"A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo" Capítulo 28: O Ataque Rebelde
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Capítulo 28: O Ataque Rebelde
O palácio, que por séculos fora o símbolo da invencibilidade do Pico Draconiano, gemia e se retorcia como um ser vivo em agonia. As explosões que vinham dos andares superiores não eram apenas ataques de cerco; eram o som de uma estrutura sendo metodicamente desmontada de dentro para fora. Poeira, pedra lascada e o cheiro acre de fogo alquímico preenchiam os corredores onde, até poucos minutos atrás, o silêncio da masmorra reinava.
— Precisamos sair daqui agora! — Lyra gritou, agarrando o braço de Kaelen enquanto um bloco de pedra caía a poucos centímetros deles.
Kaelen não precisou ser convencido. Com um movimento ágil, ele a puxou para trás de uma coluna de sustentação. A luz que emanava de seus olhos agora era puramente predatória, a marca de um dragão que sentia a invasão em seu próprio território.
— Eles não vieram apenas para derrubar o palácio, Lyra — ele rosnou, sua voz baixa e vibrante. — Eles vieram para decapitar a coroa. Sinta isso. É o cheiro de traição destilada.
Antes que ela pudesse responder, o teto do corredor explodiu em uma chuva de faíscas azuis intensas. Não eram chamas comuns; o fogo azul era a assinatura inconfundível de uma alquimia proibida, projetada especificamente para queimar a resistência mágica das escamas de dragão. Das sombras e da fumaça, figuras desceram como espectros. Eram dragões rebeldes, com suas formas distorcidas por armaduras de metal refinado, montados por soldados de elite de Solaria cujas faces estavam ocultas atrás de máscaras de ferro.
A cena era de um caos absoluto. Os rebeldes não lutavam com honra; eles lutavam com a precisão de cirurgiões cortando um tumor. Onde o fogo azul tocava as paredes, a própria pedra parecia derreter, revelando o núcleo do palácio.
— Kaelen, cuidado! — Lyra avisou, ao ver um grupo de rebeldes avançar.
Kaelen não hesitou. Com um rugido que fez as paredes restantes tremerem, ele se lançou contra a vanguarda dos invasores. Ele não precisava de armas; suas mãos eram garras e sua vontade era uma força física que arremessava soldados contra as paredes como bonecos de pano. Lyra, embora não tivesse a força bruta dele, movia-se com a astúcia de quem conhecia a fraqueza daquelas armaduras. Ela aproveitava as aberturas, usando pedaços de escombros e sua própria agilidade para desestabilizar os soldados humanos que controlavam os dragões rebeldes.
O corredor, antes um local de detenção, transformou-se em um açougue de pedra e fogo. O ar estava tão quente que a respiração de Lyra queimava. Em um momento de clareza terrível, ela percebeu que eles estavam sendo empurrados em direção à saída principal, onde uma emboscada maior certamente os aguardava.
— Eles estão nos cercando! — ela gritou, desviando de um golpe de espada que quase lhe custou o braço.
Kaelen parou por um segundo, girando para enfrentar um novo grupo de invasores que emergia da fumaça. Sua respiração estava pesada, e o esforço de manter sua forma humana enquanto lutava com tanta intensidade estava cobrando seu preço. Foi nesse instante de distração, quando ele se posicionou para proteger Lyra de um ataque lateral, que o erro aconteceu.
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Do alto de uma galeria que ainda restava intacta, um arqueiro rebelde, posicionado com uma calma gélida, disparou um único projétil. A flecha não assobiou; ela cortou o ar com um brilho violáceo, carregada com o infame veneno de sangue — uma substância destilada para desligar o sistema nervoso de qualquer criatura dracônica instantaneamente.
— Kaelen, não! — O grito de Lyra ficou preso na garganta.
Ela viu a flecha encontrar seu alvo com uma precisão cirúrgica. O projétil atingiu o ombro de Kaelen, perto da base do pescoço, onde a armadura natural do dragão era menos densa na forma humana. O impacto foi seco. Kaelen cambaleou, suas mãos indo para o local do ferimento. Ele não caiu de imediato, mas uma sombra escura começou a se espalhar a partir da ferida, correndo por suas veias como uma mancha de nanquim em papel úmido.
Seus joelhos cederam, e ele caiu contra a parede, a respiração saindo em um chiado agudo. O veneno de sangue não apenas paralisava; ele queimava o próprio vínculo do dragão com sua essência.
Lyra correu para ele, ignorando os soldados que ainda avançavam. Ela não via mais a guerra ao redor; ela só via o homem que, momentos atrás, a tinha beijado na escuridão daquela mesma cela.
— Kaelen! Olhe para mim! — ela exigiu, tentando estancar o sangue escuro que brotava da ferida com suas próprias mãos.
Kaelen tentou focar os olhos nela, mas suas pupilas estavam dilatando, a luz dourada oscilando como uma chama ao vento.
— Lyra... — ele murmurou, a voz mal audível sobre o som das explosões que continuavam a destruir o que restava do teto. — O veneno... ele está... bloqueando... tudo.
Lyra olhou para o ferimento e depois para o arqueiro, que preparava uma segunda flecha, enquanto os soldados rebeldes se aproximavam, agora cientes de que o Rei estava caído. A armadilha fora perfeita, e o Pico Draconiano estava, finalmente, sangrando até a morte diante de seus olhos.
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