"O Destino em sua Pele" Capítulo 17
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Capítulo 17: Somos Todas Irmãs
"Irmão, não faça mais isso, pode estragar o relacionamento de vocês."
No dormitório, Thalita entregou o remédio que comprara para Samuel, falando com tom de conselho.
Samuel arqueou a sobrancelha: "Foi só um treino normal entre homens, que relacionamento o quê?"
Ele devolveu o remédio: "Deixa pra lá, é só um arranhão, amanhã melhora. Não preciso de remédio."
"Vou tomar banho", ele pegou uma toalha e foi para o banheiro sem olhar para trás. "Leva o remédio para o Caio. A pele dele é clara, os roxos aparecem muito mais."
Thalita não percebeu o orgulho masculino dele e achou que ele estava realmente preocupado com Caio.
"Pelo menos você tem um pouco de consciência."
Ela resmungou, saiu do quarto e bateu na porta ao lado.
Bateu uma vez, ninguém abriu. Será que não ouviu?
Thalita ergueu a mão com mais força para bater de novo.
Mas, nesse momento, a porta se abriu subitamente.
A mão de Thalita já estava no ar e não deu tempo de parar.
Em um instante, o toque de uma pele firme e macia atingiu o dorso de seus dedos.
Thalita ficou estática diante da cena.
Diante de seus olhos, um peito definido e forte, com gotas de água escorrendo pelos músculos abdominais esculpidos, descendo pela linha da cintura...
Caio tinha saído apenas de toalha?
Thalita piscou e ergueu o olhar, encontrando os olhos dele.
Naquele momento, os olhos de fênix, geralmente calmos, mostravam uma surpresa evidente, parecendo maiores e mais redondos do que o normal.
Thalita ia falar, mas...
BAM!
A porta foi batida na cara dela com tamanha força que o vento balançou sua franja.
Thalita coçou o nariz, com o rosto levemente corado.
O corpo do Caio era muito bom.
Mas, sendo "todas irmãs", não precisava de tanta timidez, não é?
Momentos depois, a porta se abriu novamente. Caio, que antes estava de toalha, agora vestia uma camiseta branca e calça preta, totalmente coberto.
Ele olhou para ela sem expressão: "O que foi?"
Thalita deu um passo atrás, com um sorriso dócil.
"Aqui está o remédio para os machucados."
Ela entregou as caixas, enfatizando: "Meu irmão fez questão de que eu trouxesse. Espero que não esteja bravo com ele."
Caio baixou o olhar para os remédios por dois segundos e, de repente, sorriu: "Seu irmão mandou entregar?"
Thalita não conseguia ler a emoção nos olhos dele.
Mas vendo o sorriso, achou que seu plano de redimir o irmão funcionara.
Realmente, essa família desmoronaria sem ela!
Orgulhosa de si mesma, ela assentiu: "Sim, sim!"
Caio ficou em silêncio.
Ele apenas a encarou e, sob o olhar expectante dela, perguntou calmamente: "Obrigado. Quanto custou? Eu te transfiro o dinheiro."
Thalita balançou a cabeça sorrindo: "Não precisa, afinal, somos todos da mesma..." família.
Antes de terminar, encontrou o olhar divertido de Caio: "Somos todos o quê?"
Thalita travou por um segundo, pensou rápido e soltou: "Afinal, somos todas irmãs!"
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Caio: "???"
À tarde, no departamento de arte.
"A aura do Diretor Caio hoje está aterrorizante!" comentou Letícia, que acabara de sair do escritório dele.
Um colega brincou: "E quando é que a aura dele não é aterrorizante?"
"É diferente, hoje parece que está com o dobro de potência!"
Letícia exagerou na expressão: "Adivinha o que aconteceu quando entrei na sala?"
"O quê?"
"Eu fui xingada! Pela primeira vez!"
Ao lembrar da cena, a adrenalina de Letícia subiu e seu tom ficou animado:
"Gente, vocês não têm noção, o jeito que ele briga é muito estiloso. Ele não usa um palavrão sequer, mas consegue te esculachar tanto que você sente vontade de se enterrar ali mesmo, entende?"
Thalita, que estava desenhando um personagem ao lado, desacelerou os movimentos e aguçou os ouvidos, curiosa.
Mas, bem na parte interessante, a diretora Marina aproximou-se e deu batidinhas na mesa dela.
Thalita olhou para cima: "O que foi, Marina?"
"Você já deve ter lido as configurações que o Diretor enviou. Já tem alguma ideia para os desenhos?"
Marina olhou para a tela do computador e seus olhos brilharam ao ver o esboço completo: "Está muito bom! Qual personagem é este?"
"Obrigada", Thalita explicou sorrindo, "é o Alucard."
Alucard, um dos cinco protagonistas masculinos de
Laços de Amor
, é o progenitor da linhagem dos vampiros e o personagem mais difícil de conquistar no jogo.
Marina semicerrou os olhos com interesse: "Nada mal. Mesmo sendo um esboço, dá para ver que o estilo é lindo e muito especial."
Não era à toa que Caio decidira colocar aquela garota sem experiência como ilustradora principal. O estilo dela era único e combinava perfeitamente com o projeto.
Marina, que antes tinha um pouco de receio pela "indicação direta", agora sentia-se mais tranquila.
"O Diretor quer falar com você sobre os desenhos originais. Ele é o planejador geral; já que você tem ideias, aproveite para trocar impressões com ele."
Thalita se surpreendeu: "Agora?"
"Sim."
"Diretor Caio, me chamou?"
Três minutos depois, no escritório.
Thalita olhou para o homem bonito mas frio como um iceberg e lembrou-se das "frases célebres" que Letícia mencionara.
Ela sentiu um calafrio involuntário.
"Frio?" Caio perguntou com um olhar sombrio e um sorriso de canto.
"Não." Thalita repetiu mentalmente várias vezes 'é da família, não tenha medo' e disse: "Diretor, em que posso ajudar?"
"A Marina disse que você já desenhou o esboço de um dos protagonistas."
Ele bateu os dedos longos levemente na mesa: "Traga aqui, quero ver."
Era um gesto casual, mas Thalita teve a impressão de que os dedos batiam em seu próprio coração.
Sem hesitar, ela levou o notebook e mostrou o desenho.
Ele observou em silêncio por vários segundos.
Sob o olhar tenso de Thalita, ele finalmente disse: "O desenho está bom."
Thalita soltou um suspiro de alívio.
Mas, antes que ela terminasse de relaxar, ele continuou: "Infelizmente, não parece um vampiro frio e calculista."
Ele sorriu para a Thalita confusa, de forma tão gentil quanto uma brisa de primavera: "Portanto, redesenhe."
Thalita: "???"
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