"Destruída pelo Desejo" Capítulo 25
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Capítulo 49: Você já passou dos limites
A temperatura que vinha da ponta dos dedos dele aqueceu a mão dela por completo.
Janaína abriu a palma da mão com cautela, aproveitando-se da situação para apoiá-la na mão larga dele, buscando o seu calor.
Yago não recusou; pelo contrário, envolveu a mão macia dela na sua.
A atmosfera mudou de tom repentinamente.
Com ele sendo tão carinhoso, o único sentimento no coração de Janaína era o medo.
Aquela atitude de dar um tapa e depois oferecer um doce era absolutamente detestável.
Janaína apressou-se em desviar a atenção, servindo mais bebida para ele: — Beba mais um pouco. Hoje você ficou focado em ser meu motorista e acabou não bebendo nada, é uma pena.
Sua real intenção estava praticamente estampada em seu rosto.
Yago não pegou o copo; em vez disso, ergueu a mão dela, encostando os lábios levemente nas costas da mão, que trazia o aroma fresco do limão, com um toque levemente azedo.
Após um instante, ele abriu os lábios para falar, e seu hálito quente atingiu diretamente a pele dela.
— Esta noite, permito que me faça uma pergunta. Sem falsidades, responderei com total honestidade.
Apenas uma pergunta?
Janaína precisava refletir seriamente sobre isso.
Pensou por um longo tempo, analisando todas as opções.
Até que finalmente se decidiu: — Por que a minha família de infância chegou a esse ponto de ruína?
Ela realmente precisava saber.
Desde pequena não vivia com os pais; tudo ao seu redor sempre estivera envolto em densas e incontáveis camadas de mistério.
No passado, o que ela mais desejava todos os dias era ter notícias deles.
Quando chegou àquele lugar desconhecido no início, havia muitas cuidadoras para acompanhá-la, contudo, ela chorava escondida todas as noites.
Mais tarde, ela se adaptou, mas um sentimento de profundo rancor também cresceu em seu peito.
Ela sentia raiva por eles a terem mandado para o exterior como se estivessem descartando algo sem valor.
Eles sequer se davam ao trabalho de fazer uma ligação; apenas o seu irmão ligava todos os dias no mesmo horário para acalmá-la antes de dormir.
A cada quinze dias, o irmão viajava infalivelmente para ficar com ela; embora fosse por apenas um curto dia, ela já se sentia plenamente satisfeita.
A presença do irmão a fazia entender que, ao menos, não era uma criança totalmente abandonada.
Já os seus pais implacáveis tinham olhos apenas para o trabalho, sem qualquer espaço para ela.
Contudo, eles tinham prometido que, assim que ela terminasse a faculdade, toda a família se mudaria para viver com ela; disseram também que fariam questão de vê-la se casar, mencionando que, se uma mulher se casasse, os pais jamais deveriam ficar longe, caso contrário, se fosse maltratada pela família do marido, teria que suportar tudo calada.
Naquela época, ela não se importava com um futuro tão distante.
Mesmo assim, ansiava por crescer, desejando que o tempo passasse mais rápido.
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O que ela acabou recebendo, aos dezesseis anos, foi a notícia da morte trágica deles, sem que pudesse sequer vê-los pela última vez.
Antes disso, já fazia quase um ano que não se viam.
Tendo sobrevivido àquela tragédia, enquanto estava deitada na UTI entre a vida e a morte, ela não sentia tanta saudade deles, mas sim um vazio absoluto.
Ela não tinha mais a quem direcionar seu rancor, nem possuía mais os recursos para se rebelar e causar problemas de propósito.
Ao se lembrar de que o irmão ainda estava detido, ela foi forçada a reagir e colaborar com os médicos na reabilitação.
Por mais difícil e doloroso que fosse, ela precisava se esforçar para ficar de pé, preparando-se para o momento em que o irmão saísse.
Ela precisava estudar com dedicação e trabalhar duro no futuro para ganhar dinheiro; afinal, nos primeiros dezesseis anos, vivera de forma fútil e gastando os recursos da família sem qualquer preocupação.
Eles nunca a deixaram passar privações.
Essa era a responsabilidade que ela deveria assumir dali em diante.
Mas a realidade era extremamente difícil.
Felizmente, durante esses anos, houve as cartas que o irmão enviava por meio de terceiros; se não fosse pelo incentivo dele, ela talvez não tivesse se recuperado tão rápido, muito menos teria tido tranquilidade para estudar.
No entanto, mais tarde...
...
— Por que seus olhos estão marejados?
Yago puxou um lenço de papel e o entregou, exibindo um sorriso malicioso: — Não me lembro de ter te provocado hoje, ou será que você está com saudades daquele tipo de sensação?
O tom de voz era rouco, carregando uma certa provocação.
Tarado!
Janaína o xingou mentalmente.
Ela aceitou o lenço que ele oferecia, cobriu o nariz e conteve as lágrimas rapidamente: — O limão está muito azedo, meus olhos são sensíveis e não suportam esse tipo de estímulo.
— Entendi. — Yago disse pausadamente. — Da próxima vez, usarei o limão...
— Yago! Você já passou dos limites!
— Que limites? — Yago pegou o copo de água com limão, deu um gole e agiu como se ela estivesse fazendo tempestade em copo d'água. — Se não quer consumir, eu não te dou, não precisa ficar com essa vergonha toda.
Janaína cortou o assunto imediatamente: — Não mude de assunto, responda à minha pergunta.
— Sim, claro.
Yago deu um gole na bebida, fez uma pausa e então começou a falar.
— O seu pai, durante o exercício do cargo, utilizou-se de suas facilidades profissionais para atuar como rede de proteção do antigo conglomerado. O caso veio à tona porque ele desviou as verbas do projeto da zona sul da cidade; o montante envolvido era excessivo, e esse dinheiro continua desaparecido até hoje.
A sua mãe, utilizando-se de uma operação especial secreta, atuava nos bastidores em conjunto com o seu pai e o conglomerado, realizando todo tipo de atividade ilícita. Mais tarde, porém, ela foi traída por um colega; naquele tipo de ambiente, ter a identidade revelada é uma situação terrível, como você pode imaginar. Sendo assim...
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Ao ouvir aquilo, as pontas dos dedos de Janaína já estavam cravadas com força na palma da mão de Yago.
Ele ergueu os olhos para olhá-la e sorriu: — Querida, você está me machucando.
— O que aconteceu com ela afinal? Diga logo.
O cenho de Janaína estava fortemente franzido.
O brilho nos olhos de Yago já não trazia a mesma ternura de antes; ele alertou em tom brando: — Se voltar a erguer o tom de voz comigo, encerraremos por aqui esta noite.
Janaína recolheu a mão instantaneamente e engoliu em seco; ao falar novamente, sua voz já estava consideravelmente mais fraca: — Continue.
Yago segurou o pulso dela, massageando com leve pressão a estrutura óssea proeminente daquela região, enquanto seu tom de voz se tornava mais denso.
— O seu pai soube que algo tinha acontecido com a sua mãe e correu para encontrá-la. Ele foi confundido com alguém que tentava fugir; durante a perseguição na rota em direção ao porto, houve um acidente de carro, e ele morreu no local!
Embora Janaína já soubesse disso previamente, não pôde conter um forte tremor.
Aquele homem era o seu pai!
Yago prosseguiu: — Naquela época, o conglomerado já estava em total colapso; os seus parentes e associados eram extremamente cruéis, buscando todas as formas possíveis de partilhar os recursos financeiros restantes da empresa.
Felizmente, o seu irmão foi inteligente; ele identificou os verdadeiros culpados dentro da organização e colaborou com a polícia para que fossem detidos a tempo, livrando-se da pena capital.
Contudo, infelizmente, ele talvez não tenha suportado ver a família naquela situação de total ruína; com menos de cinco anos de cumprimento de pena, ele tirou a própria vida na prisão.
Janaína exclamou em tom de total espanto: — Como isso seria possível!
Nas cartas, o irmão costumava repetir: "Janaína, assim que eu sair, irei procurar você. Em breve poderemos nos ver. Cuide-se bem, jamais revele a sua identidade, não retorne de forma alguma à cidade natal, não confie em ninguém e seja obediente às minhas orientações."
Os lábios de Janaína tremeram levemente: — Como ele... morreu? Foi doloroso?
Ao pensar naquilo, ela começou a sentir dificuldade para respirar.
Yago manteve um tom de voz plano: — Eu não sei, deve ter sido muito doloroso. Naquele ambiente não há objetos simples para se tirar a vida; as circunstâncias reais são fáceis de imaginar.
Janaína cerrou os punhos repentinamente: — Como você pode não saber...
O olhar de Yago tornou-se frio.
Janaína respirou fundo e reformulou a fala: — Tudo isso que você disse, eu já tinha conhecimento. Mas o que eu perguntei foi: por que a minha família chegou a esse ponto?
Capítulo 50: Você não era bem durona?
Yago observava o corpo dela tremer levemente com seus olhos profundos, permanecendo indiferente como uma escultura de gelo. Suas palavras foram igualmente frias: — Uma vez que a ganância se instala e a pessoa experimenta a doçura, os desejos humanos tornam-se infinitos. Não era apenas uma questão de tempo até que tudo ruísse?
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Janaína entendia o que ele queria dizer, mas simplesmente se recusava a acreditar: — Por que a sua família Zhao, e também a família de Lucas, conseguiram sair ilesas?
— A família Zhao... — Ele fez uma pausa, e um tom de deboche tomou conta de sua voz. — Deu mais sorte, eu diria.
Ele não pareceu negar que o assunto estivesse relacionado à sua própria família.
— O que você quer dizer é que a minha família de infância foi apenas azarada?
Yago respondeu com indiferença: — Sim.
Janaína rebateu: — Vocês pisaram nos corpos e no sangue deles para viver uma vida de total tranquilidade...
Yago a interrompeu: — Que evidências você tem para provar que isso tem alguma relação com a família Zhao? O projeto pertencia àquele conglomerado, e o dinheiro certamente não entrou nos bolsos dos Zhao. Só porque, no momento crucial, as famílias Zhao e de Lucas se afastaram deles, isso significa que pisamos no sangue da sua família para desfrutar de uma vida tranquila?
Seus dedos longos batiam ritmadamente sobre a mesa: — Você apenas se recusa a aceitar que os pais que você tanto admirava e de quem sentia tanta falta no fim das contas eram esse tipo de pessoa.
Janaína colocou as mãos sobre as coxas, apertando-as com força, e negou de forma subconsciente: — Eu não deixei de acreditar neles.
— Você não acredita, Janaína.
Yago pronunciou o nome de infância dela, com os olhos tomados por uma frieza implacável.
— O seu retorno não faz o menor sentido. Os seus pais se foram, o seu irmão também não está mais aqui e os seus tios agora desapareceram sem deixar rastros.
— Tudo já foi enterrado pelo tempo. Ninguém voltará a tocar nesse assunto e ninguém se importa com isso. Diga-me, o que você acha que pode fazer voltando de forma tão tola?
A visão de Janaína foi subitamente coberta por uma espessa camada de lágrimas que transbordaram de seus olhos. A silhueta do homem tornou-se difusa, mas continuava rígida.
Ninguém mais tocaria no assunto?
Ela não podia fazer nada?
Será que ela não deveria ter retornado?
Contudo, ela se recusava a acreditar que o irmão teria sido tão cruel a ponto de abandoná-la de forma definitiva.
Ela fazia questão de voltar para encontrar uma resposta.
Naquele instante, exatamente como acontecera há mais de seis meses, ela perdeu a racionalidade. Incapaz de avaliar qualquer circunstância com clareza, seu único pensamento fixo era retornar ao país.
Yago a encarava e disse pausadamente: — Você realmente acha que, nesta cidade, além de mim, ninguém mais tem conhecimento sobre a sua verdadeira identidade? Janaína, não seja autoconfiante demais.
As pupilas de Janaína sofreram um choque perceptível.
— O que você disse? Quem mais tem conhecimento disso?
Yago soltou uma risada gélida.
— Explique isso direito! — Janaína esticou o braço abruptamente sobre o balcão, segurando a gola da camisa de Yago.
— O que significa deixar a frase pela metade? Você certamente sabe. Por que se recusa a me contar? É porque está tentando proteger o responsável pela morte do meu irmão?!
— Fale alguma coisa!
Ela utilizou todas as suas forças para gritar com ele.
Yago foi puxado para a frente pela força dela, e seu peito chocou-se contra a borda do balcão. O olhar dele permaneceu inalterado do início ao fim, pousado sobre o rosto dela com total serenidade.
Ele a observava daquela forma, sem demonstrar satisfação ou irritação, o que tornava a situação ainda mais desconfortável.
A explosão emocional de Janaína logo perdeu o ímpeto e ela se acalmou rapidamente. Percebendo que aquela atitude equivalia a puxar os bigodes de um tigre, ela recolheu os braços num movimento rápido, como se tivesse levado um choque.
Yago a segurou pelo pulso e sorriu de canto: — Você não era bem durona agora há pouco? Já amarelou?
Janaína começou a tossir intensamente, a ponto de ficar com os olhos completamente vermelhos, com um aspecto vulnerável: — Bem... Você mencionou que havia outras pessoas que sabiam que eu sou aquela garota do passado. Fiquei assustada com as suas palavras, achando que fosse verdade.
Yago apertou os dedos dela de forma casual, como se estivesse se distraindo: — Não necessariamente é mentira. Esta cidade está repleta de velhos conhecidos...
Janaína apressou-se em interrompê-lo: — Não tenho conhecidos aqui. Eu tinha apenas cinco anos quando deixei a cidade. Lá fora, meus pais nunca trouxeram amigos para me ver, e eles mesmos raramente apareciam durante o ano.
— E o seu irmão?
— Meu irmão? — Janaína hesitou por um instante. — Ele costumava trazer amigos ocasionalmente, mas era muito raro, eu quase não tenho lembranças deles.
Yago tamborilou os dedos na mesa: — A propósito, como você ficou sabendo que o seu irmão tirou a própria vida na prisão?
Janaína explicou: — As cartas que meu irmão enviava por meio de terceiros pararam de chegar, então contratei alguém para investigar. Gastei uma quantia considerável com isso.
— Quem você colocou para investigar?
— O Tiago. Ele possui conexões amplas no ambiente virtual e levou um mês inteiro para descobrir sobre a morte do meu irmão.
— Imaginei que fosse ele — Yago comentou displicentemente, baixando os olhos com um ar reflexivo. Após um momento, ele mudou o rumo da conversa: — O seu irmão deixou alguma orientação específica nas cartas dele?
Janaína contraiu os lábios: — Sim. Ele me orientou a esperar que ele fosse me procurar, me instruiu a não retornar para cá de forma alguma e a não revelar a minha identidade para ninguém.
— O que mais?
— E também... — Janaína buscou na memória. — O fato de ele me enviar cartas não deveria ser de conhecimento de ninguém.
Yago arqueou as sobrancelhas: — Sendo assim, neste momento, não apenas você sabe, como também o Tiago e eu temos conhecimento disso. Janaína, se eu fosse o seu irmão, certamente lhe daria uma lição.
— ...O que é isso?!
Yago disse em tom ríspido: — Já está tarde, vá dormir de uma vez.
Janaína insistiu com teimosia: — Eu não vou dormir!
O olhar de Yago tornou-se ainda mais frio: — Se não for dormir, farei questão de espalhar para o mundo inteiro a sua verdadeira identidade.
Ele começara a ameaçá-la novamente.
Janaína cerrou os punhos e os afrouxou repetidas vezes. Antes que ele se levantasse, ela se virou, correu para dentro do quarto e trancou a porta por dentro.
Sobre a parte de levar uma lição, ela acreditava piamente que ele estava falando sério.
...
Na manhã seguinte, Janaína foi acordada pela movimentação vinda da parte externa. Ao sair do quarto, percebeu que era Tiago quem estava preparando o café da manhã.
Ao deparar-se com aquela silhueta familiar e reconfortante, ela relaxou consideravelmente. Sentou-se num banco alto, apoiando o queixo nas mãos, com os olhos pesados de sono: — Que preguiça, não dormi o suficiente.
Tiago cortava os sanduíches em quatro partes e aproveitou uma pausa para olhá-la de relance: — Por que não descansou mais um pouco?
Janaína manteve as pálpebras caídas: — Preciso fazer uma vistoria na zona sul hoje, tenho que sair cedo.
— Que coincidência — Tiago comentou, erguendo as sobrancelhas. — Eu também preciso ir para lá.
— Que bom, vamos juntos então.
Tiago posicionou o sanduíche cortado à frente dela: — Tenho assuntos a tratar relacionados a Yago. Não comentei com você antes que ele estava escondendo um homem por aquelas bandas?
Os cantos da boca de Janaína se contraíram: — Lá? Aquela região não é composta majoritariamente por bairros antigos e residências abandonadas? Até existem algumas hospedarias, mas a infraestrutura é péssima.
— Exatamente por isso sinto curiosidade. Por qual razão ele escolheria um lugar como aquele para se encontrar com outro homem?
Janaína deu de ombros, pegando um pedaço pequeno do sanduíche: — E como a sua amiga da alta sociedade descobriu que ele iria para lá justamente hoje?
— A minha amiga obviamente não sabe de nada — Tiago sorriu com malícia. — Mas eu sei perfeitamente.
Janaína compreendeu de imediato: — Você instalou um rastreador no carro dele?
— Acertou em cheio. — Tiago deslizou a tela do celular para verificar: — Exatamente, ele está se deslocando naquela direção neste exato momento.
Janaína suspirou pausadamente: — Yago acabou sendo descuidado desta vez. A propósito, por que você não aproveitou para instalar um dispositivo de escuta também?
— Haveria necessidade? — Tiago demonstrou total desdém. — É muito mais prático invadir diretamente o sistema de navegação do veículo dele.
— Nada disso! — Janaína demonstrou preocupação imediata. — Você já se esqueceu de que, da última vez que invadimos o computador dele, fomos descobertos no mesmo instante?!
— Eu não me esqueci, pode ficar tranquila. Passei o dia inteiro estudando o caso e desta vez o sistema dele jamais detectará a intrusão. De qualquer forma, se notarmos qualquer anormalidade, faremos a desconexão imediata e eles não conseguirão nos rastrear.
Lembrando-se do ocorrido anterior, Tiago demonstrou um certo constrangimento: — Ele não descontou em você, de alguma forma?
Janaína preferiu guardar os detalhes para si e balançou a cabeça: — Felizmente, Lucas apareceu a tempo, caso contrário eu teria passado a noite na delegacia.
— Sempre ele. Eu realmente não consigo decifrar as intenções desse cara.
Tiago continuou resmungando como se estivesse lidando com um rival no campo amoroso.
O comportamento persistiu por todo o trajeto.
Ao alcançarem o bairro antigo da zona sul, o carro foi estacionado na lateral da via.
Janaína desceu do veículo, dispensou primeiramente a assistência de sua secretária e ergueu os olhos para avaliar a fachada daquela hospedaria decadente. Sentindo um forte odor desagradável vindo do local, cobriu o nariz com as mãos de forma instintiva.
— O Yago realmente teria um encontro amoroso num lugar como este?
Ele não era extremamente maníaco por limpeza?
Janaína ficou boquiaberta de surpresa.
Tiago apontou com o queixo para o veículo estacionado a uma curta distância.
Era exatamente o carro de Yago.
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