"O Destino em sua Pele" Capítulo 36
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36. Beijo Profundo
Nesse instante, o banheiro mergulhou em um silêncio absoluto, onde só se podia ouvir o som da respiração de cada um.
"Thalita." Caio a chamou suavemente. Seu hálito quente roçou nos lábios macios dela, a uma distância em que os narizes quase se tocavam.
Thalita não conseguiu evitar e engoliu em seco. "O-o que foi?"
Seus olhos cor de âmbar, límpidos e inocentes, olhavam para ele. O canto de seus olhos, levemente arqueado, estava avermelhado como pétalas de flores, tão belo que era impossível desviar o olhar.
O olhar de Caio escureceu e sua voz ficou ainda mais grave. "As coisas que casais fazem não se limitam apenas a dar as mãos ou beijos no rosto."
"O-o quê?" O coração de Thalita disparou ao olhar para as pupilas escuras dele. Em meio à confusão, ela pareceu perceber algo.
Mas antes que pudesse processar, Caio inclinou-se para frente, prendendo-a contra a borda da pia.
"Há também..."
Ele deu uma risada curta, olhou-a profundamente e, de repente, abaixou a cabeça, pressionando um beijo ardente contra a dela.
Logo em seguida, sua língua quente invadiu de forma dominante, explorando cada centímetro de sua boca.
Thalita arregalou os olhos em descrença, seus dedos pressionados contra a pia se contraíram.
"Mmm..."
O beijo era profundo e possessivo, como se ele quisesse devorá-la por inteiro.
O canto de seus olhos ficou vermelho instantaneamente. Suas forças foram drenadas por aquele beijo longo e ardente, deixando-a mole em seus braços.
Se não fosse pela mão forte e quente em sua cintura, ela certamente teria caído no chão.
Foi um beijo incrivelmente longo e inebriante.
Com a respiração totalmente desordenada, Thalita olhou para ele com as bochechas coradas e o olhar perdido, uma imagem que despertava ternura.
Os olhos de Caio eram como tinta escura e densa. Ele engoliu em seco com dificuldade e acariciou os lábios vermelhos e macios dela com o polegar.
"Thalita," ele chamou baixinho.
Ela piscou, confusa. "Hum?"
Ele sorriu e sussurrou em seu ouvido: "Como você pode ser tão doce, hein?"
A essa distância de extrema intimidade, sua voz grave e magnética parecia carregar uma corrente elétrica que percorria o corpo dela.
Thalita estremeceu sensivelmente e, sem conseguir resistir, escondeu o rosto quente como um fruto maduro no peito dele.
"Heh."
O peito dele vibrou com uma risada leve, que ecoou através da pele e chegou aos ouvidos dela.
Era uma situação totalmente inesperada. Foi como se, num instante, tivessem passado de uma pista infantil para uma corrida de alta velocidade.
Ele era bom demais nisso. Apenas um beijo, mas incrivelmente sedutor.
E, claro, fora muito prazeroso — uma felicidade em dobro.
Até então, Thalita não sabia que um beijo poderia ser algo tão gratificante. Isso era bom; significava que ela já tivera sucesso em grande parte do seu plano.
Ela abraçou a cintura firme dele e disse baixo: "Caio."
Mesmo o homem mais frio torna-se gentil nesses momentos.
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Caio acariciou a nuca dela. "O que foi?"
Ela ergueu o rosto, olhando-o com timidez e doçura, a voz bem pequena: "Quero de novo."
Caio hesitou, achando que ouvira errado. "O quê?"
O rubor nas bochechas de Thalita já havia se espalhado por suas orelhas. Ela simplesmente ficou na ponta dos pés, envolveu o pescoço dele com as mãos e repetiu baixinho: "Quero de novo."
...
Através da imensa janela de vidro, via-se a paisagem noturna vibrante da cidade, com o fluxo de carros e as luzes brilhantes.
Dentro do apartamento, a garota de pernas finas e brancas estava sentada no colo do jovem, beijando-o com paixão.
Era o ápice do prazer.
Naquela noite, Thalita beijou até a exaustão e logo adormeceu.
Mas não dormiu por muito tempo.
Ele começou de novo. Separados apenas por uma porta, ele talvez achasse que estava sendo discreto o suficiente, entregando-se ao desejo.
Contudo, os efeitos colaterais daquela atração recíproca fizeram com que ela sofresse em silêncio a noite toda, até o amanhecer.
"Thalita, por que você está tão desanimada?"
No dia seguinte, na aula teórica das oito da manhã, Luísa olhou para as olheiras profundas de Thalita e franziu a testa. "A propósito, onde você se meteu ontem à noite? Não estava no dormitório da empresa, e a Bianca disse que você também não apareceu no da faculdade. Só respondeu as mensagens hoje, estávamos morrendo de preocupação, sabia?"
Ela continuou o sermão: "Já não te disse? Se for chegar tarde, avise a gente. E se acontece algo como naquele dia e não tem ninguém para te proteger?"
"Eu..."
Thalita lamentava internamente, mas manteve a postura séria. "Desculpe, Lu, não vai se repetir. É que eu tinha uma encomenda artística para entregar hoje cedo, então passei a noite no ateliê perto da faculdade para adiantar o trabalho. Por isso não voltei para o quarto."
"Ah, entendi."
A expressão de Luísa suavizou. "Tudo bem, mas da próxima vez lembre-se de avisar."
Ela deu um tapinha solidário no ombro de Thalita. "Bom trabalho. Já que hoje só temos uma aula, você pode voltar para o dormitório e recuperar o sono depois."
Thalita assentiu. "Uhum."
Aliviada por ter conseguido disfarçar, ela suspirou internamente.
Entretanto, o alívio durou pouco. Camila, sentada à sua esquerda, falou de repente, olhando desconfiada para os lábios dela: "Thali, você comeu muita pimenta no café da manhã? Por que sua boca está tão vermelha e inchada?"
Thalita: "..."
"Ah... é, sim..." ela riu sem jeito.
Camila continuou encarando e até tocou levemente com o dedo, rindo: "Olha, essa cor ficou ótima, melhor do que qualquer batom."
Thalita: "..."
Socorro.
Enquanto Luísa e Camila brincavam ou se preocupavam, Bianca permanecia em silêncio. Seu olhar, fixo e sem sorriso, pousava nos lábios carnudos de Thalita, como se estivesse processando algo profundo.
Duas horas depois, a aula finalmente acabou.
Thalita recusou o convite das amigas para passear e correu para pegar o transporte interno para o dormitório.
"Thalita, espera, eu vou com você."
No momento de subir no veículo, Bianca apareceu correndo.
Thalita estranhou: "Bia, você não ia comprar almoço?"
"Não vou mais, tenho algo para resolver no quarto."
Bianca a empurrou para o assento interno e sentou-se ao lado. "Motorista, para o Alojamento Sul!"
Thalita ficou curiosa sobre o que faria Bianca, uma amante da comida, desistir de uma refeição. Mas, respeitando a privacidade, não perguntou nada.
Ao chegar no quarto, Thalita pegou suas coisas e correu para o banho. Suara muito na noite anterior e não conseguiria dormir sem se lavar.
"Ai, que chato, eu sou assim mesmo, juro por tudo!"
Pouco depois, ao sair do banheiro, Thalita ouviu Bianca dizer isso.
O tom de voz era forçado, doce e agudo, de um jeito que deu arrepios em Thalita. Normalmente, a voz de Bianca era mais grave que a das outras garotas. O que estava acontecendo parecia coisa de outro mundo.
Bianca estava tão distraída que nem notou a presença de Thalita.
"Sério, bebê? Você é linda assim mesmo? Tão fofa e doce, não canso de olhar. Manda mais uma foto, por favor, só mais uma..."
A voz de um homem, profunda e levemente forçada, saiu do alto-falante do celular.
Bianca respondeu com um tom dengoso: "Ai, que chato, não abusa, hein! Não é só pedir que eu mando, tem que ter um agrado antes!"
Thalita ficou paralisada.
O que era aquilo? Bianca estava... num namoro virtual?
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