"O Filho Secreto do Bilionário" Capítulo 4
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“Eu tentei te procurar.”
As palavras de Elena continuavam ecoando pelo salão.
Adrian não conseguia parar de olhar para ela.
Porque nada fazia sentido.
Nada.
Durante sete meses ele acreditou que Elena tinha desaparecido.
Que escolheu ir embora.
Que decidiu criar distância.
Que não queria mais vê-lo.
Agora ela estava diante dele.
Grávida.
Machucada.
Chorando.
E dizendo exatamente o contrário.
“Eu fui atrás de você.”
A garganta de Adrian secou.
“Quando?”
Elena apertou os dedos ao redor do uniforme molhado.
Os olhos desceram para o chão.
Como se reviver aquilo ainda machucasse.
“Duas semanas depois que saí da mansão.”
O coração dele apertou.
Porque duas semanas depois...
ele ainda passava noites sem dormir.
Ainda ligava para o telefone dela.
Ainda procurava respostas.
“Eu vim até aqui.”
Ela continuou.
“Fiquei quase duas horas no portão.”
Victoria imediatamente interrompeu.
“Ela está confundindo as coisas.”
Mas ninguém prestou atenção.
Nem os empregados.
Nem Adrian.
Porque todos estavam ouvindo Elena.
Pela primeira vez.
“Eu pedi para falar com você.”
A voz dela tremia.
“Disseram que você estava em casa.”
Adrian franziu a testa.
“Eu estava.”
Elena levantou os olhos.
Os dois ficaram imóveis por um instante.
“Mas o segurança disse que você não queria me ver.”
Silêncio.
Victoria perdeu um pouco da cor.
Adrian sentiu o estômago afundar.
“Quem disse isso?”
“Paulo.”
Alguns empregados trocaram olhares.
Todos conheciam Paulo.
Chefe da segurança.
Homem de confiança da família Vale.
“Ele disse que você mandou avisar.”
Elena tentou conter as lágrimas.
Sem sucesso.
“Disse que eu precisava aceitar a realidade.”
A voz falhou.
“Disse que você não queria mais contato.”
Adrian fechou os olhos.
Por um segundo.
Apenas um segundo.
Mas foi o suficiente.
Porque ele nunca deu aquela ordem.
Nunca.
Nem uma única vez.
“Eu jamais faria isso.”
Elena soltou uma pequena risada.
Mas saiu quebrada.
Dolorosa.
“Eu sei disso agora.”
A frase atingiu Adrian como uma faca.
Porque havia algo pior do que ser enganado.
Era descobrir que alguém destruiu a confiança entre duas pessoas.
Victoria cruzou os braços.
“Você vai acreditar em qualquer história?”
A voz dela saiu mais alta.
Mais agressiva.
Mais nervosa.
Adrian percebeu.
E pela primeira vez em muito tempo...
não gostou do que viu.
Porque Victoria parecia assustada.
Não indignada.
Assustada.
“Elena.”
Ele voltou a olhar para ela.
“O que aconteceu depois?”
Ela demorou para responder.
Como se estivesse escolhendo quais feridas abrir primeiro.
“Eu fui embora.”
A mão dela voltou para a barriga.
Instintivamente.
Sempre protegendo o bebê.
“Sentei num banco do outro lado da rua.”
As lágrimas voltaram.
“Fiquei esperando você aparecer.”
O peito de Adrian apertou.
“Até anoitecer.”
Ela baixou a cabeça.
“Mas você nunca apareceu.”
O silêncio ficou pesado.
Porque ele realmente nunca apareceu.
Porque ele nem sabia que ela esteve ali.
Victoria tentou interromper novamente.
“Isso não prova nada.”
“Chega.”
Dessa vez foi Adrian.
A voz saiu baixa.
Mas cortante.
Victoria congelou.
Os empregados também.
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Porque aquele tom era raro.
Muito raro.
Era o tom que Adrian usava quando descobria uma mentira durante uma negociação.
Quando a paciência acabava.
Quando alguém cruzava uma linha.
“Elena.”
Ele continuou.
“Você disse que tentou duas vezes.”
Ela assentiu.
“Sim.”
“O que aconteceu na segunda?”
O salão inteiro pareceu prender a respiração.
Porque algo estava mudando.
Algo importante.
Elena enxugou o rosto.
“Eu escrevi uma carta.”
Victoria empalideceu.
Foi rápido.
Muito rápido.
Mas Adrian viu.
E aquilo o assustou.
Porque ela reagiu antes mesmo de Elena terminar.
“Uma carta?”
Elena confirmou.
“Quatro páginas.”
A voz dela saiu baixa.
“Passei uma noite inteira escrevendo.”
Adrian sentiu algo apertar dentro dele.
Porque conhecia Elena.
Ela nunca foi boa em esconder sentimentos.
Se escreveu quatro páginas...
era porque estava desesperada.
“O que dizia?”
Elena fechou os olhos.
Tentando lembrar.
Tentando não chorar.
“Eu contei sobre o bebê.”
O coração dele disparou.
“Contei que ele estava bem.”
Uma pausa.
“Contei que sentia sua falta.”
Mais lágrimas.
“Contei que ainda te amava.”
O salão ficou imóvel.
Victoria parecia incapaz de respirar.
Adrian também.
Porque pela primeira vez ele estava ouvindo aquilo.
Sete meses atrasado.
Sete meses tarde demais.
“Eu entreguei a carta para Paulo.”
Elena continuou.
“Ele prometeu colocar nas suas mãos.”
Adrian ficou em silêncio.
Porque aquela carta nunca chegou.
Nunca.
Nem uma única página.
Nem uma palavra.
Nada.
“Você tem certeza?”
A pergunta saiu quase sem querer.
Elena pareceu ofendida.
Não por ele.
Pela situação.
“Eu vi ele guardar.”
A voz dela ficou mais firme.
“Eu vi.”
Adrian virou lentamente o rosto.
Os empregados começaram a ficar inquietos.
Porque agora todos estavam pensando a mesma coisa.
Se Elena estava dizendo a verdade...
alguém interceptou a carta.
Alguém impediu o contato.
Alguém decidiu o destino deles.
Victoria percebeu exatamente para onde aquilo estava indo.
E entrou em pânico.
“Isso é absurdo.”
Ninguém respondeu.
“Uma carta não prova nada.”
Ainda silêncio.
“Ela pode estar inventando.”
Mais silêncio.
O tipo de silêncio que assusta.
Porque ninguém estava acreditando nela.
Nem mesmo os funcionários.
Adrian observava Victoria.
Atentamente.
Como se estivesse vendo uma pessoa diferente.
Porque durante anos confiou nela.
Confiou em cada palavra.
Confiou em cada explicação.
Confiou quando ela disse que Elena fugiu.
Confiou quando disse que o bebê morreu.
Confiou quando disse que não havia mais nada para procurar.
Agora...
uma pergunta surgia dentro dele.
E era uma pergunta terrível.
E se Victoria tivesse mentido desde o início?
O pensamento foi tão pesado que quase o fez perder o equilíbrio.
Elena percebeu.
Porque viu algo mudar nos olhos dele.
Pela primeira vez.
Dúvida.
Não sobre ela.
Sobre Victoria.
E aquilo doeu.
Porque significava que ela tinha sido enganada.
Mas também trouxe esperança.
Porque talvez...
finalmente...
alguém estivesse disposto a ouvir.
Adrian respirou fundo.
Depois olhou para os seguranças.
Depois para os empregados.
Depois voltou para Victoria.
O salão inteiro parecia esperar aquela pergunta.
E ela veio.
Fria.
Direta.
Perigosa.
“Quem impediu ela de entrar?”
Victoria ficou imóvel.
“Adrian...”
Mas ele já não estava olhando para ela.
A voz dele ficou ainda mais baixa.
Ainda mais controlada.
O que era muito pior.
“Quero o nome de cada pessoa que bloqueou o contato dela.”
O silêncio explodiu dentro da mansão.
Porque todos entenderam a mesma coisa.
A investigação tinha começado.
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