"A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo" Capítulo 5: A Prisioneira do Rei
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A lâmina escura da General Lyana continuava pressionada contra a garganta de Lyra, quente o suficiente para fazer a pele pálida arder. Ninguém no salão ousava respirar. Os nobres da corte assistiam à cena com sorrisos contidos, esperando o momento exato em que o sangue humano mancharia o mármore negro puríssimo do palácio. Lyra sentia a pulsação acelerada batendo contra o metal afiado, mas manteve o queixo erguido. Ela recusava dar àquela general o prazer de vê-la implorar.
— Chega.
A palavra não foi gritada. Foi pronunciada em um tom baixo, quase arrastado, mas carregava uma onda de choque tão violenta que fez as fendas de lava no chão borbulharem com fúria.
Na outra extremidade do salão, Kaelen estava sentado no Trono de Ossos. O assento monumental, construído com os restos esqueléticos de dragões ancestrais que ousaram desafiar a linhagem real, parecia moldar-se à sua figura imponente. Ele apoiava o cotovelo no braço do trono, o queixo descansando sobre os dedos fechados em punho. Seus olhos de ouro brilhavam na penumbra, frios, calculistas e mortalmente perigosos.
Lyana congelou. A adaga tremeu de leve contra o pescoço de Lyra, mas a general não recuou imediatamente. Ela virou o rosto em direção ao trono, a mandíbula travada.
— Majestade — disse Lyana, tentando manter a voz firme, embora a tensão militar em seus ombros a entregasse. — Essa insolente desrespeitou a corte. Ela é apenas carne humana. Um tributo enviado por um reino de traidores. Permitir que ela fale assim no Grande Salão é um insulto a todos nós. Eu só estou limpando o chão antes que ela contamine o ar.
Kaelen não se moveu. Ele apenas ergueu os olhos dourados, as fendas verticais de suas pupilas fixando-se na general.
— Eu ordenei que você falasse, Lyana? — o tom dele era gélido, uma calmaria que precedia uma tempestade de fogo.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Lyana engoliu em seco, recolhendo a adaga lentamente, embora o ódio em seus olhos castanhos continuasse direcionado para Lyra. Ela deu um passo para trás, curvando a cabeça em uma reverência rígida, mas claramente contrariada.
Kaelen levantou-se do trono. O movimento foi fluido, gracioso como o de um predador que decide que a caça começou. Ele desceu os degraus de pedra escura, caminhando em direção às duas. A cada passo dele, a temperatura no salão subia um grau, fazendo com que os nobres mais próximos recuassem sutilmente para evitar o calor sufocante que emanava do corpo do Rei.
Ele parou a menos de trinta centímetros de Lyra. Ele era tão alto que ela precisou inclinar a cabeça para trás para continuar encarando-o. O cheiro de fumaça e menta que vinha dele envolveu os sentidos dela outra vez, cortando o odor de enxofre do ambiente.
Kaelen estendeu a mão direita. Ele não usava luvas, e a pele de seus dedos era ligeiramente áspera, coberta por marcas que pareciam cinzas encrustadas. Com um toque surpreendentemente preciso, ele segurou o queixo de Lyra, forçando-a a olhar diretamente para suas órbitas douradas.
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O toque dele foi como fogo. Lyra soltou um arquejo baixo quando o calor da pele dele entrou em contato com a sua. Mas não a queimou. Em vez disso, aquela mesma sensação de eletricidade e calmaria começou a correr por suas veias, acalmando o tremor involuntário de suas pernas. No peito de Kaelen, por baixo do tecido preto, a runa da Marca da Alma pulsou com força. Ele sentiu. Seus olhos de ouro se dilataram por um milésimo de segundo antes de voltarem a se contrair em fendas afiadas.
— Olhem bem para ela — Kaelen disse, sua voz ecoando por cada canto do mármore negro, forte o suficiente para calar até os pensamentos dos presentes. Ele soltou o queixo de Lyra, mas continuou cercando o espaço dela com sua presença esmagadora. Ele virou-se parcialmente para a corte, o olhar varrendo cada nobre, cada general, cada ancião. — Solaria quebrou o tratado, e a punição deles virá no momento certo. Mas esta fêmea... esta humana não é um lixo que vocês podem descartar. Ela não pertence à corte. Ela não pertence ao exército.
Ele deu um passo para o lado, colocando-se exatamente entre Lyra e a General Lyana, como um escudo de carne e osso que bloqueava qualquer ameaça.
— Ela é a prisioneira pessoal do Rei — Kaelen sibilou, e a runa em seu peito brilhou com uma intensidade fosca. Sua voz assumiu um tom de possessividade brutal, um rosnado territorial que fez os dragões mais velhos endireitarem a postura em sinal de submissão involuntária. — O status dela aqui dentro é definido por mim, e apenas por mim. A vida de Lyra me pertence. Cada gota de sangue, cada respiração dela é propriedade do trono.
Kaelen voltou a encarar Lyana, os olhos brilhando com uma promessa de morte tão clara que a general deu mais um passo atrás, abaixando os olhos.
— Se qualquer um de vocês tocar em um único fio de cabelo dela, se qualquer um tentar testar os limites da minha paciência nas masmorras ou nos corredores... eu mesmo farei questão de queimar suas asas e transformá-los em cinzas antes que consigam pedir misericórdia. Ninguém. Toca. Nela.
O veredito estava dado. Lyra sentiu o coração martelar contra as costelas, os olhos fixos nas costas largas de Kaelen. Ela era uma prisioneira, sim. Mas, naquele momento, protegida pela sombra daquele monstro arrogante, ela percebeu que havia se tornado a coisa mais perigosa e intocável dentro daquela fortaleza de cinzas.
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