"O Filho Secreto do Bilionário" Capítulo 5
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“Quero o nome de cada pessoa que bloqueou o contato dela.”
O silêncio tomou conta da mansão.
Victoria parecia incapaz de responder.
Pela primeira vez desde que Adrian entrou naquela sala, ela não tinha uma desculpa pronta.
Nem uma mentira.
Nem uma explicação.
Nada.
Adrian continuava olhando para ela.
Esperando.
Mas Elena já não estava ouvindo.
Porque alguma coisa dentro dela tinha sido arrancada.
Uma lembrança.
Uma dor.
Uma ferida que nunca cicatrizou.
Ela fechou os olhos.
E voltou para aquela noite.
A noite em que perdeu tudo.
Chovia.
Muito.
Elena lembrava do som da chuva batendo nas janelas dos quartos dos funcionários.
Lembrava da mala pequena aberta sobre a cama.
Lembrava das roupas jogadas às pressas.
Lembrava do medo.
Principalmente do medo.
Naquele momento ela estava grávida de poucas semanas.
Ainda não aparecia.
Mas ela já sabia.
Sabia desde o dia anterior.
E também sabia que precisava contar para Adrian.
Precisava.
Porque aquela criança era dele.
E porque, apesar de todos os problemas, ela acreditava que ele merecia saber.
Foi quando alguém bateu na porta.
Três vezes.
Seco.
Forte.
Elena abriu.
E encontrou Victoria.
Sozinha.
Elegante.
Perfeita.
Sorrindo.
Mas havia algo estranho naquele sorriso.
Algo frio.
Algo cruel.
“Podemos conversar?”
Elena sentiu o estômago apertar.
Mesmo assim abriu passagem.
Victoria entrou.
Observou o pequeno quarto.
A cama simples.
O guarda-roupa antigo.
As fotografias.
Tudo.
Como se estivesse avaliando algo.
“Você está grávida.”
Não foi uma pergunta.
Foi uma afirmação.
Elena congelou.
Porque não tinha contado para ninguém.
“Como...?”
Victoria riu.
“Você não é tão difícil de ler.”
O coração de Elena começou a bater mais rápido.
“Adrian sabe?”
A pergunta saiu sem pensar.
Victoria caminhou até a janela.
Observando a chuva.
“Não.”
Uma pausa.
“E nunca vai saber.”
O sangue desapareceu do rosto de Elena.
“O quê?”
Victoria virou lentamente.
“Você realmente acha que um homem como Adrian vai jogar a vida fora por uma empregada?”
As palavras foram como uma facada.
“Ele me ama.”
Victoria começou a rir.
Uma risada baixa.
Cruel.
Humilhante.
“Meu Deus.”
Ela balançou a cabeça.
“Você realmente acredita nisso.”
Elena sentiu vontade de chorar.
Mas não chorou.
Ainda não.
Porque naquele momento acreditava que a verdade venceria.
Que Adrian ouviria.
Que tudo seria resolvido.
Ela estava errada.
Muito errada.
“Adrian já escolheu.”
Victoria continuou.
“Ele escolheu a família dele.”
Mais uma mentira.
Mais uma.
Mais uma.
Mas Elena não sabia.
Ainda não.
“Você está mentindo.”
Victoria sorriu.
“Estou?”
Então pegou o celular.
Abriu uma fotografia.
E mostrou para Elena.
Adrian.
Victoria.
Juntos.
Num jantar.
Sorrindo.
Parecendo felizes.
Parecendo um casal.
“Daqui a alguns meses vamos nos casar.”
O mundo pareceu girar.
“Não.”
A voz de Elena falhou.
“Não.”
Mas Victoria apenas guardou o telefone.
“Você é um problema.”
A frase saiu fria.
Direta.
Sem emoção.
“E problemas precisam desaparecer.”
A lembrança fez Elena abrir os olhos.
O coração acelerado.
As mãos tremendo.
Adrian percebeu imediatamente.
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“Você está bem?”
Ela quase riu.
Bem?
Depois de tudo?
Não.
Mas apenas balançou a cabeça.
Porque ainda não conseguia contar tudo.
Ainda não.
Victoria observava.
Tensa.
Como alguém vendo o próprio passado voltar para assombrá-la.
“Elena.”
Adrian falou suavemente.
“O que aconteceu depois?”
Ela demorou alguns segundos para responder.
Porque aquela parte doía mais.
Muito mais.
“Ela voltou no dia seguinte.”
A voz saiu baixa.
“Com dois seguranças.”
Victoria empalideceu.
Os funcionários começaram a trocar olhares.
Porque muitos deles já suspeitavam.
Mas nunca tiveram coragem de falar.
“Elena...”
Victoria tentou interromper.
“Não.”
Foi Adrian quem respondeu.
“Ela vai falar.”
Elena respirou fundo.
“Eles me deram uma hora para sair.”
O salão inteiro ficou imóvel.
“Uma hora?”
A voz de Adrian saiu incrédula.
Elena assentiu.
“Disseram que eu tinha roubado dinheiro.”
O rosto dele endureceu.
“Você nunca roubou nada.”
“Eu sei.”
As lágrimas começaram a cair novamente.
“Mas ninguém quis ouvir.”
Porque era mais fácil acreditar na empregada.
Mais fácil culpar a mulher pobre.
Mais fácil apagar sua existência.
“Eu fui embora naquela noite.”
Ela continuou.
“Com uma mala pequena.”
A mão foi até a barriga.
Instintivamente.
Sempre protegendo o bebê.
“E sem saber para onde ir.”
O silêncio ficou pesado.
Muito pesado.
Então Elena lembrou de Marta.
E pela primeira vez desde que começou a falar...
um pequeno sorriso apareceu.
Triste.
Mas verdadeiro.
“Marta me ajudou.”
Adrian franziu a testa.
“A cozinheira?”
Ela assentiu.
“Marta me deu dinheiro escondido.”
Uma lágrima escorreu.
“Me deu comida.”
Outra lágrima.
“E um lugar para dormir durante alguns dias.”
Adrian fechou os olhos.
Porque conhecia Marta.
Conhecia sua bondade.
E conhecia a família Vale.
Sabia exatamente o risco que ela correu.
“Ela salvou minha vida.”
Elena sussurrou.
“E a do meu filho.”
O coração dele apertou.
Porque aquela criança poderia não estar ali.
Poderia nunca ter nascido.
E tudo por causa de uma mentira.
Não.
Várias mentiras.
Victoria cruzou os braços.
Mas agora parecia menor.
Menos poderosa.
Menos segura.
Porque a verdade estava saindo.
Pedaço por pedaço.
E ninguém conseguia impedir.
“Elena.”
Adrian perguntou.
“Por que você nunca procurou a polícia?”
As lágrimas voltaram imediatamente.
Porque aquela era a parte mais difícil.
A parte que ainda fazia seu corpo tremer.
A parte que a fazia acordar no meio da noite.
A parte que transformava cada som inesperado em terror.
Ela olhou para Victoria.
Depois para Adrian.
Depois para o chão.
E finalmente respondeu.
“Porque eu recebi ameaças.”
O salão inteiro congelou.
Até Victoria.
“Que tipo de ameaças?”
A voz dele ficou perigosa.
Muito perigosa.
Elena engoliu em seco.
A garganta seca.
O coração disparado.
Porque mesmo agora...
mesmo depois de sete meses...
ainda tinha medo.
Então levantou os olhos.
E disse a frase que fez Adrian perder toda a cor do rosto:
“Disseram que se eu tentasse falar com você...”
Uma lágrima escorreu.
“Meu bebê não chegaria vivo ao nascimento.”
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