"O Destino em sua Pele" Capítulo 20
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Capítulo 20: Subestimada
"Caio?" Thalita olhou para ele, atônita.
Caio franziu as sobrancelhas e seus olhos de fênix estavam sombrios. "Como você caiu? Está sentindo alguma dor?"
A camiseta de treino preta e a bermuda dele estavam encharcadas.
Pela sensação de asfixia que ela sentira através da conexão sensorial momentos antes, deduziu que ele estava correndo pela Avenida Central e passou por ali por coincidência.
E, claro, acabou salvando-a. O destino era realmente peculiar.
Thalita balançou a cabeça. "Minha bolsa caiu na água e eu pulei para pegar."
Ela omitiu propositalmente a humilhação causada pelos motoqueiros. No entanto, uma senhora que estava por perto não se conteve e contou tudo.
"Jovem, você é o namorado dela? Sabia que sua namorada foi importunada por uns vândalos?"
"Foram aqueles infelizes que jogaram a bolsa dela no lago!"
A senhora falava em um dialeto que Thalita mal entendia, mas o rosto de Caio escureceu visivelmente.
"Consegue andar?" Caio perguntou, olhando para o ferimento no joelho dela, que estava pálido por causa da água.
"Acho que sim."
Thalita tentou se levantar e deu dois passos manchando. No terceiro, uma dor aguda no joelho a fez vacilar e cair para frente.
Caio agiu rápido e a segurou.
"Esquece."
Ele soltou um suspiro leve, agachou-se na frente dela e inclinou o corpo. "Sobe. Eu te carrego."
Thalita olhou para as costas largas e firmes dele, hesitou por um segundo e aceitou o colo.
"Obrigada, Caio", ela disse baixinho, com os braços em volta dos ombros dele.
O toque suave dela atingiu as costas dele. Caio não disse nada. Ele segurou as pernas dela com firmeza, mas de forma cavalheiresca, mantendo as mãos fechadas em punho enquanto a levantava com facilidade.
"Vou mandar alguém pegar sua bolsa depois", disse ele calmamente.
Thalita balançou a cabeça. "Não precisa mais."
"Só tinha o meu tablet dentro, mas depois de tanto tempo na água, não deve mais funcionar."
O olhar dela ficou triste e ela encostou a cabeça no ombro dele, permanecendo em silêncio.
Caio olhou de soslaio, percebendo o desânimo dela. Sem dizer palavras de conforto, ele seguiu em frente, carregando-a para fora da praça.
Dez minutos depois, em uma loja de roupas femininas na Avenida das Águas.
Caio colocou Thalita sentada em um sofá e disse à vendedora: "Traga alguns conjuntos que fiquem bem nela."
"Com certeza."
A vendedora saiu para buscar as roupas. Thalita olhou para Caio.
A noite de verão não estava fria. Ao contrário de Thalita, que ainda estava muito molhada, as roupas dele já estavam quase secas, sobrando apenas um pouco de umidade na camiseta de treino.
"Caio, não precisa comprar roupas novas. Eu troco quando chegar."
Assim que terminou de falar, sentiu um formigamento no nariz e espirrou.
Caio não disse nada, mas o olhar dele era como se estivesse cuidando de uma boneca de porcelana frágil.
"Troque agora", disse ele em um tom que não aceitava discussões.
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Thalita: "..."
Era só uma coceira no nariz, não um resfriado!
Em pouco tempo, a vendedora trouxe vários vestidos para ela escolher. Para não tomar mais o tempo de Caio, Thalita escolheu um e entrou no provador.
Ela retirou as roupas molhadas, revelando a pele branca e delicada. Estava prestes a vestir a roupa nova quando percebeu um problema:
As roupas íntimas também estavam encharcadas. E aquela loja não vendia roupas íntimas.
Thalita hesitou, pensando em vestir as molhadas por cima mesmo.
Mas, naquele momento, a voz da vendedora soou do lado de fora.
"Moça, seu namorado disse para você tirar todas as roupas molhadas. Ele pediu para você esperar dez minutos aqui dentro, ele volta logo."
A palavra "namorado" fez Thalita corar de leve.
Ela pigarreou e explicou: "Ele não é meu namorado, não chame ele assim ou ele pode ficar bravo."
Depois, perguntou: "É para esperar aqui dentro?"
Vendedora: "Sim, no provador mesmo."
Embora não soubesse por que Caio queria que ela esperasse ali, como ele fora gentil em trazê-la para comprar roupas, Thalita decidiu obedecer.
Ela retirou as roupas íntimas molhadas, torceu-as um pouco e as pendurou, sentando-se no banco do provador para esperar.
No entanto, conforme os minutos passavam, algo mudou.
Uma sensação desconfortável começou a se espalhar por sua pele.
A "fome de pele" do Caio estava atacando novamente.
Cerca de oito minutos depois.
"Moça, pode abrir um pouquinho a porta? Seu amigo pediu para eu te entregar uma coisa." A vendedora bateu na porta.
Thalita estava agachada no chão, encolhida por causa do desconforto. "Ah, sim."
Ela se levantou e abriu uma fresta. A vendedora passou uma caixa rosa delicada e fechou a porta com cuidado.
Thalita abriu a caixa enquanto lutava contra a sensação de queimação na pele.
Dentro, havia um conjunto de lingerie.
Era branco puro, de um tecido de alta qualidade, mas decorado com laços e até estampas de coelhinhos de desenho animado. Um estilo bem infantil.
O rosto de Thalita esquentou até as orelhas.
Mas, lembrando que via Caio como uma "irmã", o constrangimento diminuiu.
Realmente, só uma "irmã" para entender outra.
Tudo bem, o conjunto era meio infantil, mas servia.
Ela tentou se vestir rápido para sair logo. No entanto, na hora de colocar o sutiã...
Thalita olhou para a peça com estampa de coelho, olhou para si mesma e ficou sem palavras.
Tão pequeno assim? Falando sério?
Ela parecia tão pequena para ele?
Thalita duvidou de si mesma por um segundo, olhou para o espelho e viu que o problema definitivamente não era dela. Sua "irmã" é que tinha uma percepção de tamanho ruim.
Claro, ela entendia. Apesar de ter a alma de uma "irmã", ele nunca usara aquelas peças, então era normal errar o tamanho.
Thalita se acalmou e acabou vestindo o sutiã molhado de novo.
Momentos depois, ela saiu do provador.
Caio ouviu o barulho e ergueu o olhar preguiçoso. Ao vê-la com o vestido novo, seus olhos escuros brilharam por um instante.
"Pronto."
Thalita segurava a caixinha rosa e se aproximou dele timidamente. "Caio, obrigada..."
"Uau, ficou lindo!" A vendedora interrompeu com entusiasmo. "Sem exagero, você é a cliente com mais classe que já vi usando esse modelo."
Depois, olhou para Caio e sorriu: "Vocês dois são lindos, combinam perfeitamente! Formam um casal maravilhoso!"
Thalita mudou de expressão e tentou explicar: "Você entendeu errado, ele não é meu namorado."
Ela olhou para Caio, depois para a vendedora, e disse com toda a seriedade do mundo: "Ele é meu cunhado!"
Vendedora: "???"
Caio: "???"
O olhar dele ficou subitamente sombrio. Ele encarou Thalita com um sorriso que não chegava aos olhos: "O que você disse? Repete se tiver coragem."
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