"A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo" Capítulo 24: As Grades do Destino
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Capítulo 24: As Grades do Destino
O Julgamento de Fogo tinha terminado não com uma execução pública, mas com uma sentença que, para Lyra, parecia muito pior. O fogo da plataforma de obsidiana não a consumira, e o silêncio atordoado dos Anciãos após a estranha manifestação de sua resistência fora a única vitória que ela tivera. No entanto, Kaelen não a soltou. Ele não a abraçou, nem a declarou inocente diante da corte sedenta por sangue. Em vez disso, com uma frieza que parecia vir diretamente do núcleo de uma montanha congelada, ele dera a ordem final: a prisão imediata de Lyra nas masmorras profundas, longe de qualquer luz, longe de qualquer esperança.
O caminho para as masmorras foi um borrão de dor e desorientação. Os guardas a arrastaram por corredores de pedra que ela mal reconhecia, subindo e descendo escadas que levavam cada vez mais fundo, para onde o calor dos vulcões era apenas uma promessa distante e o frio da umidade reinava absoluto. Quando as grades da cela se fecharam com um estrondo metálico que ecoou por todo o corredor, Lyra caiu de joelhos, sentindo o ar pesado e viciado encher seus pulmões.
A masmorra era apenas um cubículo de pedra úmida, sem janelas, sem móveis, apenas um aglomerado de palha podre no canto e a escuridão que parecia querer engoli-la. O som de seus próprios soluços era a única coisa que quebrava o silêncio absoluto daquele lugar.
Ela chorava, não apenas por estar presa ou por medo da execução que, segundo Lyana, ainda era uma possibilidade real, mas por uma dor muito mais aguda: a traição. Ela pensou em cada momento que compartilhara com Kaelen. O voo nas asas do dragão, a confissão sobre o medo da perda de sanidade no vale das flores-de-fogo, o toque de sua mão em seu rosto... tudo parecia uma peça de teatro muito bem ensaiada para mantê-la dócil. Ou, pior, tudo aquilo fora real, e Kaelen a descartara como se ela não fosse nada, apenas um peão que ele sacrificara para manter a ordem em sua corte de monstros.
— Como você pôde? — ela sussurrou para as paredes frias, sua voz falhando. Ela fechou os olhos, mas a imagem do trono e do olhar vazio de Kaelen a perseguiam. — Você me disse que lá em cima, nas nuvens, não havia coroa, nem intriga, nem peso. Você mentiu. Você é exatamente o que todos dizem que é. Um rei que prefere a solidão do seu trono de ossos à verdade de um coração humano.
A umidade da cela começou a penetrar em suas roupas, fazendo-a tremer incontrolavelmente, mas o frio não era nada comparado ao vazio em seu peito. Ela havia confiado nele. Ela havia, contra todas as evidências, acreditado que por baixo daquela maldição de dragão existia um homem capaz de escolher algo além do dever. Ela fora tola, uma humana ingênua que acreditara na fábula de que o monstro poderia ser redimido pelo amor ou pela compreensão.
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Os guardas passaram pela porta algumas horas depois, jogando uma caneca de água turva e um pedaço de pão seco através da fresta da porta. Eles não disseram nada, não olharam para ela. Para eles, Lyra já era uma morta-viva, um detalhe técnico em uma guerra que já decidira seu destino. Ela nem sequer tocou na comida. O estômago apertado pela angústia não permitiria que nada passasse.
O tempo ali dentro era impossível de medir. Não havia dia ou noite, apenas a variação na tonalidade da escuridão. Lyra passou horas, talvez dias, sentada no canto, com as costas apoiadas contra a parede fria, tentando encontrar qualquer resquício de racionalidade nas ações de Kaelen.
Por que ele a enviou para a masmorra em vez de deixá-la ser executada no tribunal?
A pergunta se repetia como um mantra torturante. Seria aquilo uma forma de proteção, uma maneira perversa de mantê-la viva longe dos olhos de Lyana e dos Anciãos, ou era apenas a crueldade final de um homem que precisava que ela sofresse o isolamento antes do golpe fatal?
Cada vez que ela pensava no toque de Kaelen, ela sentia um ódio profundo crescer dentro de si. Aquele toque, que antes trouxera calor e conforto, agora parecia ter sido a marca de sua sentença. Ele a conhecia. Ele sabia que ela não era uma espiã. E, ainda assim, ele a deixara lá, sem uma defesa, sem um olhar de alento, deixando que o mundo a destruísse enquanto ele assistia de cima do seu trono de pedra.
A esperança, que antes a fizera sonhar com a liberdade nos céus, murchava ali na umidade da masmorra. Lyra abraçou os próprios joelhos, tentando conter o choro, mas as lágrimas continuavam a cair, silenciosas e amargas. Ela estava sozinha. Não havia dragões para salvá-la, não havia reis para redimi-la. Ela era apenas uma humana em um mundo que não a queria, guardada por grades que pareciam ter sido desenhadas pelo próprio destino para nunca mais abrir. Ela fechou os olhos, deixando que a escuridão da cela se fundisse com a escuridão de sua própria alma, e, naquele abismo, Lyra fez uma promessa silenciosa: se ela saísse daquela cela, se Kaelen decidisse que ela era inútil, ela não voltaria a ser a curandeira que curava feridas de dragões. Ela seria a força que causaria as feridas que nenhum remédio seria capaz de fechar.
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