"A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo" Capítulo 30: A Escolha de Lyra
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Capítulo 30: A Escolha de Lyra
O céu sobre o Pico Draconiano estava tingido de um carmesim doentio, a lua de sangue pairando acima das ruínas do palácio como um olho gigante, observando o banho de sangue lá embaixo. O pátio estava silencioso, exceto pelo estalar das chamas que ainda consumiam as tapeçarias reais e pelo som rítmico dos passos de Lyana contra o mármore rachado.
Lyra estava de pé no centro do pátio, com os pulmões queimando pela fumaça e o coração batendo com um desespero frio. A poucos metros dela, o corpo de Kaelen jazia imóvel. O veneno de sangue havia reduzido o poderoso Rei a um estado de inércia absoluta; a palidez de sua pele era um contraste gritante com a escuridão do sangue que ainda emanava lentamente da ferida em seu ombro. Ele não parecia mais um governante; parecia apenas um homem, frágil e prestes a ser apagado da existência.
Lyana caminhou ao redor deles, a ponta de sua lâmina traçando um arco no chão, como se estivesse demarcando o território de sua nova conquista.
— Olhe para ele, Lyra — a voz de Lyana era suave, quase carinhosa, o que a tornava ainda mais aterrorizante. — O Grande Dragão, o protetor do Pico. Reduzido a nada. O veneno é uma obra-prima de nossa alquimia, você não acha? Ele não vai morrer agora, não. Ele vai definhar, hora após hora, enquanto a consciência dele é drenada, até que não reste nada além de uma casca vazia.
Lyana parou e olhou para Lyra, seus olhos frios examinando a humana como se ela fosse um inseto sob uma lente.
— Mas eu não sou uma pessoa irracional. Você é uma humana, Lyra. Você tem mais valor do que ele imagina. Se você se virar agora e caminhar em direção ao portão leste, ninguém vai impedi-la. Eu lhe dou a sua liberdade. Pode levar suprimentos, cavalos, o que precisar. Basta deixar este lugar e esquecer que este homem — ela apontou com desprezo para Kaelen — algum dia respirou. Você pode viver o resto de seus dias em paz.
O silêncio que se seguiu foi pesado. A proposta era lógica, crua e tentadora. A liberdade estava a poucos passos de distância. Lyra poderia apenas se virar, deixar a destruição para trás e salvar a própria pele daquele destino incerto e mortal.
Lyra olhou para o portão leste. Era uma saída. Era uma chance. Depois, seus olhos voltaram para Kaelen. Ele não estava se movendo, mas ela podia ver o leve tremor em suas pálpebras, uma luta desesperada e subconsciente para se manter presente. Ela se lembrou de tudo: do voo nas alturas onde as nuvens eram o único reino, da vulnerabilidade dele quando confessou o peso da maldição, e do beijo que tinham compartilhado nas sombras, onde por um breve momento, eles não eram governante e súdita, mas apenas dois corações tentando encontrar um lar um no outro.
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— Paz? — Lyra repetiu, sua voz ganhando uma firmeza que ela não sabia que possuía. — Você chama de paz a vida em um mundo onde eu sei quem você é? Onde eu sei que a pessoa que destruiu tudo, que traiu quem jurou proteger, ainda está por aí, caminhando livremente?
Lyana arqueou uma sobrancelha, sua expressão endurecendo.
— Não seja tola, humana. A sua lealdade por esse monstro é o que vai levá-la à morte. O que você acha que ele faria por você?
Lyra deu um passo. Não para o portão leste, mas em direção ao corpo inerte de Kaelen. O movimento foi lento e deliberado, uma declaração de intenções que fez os soldados rebeldes ao redor apertarem o cabo de suas armas.
— Ele não precisaria fazer nada — Lyra respondeu, parando ao lado de Kaelen e se ajoelhando no chão sujo, ignorando a proximidade da lâmina de Lyana. — Porque a escolha não é sobre o que ele faria por mim. É sobre quem eu escolhi ser quando o mundo tentou me forçar a ser o que vocês queriam.
Ela se recusou a olhar para trás, recusou-se a considerar a rota de fuga. Seus olhos estavam fixos apenas no rosto de Kaelen. Ela sabia que, ao fazer isso, estava selando seu próprio destino, selando uma aliança com um homem quebrado contra um exército de traidores.
Lyana soltou uma risada curta e ácida.
— Então você escolhe o túmulo dele como o seu também. Que desperdício de vida.
— Não é um túmulo — Lyra murmurou, enquanto suas mãos, trêmulas mas decididas, se aproximavam do ferimento de Kaelen, buscando uma forma de canalizar o que restava de sua própria força para estabilizá-lo, ignorando o perigo mortal que a cercava. — É o começo de uma dívida que você vai se arrepender de ter criado.
Com um último olhar desafiador para Lyana, Lyra se concentrou totalmente em Kaelen. Ela não iria correr. Ela não iria embora. Ela estava ali, e se eles quisessem tirar a vida deles, teriam que passar por cima de tudo o que ela ainda tinha para lutar. O pátio, iluminado pela lua de sangue, tornou-se o palco final de uma escolha que mudaria o curso daquela guerra para sempre.
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