"O Destino em sua Pele" Capítulo 55
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55. A sugestão psicológica que ela plantou
Faltavam três dias para o Ano Novo. Diversos setores começaram a liberar os funcionários para o recesso. Os pais de Thalita decidiram fechar o restaurante mais cedo naquele dia para limpar e decorar a casa, preparando-se para a chegada do Ano Novo.
— Dá para ir mais rápido? Que demora para pendurar uma lanterna! Minhas mãos já estão doendo de tanto segurar a escada. Olha o vizinho, ele já terminou faz tempo!
A neve caía intensamente, cobrindo o chão com uma camada espessa, e o ar estava gelado como uma lâmina. Diante das reclamações da esposa, o pai de Thalita, em cima da escada, respondeu sem graça: — É que estou sem meus óculos e não consigo enxergar direito...
Lá embaixo, a mãe não escondeu a insatisfação: — Que lerdeza! Desce daí que eu mesma faço!
Ao ver o velho amigo sendo criticado pela esposa, o vizinho ao lado não perdeu a oportunidade de fazer uma piada provocativa: — E aí, amigo, vai conseguir ou não? O teto da sua casa é alto, com a sua altura acho que não vai alcançar. Quer que eu vá aí te dar uma força?
— Você não cala a boca um minuto! — a esposa do vizinho deu um chute de aviso nele. — Por que não vai lá ajudar logo em vez de falar?
O vizinho coçou o nariz sem graça e correu para ajudar o amigo.
— A Thali e o Vinícius não disseram que vinham hoje? Estão quase chegando?
— Ainda não, acho que falta mais ou menos uma hora.
— Ah, o rapaz vem junto com a Thali desta vez. Amigo, você cozinha muito bem, prepare uns pratos caprichados mais tarde.
— Eu sei, eu sei, não precisa nem pedir...
Enquanto as duas famílias conversavam animadamente sobre assuntos cotidianos, um carro de luxo aproximou-se lentamente e estacionou em frente à casa ao lado. Os quatro interromperam a conversa e fixaram os olhos no veículo requintado.
A porta se abriu e um jovem muito bem-vestido e elegante desceu. Ele contornou a frente do carro com presteza e abriu a porta do passageiro.
— Querida, chegamos.
Em seguida, o jovem estendeu a mão para ajudar uma garota com vestimentas luxuosas a descer.
— Olha, aquela não é a Jéssica? — a mãe de Thalita comentou com incerteza ao reconhecer o rosto da jovem.
A vizinha completou: — Parece que sim. Ela mudou bastante...
A expressão e o tom de voz das duas amigas eram totalmente normais e moderados. Jéssica, que estava um pouco afastada, não conseguia ouvir o que diziam, mas ao ver os gestos delas, presumiu que estivessem falando mal dela pelas costas. Ela soltou um sorriso frio e imperceptível.
Claro, afinal agora ela estava vivendo muito bem e tinha encontrado um namorado extremamente rico. Ela não era mais aquela coadjuvante sem graça que andava na sombra da filha querida delas. Aquelas duas mulheres deviam estar morrendo de inveja por dentro.
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Apesar de pensar assim, ela estampou um sorriso no rosto e acenou: — Tia, faz tempo que não nos vemos! — Sem esperar a resposta, ela olhou para a mãe de Thalita e perguntou diretamente: — Tia, a Thali ainda não voltou?
Embora as duas famílias fossem vizinhas próximas, a relação não era boa devido a desentendimentos antigos entre os pais de Jéssica e os de Thalita. No entanto, lembrando que Jéssica e Thalita costumavam brincar juntas quando crianças, a mãe de Thalita manteve a educação.
Ela respondeu com um sorriso: — A Thali ainda está a caminho, acho que vai demorar um pouquin... — Antes que terminasse a frase, seu olhar captou três silhuetas surgindo no caminho principal de acesso ao condomínio.
Duas daquelas figuras eram inconfundivelmente sua filha e seu afilhado. Quanto ao terceiro jovem, bastava uma rápida dedução para saber de quem se tratava. A mãe de Thalita esqueceu os formalismos com Jéssica e anunciou alegremente: — A Thali e os meninos chegaram!
Ao ouvirem isso, todos direcionaram os olhares para a mesma direção, inclusive Jéssica. Eram três figuras que chamavam muito a atenção. Todos muito bonitos. Os dois jovens altos caminhavam nas laterais, como se fossem dois guardiões protegendo a garota delicada no centro. Os três conversavam e riam, demonstrando uma harmonia perfeita. Eram Thalita, Caio e Vinícius.
Ao avistar o grupo de familiares no portão, Thalita começou a acenar com suas luvas felpudas: — Pai, mãe! Padrinho, madrinha! — Sua voz doce e suave ecoou de longe, demonstrando imensa felicidade.
O olhar de Jéssica escureceu imediatamente enquanto ela observava a garota graciosa se aproximar. Após alguns anos sem vê-la, parecia que ela tinha ficado ainda mais bonita. Mesmo a dezenas de metros de distância, a beleza dela era evidente. Uma onda intensa de inveja a invadiu, e ela não pôde deixar de fixar os olhos no jovem que segurava firmemente a mão de Thalita.
Ele era muito alto. Suas roupas de inverno casuais e simples pareciam de alta costura no corpo dele. Sua aura parecia se fundir perfeitamente com aquela paisagem de gelo e neve, transmitindo um ar aristocrático e reservado. Suas feições marcantes eram visíveis mesmo de longe; era fácil imaginar o quão atraente ele devia ser de perto.
Aquele era o namorado dela?
Desde a infância ela tivera um irmão incrível e protetor ao seu lado, e agora que crescera, encontrara um namorado tão atraente quanto o irmão. A sorte daquela sonsa com os homens continuava a mesma de sempre. O ressentimento quase preencheu o peito de Jéssica.
Percebendo a mudança, o namorado dela, Arthur, apertou a mão de Jéssica e sussurrou: — Querida, você não gosta daquela garota?
As palavras de Arthur trouxeram Jéssica de volta à realidade. Olhando para o rosto elegante do namorado, a frustração dela diminuiu um pouco. Afinal, por que ela estava se incomodando? Agora ela tinha um namorado extremamente rico, com economias que passavam de milhões. O que isso significava? Era uma quantia que os pais daquela garota jamais conseguiriam juntar trabalhando a vida toda no restaurante. E o irmão dela, por mais inteligente que fosse, também não chegava aos pés dele nesse quesito. Eram apenas pessoas comuns que nem carro próprio tinham para voltar para casa; ela não precisava se rebaixar a isso.
Com esse pensamento, ela abriu um sorriso doce para o namorado: — Claro que não, ela é a minha melhor amiga de infância. Acho que podemos fazer uma visita a eles hoje à noite. — Ela balançou o braço dele de forma dócil. — Você precisa se comportar muito bem e impressionar a minha amiga, combinado?
Arthur percebeu perfeitamente o real sentimento de Jéssica em relação à amiga de infância e compreendeu o que ela queria dizer com "se comportar muito bem". Ele sorriu com confiança: — Fique tranquila, querida. Não vou te fazer passar vergonha, vou dar o meu melhor.
Thalita não fazia a menor ideia da competição silenciosa que ocorria entre os dois. Ao se aproximar, ela nem sequer olhou para eles, concentrando-se em apresentar Caio aos pais e padrinhos.
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