"A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo" Capítulo 4: A Fortaleza de Cinzas
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O vento parou de rugir contra os ouvidos de Lyra no instante em que as asas colossais de Kaelen se fecharam, descendo em um pouso vertical que fez o chão de pedra sólida vibrar. Quando ele finalmente soltou a pressão esmagadora de seu braço ao redor da cintura dela, as pernas de Lyra cederam por um segundo. Seus joelhos vacilaram, e ela teria desabado no chão de mármore se não tivesse se apoiado em uma pilastra próxima.
Ela piscou, tentando clarear a visão e afastar a tontura do voo em alta altitude. O ar ali em cima era radicalmente diferente de Solaria. Não havia o cheiro de chuva ou de terra molhada; era uma atmosfera densa, quente e carregada, que arranhava a garganta a cada inspiração.
Lyra ergueu os olhos e prendeu a respiração. Ela estava no coração da
Terra do Fogo
.
O salão principal do palácio no Pico Draconiano parecia ter sido esculpido diretamente das entranhas de um vulcão adormecido. Paredes imensas de mármore negro e polido erguiam-se até perderem-se na escuridão do teto abobadado. Mas o que realmente chamava a atenção eram as fendas abertas no chão: canais estrategicamente cavados por onde corria lava incandescente, iluminando o ambiente com um brilho pulsante, avermelhado e hipnótico. O calor que subia daquelas fendas fazia o ar oscilar, criando uma miragem constante que dava ao lugar uma aura infernal e majestosa.
No entanto, o palácio não estava vazio.
Cercando o perímetro do grande salão, dezenas de figuras observavam a chegada deles. A corte dos dragões estava reunida. Lyra sentiu o peso de dezenas de olhares sobre si, e nenhum deles carregava um pingo de calor humano. Os nobres dragões, em suas formas antropomórficas, eram figuras imponentes, vestidas com tecidos pesados, armaduras de couro e joias de ouro bruto. Mas eram as expressões deles que faziam a espinha de Lyra congelar: rostos aristocráticos, frios, cobertos por um desdém absoluto. Para eles, a garota de cabelos loiro-platinados e capa cinzenta era apenas um inseto que tivera a audácia de entrar no santuário deles. Os sussurros começaram a ecoar pelas paredes de mármore, parecendo o sibilar de serpentes.
— Um tributo humano? É isso o que Solaria nos envia para pagar por sua insolência? — uma voz masculina ecoou ao fundo, carregada de escárnio. — Ela parece que vai quebrar se o vento soprar um pouco mais forte.
— Que desperdício de tempo. Deveríamos ter queimado aquela cidade de fazendeiros de uma vez — outra voz respondeu.
Lyra engoliu em seco, endireitando a postura. Ela sentia o suor escorrer por sua nuca, o tecido de seu vestido colando na pele por causa do calor sufocante. Ela procurou por Kaelen com o olhar, mas o Rei dos Dragões já havia se afastado alguns passos. Ele caminhava em direção ao trono de ossos que ficava na extremidade oposta do salão, ignorando os sussurros da corte como se eles fossem apenas ruído de fundo. Suas asas haviam recolhido completamente, e sua postura exalava uma indiferença brutal. Ele não olhou para trás para ver se ela o seguia. Ele não se importava.
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Antes que Lyra pudesse dar o primeiro passo para sair do lugar, o som de botas pesadas batendo contra o mármore negro fez os sussurros cessarem abruptamente.
A multidão de nobres abriu espaço, e uma figura imponente marchou em direção a Lyra. Era uma mulher alta, de porte atlético e ombros largos, vestida com uma armadura de combate feita de escamas de dragão avermelhadas que pareciam pulsar com o calor interno. Seus cabelos negros estavam presos em uma trança firme e militar, e seus olhos, de um castanho escuro e cortante, estavam fixos em Lyra com uma promessa de violência.
Era a General Lyana. O braço direito das forças militares do Pico e a voz mais implacável da corte.
— Então esta é a grande oferenda dos humanos? — Lyana parou a menos de um metro de Lyra, cruzando os braços sobre o peito blindado. Sua voz era afiada como uma lâmina, ressoando por todo o salão. Ela olhou para Lyra de cima para baixo, parando o olhar nos cabelos platinados e na pele extremamente pálida da garota. — Eles nos mandam uma criatura fraca, feita de carne macia e ossos que se quebram como gravetos. Solaria realmente perdeu o respeito pelo Pico Draconiano se acha que aceitaremos esse lixo como pagamento.
Lyra sentiu a raiva começar a competir com o medo em seu peito. Ela passou a vida inteira lidando com homens que achavam que seu tamanho ou sua força lhe davam o direito de humilhar os outros. Ela não cruzaria o oceano e subiria uma montanha para ser pisoteada por uma general arrogante.
— Eu não sou lixo — Lyra disse, sua voz soando clara e firme no salão silencioso. Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre ela e a general, encarando aqueles olhos castanhos sem hesitar. — Sou o cumprimento do tratado que o seu povo exigiu. Se a corte dos dragões prefere quebrar o próprio acordo por causa de um capricho, a culpa da guerra não será dos humanos.
Um suspiro coletivo ecoou pelos nobres. Ninguém — absolutamente nenhum humano — falava daquela forma com a General Lyana e saía ileso.
O rosto de Lyana escureceu instantaneamente. Suas pupilas se contraíram de uma forma perigosamente reptiliana e um rosnado baixo vibrou em sua garganta.
— Você tem uma língua muito afiada para alguém que está prestes a morrer, humana — Lyana sibilou.
Em um movimento rápido e fluido que Lyra mal conseguiu acompanhar, a general levou a mão à cintura e puxou uma adaga longa, curva e feita de um metal negro cintilante. A lâmina parecia emitir uma leve fumaça por causa do calor.
Com um movimento preciso, Lyana avançou e pressionou a ponta da adaga afiada diretamente contra a garganta de Lyra, bem acima da clavícula. O metal quente beliscou a pele sensível, e Lyra sentiu o calor da lâmina ameaçar queimar sua carne. Um milímetro a mais, e o sangue escorreria pelo seu peito.
— Vamos ver se você continua falando sobre tratados quando eu arrancar a sua cabeça e mandá-la de volta para Solaria em uma caixa — Lyana murmurou, aproximando o rosto, o hálito quente batendo contra a bochecha de Lyra.
Lyra paralisou, sentindo o gume da arma contra sua pele, mas manteve os olhos fixos na general. Suas mãos fecharam-se em punhos ao lado do corpo, recusando-se a implorar. O salão inteiro parecia prender a respiração, esperando o comando ou o movimento final que daria início ao banho de sangue.
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