"Lágrimas de Gelo no Rio de Janeiro" Capítulo 10
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Ao ver as ataduras no braço de Jade e a tala ainda em sua perna, seu coração doeu como se tivesse sido esmagado. Sua voz tremeu:
— Jade... os ferimentos no corpo... ainda doem?
Assim que perguntou, ele se arrependeu.
Como não doeria?
Henrique odiava a si mesmo; se tivesse a encontrado antes, ela não teria sofrido tanto, nem seria tão fria com ele agora.
Jade não respondeu, apenas levantou os olhos para encará-lo. Não havia um pingo de calor em seu olhar:
— O que tiver para dizer, diga aqui. Não tenho muito tempo para gastar com você.
Henrique deu um passo à frente apressado, com a voz carregada de remorso:
— Jade, eu sei que errei.
— Quando você mais precisou de mim, eu não estava ao seu lado e deixei que passasse por tantas humilhações. Mas estamos juntos há tantos anos, por favor, me dê mais uma chance. Eu realmente não consigo viver sem você.
Se fosse antigamente, ao ouvir tais palavras, Jade se lançaria em seus braços chorando suas mágoas.
Mas agora, ela achava apenas ridículo.
Ela curvou levemente os lábios:
— Henrique, você ainda não entendeu? Eu não estou brava. Eu apenas não te amo mais.
— Impossível!
Henrique balançou a cabeça freneticamente, com urgência na voz. — É por causa da Yasmin que você está dizendo essas coisas só para me ferir?
— Antes, eu estava cego pelas mentiras dela. Eu já sei o que ela fez com você e com a vovó. Eu dei uma lição nela e a expulsei. De agora em diante, ela nunca mais vai incomodar nossas vidas.
Enquanto falava, ele pegou o celular atrapalhado, querendo mostrar a Jade como a havia vingado.
Mas ela apenas virou o rosto levemente, focando o olhar no gramado distante. Sua voz era calma:
— Henrique, é tarde demais. Nada do que você fizer agora tem mais sentido.
A mão de Henrique congelou no ar.
Sentiu o peito como se fosse esmagado por uma rocha gigante; estava tão sufocado que mal conseguia respirar.
Em um transe, imagens de inúmeros momentos doces com Jade surgiram em sua mente.
Era quando ele acabara de assumir os negócios da família e voltava tarde dos compromissos; Jade sempre o esperava no sofá, com uma canja quente preparada para curar a ressaca.
Era quando ele bebia até ter hemorragia estomacal; Jade o carregava no meio da noite para o hospital e passava a noite em claro ao lado do leito.
Era quando a família Albuquerque estava sob ameaça; ela entregava todas as propriedades da família biológica em suas mãos para ajudá-lo a superar a crise.
...
Antigamente, Jade sempre colocava as necessidades dele em primeiro lugar.
E ele se acostumara tanto com a entrega dela que, aos poucos, passou a ignorar que ela também sofria injustiças.
Por causa de uma Yasmin cheia de mentiras, ele magoara Jade repetidas vezes, empurrando-a cada vez mais longe com as próprias mãos.
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Henrique contemplou a mulher diante de si; seus traços ainda eram os mesmos da sua memória.
Mas aqueles olhos que antes transbordavam amor agora guardavam apenas um distanciamento gélido.
Ele estendeu a mão, querendo tocar o rosto dela, mas parou no meio do caminho.
Ele sabia claramente que havia agora um abismo intransponível entre eles.
Contudo, anos de sentimento estavam gravados em seus ossos; como ele poderia aceitar desistir assim?
Henrique baixou totalmente a guarda, com o olhar suplicante:
— Jade, eu te amo de verdade. Vamos nos casar de novo, sim?
— Eu juro que vou te tratar bem de agora em diante e nunca mais deixarei que sofra. Tudo o que você quiser, eu te darei; o que quiser fazer, eu estarei com você. Só peço que me dê mais uma chance...
Jade olhou para ele em silêncio.
Lembrou-se dos gritos da vovó ao ser empurrada da escada, lembrou-se de cada detalhe dos maus-tratos na fazenda...
Incontáveis vezes acordando de pesadelos, aquelas feridas a lembravam a cada instante de que ela era uma pessoa não amada.
Como poderia apagar tudo isso apenas com um "eu errei"?
Ela balançou a cabeça devagar, com a voz clara e firme:
— Henrique, não existe mais "nós".
— Antes, eu achava que o amor superava tudo, por isso cedi vez após vez, até ser torturada ao ponto de quase morrer. Só então entendi que uma entrega unilateral não compra sinceridade, e seu remorso não sustenta nosso futuro.
Havia um toque de alívio em seu olhar:
— Eu não te amo mais e não quero voltar ao passado. Liberte a mim e liberte a si mesmo.
Dito isso, Jade girou a cadeira de rodas e partiu.
As rodas esmagaram a grama, deixando dois sulcos rasos que jamais se cruzariam novamente.
Assim como as vidas dela e de Henrique, que apenas seguiriam caminhos cada vez mais distantes.
Uma brisa soprou, trazendo um frescor melancólico.
Henrique ficou estático no lugar, enquanto lágrimas caíam de seus olhos sem aviso, frias e silenciosas.
Capítulo 17
De volta ao quarto, a vovó acolheu Jade em seus braços com cuidado, dando tapinhas leves em suas costas:
— Minha filha, você não sofreu nada, não é? Aquele moleque não te pressionou?
Jade encostou-se no colo da vovó, sorrindo e balançando a cabeça:
— Não, vovó, fique tranquila. Eu não sou mais aquela Jade que qualquer um podia pisar. Agora eu sou outra pessoa, ninguém mais vai me manipular.
A vovó riu com o comentário, e as rugas de preocupação finalmente se suavizaram.
Nesse momento, Igor abriu a porta e entrou, com a cabeça baixa como uma criança que fez algo errado:
— Desculpe, eu não consegui cumprir o que prometi.
— Tenho medo que ele volte a incomodar vocês. Que tal eu ajudar a transferir você e a vovó para outro hospital? Seria uma forma de compensar minha falha.
Jade prontamente o consolou: — A culpa não é sua.
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— Eu sei melhor do que ninguém o quanto o Henrique pode ser insistente. Além disso, este é o seu local de trabalho, você não podia impedi-lo à força.
— Mas você tem razão, realmente não podemos mais ficar aqui.
Ela aceitou a proposta de transferência e escolheu um hospital particular em uma localização mais isolada.
Porém, na ronda do dia seguinte, quem abriu a porta foi novamente Igor.
Ele estava com um novo corte de cabelo e óculos de armação prateada sobre o nariz imponente; o jaleco branco impecável realçava sua estatura de 1,88m.
Jade arregalou os olhos surpresa:
— Doutor Igor, o que faz aqui? Você não estava no Hospital Central...
Antes que terminasse, a enfermeira atrás dele tomou a palavra:
— Nosso diretor tentou contratar o Doutor Igor por meses e ele nunca aceitou. Mas, por causa de vocês, ele veio se apresentar hoje mesmo.
— Alice, não diga bobagens — Igor repreendeu com voz grave. Alice mostrou a língua e se calou.
Ele caminhou até o leito da vovó, verificando cuidadosamente a recuperação da perna. Ao tocar o joelho, suavizou o toque:
— Vovó, dói aqui?
— Se sentir cansaço durante a fisioterapia nos próximos dias, descanse mais um pouco. Não se force.
Enquanto examinava, ele dava instruções pacientes, com um olhar cheio de detalhismo e doçura.
Terminado o exame da vovó, ele parou diante de Jade:
— Não ligue para o que a Alice disse, não sinta pressão. Você e a vovó são minhas pacientes; ser responsável por meus pacientes é o meu dever.
Ao ver as orelhas dele ficarem vermelhas, Jade não pôde deixar de sorrir.
Alice, atrás dele, cobria a boca com os olhos brilhando de curiosidade.
Depois que Igor saiu, Alice aproximou-se imediatamente de Jade, baixando o tom de voz:
— Senhorita Jade, qual é exatamente a sua relação com o Doutor Igor?
— Colegas de colégio — Jade pensou por um momento e achou que não era suficiente. — E amigos também.
Afinal, Igor a ajudara tanto que chamá-lo apenas de colega seria frio demais.
— Então ele com certeza está a fim de você! — Os olhos de Alice brilharam. — Você não sabe, o Doutor Igor é um ídolo na nossa área médica.
Pelas palavras de Alice, Jade conheceu o outro lado de Igor.
Desde que voltara de seu intercâmbio na Alemanha, Igor tornara-se o ortopedista mais jovem e respeitado do país após realizar sete cirurgias complexas e perfeitas.
Mas ele não tinha a arrogância de um especialista.
Tratava a todos igualmente, fossem cidadãos comuns ou autoridades.
Por isso, sua agenda de cirurgias já estava lotada até o ano seguinte.
Alice continuava empolgada:
— O Doutor Igor é muito mais ocupado que os outros médicos. Dizem que ele até estuda casos enquanto come. Por isso, mudar de hospital por causa de um paciente é algo que nunca aconteceria.
— Mas ele fez isso por você. Se isso não é amor, o que é?
A vovó ouviu e sorriu:
— Se for o Doutor Igor, eu aprovo com as duas mãos e os dois pés!
As palavras de Alice foram como uma pedra atirada em um lago, criando ondas no coração de Jade.
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