"O Destino em sua Pele" Capítulo 64
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64. Muito apegada
— Atchim! — no escritório da residência de Vinícius, na cidade de Yun.
Ao sentir a fragrância marcante do perfume da mulher ao seu redor, Vinícius acabou espirrando de forma repentina.
Daisy demonstrou descontentamento com sua expressão expressiva, fixando os lindos olhos azuis nele com insatisfação: — Você acabou sujando o meu vestido, exijo que providencie um modelo novo para mim!
Vinícius achou graça da cobrança. Em um movimento rápido, manteve-a contida contra o encosto do sofá atrás dela, inclinando-se com uma postura firme e impositiva:
— Escute, quanto tempo mais você pretende permanecer instalada na minha residência?
Embora mantivesse um tom descontraído, seu olhar parecia firme e determinado, dando a impressão de estar lidando com um adversário que tentava confiscar seus mantimentos, e não com uma mulher de beleza singular e traços internacionais.
Daisy piscou os olhos de forma descontraída: — Como assim instalada? — Ela aproximou o semblante do ouvido dele, comentando com um sorriso discreto: — A Ivy me assegurou que sou considerada a melhor amiga dela e uma convidada especial em sua casa, portanto, cabe a você garantir a minha recepção, compreendeu? — Ao concluir, seus lábios tocaram de leve a face bem delineada dele, em um gesto aparentemente casual.
A expressão de Vinícius ficou estática por um instante.
...
— O que está acontecendo com você? — às onze horas da noite, na residência de Caio.
A iluminação principal do quarto já havia sido apagada, restando apenas a claridade suave de uma luminária noturna. Sob a penumbra, Thalita mudou de posição na cama confortável, demonstrando insatisfação e observando com apreensão o semblante do homem ao seu lado.
Para aquela noite, ela havia selecionado um vestido de dormir de seda que valorizava sua silhueta, com tecido macio e detalhes em renda no decote, transmitindo uma proposta atraente e sutil. Na verdade, aquela peça havia sido providenciada por ele próprio. Em condições normais, ela jamais utilizaria um modelo daquela natureza. O fato de ele ter disponibilizado o traje sugeria uma expectativa de aproximação, não?
Contudo, mesmo após ela ter feito sua higiene completa e utilizado uma loção perfumada, e com o ambiente devidamente preparado sob a luz difusa, ele simplesmente havia fechado os olhos para descansar. "Será que ele apresenta algum problema de indisposição?" Aquela já era a quinta noite de convivência na residência dele sob a lógica do suposto acordo, mas até o momento eles não haviam tido nenhuma aproximação íntima real. Além disso, ele não havia mencionado nenhuma medida prática para intervir na empresa de sua família.
Ela o fitava com apreensão, e seus olhos expressivos começaram a demonstrar traços de choro enquanto murmurava em voz baixa: — Por acaso você tem algum outro interesse fora daqui?
No silêncio do quarto, ouviu-se um suspiro discreto. Caio abriu os olhos e ergueu a mão para acariciar a face delicada dela, tentando acalmá-la: — De forma alguma.
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"Caio, quando eu retornar ao estado de desorientação de identidade, por favor, evite qualquer aproximação íntima comigo." A recomendação que ela havia feito com insistência no dia anterior, por estar sentindo os desgastes físicos, retornou à mente dele. Na verdade, durante o período em que ela esteve com a consciência normal, os dois haviam mantido uma proximidade intensa e frequente em todos os dias. O problema era que, ao alternar novamente para o papel da acompanhante fictícia, ela simplesmente não guardava lembranças dessas situações recentes.
Para ele, manter a frequência não seria um problema, mas a condição física dela demandava repouso devido ao cansaço acumulado. Contudo, sob a perspectiva da persona atual, Thalita não tinha conhecimento desses fatos. Ela supunha que os sinais em sua pele fossem decorrentes de picadas de insetos e que o incômodo muscular fosse resultado de ter permanecido muito tempo em repouso sem atividades físicas. Em sua lógica, o investidor que havia proposto o acordo ainda não havia demonstrado interesse por ela nenhuma vez. Aquilo gerava uma grande insegurança, fazendo-a supor que corria o risco de perder a utilidade prevista no arranjo.
Mesmo com ele já tendo enfatizado anteriormente que a considerava em igualdade de condições e que não havia necessidade de adotar uma postura submissa, a convicção no papel fictício permanecia inalterada. Ela sentia a obrigação de cumprir as supostas metas do arranjo e a ausência de desdobramentos causava-lhe apreensão.
Sem alternativa para resolver a situação de imediato, Caio a puxou de volta para o seu abraço, confortando-a: — Descanse um pouco, o horário já está avançado. Amanhã tenho compromissos logo cedo e a rotina na empresa será intensa. Deixemos para depois, tudo bem?
Thalita observou-o por alguns instantes e acabou aceitando a justificativa com ressalvas. Contudo, a preocupação de que ele pudesse buscar outras alternativas de companhia permanecia. A partir do dia seguinte, ela passou a demonstrar um comportamento extremamente apegado e ciumento, insistindo em acompanhá-lo até mesmo no ambiente de trabalho.
— Por favor, marido, eu prometo permanecer quietinha na sua sala de descanso sem causar nenhuma interrupção. Deixe-me ir com você, sim? — no momento da partida, ela segurava firmemente a mão dele com suas mãos delicadas, fitando-o com um olhar pidão, assemelhando-se a um pequeno animal de estimação receoso de ser deixado para trás.
Ele não tinha a intenção de recusar a companhia e, diante daquela demonstração de carinho, cedeu prontamente com um sorriso: — Tudo bem, vamos.
Com isso, a rotina na sede do Grupo Qi teve uma movimentação incomum naquele dia. O gestor da corporação, habitualmente caracterizado por uma fisionomia séria, reservada e distante como uma estrutura de gelo, demonstrava uma postura extremamente dócil e atenciosa. Ele foi visto conduzindo a garota pela mão de forma voluntária, gerando surpresa entre os funcionários, que cogitavam a natureza daquela aproximação.
— O que está acontecendo? O diretor está em um relacionamento?
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— O semblante dele mudou completamente, nem mesmo uma alteração climática global causaria esse impacto!
— A parceira dele parece muito simpática e dócil, dá vontade de cumprimentar!
— Já entendemos que ele está acompanhado, não precisa demonstrar tanto!
...
No momento, na sala de descanso anexa à diretoria no último pavimento.
Caio tocou levemente os cabelos de Thalita: — Preciso comparecer a uma reunião agora, aguarde-me aqui, sim?
Thalita assentiu: — Tudo bem.
Ele sorriu de forma terna e aproximou-se para um beijo rápido antes de se afastar: — Há diversas opções de lanches disponíveis. Se ficar entediada, pode assistir a algum conteúdo, utilizar os jogos ou até mesmo desenhar, os materiais e tintas já estão posicionados. — Ele segurou o rosto dela com atenção, mantendo um olhar afetuoso: — Caso queira algo diferente para consumir, basta solicitar aos assistentes que eles providenciam.
Toda a recepção havia sido planejada com critério. Thalita observou a estrutura e os itens dispostos no local. Todos correspondiam exatamente às suas preferências pessoais, com destaque para as ferramentas de pintura. Sendo aquela a sala de uso exclusivo dele, a organização havia sido feita inteiramente com base nos gostos dela. Os critérios estéticos de ambos pareciam demonstrar muita afinidade.
— Tudo bem, marido. Vou aguardar o término dos seus compromissos aqui — ela respondeu e, mantendo a postura de seu papel, buscou corresponder à atenção recebida erguendo-se para depositar um beijo suave no maxilar dele.
Amanda, que havia se dirigido à diretoria para verificar os boatos sobre a presença de uma acompanhante na empresa, deparou-se exatamente com aquela cena. Ela hesitou por um instante, sentindo um forte incômodo com a situação, e retirou-se do local. Somente após a figura do homem se afastar é que ela voltou a direcionar os olhos para o interior da sala de descanso com uma expressão confusa.
A garota estava consumindo um lanche naquele momento, com as bochechas cheias de forma descontraída. "Que irritante, eu não deveria ter antipatia por ela? Por que, por algum motivo, acabo achando a cena quase cativante?"
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