"Destruída pelo Desejo" Capítulo 26
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Capítulo 51: Entregue o que é meu
A maior parte dos moradores daquela região fora transferida dali há cinco anos, fazendo com que o local devesse estar praticamente deserto.
Contudo, por essa mesma razão, o espaço acabou se tornando o refúgio de muitos trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ninguém conseguiria associar que, por trás de toda a opulência daquela metrópole, existia um ambiente com tamanha diversidade e complexidade social.
Grandes edifícios já deveriam ter sido erguidos ali há muito tempo, se não fosse pelos acontecimentos do passado, quando seu pai, em cumplicidade com sua mãe que atuava de forma infiltrada no exterior, desviou aquela enorme quantia financeira.
Esse projeto de revitalização urbana ficou paralisado por cinco anos inteiros até que uma nova licitação fosse aberta, e ninguém sabia quantas irregularidades ainda permaneciam ocultas sem a devida apuração.
Yago simplesmente não havia entrado em detalhes com ela na noite anterior.
Mas Janaína já havia deduzido os fatos.
A brisa suave da manhã trazia consigo um odor desagradável de origem indefinida.
Janaína sentiu um leve desconforto estomacal e baixou o olhar em direção ao canal de águas escuras ao lado. Seu rosto permaneceu sob a sombra, tomada por uma sensação incômoda.
— Senhorita. — Tiago aproximou-se, e sua silhueta alta bloqueou totalmente a fraca iluminação solar que a atingia. — O que está avaliando de forma tão concentrada aqui fora?
Janaína ergueu o rosto, com uma feição um tanto abatida: — Sempre que visito esta região, sinto um certo mal-estar físico, mas não é nada grave. Você tem certeza de que ele se encontra no interior desta hospedaria?
Tiago olhou para ela: — Sim, contratei uma pessoa para instalar uma câmera oculta no quarto que ele reservou. Não precisamos ir verificar pessoalmente; podemos nos acomodar naquela casa de chá ali adiante e acompanhar as imagens com tranquilidade.
— O quê? — Os cantos da boca de Janaína se contraíram levemente, sentindo-se como se estivesse num sonho, caminhando de forma confusa até o estabelecimento indicado.
Se Yago descobrisse aquela ação, certamente a sufocaria.
Tiago demonstrava total segurança: — Fique tranquila, ele jamais descobrirá. Vamos entrar.
— Tudo bem.
Assim que Janaína se virou, percebeu que o lado oposto à hospedaria era composto por uma série de pequenas residências de estilo ocidental, cercadas por uma atmosfera que misturava a umidade do lodo com o odor de madeira antiga em decomposição.
Apesar do aspecto igualmente desgastado pelo tempo, a paisagem do outro lado do canal era completamente distinta.
Ao olhar na distância, era possível vislumbrar a antiga propriedade residencial da sua família de infância.
Outro suspiro silencioso ecoou em seu peito.
No fim das contas, seus pais eram de fato os responsáveis por aqueles atos ilícitos.
Contudo, havia um ponto que ela não conseguia compreender: por qual razão a maioria dos moradores aceitou realizar a mudança de forma tão pacífica se os recursos financeiros haviam sido totalmente desviados?
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Na verdade, ela própria não via uma necessidade real em reaver aquela antiga propriedade, visto que sua família não deixara um histórico de realizações honrosas para a comunidade.
Como o próprio Yago mencionara, seus tios haviam desaparecido sem deixar rastros e provavelmente desfrutavam da vida em algum lugar distante, enquanto ela retornara de forma ingênua para se envolver naquela confusão.
O caso já fora encerrado e todas as informações haviam sido arquivadas; ninguém demonstraria interesse em expor o passado novamente.
Seu pai de fato se envolvera em desvios financeiros, e sua mãe não falecera em decorrência do cumprimento de suas funções profissionais.
Janaína compreendia as entrelinhas das declarações dele.
Uma vez que esses fatos fossem expostos, os interesses de muitas figuras influentes seriam afetados. Ela não possuía recursos ou aliados suficientes e tentar desafiar o poder estabelecido seria uma completa ilusão.
As declarações de Yago na noite anterior funcionavam como um alerta, mas também traziam um componente de proteção.
No fundo, ele não desejava ver uma figura vulnerável expor-se voluntariamente ao perigo.
O cenho de Janaína contraiu-se fortemente.
— Você está agindo de forma estranha hoje, minha querida senhorita.
Já haviam se passado dez minutos desde que se acomodaram na casa de chá, e Janaína continuava com o olhar fixo na janela externa, com as pupilas sem foco definido.
Tiago perguntou em tom investigativo: — Seria por causa do Yago? Você teme encarar a realidade dos fatos? Mas você já não tinha conhecimento de que ele não era uma figura confiável no aspecto afetivo?
Janaína balançou a cabeça de forma mecânica: — Não tem relação com ele. É apenas o fato de estar neste local que me traz um grande desconforto interno.
A água mineral da fonte já havia atingido o ponto de ebulição, borbulhando intensamente.
Janaína recuperou a concentração e fez menção de segurar a chaleira, mas sua mão foi afastada por um leve toque de Tiago.
— Deixe comigo.
Ele posicionou o tablet sobre a mesa e utilizou um tecido para isolar o calor, erguendo a chaleira para verter a água fervente sobre o bule. O aroma das folhas de chá logo se espalhou pelo ambiente.
Janaína inspirou o aroma da bebida, sentindo o peito menos sufocado. Ela puxou o tablet e deparou-se com a transmissão interna do quarto da hospedaria.
— Por que não há ninguém no local?
O ambiente encontrava-se totalmente às escuras.
...
Na diagonal oposta à casa de chá, separada pelo canal de águas escuras, erguia-se a estrutura de uma instituição hospitalar desativada.
Assemelhando-se à carcaça de uma criatura imensa esquecida pelo tempo, a edificação mantinha-se estática sob a fraca iluminação da manhã.
Marcas de ferrugem assemelhavam-se a feridas abertas, espalhando-se por toda a extensão do portão de ferro principal que permanecia trancado.
No terceiro pavimento, no interior de uma das salas de internação, a atmosfera era densa e estagnada, combinando o odor de madeira deteriorada com os resquícios químicos de desinfetante, penetrando de forma fria no sistema respiratório.
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A fisionomia do homem apresentava nuances variadas sob a iluminação filtrada pelas camadas de poeira e impurezas das janelas, exibindo uma tonalidade pálida e doentia.
Um ruído metálico ecoou.
A figura posicionada às suas costas o puxou para cima juntamente com a estrutura do assento.
— Consegue identificar quem está ali?
Através da abertura da janela, o olhar do homem fixou-se num ponto específico.
A voz produzida por suas cordas vocais era extremamente debilitada e rouca: — Janaína...
Em meio ao vapor do chá, a jovem ergueu levemente o rosto na direção da janela, gerando a percepção momentânea de que os olhares de ambos haviam se cruzado.
O homem deixou escapar um sorriso misturado a lágrimas: — Ela parece estar muito bem...
A figura às suas costas puxou-o abruptamente de volta, interrompendo a manifestação de alívio de forma imediata.
— Se não fossem pelas minhas intervenções, a sua irmã já teria falecido há muito tempo, e você também. Entregue o que me pertence.
O homem respondeu de forma despretensiosa: — Independentemente da abordagem utilizada, a minha resposta permanecerá inalterada de forma permanente.
— É mesmo? — A figura virou-se de costas para ele, mantendo o olhar direcionado para a parte externa através da janela. — Vivendo como um fugitivo durante estes cinco anos, você ainda não se sente exausto?
O homem permaneceu indiferente: — Sim, reconheço que você me prestou auxílio durante este período, e por essa razão eu sempre efetuava a mudança de local antes que as equipes de busca chegassem.
— Nestes cinco anos, você certamente apreciou este jogo de perseguição entre caçador e presa. No entanto, eu cheguei ao meu limite. Ter a oportunidade de ver a minha irmã hoje me traz total satisfação, e o fato de você ter garantido o bem-estar dela faz com que os meus esforços não tenham sido...
Subitamente, um forte impacto metálico interrompeu sua linha de raciocínio.
Yago afastou com um golpe de pé uma barra de ferro que se encontrava no chão e segurou com firmeza a região do ombro lesionado do homem, aplicando uma pressão intensa.
O fluxo de sangue intensificou-se no local, mas o indivíduo manteve-se em total silêncio, como se não possuísse receptores de dor. Contudo, o fundo de seus olhos ressecados recuperou uma leve intensidade de cor.
— Trazer a sua irmã até este local deveria deixar claro para você o real significado da situação. Você deseja encerrar a sua existência? — Yago manifestou um sorriso gélido. — Uma nova etapa do jogo está iniciando oficialmente neste momento.
O homem demonstrou surpresa.
A manifestação vocal de Yago assemelhava-se à conduta de uma figura sombria e instável: — Desta vez, não prestarei mais nenhum tipo de auxílio. Divulgarei as informações sobre a sua localização pelo período de um mês. Caso você consiga evitar a captura pelas equipes de busca durante este intervalo, a verdadeira identidade da sua irmã permanecerá protegida.
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O homem cerrou os punhos de forma abrupta: — Yago! Utilizar a segurança dela como elemento de aposta demonstra total falta de consideração pelo histórico da minha família!
Yago olhou-o de cima para baixo, deixando escapar uma leve risada: — A sua irmã parece demonstrar uma grande afeição por mim.
...
Janaína desviou o olhar da tela, franzindo o cenho: — Ele efetuou a reserva do quarto, mas não realizou o ingresso no local. Para onde ele teria ido?
Na realidade, ela não sustentava a teoria de que ele visitaria uma região com aquela infraestrutura nas primeiras horas do dia apenas para um encontro casual.
Tiago tentava realizar o monitoramento da localização de Yago. Após quase trinta minutos de tentativas, as coordenadas indicavam ora a zona norte, ora a residência oficial, ora aquele exato perímetro.
Aquilo parecia uma habilidade de teletransporte.
— Que droga... — Ele manifestou sua frustração direcionando termos ríspidos ao dispositivo, lembrando-se de um detalhe de forma repentina: — Claro, ainda temos o sistema de monitoramento viário das redondezas.
Janaína demonstrou maior serenidade: — Com essa abordagem, você pretende realizar a intrusão no sistema de segurança pública?
As penalidades legais estavam se tornando cada vez mais severas.
Tiago não manifestava qualquer receio: — Posso garantir que, no território nacional, as minhas habilidades de intrusão virtual encontram-se no patamar mais elevado.
Janaína não desejava desencorajá-lo, mas pontuou: — Apenas as ações de Yago foram suficientes para obter as evidências da sua intrusão anterior no computador dele.
Capítulo 52: Ele é perigoso
Tiago: — ...
Ambos mantiveram a troca de olhares por alguns instantes.
Por razões de segurança, ele preferiu adotar uma postura mais cautelosa.
Consumiu o conteúdo do copo de chá de uma única vez e levantou-se: — É mais prudente realizar uma verificação com os estabelecimentos comerciais deste perímetro. Notei que existem dispositivos de gravação instalados nas entradas.
Enquanto ele se deslocava para dialogar com o proprietário do local, Janaína retirou-se do estabelecimento. Sua intenção inicial era localizar sua secretária, caminhando na direção do curso do canal de água.
Um veículo utilitário de grande porte passou de forma acelerada por sua lateral, realizando um movimento de marcha a ré logo em seguida até alinhar-se à sua posição.
Janaína não compreendeu a situação imediatamente.
Até que a janela da cabine foi recolhida, expondo a fisionomia de traços elegantes, porém marcada por uma postura arrogante, do herdeiro Zhao.
— De fato era você, Janaína.
Janaína direcionou o olhar além da posição dele, avaliando o condutor do veículo que exibia tatuagens nos braços. A fisionomia deste não transmitia agressividade; possuía a pele clara, os cabelos tonalizados em amarelo e traços que sugeriam uma ascendência mista.
Ela recolheu o olhar de forma sutil e aproximou-se com uma expressão simpática: — Em qual horário o senhor costuma iniciar as suas atividades? Encontrá-lo em atividade a esta hora é algo incomum.
O herdeiro Zhao manifestou uma leve risada, apoiando o braço na lateral da janela. Ao esticar o braço, tocou a região superior da cabeça dela, bagunçando seus cabelos de forma descontraída.
— A jovem senhorita está ironizando a meu respeito!
— Eu sou uma mulher com histórico de matrimônio, não me enquadro no perfil de uma jovem senhorita.
O herdeiro Zhao demonstrou divertimento com a resposta, destrancou a porta do veículo e desceu, direcionando uma instrução ao condutor com tatuagens: — Estacione o veículo e venha ao nosso encontro.
O carro afastou-se de forma acelerada.
Janaína direcionou o rosto para cima com um sorriso simpático: — Minha presença aqui deve-se a compromissos profissionais, não disponho de tempo livre para acompanhá-lo.
O herdeiro Zhao arqueou as sobrancelhas: — Excelente, também tenho pendências a resolver neste perímetro.
Janaína demonstrou curiosidade: — Qual o propósito da sua visita?
— Localizar um indivíduo — o herdeiro Zhao complementou. — Um profissional das artes plásticas com grande experiência, com o intuito de encomendar uma obra para um conhecido próximo.
Janaína demonstrou surpresa: — Ele reside nesta localidade?
O herdeiro Zhao inclinou levemente a cabeça: — O idoso mantém residência fixa neste perímetro há muito tempo. Você tem interesse em acompanhar?
A expressão de Janaína não sugeria um entusiasmo imediato pela proposta.
O herdeiro Zhao sorriu: — Vamos juntos. Obter informações com os antigos residentes deste perímetro trará benefícios para o desenvolvimento do seu projeto de revitalização urbana. Afinal, você precisará coordenar a transferência de habitação deles no futuro.
— Perfeito.
Janaína aceitou o convite.
A distância a ser percorrida era reduzida. No momento em que alcançaram a residência do idoso, o condutor com tatuagens aproximou-se de forma apressada após finalizar o estacionamento do carro.
Ele buscou iniciar um diálogo com Janaína de forma bastante cordial: — Bom dia. Já realizou a primeira refeição? Existe um estabelecimento especializado em massas com carne nas proximidades que apresenta boa qualidade, gostaria de visitar mais tarde?
Janaína respondeu com simpatia: — Com certeza.
A recepção no local foi realizada pela profissional responsável pelos cuidados domésticos do idoso, uma mulher com idade aproximada de quarenta anos.
— Não há necessidade de remover os calçados, por favor, entrem.
O herdeiro Zhao estendeu duas embalagens de presentes: — Agradeço a recepção.
Janaína experimentou uma sensação de familiaridade de difícil definição com o ambiente, acompanhada por uma aceleração em seus batimentos cardíacos sem razão aparente.
Ao ingressar no espaço residencial, seu olhar concentrou-se nas produções artísticas fixadas na parede.
Sua caminhada foi interrompida abruptamente.
O condutor com tatuagens manifestou um alerta em tom baixo ao seu lado: — A funcionária indicou que a remoção dos calçados não é necessária.
Janaína assentiu com a cabeça buscando manter a naturalidade: — Compreendido, eu preciso de um instante... — Alegando um compromisso repentino.
O herdeiro Zhao direcionou o rosto em sua direção e fez um gesto com a mão, solicitando a sua aproximação.
Janaína caminhou na direção dele de forma mecânica.
Ele pronunciou em tom baixo próximo ao ouvido dela: — Caso o artista demonstre disposição, solicitarei a produção de uma obra adicional. A mãe de Lucas aprecia este estilo de arte.
Janaína direcionou a ele um olhar de reprovação.
O herdeiro Zhao conteve a risada com dificuldade: — Buscar uma boa relação com a mãe de Lucas reflete positivamente na sua relação com o seu principal superior hierárquico, traz vantagens práticas, não concorda?
Aquela argumentação possuía lógica.
Contudo, uma das produções artísticas fixadas na estrutura da parede apresentava-se de forma extremamente impactante para ela.
A imagem retratava a composição de sua própria família, com quatro integrantes.
Felizmente, no período de produção daquela imagem, ela possuía uma idade muito reduzida.
O artista idoso ainda não havia se apresentado no ambiente.
Enquanto os demais integrantes concentravam-se na avaliação das obras, Janaína aproveitou a distração geral para registrar uma imagem utilizando o celular de forma discreta.
— Lamento a espera.
No exato momento do acionamento do dispositivo fotográfico, a manifestação vocal do idoso, carregada de experiência, ecoou às suas costas. Janaína experimentou um sobressalto, quase perdendo o controle do aparelho celular.
Ela virou-se na direção dele, exibindo um sorriso sutil.
O olhar perspicaz do idoso manteve-se fixo na figura dela por um intervalo aproximado de cinco segundos.
A expressão simpática no rosto de Janaína permaneceu inalterada.
O herdeiro Zhao adiantou-se: — Lamento causar interrupções em seu período de descanso, realizei um contato telefônico prévio...
Após as interações formais iniciais, o idoso acomodou-se em sua mesa de trabalho: — Durante o diálogo telefônico, eu já havia manifestado a recusa ao seu pedido. Contudo, considerando o seu elevado interesse, se houver alguma produção neste ambiente que desperte a sua atenção, sinto-me confortável em permitir que a leve.
O herdeiro Zhao avaliou o conjunto de obras ao redor. Tratavam-se predominantemente de representações de figuras humanas, mas a solicitação do seu conhecido concentrava-se numa representação de paisagem natural.
Ademais, poucas pessoas demonstrariam interesse em fixar a representação de indivíduos desconhecidos em seus ambientes residenciais.
Ficava evidente que sua chegada ocorrera de forma tardia e as opções mais adequadas provavelmente já haviam sido destinadas a outros interessados.
A situação apresentava complexidade.
O condutor com tatuagens manifestou-se de forma repentina: — A proposta do senhor é de fato real? Eu demonstraria interesse em obter esta produção específica, haveria possibilidade?
Janaína direcionou o olhar para o ponto indicado. Tratava-se exatamente da imagem de sua família.
O idoso direcionou o olhar para a obra, manifestando a recusa com um movimento de cabeça: — Com exceção desta produção específica, as demais encontram-se disponíveis.
O condutor com tatuagens demonstrou frustração: — Qual seria a razão?
O idoso pontuou: — Os integrantes representados não fazem mais parte do plano terreno, mantenho a obra como elemento de preservação da memória.
— Compreendido. Eles presumivelmente mantinham uma forte relação de amizade com o senhor?
O idoso limitou-se a tocar a região da barba, sem emitir uma resposta verbal.
O condutor com tatuagens insistiu na investigação: — Todos os indivíduos representados na imagem de fato faleceram?
Diante daquela indagação, o coração de Janaína experimentou uma forte oscilação.
O idoso elevou as sobrancelhas, manifestando evidente descontentamento: — Agradeço a sua vinda até este local. Caso não haja outra produção de seu interesse, considero o atendimento finalizado.
A declaração foi direcionada mantendo o olhar fixo no herdeiro Zhao.
O herdeiro Zhao segurou o condutor com tatuagens, posicionando-o em retaguarda: — Apresento minhas escusas pelo ocorrido. Solicito que o senhor reavalie a situação, o conhecido de minha família possui limitações de tempo de vida...
O idoso interrompeu a argumentação: — Retornem em um intervalo de uma semana para efetuar a retirada da obra encomendada.
Janaína percebeu de forma sutil a postura de concessão do idoso diante da influência exercida pelas figuras presentes.
O herdeiro Zhao manifestou agradecimentos repetidos.
Janaína manteve-se em total silêncio do início ao fim, acompanhando o deslocamento deles para a parte externa da residência.
Ela certamente planejaria um retorno àquele local no futuro.
Ao alcançarem o ambiente externo, a fisionomia do herdeiro Zhao tornou-se rígida de forma imediata, direcionando-se ao condutor com tatuagens: — Qual o propósito daquela conduta?
O indivíduo com tatuagens manifestou uma postura de inocência: — Não adotei nenhuma conduta inadequada, tratava-se apenas de uma produção artística, não havia necessidade de adotar uma postura de tanta concessão...
Antes da conclusão da frase, o herdeiro Zhao aplicou um golpe com o punho na região abdominal dele.
O condutor com tatuagens emitiu um som de desconforto, apresentando uma distorção em suas feições faciais devido ao impacto.
— Sua conduta foi de fato severa.
The herdeiro Zhao mantinha a expressão séria: — Adote uma postura de maior consideração para com os indivíduos de idade avançada no futuro.
— Compreendido, sem problemas. — O condutor com tatuagens direcionou o olhar para Janaína: — Temos uma presença externa aqui, preserve a minha imagem de alguma forma.
O herdeiro Zhao virou-se na direção dela, exibindo uma expressão mais descontraída: — Na sua avaliação, a penalidade aplicada foi justa?
— Totalmente adequada! — Janaína manifestou concordância plena com gestos: — A ausência de consideração para com os idosos merece as punições mais severas!
O condutor com tatuagens estreitou os olhos: — A jovem senhorita está direcionando palavras desfavoráveis a meu respeito.
Janaína deslocou-se para a lateral do herdeiro Zhao, gesticulando de forma descontraída na direção do condutor: — Como mencionei anteriormente, não me enquadro no perfil de uma jovem senhorita.
O condutor com tatuagens aproximou-se parcialmente: — Você possui conhecimento sobre a minha idade atual?
Janaína desviou o rosto demonstrando desinteresse, optando por não dar continuidade à interação.
— Ei, você!
O herdeiro Zhao direcionou um olhar de advertência severo, fazendo com que o condutor com tatuagens contivesse sua postura de forma imediata.
Eles se direcionaram a um estabelecimento tradicional especializado em massas com carne nas proximidades.
De forma imprevista, ao ingressar no local, Janaína deparou-se com a presença de Yago acompanhado por seu conhecido, Augusto.
O condutor com tatuagens arqueou as sobrancelhas: — Ora, quem temos aqui.
O herdeiro Zhao tocou o ombro dele de forma sutil: — Concentre-se em nossa refeição.
— Tanto faz!
Janaína forçou-se a aproximar-se para realizar a saudação formal: — Senhor Yago, senhor Augusto.
Sua postura de visível hesitação provocou o divertimento de Augusto: — Que feliz coincidência, você também visita este local para conhecer a culinária?
Janaína contraiu os lábios: — Uma situação semelhante.
Yago direcionou a ela um olhar descompromissado: — Qual localidade deseja ocupar para se acomodar?
Janaína demonstrou indecisão momentânea sobre a conduta a adotar: — Bem... Eu, talvez...
— Acomode-se!
O comando verbal emitido por Yago de forma repentina e impositiva fez com que Janaína reduzisse totalmente sua postura de enfrentamento.
O volume da voz não era elevado, apresentando uma tonalidade grave, mas dotada de grande capacidade de intimidação.
Augusto manifestou nova risada diante da situação: — Qual a razão para demonstrar tanto receio diante dele? Ele não apresenta comportamento de predador.
Janaína providenciou um assento adicional por iniciativa própria, acomodando-se de forma organizada, e rebateu a afirmação com total seriedade: — Ele é perigoso.
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