"Amada por Vingança" Capítulo 1
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Capítulo 1
Nara era conhecida em toda a elite de São Paulo como a "garota exemplar". A coisa mais absurda que já havia feito na vida foi manter um relacionamento secreto por três anos com o maior rival de seu irmão, Yuri.
E, além disso, permitir que ele gravasse inúmeros vídeos íntimos dos dois.
Dentro do Maybach, ela foi despida e possuída por ele. Era sempre assim: todas as vezes ela estava nua, enquanto ele permanecia impecavelmente vestido, com um celular posicionado estrategicamente ao lado.
Os lábios finos de Sérgio desciam pela sua clavícula, provocando arrepios e deixando um rastro de marcas de beijos.
— Sérgio... — ela chamou baixinho, com a voz suave. — Pode... parar de gravar?
Sérgio hesitou por um momento e soltou uma risada contida.
Ele levantou o rosto, e seus olhos sombrios refletiram a face dela, carregando um misto de carinho e deboche. — Por que? Ficou tímida agora?
— Fique tranquila, nada vai vazar. Só quero ter o que olhar quando sentir sua falta. Querida, me satisfaça um pouco mais, sim?
Nara sentiu as orelhas arderem ao ser chamada de "querida". Era como se a voz dele a enfeitiçasse, tirando-lhe qualquer capacidade de recusar.
Os beijos de Sérgio voltaram a cair sobre ela com uma agressividade irresistível, consumindo cada centelha de sua sanidade.
A temperatura dentro do carro subiu gradualmente. Os movimentos dele tornaram-se mais pesados, como se quisesse fundi-la ao próprio corpo. A respiração de Nara acelerou, e seus dedos apertaram inconscientemente os ombros dele.
Depois de algum tempo, o carro parou de balançar. Tudo finalmente havia terminado.
Nara, que acabara de atingir o ápice do prazer, estava sentada sobre ele, sentindo-se completamente exausta.
Sérgio ajustou o cinto de couro sem pressa, olhou para ela e acariciou seu cabelo. — Tenho uma reunião daqui a pouco. Vou pedir para o motorista te levar para casa primeiro. Mais tarde eu passo para ficar com você, está bem?
Nara assentiu, a voz ainda frágil. — Tudo bem.
Após Sérgio descer, Nara se vestiu, ainda um pouco atordoada.
Quando estava prestes a chamar o motorista para ir embora, percebeu que a carteira de Sérgio havia ficado no banco.
Ela rapidamente pegou o objeto e saiu do carro para alcançá-lo.
Após perguntar sobre o camarote onde Sérgio estava, ela chegou à porta.
A porta estava entreaberta. Nara estava prestes a entrar quando ouviu uma explosão de risadas vindo lá de dentro.
— Sérgio, você pegou pesado dessa vez! Quando entrei, vi o Maybach inteiro balançando. Me digam, se o Yuri soubesse que a irmãzinha dele é tão libertina sob o corpo do Sérgio, será que ele morreria de ódio?
O cérebro de Nara deu um estalo. Ela ficou paralisada, como se tivesse sido atingida por um raio.
— Hahaha! Sérgio e Yuri brigam há anos. O título de "Titãs da Capital" não existe à toa. Caso contrário, Sérgio não teria planejado aquele resgate heroico só para ferrar com o cara, salvando a irmã do Yuri para fazer ela se apaixonar perdidamente por ele.
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— Já faz quantos anos? Ele deve ter mais de cem vídeos guardados, não? Sérgio, quando pretende expor tudo? Estou louco para ver como a "garota exemplar" fica sem roupa, mas estou ainda mais ansioso para ver a cara do Yuri quando descobrir isso, hahahaha!
Todos falavam com empolgação, sem notar que havia alguém do lado de fora.
A mente de Nara ficou em branco, um zumbido constante ecoando em seus ouvidos.
Aquelas palavras flutuavam em sua cabeça, ficando cada vez mais altas, até se tornarem um estrondo capaz de estilhaçar sua alma.
Sérgio... o resgate de anos atrás foi planejado por ele?
Namorar com ela era apenas uma forma de atingir seu irmão?
— Sérgio, por que está calado? Você se aproximou da Nara só para destruir o Yuri e fazer ele parar de te enfrentar... não vai me dizer que se apaixonou de verdade pela garota?
— Apaixonado? — O homem que há pouco a chamava de "querida" estava sentado no lugar de honra, bebendo calmamente. Seus lábios finos se curvaram em um sorriso carregado de escárnio. — Yuri é meu inimigo mortal, eu só quero acabar com ele. Só estou pensando em qual seria o melhor momento para postar esses vídeos. Talvez no aniversário da Nara. Acho que a expressão do Yuri ao ver sua irmãzinha comportada daquele jeito será impagável.
— Você é foda, Sérgio!
O grupo caiu na gargalhada, em um misto de euforia e expectativa.
Os dedos de Nara tremiam tanto que ela mal conseguia se manter de pé.
De repente, a voz de um garçom surgiu ao seu lado. — Senhorita, por que não entra?
Nara finalmente voltou a si e, em pânico, empurrou a carteira para ele. — Eu... eu não vou entrar. Entregue isso ao Sérgio, diga que encontrou no chão. E não diga a ele que estive aqui.
Dito isso, ela se virou e correu. As lágrimas fluíam livremente ao vento, enquanto a frase fria de Sérgio ecoava sem parar:
"Yuri é meu inimigo mortal, eu só quero acabar com ele."
Seu coração parecia apertado por uma mão invisível, uma dor que a impedia de respirar.
Então, desde o início, o encontro deles foi uma armadilha deliberada!
Anos atrás, Nara ignorou os protestos de seu irmão para estudar em São Paulo, pois lá ficava a melhor faculdade de dança do país.
Após se formar, insistiu em ficar na cidade, não importava o quanto Yuri pedisse para ela voltar para o Rio de Janeiro. Como seus pais a mimavam desde pequena e seu irmão era um protetor fervoroso, ela queria provar que podia vencer sozinha.
Sua vida era apenas a dança, até encontrar Sérgio — o lendário rival de seu irmão. Diziam que, nos últimos anos, os dois disputavam territórios e projetos até a morte, em uma rivalidade implacável.
Mas foi esse homem quem a salvou duas vezes.
A primeira vez, ela foi atropelada. O motorista fugiu e ninguém queria se envolver. Enquanto ela implorava por ajuda em meio a uma poça de sangue, foi ele quem passou com seu Maybach e a pegou nos braços, como um deus salvador.
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A segunda vez, ela havia sido dopada. Quando estava prestes a ser abusada, foi ele quem apareceu novamente e a levou. Naquela noite, ele foi o seu antídoto.
Na manhã seguinte, ao acordar, ele estava diante da janela vestindo uma camisa. Abotoava a peça preguiçosamente quando ouviu o movimento dela. Ele se virou, e aqueles olhos sedutores quase roubaram sua alma.
Ele se inclinou, aproximando-se lentamente. — Queria te perguntar isso desde o primeiro dia... mocinha, você gosta de mim?
Sua mente travou. Diante daquele rosto incrivelmente bonito, ela gaguejou sem conseguir responder. Ele sorriu. — Não gosta? Então por que fica vermelha toda vez que me vê? E por que me beijou escondido hoje cedo? Eu me lembro que o efeito do remédio já tinha passado.
Ela ficou tão envergonhada que quis fugir, mas ele a puxou de volta, capturando seus lábios em um beijo terno e cheio de malícia.
Depois daquele dia, eles começaram a namorar.
Durante três anos de relacionamento, ela acreditou que o amor era mútuo. Inúmeras vezes pensou em levá-lo ao Rio para conhecer seu irmão, acreditando que, com ela ali, os dois fariam as pazes. Pensando nisso agora, ela via o quão pateticamente ingênua fora.
Ela não sabia por quanto tempo correu, até que a chuva atingiu seu rosto e o celular em sua bolsa começou a tocar.
Era seu irmão. Ela respirou fundo e atendeu.
— Narinha, o irmão abriu o maior estúdio de dança para você aqui no Rio. E já escolhi até um pretendente para você conhecer. Termine logo com esse cara aí, está bem? Você sabe que eu e nossos pais não queremos você morando longe. Só queremos que você fique aqui no Rio, perto da gente...
Ao ouvir aquela voz familiar, Nara não conseguiu mais segurar o choro.
Ela conteve o soluço e assentiu.
— Desculpe, irmão. Fiz você se preocupar todos esses anos. Eu vou voltar para o Rio. Vou fazer o que você quer e conhecer esse pretendente.
Capítulo 2
Do outro lado da linha, a voz de Yuri carregava uma ponta de incredulidade. — Nara, você aceita mesmo voltar? E aceita conhecer quem eu indiquei? E aquele namorado por quem você estava perdidamente apaixonada?
A voz de Nara saiu fraca. — Não gosto mais dele. Nunca mais vou gostar.
Após a alegria inicial, Yuri percebeu algo errado e seu tom esfriou imediatamente. — Ele te machucou?
Imagens das conversas cruéis passaram pela mente de Nara. Os vídeos mencionados com tanto desdém por Sérgio e sua voz gélida.
Ela sentia uma dor profunda, mas precisava manter a lucidez.
Yuri a protegia desde a infância; se soubesse da verdade, provavelmente viria para São Paulo para matar Sérgio.
Ela não podia dar mais preocupações ao irmão. Teria que resolver essa sujeira sozinha.
— Não, irmão. — Ela se forçou a soar calma. — Assim que eu resolver as coisas por aqui, volto imediatamente.
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