"Destruída pelo Desejo" Capítulo 4
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Capítulo 7: Não é algo que se deixa para trás tão fácil
"E você ainda pensa em ter uma 'próxima vez', hein?"
Hugo revirou os olhos e brincou: "Minha pequena, o que ele tem de tão especial? Se você precisar, eu arrumo uns dez modelos para você a qualquer momento."
Janaína não queria mais falar sobre o assunto e mudou o foco: "Lucas me colocou como responsável pelo projeto da zona sul. As propriedades vizinhas à antiga mansão da família Jéssica já estão garantidas, exatamente como eu queria."
Há seis meses, Hugo havia feito uma análise de dados e previsto que o projeto de revitalização, parado por anos, teria grandes chances de cair nas mãos dos Lucas.
Janaína apostou nisso e se aproximou de Lucas; ela só não esperava que ele, em um impulso, se casasse com ela.
"Isso é bom. De qualquer forma, ver você como esposa de outro homem não me agradava nem um pouco." Hugo continuou antes que ela pudesse reagir: "Comigo ao seu lado, seus esforços renderão o dobro. Pequena, não se arrepende de ter me trazido de volta ao país, né?"
Hugo piscou para ela.
Janaína respondeu fingindo tédio: "Eu te adoro."
Mas logo em seguida, seu olhar se tornou melancólico: "Só tenho você agora."
Oito meses atrás, as cartas de seu irmão, o falecido herdeiro da família, pararam de chegar. Após um mês de buscas, ela soube que ele havia tirado a própria vida na prisão, e a pessoa que intermediava as mensagens também sofrera um acidente.
Por causa disso, Janaína retornou ao país às pressas, em meio ao caos.
Ela achava tudo aquilo muito suspeito.
Nas cartas secretas enviadas nos últimos anos, seu irmão nunca demonstrou qualquer intenção de desistir da vida.
No ano da tragédia da família, ela tinha apenas dezesseis anos.
Jéssica — agora Janaína — estava no exterior quando seu pai morreu fugindo da polícia por acusações de corrupção. Sua mãe morreu tragicamente em uma operação especial após ser acusada de traição.
Janaína nem sequer teve tempo de voltar ao país antes de sofrer um grave acidente que quase lhe custou a vida.
Foi aquela pessoa que a salvou.
Ao ponto de, cinco anos depois, no reencontro, ela perder a cabeça por causa dele.
"Por que diabos o Yago te salvaria há cinco anos e agora estaria brincando com você desse jeito?"
Hugo percebeu que ela estava prestes a perder o controle, mordendo os lábios pálidos, e segurou suas mãos trêmulas: "Não pense nisso agora. Primeiro, recupere sua saúde. Sua bobinha, como pôde cair logo nas mãos de um filho ilegítimo?"
Apesar da preocupação, ele não perdia a chance de criticar a situação.
Mas, mesmo que ela não tivesse caído nas mãos de Yago, Lucas teria dado um jeito de forçar o divórcio, e o resultado poderia ter sido muito pior.
Muitas coisas foram apenas seguir o fluxo.
Uma lágrima escorreu silenciosamente, e Janaína virou o rosto a tempo: "A empresa vai receber um cliente muito importante esta tarde. Não estou tranquila, vá no meu lugar e me avise de qualquer coisa imediatamente."
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Hugo, sendo uma pessoa prática, não notou nada e apenas suspirou: "Tudo bem, estarei de olho, pode ficar cem por cento tranquila."
Com ele fora, Janaína pôde finalmente dar vazão às suas emoções.
Até às nove da noite, Hugo ainda não havia retornado. Janaína estava exausta de estudar os documentos no tablet e acabou pegando no sono.
Entre sonhos, ouviu algum barulho. Suas pálpebras estavam pesadas, mas ela forçou uma fresta e murmurou: "O contrato já foi assinado?"
Sua visão estava embaçada, vendo apenas uma figura alta de jaleco branco.
Deveria ser o médico.
Janaína fechou os olhos novamente, tranquila, permitindo que a pessoa trocasse seu curativo.
Pouco depois, sentiu uma picada aguda no dorso da mão.
"Ai..."
Janaína sentiu o cheiro frio do antisséptico, mas uma dúvida surgiu em sua mente: esse tipo de procedimento não costumava ser feito por enfermeiras?
Ela abriu os olhos. Diante dela, continuava apenas a figura de jaleco branco; talvez o hospital estivesse com pouco pessoal.
"Obrigada, desculpe o incômodo."
"Disponha."
Ao ouvir aquela voz grave, o cérebro de Janaína parou por um instante. Quando conseguiu processar a informação, a pessoa já estava sentada ao lado da cama.
A mão dele, com o cheiro forte de álcool, tocou o rosto dela.
Ele chegou a apertar sua bochecha.
"...??"
Janaína quis falar, mas sentia como se houvesse uma pedra em seu peito; ela não conseguia se mexer, presa em um estado entre o sono e a vigília.
Após um tempo, ouviu: "Você se lembra de mim?"
Os nervos de Janaína vibraram, e sua respiração tornou-se profunda, fazendo seu peito subir e descer.
Yago certamente havia invadido seus sonhos novamente.
Depois de um longo silêncio, ouviu a voz dele, novamente carregada de sarcasmo: "Eu sou tão inesquecível assim para você?"
Janaína mordeu o lábio inconscientemente.
...
No dia seguinte, Janaína acordou cedo para participar da cerimônia de inauguração a convite da Dona Quitéria.
O dia mal havia amanhecido e Hugo ainda dormia profundamente no sofá.
Ela caminhou até ele e o cobriu com a manta que estava no chão.
Enquanto se arrumava, lembrou-se de ter xingado Yago furiosamente no sonho da noite anterior e ficou paralisada por um momento.
Ela disse àquele cafajeste que nunca mais a procurasse em seus sonhos.
Ela disse solenemente que havia decidido deixá-lo para trás.
E Yago, em seu sonho, sorriu com malícia: "Alguém em quem você pensou por tantos anos não é algo que se deixa para trás tão fácil."
Ao lembrar disso, Janaína, irritada, jogou água fria no rosto.
Capítulo 8: O Aviso
Quando o cuidador trouxe o café da manhã, Hugo finalmente acordou. Ele sentou-se à frente de Janaína e não conteve um bocejo.
"Ontem bebi demais com o cliente. Não te acordei quando cheguei, né?"
Janaína serviu uma tigela de sopa para ele: "Não, eu estava em um sono profundo, nem percebi."
"Ainda bem." Hugo tomou alguns goles da sopa e, lembrando-se de algo, disse apressado: "Você ainda não está recuperada, o médico não recomendou que você saísse. É melhor não ir."
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Janaína moveu o pescoço: "Sinto-me melhor. Minhas costas ainda doem um pouco, assim como a cabeça, mas nada grave."
Hugo semifechou os olhos: "Você não está indo só para tentar encontrar aquele canalha do Yago, está?"
Janaína ficou surpresa.
"Ele vai estar lá?"
Na inauguração da Dona Quitéria, Yago provavelmente não apareceria.
Afinal, eles eram inimigos.
A mãe de Yago foi uma cantora famosa, morta brutalmente pela esposa legítima do pai dele — a própria Quitéria. Dizem que não sobrou um osso inteiro no corpo dela.
Felizmente, o velho patriarca chegou a tempo, e Yago escapou com vida, sendo levado para o quartel.
Hugo resmungou: "Mesmo que o encontre, mantenha distância, entendeu?"
"Sim, eu sei." Janaína explicou: "Para investigar o que aconteceu com meu irmão, precisarei lidar com a família dele. Vamos nos esbarrar com frequência."
Hugo entendia, mas não resistiu ao sarcasmo: "O Yago conseguiu muitos benefícios do Lucas por causa de você, e você sofreu um acidente porque se distraiu por causa dele. Se ele soubesse, provavelmente nem sentiria pena."
"Ah, ouvi dizer também que o patriarca quer apresentá-lo à segunda senhorita da família Zara para um casamento. Ele deu muita sorte de te encontrar; quem sabe o Yago não acaba passando por cima daquela mãe e filho no futuro."
Janaína fez uma pausa, conteve suas emoções e disse com ironia: "Ele é um homem digno de pena."
Hugo ficou boquiaberto: "Você tem pena dele?"
Janaína disse calmamente: "A posição dele o condena a ser sempre um coadjuvante do irmão, Ricardo. Por mais que se esforce, não adianta."
"Eu não teria tanta certeza." Hugo riu: "Ninguém fica no topo para sempre. Há muitos que vêm de baixo e assumem o controle."
"É..." Janaína baixou os olhos: "Você tem razão."
Até a poderosa família Jéssica teve seu declínio; quem poderia prever o futuro?
Às nove e quinze, Janaína chegou ao Vilarejo Melodia.
O resort, que custou bilhões, certamente não decepcionou.
Mas, ao descer do carro, comentários desagradáveis chegaram aos seus ouvidos.
"Olha, é a Janaína. Ouvi dizer que o Sr. Lucas deu um pé nela."
"Apenas seis meses e já foi descartada? O Sr. Lucas enfrentou todo mundo para casar com ela, e agora se divorciaram assim?"
"Pois é, ele deve ter descoberto a verdadeira face de alpinista social dela."
"..."
Janaína segurou o braço de Hugo para impedi-lo de reagir.
"São apenas fofocas de gente sem importância, não ligue."
"Além disso, não sou uma alpinista sem origens. Sou a filha de um grande empresário da capital."
Mas ela não teve a chance de usar essa identidade quando se casou com Lucas, pois ele nunca perguntou sobre seu passado antes de levá-la ao cartório.
Como não houve festa, era normal que ninguém soubesse quem ela realmente era.
Hugo concordou: "Verdade."
Assim que terminou de falar, Quitéria acenou para ela: "Janaína."
As mulheres fofoqueiras ficaram paralisadas.
Era a Dona Quitéria.
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Janaína sorriu e chamou: "Tia."
Enquanto ainda era a esposa de Lucas, ela a chamava assim.
Hugo lançou um olhar de desprezo para as mulheres.
Quando elas se afastaram, a fofoca recomeçou.
"Tia? Não disseram que ela foi descartada? Como ainda tem essa proximidade?"
"Pois é, que cara de pau, uma alpinista insistente."
...
Havia muitos jornalistas no local, o que fez Janaína manter a postura ereta.
Mas, ao ver Yago, o sorriso em seu rosto desapareceu um pouco.
Ele estava acompanhado de Zara.
Janaína, parada contra o vento, lançou um olhar indiferente para eles e desviou os olhos imediatamente.
Quitéria a segurou pelo braço e perguntou baixo: "Ouvi dizer que você e o Lucas se divorciaram?"
Janaína assentiu: "Sim."
"Por qual motivo?"
Janaína sorriu: "Incompatibilidade de gênios."
Ela falou com naturalidade, sem qualquer sinal de tristeza.
Quitéria sorriu: "Tudo bem, não há necessidade de se acomodar a vida inteira. Vocês jovens são muito mais decididos."
Janaína ficou surpresa com o comentário.
Quitéria continuou: "Mas sua sogra ainda a considera como nora, caso contrário, ela não teria pedido para você ficar aqui, ao meu lado."
Janaína não entendia; sua memória era de que a mãe de Lucas não gostava dela no início, apenas a tolerava por causa do filho.
"Minha ex-sogra teve um compromisso hoje e não pôde vir, peço desculpas, tia."
Quitéria balançou a cabeça sorrindo: "Somos todos família, não importa quem venha."
Chegou o momento propício e a inauguração começou. Janaína estava ao lado de Quitéria.
Yago estava do outro lado de Quitéria.
Janaína manteve a elegância e sorriu para eles.
Yago, por outro lado, estava com uma expressão péssima.
Simplesmente inexplicável.
Após a cerimônia, eles passearam um pouco pelo vilarejo e foram para o local reservado para o almoço.
Ao sair do banheiro, Janaína encontrou Yago fumando.
Ele estava vestido de preto, um tom mais sóbrio do que o habitual.
Janaína acabou tropeçando e bateu com força contra a parede; sua cabeça girou e a dor foi quase insuportável.
Ela jurava que não tinha sido de propósito.
Yago não fez nada para ajudar, apenas lançou um olhar sarcástico: "Está tentando aplicar um golpe?"
Janaína não queria prolongar o contato: "Não seja tão convencido."
Yago ergueu uma sobrancelha: "Não tinha algo para me dizer?"
"Não."
Janaína ia se retirar, mas foi impedida.
Yago segurou o ombro dela com firmeza e a levou para dentro de um camarote vazio.
A porta ficou aberta.
Ele a prensou contra a parede.
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