"O Filho Secreto do Bilionário" Capítulo 2
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Por um segundo inteiro, ninguém se moveu.
Nem Victoria.
Nem os empregados.
Nem Elena.
Nem Adrian.
O salão parecia preso dentro de uma fotografia.
Imóvel.
Silencioso.
Irreal.
Adrian continuava parado na entrada da mansão.
Os olhos fixos na mulher ajoelhada diante dele.
Molhada.
Humilhada.
Tremendo.
Grávida.
O coração dele começou a bater mais forte.
Porque aquela não era apenas uma empregada.
Era Elena.
A mulher que ele procurou em seus sonhos durante sete meses.
A mulher que desapareceu sem deixar explicações.
A mulher que levou embora uma parte dele.
“Elena...?”
A voz saiu rouca.
Quase irreconhecível.
Elena baixou imediatamente os olhos.
Não.
Ela não queria olhar para ele.
Não conseguia.
Porque durante meses imaginou aquele encontro.
Centenas de vezes.
Mas nunca daquela forma.
Nunca ajoelhada.
Nunca coberta de suco.
Nunca sendo tratada como lixo.
Victoria foi a primeira a recuperar a voz.
“Adrian.”
Ela sorriu.
Rápido demais.
Forçado demais.
“Você chegou mais cedo.”
Mas Adrian nem virou o rosto.
Continuava olhando para Elena.
Algo estava errado.
Muito errado.
Porque a primeira coisa que sentiu não foi surpresa.
Foi culpa.
Uma culpa tão pesada que quase o sufocou.
Ele começou a caminhar.
Passo após passo.
Direto até ela.
Elena apertou a barriga.
Instintivamente.
Como se precisasse proteger o bebê.
Como se estivesse esperando um ataque.
Aquilo atingiu Adrian como um soco.
O bebê.
O olhar dele desceu.
Lentamente.
E encontrou a barriga.
Grande.
Inconfundível.
Sete meses.
Talvez mais.
O sangue desapareceu do rosto dele.
Não.
Não podia ser.
Victoria tinha dito...
Victoria jurou...
Victoria chorou nos braços dele dizendo que Elena havia perdido a criança.
Ele lembrava perfeitamente.
Lembrava do dia.
Da dor.
Da sensação de estar enterrando um futuro inteiro.
Mas agora...
A barriga estava ali.
Diante dos seus olhos.
Viva.
Real.
Impossível de negar.
Victoria sentiu o perigo imediatamente.
“Adrian, ela apareceu aqui hoje.”
A voz saiu rápida.
Nervosa.
“Não sabemos o que aconteceu durante esses meses.”
Ainda nada.
Adrian continuava sem olhar para ela.
Como se Victoria tivesse desaparecido.
Como se apenas Elena existisse.
Ele finalmente chegou até ela.
E viu as lágrimas.
Muitas lágrimas.
Tarde demais para serem apenas daquele dia.
“Olha para mim.”
A voz dele saiu baixa.
Gentil.
Elena fechou os olhos.
Aquilo foi pior.
Porque durante meses ela sonhou em ouvir aquele tom novamente.
“Por favor...”
Ela tentou se controlar.
Falhou.
“Não faz isso.”
Adrian sentiu o coração apertar.
“Fazer o quê?”
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
“Me tratar como se nada tivesse acontecido.”
O salão inteiro ficou em silêncio.
Victoria empalideceu.
Porque Elena nunca falava daquele jeito.
Nunca.
Adrian ajoelhou-se lentamente diante dela.
Exatamente ali.
No chão da mansão.
Diante de todos.
Victoria quase perdeu o ar.
“Adrian!”
Mas ele não ouviu.
Ou não quis ouvir.
Os olhos dele continuavam presos aos de Elena.
Como se estivesse tentando entender onde ela esteve.
Como sobreviveu.
Como chegou até aquele estado.
“Você desapareceu.”
A voz dele falhou.
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“Eu procurei você.”
Elena soltou uma pequena risada.
Mas saiu destruída.
“Procurou?”
Aquilo doeu.
Porque ela não parecia acreditar.
E talvez realmente não acreditasse.
“Todos os lugares.”
Adrian continuou.
“Eu procurei em todos os lugares.”
“Não.”
As lágrimas dela aumentaram.
“Você não procurou.”
A frase o atingiu em cheio.
“Eu procurei.”
“Então por que ninguém abriu o portão?”
O mundo pareceu parar.
Victoria congelou.
Completamente.
Adrian piscou.
Uma vez.
Duas.
“Do que você está falando?”
Elena abaixou a cabeça.
Como alguém cansada demais para continuar escondendo a verdade.
“Eu fui até aqui.”
A voz saiu quase num sussurro.
“Duas vezes.”
O coração de Adrian disparou.
“Você... o quê?”
“Duas vezes.”
Ela repetiu.
“Na primeira vez, o segurança disse que você não queria me ver.”
Victoria se mexeu.
Pequeno movimento.
Mas Adrian percebeu.
“Na segunda...”
Elena respirou fundo.
“Eu trouxe uma carta.”
A garganta de Adrian secou.
Porque ele nunca recebeu carta nenhuma.
Nunca.
Victoria deu um passo à frente.
“Ela está mentindo.”
Rápido demais.
Alto demais.
Desesperado demais.
Adrian virou o rosto.
Pela primeira vez desde que entrou na mansão.
E olhou para Victoria.
Aquilo bastou.
Ela sentiu.
Sentiu imediatamente.
Porque o olhar dele era diferente.
Muito diferente.
Não havia confiança.
Não havia carinho.
Havia dúvida.
E talvez algo pior.
“Elena.”
A voz dele ficou mais baixa.
“Você veio aqui grávida?”
Ela assentiu.
“Sim.”
“E eles não deixaram você entrar?”
Mais um aceno.
Mais lágrimas.
Mais silêncio.
Adrian sentiu algo escuro crescer dentro dele.
Porque aquilo não fazia sentido.
Nada fazia sentido.
Victoria tentou sorrir.
Tentou recuperar o controle.
“Ela está emocional.”
Mas ninguém parecia escutá-la.
Nem os empregados.
Nem Adrian.
Nem mesmo Elena.
Todos estavam presos em outra coisa.
Na barriga.
Porque era impossível ignorá-la.
Impossível fingir que ela não existia.
Impossível continuar acreditando que o bebê tinha morrido.
Adrian olhou novamente.
Mais demoradamente.
Mais atentamente.
Então percebeu.
Uma das mãos de Elena estava sobre a barriga.
Protegendo.
Sempre protegendo.
A mesma mão tremia.
Como se tivesse medo.
Medo de perder.
Medo de sofrer.
Medo de acreditar.
Ele lembrou do primeiro ultrassom.
Do sorriso dela.
Das lágrimas.
Da forma como ela colocou a mão dele sobre o ventre.
“Ele ouviu sua voz.”
Ela tinha dito.
“Por isso se mexeu.”
Naquele dia, Adrian acreditou que era o homem mais feliz do mundo.
Agora...
Nem sabia quem era.
Porque alguém estava mentindo.
E a mentira era enorme.
Talvez maior do que imaginava.
Talvez maior do que queria admitir.
Elena enxugou o rosto.
Mas as lágrimas continuavam chegando.
Uma atrás da outra.
Como se sete meses de dor estivessem finalmente escapando.
Adrian observou tudo.
O rosto cansado.
As olheiras.
O uniforme simples.
O medo.
Principalmente o medo.
E percebeu uma coisa terrível.
Ela estava assustada com ele.
Aquilo quase o destruiu.
Porque Elena nunca teve medo dele.
Nunca.
“Sou eu.”
Ele disse suavemente.
“Você não precisa ter medo.”
A resposta veio imediatamente.
“Eu não tenho medo de você.”
O coração dele apertou.
“Então de quem você tem medo?”
Elena não respondeu.
Mas seus olhos se moveram.
Apenas por um segundo.
Na direção de Victoria.
Foi o suficiente.
Adrian viu.
Victoria viu.
E Elena percebeu tarde demais.
O salão inteiro ficou gelado.
Porque todos entenderam.
Todos.
Sem que uma única palavra fosse dita.
Adrian voltou os olhos para a barriga.
Depois para Elena.
Depois para a barriga novamente.
A voz dele falhou.
Quase desapareceu.
Mas ainda assim conseguiu sair.
A pergunta que mudaria tudo.
A pergunta que ninguém naquela mansão estava preparado para ouvir.
A pergunta que fez Victoria perder toda a cor do rosto.
“Esse bebê...”
Ele engoliu em seco.
Os olhos presos aos dela.
“Esse bebê é meu?”
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