"A Vingança da Pastora" Capítulo 9
PUBLICIDADE
— Moça, por favor, me ajude a convencer minha esposa. Ela está agindo por impulso, falando com raiva. Eu não me importo comigo, mas tenho medo que ela guarde esse rancor e acabe sofrendo.
Se não tivessem visto as feridas de Estela, todos seriam enganados por esse ar de retidão de Dimitri. Lucas, sem paciência, expulsou o homem para perto do carro.
— Você não é bem-vindo aqui. Estela finalmente está se curando da dor, não vou deixar que você a machuque de novo.
— Estela?
O uso de um apelido tão íntimo fez o ciúme de Dimitri transbordar. Ele sacou um punhal que levava consigo, em tom de ameaça.
— Ela é minha mulher. Alguém como você não está à altura dela, nem pense em se aproveitar da situação!
O brilho da lâmina ofuscou Lucas por um segundo, mas ele reagiu com um golpe de cotovelo que fez Dimitri cair de joelhos, uivando de dor. Lucas lamentava profundamente ter desistido dela cinco anos atrás. Se ele tivesse sido corajoso e declarado seu amor, se não tivesse tentado priorizar a felicidade dela acima de tudo, se o homem que ela amasse fosse ele... ela ainda seria a borboleta mais linda da pradaria.
— Estela não pertence a ninguém. Ela pertence a si mesma.
Capítulo 17
O tempo nas pradarias é instável; o céu limpo do dia transformou-se em uma tempestade violenta à noite. O acampamento era temporário e a chuva começou a invadir tudo. Lucas e o outro homem tentavam reforçar as estacas, enquanto Estela e Mariana usavam bacias para tirar a água. Com a perna ferida, Estela acabou sofrendo uma queda feia no chão.
Lucas estava agoniado, mas precisava vê-la se levantar sozinha enquanto lutava contra o vento.
— Estela! Pare com isso e entre no carro para se proteger!
Uma lufada de vento quase arrancou o teto da tenda, e a corda cortou profundamente a mão do marido de Mariana.
— Não dá para ficar aqui, vamos para o carro e decidimos o que fazer no caminho — sugeriu o homem.
Lucas olhou para a perna de Estela e decidiu não arriscar mais. Pegou-a no colo e a colocou no carro, mas assim que entraram, Mariana notou o problema.
— O pneu está furado! Estava perfeito durante o dia, não podemos sair assim.
A chuva castigava as janelas e, no meio da escuridão, faróis ofuscantes surgiram. Dimitri não tinha ido embora e apareceu no momento exato. Ele desceu do carro sem pressa e bateu no vidro deles.
— Meu carro está bom. Subam e saiam daqui comigo.
Todos entenderam o que aquilo significava.
— Usar uma tática dessas numa hora dessas... você é desprezível! — exclamou Lucas.
Antigamente, Dimitri desprezaria tal oportunismo, mas agora, para ter Estela de volta, ele era capaz de qualquer coisa. Vendo a hesitação de todos, ele fingiu dar um bom conselho:
— A vida é o que importa agora. Eu só peço uma chance de conversar com minha esposa. Podemos resolver o resto depois que estivermos em segurança.
PUBLICIDADE
Sem opção, Mariana e o marido aceitaram e mudaram para o carro de Dimitri. Quando Lucas ia colocar Estela com cuidado no banco traseiro, Dimitri fechou a porta abruptamente, deixando Lucas do lado de fora.
Estela entrou em pânico, tentando abrir a maçaneta travada.
— Dimitri, o que você está fazendo? O Lucas ainda não subiu!
Ele segurou o volante e olhou pelo retrovisor para o homem sob a tempestade, sentindo um prazer sombrio.
— Sinto muito, meu carro só leva quatro pessoas. Além disso, ele vive aqui desde criança, já viu climas piores. Um pouco de chuva não será nada para ele.
— Ei! Como você pode ser assim? Tem espaço para apertar! Você é um mesquinho, vai acabar matando o homem! — gritou Mariana. O marido dela a calou: — Não diga nada agora, precisamos salvar nossas vidas primeiro.
Estela sabia que Dimitri estava deixando Lucas para trás de propósito por puro ciúme; ele sempre fora assim, intolerante e possessivo. Mas a tempestade piorava; se Lucas não achasse um abrigo, estaria em perigo real. Ela parou de olhar para Dimitri e disse friamente:
— É essa a educação e etiqueta de gerações da família Dimitri? Dimitri, você não tem o básico de humanidade.
Para ele, a fúria e o sarcasmo de Estela eram apenas provas de que ela se importava com Lucas. As veias saltaram em seu pulso no volante enquanto ele reprimia a raiva.
— Diga o que quiser. Não vou salvá-lo, muito menos salvar o meu rival.
O carro acelerava e tudo lá fora passava rápido, como quando ela deixou a pradaria com ele anos atrás, como se ele a estivesse levando para outro abismo. Mas, desta vez, ela não pretendia repetir o erro nem ser manipulada. Se Dimitri não a ouvia, ela o obrigaria.
Ignorando a dor na perna, ela aproveitou um movimento do volante e, num impulso, avançou para puxar o braço dele. O carro perdeu o controle por um instante, jogando todos para os lados. Ela se agarrou à alça de segurança, apertou o botão de destravar e saltou do carro em movimento sem hesitar.
— Estela!
Quando Dimitri reagiu, ela já tinha caído. Ele pisou no freio bruscamente e saltou antes mesmo de o carro parar totalmente para socorrê-la. Ele rolou várias vezes no cascalho antes de parar e, mesmo tonto, correu até ela.
Ela estava inconsciente, com um corte na testa. O rosto estava coberto por uma mistura de chuva e sangue. Ele a abraçou com força, sentindo uma dor insuportável ao vê-la assim.
— Estela? Estela? Acorde, por favor...
O som do motor do outro carro partindo ecoou, mas ele não o seguiu. Ele tentou transmitir o calor do seu corpo para ela, que estava ensopada, tentando despertá-la. Momentos depois, ela abriu os olhos, e sua primeira reação foi de rejeição:
— Me solte!
Ele permitiu que ela lutasse em seus braços, mas apenas a apertou mais.
PUBLICIDADE
— Não vou te soltar. Nem que eu morra. Como você pôde arriscar sua vida por causa dele?
A consciência de Estela começou a falhar novamente. No passado, ela não pôde proteger seu pai e permitiu que suas cinzas sumissem no vento. Mesmo que Dimitri desse a vida agora, o que foi perdido não voltaria jamais. Agora, ela queria viver, mas não aceitaria abandonar quem a apoiava para viver sob o jugo de Dimitri.
A chuva começou a diminuir, e ela pareceu ouvir a voz serena de seu pai:
— Tudo bem, Estela. Eu estou sempre com você. Eu nunca culpei nossa pequena Estela.
Capítulo 18
Quando Estela acordou novamente, a tempestade tinha passado. Ela olhou ao redor e percebeu que estava em uma caverna.
— Estela!
— Estela!
Dimitri e Lucas falaram ao mesmo tempo, emocionados ao vê-la acordar. Conforme recuperava a lucidez, a dor aguda em seus membros começou a se manifestar.
— Você saltou do carro e deve ter se machucado na queda. Felizmente, Mariana e o marido conseguiram chegar à cidade e a equipe de resgate está a caminho. Aguente só mais um pouco — disse Lucas.
Ele falava mantendo o corpo de lado, o que despertou a suspeita de Estela. Notando que Dimitri também evitava seu olhar, ela insistiu para que Lucas se virasse, revelando um ferimento profundo e assustador em seu braço.
— Dimitri, a pessoa que menos tem o direito de estar aqui é você. Se não fosse pela sua emboscada covarde ontem, o Lucas não estaria ferido.
Dimitri passara a noite em claro, quase louco de preocupação, mas as primeiras palavras dela foram para outro homem! O ressentimento escapou de sua boca:
— Lucas! Lucas! Lucas! Você pode parar de falar o nome dele na minha frente? Você é minha esposa, deveria respeitar os meus sentimentos!
Ele se arrependeu imediatamente.
— Me desculpe... eu... eu só estava preocupado demais com você...
Quão pequeno deve ser o coração de alguém para ferir os outros em nome do ciúme? Estela sentiu que fora cega por ter amado um lixo assim.
— Você diz que é por ciúme, mas o que você faz é crime! Ontem, o Lucas poderia ter morrido por sua causa! Pare de usar o amor como desculpa para o seu egoísmo. É nojento.
Ela tinha razão. O egoísmo dele quase a matara. Dimitri estendeu a mão no ar, mas a recolheu, envergonhado.
A equipe de resgate chegou logo depois. Lucas ajudou Estela a subir na ambulância e Dimitri tentou segui-los. Quando ia subir, percebeu que o colar com as cinzas do osso tinha sumido de seu bolso. Ele voltou correndo para a caverna.
— Senhor, não atrase o resgate, suba agora! — gritou o paramédico.
Dimitri procurou desesperadamente na caverna, mas não achou sinal do colar. Ele tinha certeza de que o sentira no bolso antes.
— Como não está aqui? Como...
Ele virou cada pedra, mas não encontrou nada, sendo finalmente forçado pelos socorristas a entrar no veículo. No entanto, após o carro percorrer certa distância, a luz do sol iluminou algo sobre uma pedra: era o colar.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4107 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127