"Destruída pelo Desejo" Capítulo 2
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Capítulo 3: Como a cunhada sabe que não haverá oportunidade?
Quitéria olhou surpresa: "Yago também está aqui."
"Tia, cheguei cedo e estava exausto, então subi para tirar um cochilo no quarto de hóspedes."
...Um cochilo?
Os empregados ao lado mantiveram o olhar baixo. Há pouco mais de uma hora, Yago havia ordenado que, se alguém chegasse, deveriam avisá-lo imediatamente.
Somado ao fato de que, nesses dias, ele vinha quase diariamente buscar Janaína, não era difícil adivinhar, pelos gestos e semblantes de ambos, o que acabara de acontecer.
Janaína, no entanto, mantinha a expressão serena.
O homem à sua frente a observava minuciosamente.
Ela, porém, olhava para Yago com um sorriso gentil, assumindo a postura de uma anfitriã calorosa: "O jantar está pronto, por que não fica para comer algo conosco, Yago?"
Ela usou o mesmo modo que Lucas o chamava, embora, na realidade, fosse seis anos mais nova que Yago.
O brilho nos olhos de Yago escureceu ao lembrar da garota chamando-o de "Yago" tão docemente momentos antes.
Agora, ela agia como a esposa comportada de outro homem.
Ele semifechou os olhos, com um olhar perigoso, mas um sorriso sarcástico surgiu em seus lábios: "Tenho bom apetite e não sou exigente. Obrigado pelo convite, Jana."
Sob aquele olhar, as orelhas de Janaína esquentaram. Ele a chamou pelo apelido sem qualquer hesitação, com uma entonação carregada de segundas intenções.
Isso fez Lucas franzir o cenho.
Janaína não percebeu; toda a sua atenção estava voltada para Yago.
Quitéria disse sorrindo: "Comam primeiro e depois conversamos. Lucas acabou de chegar, haverá tempo de sobra."
Ao passar por Janaína, Yago baixou a mão que segurava o paletó e, de forma quase imperceptível, deslizou a ponta dos dedos pelas nádegas dela.
O corpo de Janaína reagiu instintivamente com um sobressalto, e suas pupilas se dilataram como as de um animal acuado.
Quitéria perguntou preocupada: "Janaína, o que foi?"
"Nada."
Janaína encontrou o olhar audacioso de Yago novamente, e uma camada de suor frio brotou em suas mãos.
Ele era muito mais atrevido do que ela imaginava. Toda aquela reserva dos dias anteriores, agindo como se ela o estivesse seduzindo, não passava de um jogo de "gato e rato".
Quitéria não pareceu notar nada: "Pensei que estivesse passando mal. Não fique aí parada, sente-se."
Só então Janaína olhou para Lucas. Ele estava com o semblante frio.
Talvez tivesse visto o gesto atrevido de Yago.
Janaína pensou: "Não foi ele quem o chamou para me seduzir? Por que essa cara fechada agora? Capitalista desprezível!"
Sim, Lucas era tão autoconfiante que jamais imaginou que eles chegariam a esse ponto.
Se fosse qualquer outro homem, Janaína certamente não teria cometido esse erro.
Yago sentou-se à frente de Janaína e, antes mesmo de tocar nos talheres, elogiou: "O cozinheiro do meu primo é excelente."
Com os olhos fixos em Janaína, suas palavras ganharam outro sentido.
Quitéria disse educadamente: "Se for do seu agrado, venha nos visitar mais vezes."
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Yago, contudo, perguntou: "Cunhada, eu posso vir sempre?"
Quitéria pareceu notar algo e olhou para Janaína.
Janaína era obediente e esperta, a única coisa que agradava a família de Lucas nela. Pelo menos ela não causaria escândalos.
Mas Yago sempre fora rebelde e imprevisível; ele poderia muito bem estar tramando algo.
Janaína hesitou por um segundo, mas logo sorriu: "Claro que sim. Mas, depois de vir algumas vezes, você vai achar tudo monótono. Talvez, quando quisermos convidá-lo, não tenhamos mais essa oportunidade."
O sorriso nos olhos de Yago se intensificou: "Como a cunhada sabe que não haverá oportunidade?"
Janaína continuou sorrindo.
Yago prosseguiu: "Duvido que seja monótono. Com a cunhada aqui, acho que eu nunca quereria ir embora."
O tom de voz subiu no final, deixando a ambiguidade evidente.
Janaína parecia calma por fora.
"Já que você gosta tanto, posso até lhe emprestar o cozinheiro por um tempo."
As palavras de Lucas tornaram o clima ainda mais desconfortável.
Emprestar?
O que ele queria dizer com isso?
Janaína apertou as pontas dos dedos e seu olhar esfriou.
Yago observou a cena com desdém e respondeu: "Estou brincando. Jamais ousaria cobiçar o que pertence ao meu primo."
Ao encontrar o olhar dele, o rosto de Janaína mudou completamente.
Capítulo 4: Por que eu não acredito?
"Janaína." Lucas chamou-a de repente, com suavidade.
"...O que... o que foi?"
Ela começou a gaguejar de nervosismo.
Essa reação infantil fez Yago sorrir de canto.
Lucas disse docemente: "Tome a sopa primeiro, depois coma."
"Ah, sim, claro." Janaína pegou a tigela e bebeu sem dizer nada.
Assim que ela pousou a tigela, Lucas usou um lenço para limpar o canto da boca dela, com um tom que misturava reprovação e carinho: "O dia foi muito corrido na empresa?"
"Bastante... Surgiu um imprevisto, podem continuar comendo sem mim."
Janaína esquivou-se do toque e fugiu rapidamente da sala.
Para sua surpresa, Yago a seguiu.
Ao ouvir a porta do escritório se fechar, Janaína virou-se bruscamente: "Este é o escritório dele, e eles estão lá embaixo!"
"Precisa de tanta culpa?"
Yago percorreu o rosto nervoso dela com um olhar irônico e disse calmamente: "A cunhada fica muito mais bonita quando mantém aquela postura digna e elegante de antes."
Vendo o silêncio dela, ele moderou o tom: "Você se importa que saibam que estamos tendo um caso?"
Janaína disse seriamente: "Não considero que seja um caso. Você sabe que eu e o Sr. Lucas não temos uma vida de casados de verdade."
Yago respondeu com indiferença: "E então? O que a cunhada quer me dizer com isso?"
Sua expressão calma parecia dizer que ele não tinha o menor interesse no motivo de ela e Lucas não terem intimidade.
Janaína perguntou hesitante: "Você já me conhecia antes?"
"Antes?" Yago se aproximou, parando a menos de dois passos dela. Sua figura imponente a encurralou contra a parede. "Quanto tempo antes?"
Já fazia quase meio mês desde o reencontro, e Janaína nunca o ouvira mencionar que já haviam se cruzado antes ou que compartilharam um momento de vida ou morte.
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Devido ao aviso de seu irmão, ela não ousava tocar no assunto primeiro.
Ela o observava.
Yago também a olhava, e de repente soltou uma risada baixa: "Não entendo o que a cunhada quer dizer..."
Ele se inclinou até o ouvido dela: "A menos que... a cunhada seja minha."
Os cílios de Janaína tremeram. Ela respirou fundo e disse: "Preparei o acordo de divórcio. Vou pedir a separação hoje."
A voz de Yago em seu ouvido continuava provocante: "É sério? Não me engane, ou eu não vou mais falar com você."
"Sim. Quanto aos meus assuntos, vou conversar seriamente com ele..."
Antes que Janaína terminasse, sentiu um calor envolvê-la, fazendo seu corpo estremecer.
Ela percebeu que Yago era realmente implacável.
Inoportunamente, a voz de uma empregada surgiu do lado de fora.
"A senhora está com dor de estômago de novo?"
"Trouxe remédio e água morna. Por favor, abra a porta."
A porta do escritório havia sido trancada por dentro sem que ela percebesse.
Certamente, Lucas as enviara.
A empregada tentou abrir a maçaneta, sem sucesso.
Yago segurou as mãos inquietas de Janaína, prendeu-as atrás das costas dela e a prensou contra a parede. Ele sussurrou com um sorriso malicioso: "Isso não é excitante?"
Janaína queria dizer que era excitante demais, mas franziu a testa, temendo não conseguir conter um gemido.
"O seu querido Lucas pode estar ali fora, junto com a minha tia. Quer que eles vejam como você está agora?"
Como ela estava?
O vestido branco estava erguido até a cintura. Uma cena tão caótica jamais poderia ser vista por eles!
A mente de Janaína girava, beirando a humilhação e a raiva: "Você fez de propósito?"
A respiração de Yago roçou seu ouvido: "Eu não consigo me controlar perto de você, não é de propósito. Eu queria fazer isso desde que estávamos lá embaixo."
"Eu já estou me controlando muito, querida."
Aquela voz grave explodiu em seu ouvido enquanto seu corpo macio era pressionado contra o peito rígido do homem.
Janaína tentou empurrá-lo com as mãos: "Espere eu me divorciar, e então ficaremos juntos."
Yago riu: "Você vai mesmo se divorciar por minha causa? Por que eu não acredito?"
Janaína: "Eu vou."
Yago olhou fixamente nos grandes olhos marejados dela e sorriu com sarcasmo: "Você confia tanto assim em mim?"
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