"O Filho Secreto do Bilionário" Capítulo 17
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Victoria perdeu tudo no mesmo dia.
O casamento.
A reputação.
A confiança de Adrian.
O controle da mansão.
Tudo.
Absolutamente tudo.
Mas o que mais a destruía não era a humilhação.
Era Elena.
Porque Elena ainda estava ali.
Viva.
Grávida.
Protegida.
Amada.
E isso era algo que Victoria não conseguia aceitar.
A mansão estava estranhamente silenciosa naquela noite.
Os funcionários evitavam olhar para ela.
Os seguranças falavam em voz baixa.
Até os empregados mais antigos fingiam estar ocupados quando ela passava.
Todos sabiam.
Todos tinham visto o vídeo.
Todos conheciam a verdade agora.
Victoria sentiu o estômago embrulhar.
Durante anos aquelas pessoas abaixaram a cabeça quando ela entrava em uma sala.
Agora desviavam os olhos.
Como se ela fosse uma criminosa.
Como se tivesse se tornado uma estranha dentro da própria casa.
Ela entrou na suíte principal.
A porta bateu com força.
O som ecoou pelo quarto vazio.
O vestido ainda era o mesmo.
O mesmo vestido elegante que usava quando acreditava que sairia daquela história como vencedora.
Agora parecia uma fantasia ridícula.
Uma mentira cara.
Victoria arrancou os brincos.
Depois o colar.
Depois os sapatos.
Tudo foi parar no chão.
Nada importava mais.
Mas uma coisa continuava importando.
Adrian.
Sempre Adrian.
Desde o primeiro dia.
Desde a primeira vez que o viu.
Desde a primeira vez que decidiu que ele seria dela.
Não importava quantas pessoas precisassem sofrer.
Não importava quantas mentiras precisasse contar.
Não importava quantas vidas precisasse destruir.
Ela nunca aceitou perder.
Nunca.
O celular vibrou.
Uma mensagem.
Apenas uma.
Curta.
Direta.
Perigosa.
"O vídeo foi recuperado?"
Victoria ficou imóvel.
Lendo aquelas palavras.
Uma vez.
Duas.
Três.
O coração acelerando.
Porque aquela pessoa já sabia.
Alguém já sabia que tudo estava desmoronando.
Ela digitou rapidamente.
"Sim."
A resposta chegou menos de dez segundos depois.
"Então temos um problema."
Victoria fechou os olhos.
Porque aquilo não era apenas um problema.
Era uma catástrofe.
Enquanto isso...
Do outro lado da cidade...
Elena não conseguia dormir.
Ela estava num quarto de hóspedes da cobertura de Adrian.
Um lugar silencioso.
Seguro.
Quente.
Mas mesmo assim não conseguia descansar.
Porque depois de meses vivendo aterrorizada...
a tranquilidade parecia estranha.
Quase assustadora.
Ela colocou a mão sobre a barriga.
O bebê se mexeu.
Pequeno.
Suave.
Vivo.
Sempre vivo.
Uma lágrima escorreu.
Porque durante meses acreditou que passaria por tudo aquilo sozinha.
Agora Adrian estava ali.
Finalmente.
Mas ainda era difícil acreditar.
A porta do quarto se abriu lentamente.
Adrian entrou.
Sem fazer barulho.
Como se tivesse medo de assustá-la.
Elena levantou os olhos.
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.
Porque ainda existiam feridas.
Ainda existiam perguntas.
Ainda existiam sete meses de distância entre eles.
“Não consegue dormir?”
A voz dele saiu baixa.
Gentil.
Elena balançou a cabeça.
“E você?”
Adrian soltou uma pequena risada.
Sem humor.
“Também não.”
Ele se sentou na poltrona próxima.
Os olhos imediatamente foram para a barriga.
Sempre para a barriga.
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Como se ainda estivesse tentando se convencer de que aquilo era real.
De que o filho realmente existia.
De que não era tarde demais.
“Estou tentando lembrar.”
Ele falou depois de alguns segundos.
Elena franziu a testa.
“Lembrar do quê?”
“De todos os sinais que ignorei.”
O silêncio voltou.
Pesado.
Doloroso.
“Elena.”
A voz dele falhou.
“Como eu não percebi?”
Ela fechou os olhos.
Porque fez a mesma pergunta centenas de vezes.
Talvez milhares.
“Porque ela era boa.”
A resposta saiu baixa.
“Boa em mentir.”
Adrian desviou o olhar.
Porque aquilo doía.
Muito.
Mais do que qualquer vídeo.
Mais do que qualquer prova.
Porque significava que falhou.
Como homem.
Como pai.
Como alguém que deveria protegê-la.
“Eu devia ter acreditado em você.”
Elena começou a responder.
Mas o celular dele tocou.
Os dois olharam ao mesmo tempo.
Número desconhecido.
Adrian atendeu.
“Alô?”
Silêncio.
Nenhuma resposta.
Então uma voz masculina surgiu.
Distorcida.
Artificial.
“Pare a investigação.”
O sangue desapareceu do rosto de Adrian.
“O quê?”
A ligação continuou.
“Pare agora.”
Outra pausa.
“Ou alguém vai se machucar.”
Elena sentiu o coração congelar.
Porque conhecia aquela voz.
Não a voz em si.
Mas a ameaça.
A mesma ameaça.
O mesmo tom.
O mesmo medo.
A ligação caiu.
O silêncio explodiu dentro do quarto.
Adrian continuou olhando para o celular.
Sem acreditar.
Sem respirar.
Porque agora já não existia dúvida.
Nenhuma.
Alguém estava desesperado.
Alguém estava com medo da verdade.
E alguém estava disposto a continuar atacando.
Elena começou a tremer.
Instintivamente.
Porque aquelas ameaças a perseguiram durante toda a gravidez.
Durante meses.
Agora tinham voltado.
Adrian imediatamente se aproximou.
“Ei.”
A voz ficou firme.
“Olha para mim.”
Ela levantou os olhos.
As lágrimas surgindo novamente.
“Eles não vão encostar em você.”
A resposta veio rápida.
Imediata.
Como uma promessa.
“Você não sabe disso.”
A voz dela falhou.
“Você não sabe do que eles são capazes.”
Adrian ficou em silêncio.
Porque ela estava certa.
Ainda não sabia.
Ainda não conhecia todos os envolvidos.
Ainda não conhecia toda a verdade.
Mas conhecia uma coisa.
Victoria.
E pela primeira vez...
sentiu medo dela.
Medo real.
Porque o vídeo mostrou quem ela era.
Mas também mostrou do que ela era capaz.
Enquanto isso...
Na mansão...
Victoria estava novamente diante da janela.
O telefone ainda na mão.
A chuva caía forte lá fora.
Tão forte quanto o ódio crescendo dentro dela.
A resposta chegou.
Outra mensagem.
Curta.
Objetiva.
"Ele não vai parar."
Victoria ficou alguns segundos olhando para a tela.
Depois sorriu.
Pela primeira vez desde o cancelamento do casamento.
Mas não era um sorriso de felicidade.
Era um sorriso perigoso.
Porque algo havia mudado.
Até aquele momento ela estava tentando recuperar Adrian.
Agora não.
Agora ela queria destruir Elena.
Completamente.
Não importava o preço.
Não importava quem precisasse cair.
Não importava quem precisasse desaparecer.
A guerra tinha mudado.
E Victoria também.
Ela abriu a lista de contatos.
Desceu até um nome que não usava há muito tempo.
Muito tempo.
O dedo ficou parado sobre a tela.
Hesitando.
Pensando.
Calculando.
Porque depois daquela ligação...
não existiria volta.
Mas então ela lembrou do vídeo.
De Adrian escolhendo Elena.
Do anel sendo retirado.
Da humilhação.
E apertou o botão.
A chamada começou.
Uma vez.
Duas.
Três.
Alguém atendeu.
Victoria fechou os olhos.
Respirou fundo.
E pronunciou apenas uma frase:
“Precisamos acabar com isso de uma vez.”
Do outro lado da linha...
a pessoa respondeu imediatamente.
Como se estivesse esperando.
E naquele instante...
Victoria deixou de ser apenas uma mulher derrotada.
Ela se tornou algo muito mais perigoso.
E a guerra contra Elena estava apenas começando.
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