse.”
“Mas aconteceu.”
“Eu preciso entender.”
“E eu preciso que você acredite em mim.”
Silêncio.
Rafael não respondeu.
Outra vez.
E foi aí que algo mudou.
Camila percebeu.
Percebeu que Rafael já tinha escolhido.
Talvez não totalmente.
Mas o suficiente.
O suficiente para deixá-la sozinha.
O suficiente para não defendê-la.
O suficiente para não acreditar nela.
E aquilo destruiu o pouco que ainda restava.
Uma dor atravessou seu abdômen.
Forte.
Repentina.
Camila levou a mão à barriga imediatamente.
“Ah...”
Renata percebeu.
“O que foi?”
Outra dor.
Mais intensa.
Muito mais intensa.
“Camila?”
Rafael avançou imediatamente.
“Está doendo.”
A voz dela saiu fraca.
“Está doendo muito.”
O monitor disparou.
Bip.
Bip.
Bip.
Bip.
Bip.
Renata correu até a cama.
“Chama o médico!”
Uma das enfermeiras saiu correndo.
Augusto aproximou-se.
Helena empalideceu.
Até Bianca perdeu o sorriso.
Porque agora ninguém estava pensando no exame.
Ninguém estava pensando em traição.
Ninguém estava pensando em DNA.
Todos estavam olhando para Camila.
E para o bebê.
“Respira.”
Renata segurou a mão dela.
“Respira comigo.”
Mas Camila já não conseguia ouvir direito.
As vozes começaram a ficar distantes.
Confusas.
Misturadas.
Ela sentiu outra contração.
Depois outra.
E outra.
As lágrimas escorriam livremente.
A visão ficou turva.
Muito turva.
A última coisa que Camila viu foi Rafael correndo para o lado da cama.
Desesperado.
Realmente desesperado.
“Camila!”
O grito dele ecoou pelo quarto.
Mas já era tarde.
A escuridão tomou conta de tudo.
E Camila desmaiou.
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