"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 16
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Desde o dia em que entraram para a equipe de resgate, sabiam que suas vidas estavam em risco constante e o futuro era incerto.
Mas, na noite da formatura, um Xavier levemente embriagado e emocionado perguntava repetidamente: "Tali, vamos ficar juntos para sempre, não vamos?"
Talita garantia com paciência, mas ele perguntava de novo e de novo.
Finalmente, quando a paciência de Talita estava no limite, ele a abraçou com força e prometeu: "Tali, eu sempre vou amar apenas você."
Capítulo 36
Naquela noite, Talita teve um sono inquieto; memórias que ela julgava esquecidas voltaram a inundar sua mente.
O passado com Xavier Silva, que ela tentara deliberadamente apagar, ressurgiu em detalhes vívidos, deixando seu sistema nervoso exausto.
No dia seguinte, Talita acordou com uma dor de cabeça terrível.
Ao se levantar com dificuldade e chegar à sala, ouviu seus pais discutindo.
"Eu não aceito! Com que direito?!", Zilah exclamava com os olhos vermelhos de raiva.
Talita ficou parada a um canto, sem entender o motivo da briga.
O Sr. Rocha, com uma expressão pesada, tentou consolar a esposa, mas foi repelido.
Zilah virou-se e viu Talita à porta. Ela limpou as lágrimas, lembrando-se de que a filha não podia ver.
Com uma voz suave, ela caminhou até Talita: "Tali, querida, por que acordou tão cedo?"
"Você e o papai estavam brigando? Por quê?" Talita estava confusa; seus pais raramente discutiam.
Ao ouvir a pergunta, os olhos de Zilah ficaram ainda mais vermelhos.
A briga fora motivada por uma ligação de Murilo naquela manhã. Ele dissera ter encontrado um médico de renome internacional disposto a "tentar" operar Talita.
Para Zilah, a palavra "tentar" era inaceitável quando se tratava da cirurgia da filha.
Não importava o quanto Murilo explicasse; ela não aceitaria nenhum risco, especialmente em uma cirurgia craniana. Qualquer erro mínimo poderia custar a vida de Talita.
Se fosse consigo mesma, ela teria coragem, mas Talita era a filha que ela carregara por dez meses, criada com todo o amor do mundo. A cegueira já era motivo de sofrimento suficiente, mas ela ainda se sentia grata por Talita estar viva.
A ideia de uma cirurgia que poderia custar a vida da filha era um risco que Zilah não estava disposta a correr.
Murilo e o pai também sofriam, mas queriam ouvir a opinião da própria Talita.
Zilah, porém, conhecia a filha; sabia que, se soubesse da oportunidade, ela aceitaria na hora.
Ela acariciou a cabeça de Talita e a abraçou com força: "Pequena, ver você saudável assim já faz a mamãe muito feliz." Para Zilah, se Talita continuasse cega para sempre, ainda estaria tudo bem, desde que estivesse viva.
O Sr. Rocha ameaçou dizer algo, mas engoliu as palavras sob o olhar afiado da esposa.
Talita retribuiu o abraço, sentindo a angústia de sua mãe.
"O Murilo está voltando?", perguntou ela, tentando mudar de assunto.
Zilah lembrou-se do tom frio e profissional do filho ao telefone e revirou os olhos: "Talvez. Quem sabe o que passa na cabeça dele?"
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Em seguida, disse a Talita: "Ligue para a Sofia. Pergunte se ela está livre hoje para vir jantar conosco."
Talita sorriu e assentiu.
...
Enquanto isso, no hospital.
Murilo Rocha viu Xavier Silva caminhando em sua direção e sua expressão tornou-se gélida instantaneamente.
Xavier não se importou com a atitude hostil e foi direto ao ponto: "O que o médico disse?"
Murilo deu um sorriso amargo: "O médico disse que a cirurgia é possível, mas a Tali terá que apostar a própria vida. Se ganhar, volta a enxergar. Se perder, perde tudo."
A mão de Xavier, ao lado do corpo, cerrou-se em um punho firme. Ele abriu a boca, mas nenhum som saiu.
Há meio mês, Murilo encontrara Xavier no Beco Treze e soube que ele já tinha descoberto tudo.
Antes que Murilo pudesse confrontá-lo, Xavier revelara que encontrara um especialista.
Os dois homens, antes em lados opostos, firmaram uma breve aliança devido à condição de Talita. A suposta viagem a trabalho fora, na verdade, uma ida à cidade vizinha para encontrar esse médico famoso.
Após mobilizarem diversos contatos, conseguiram entregar o prontuário ao médico estrangeiro, mas nada fora tão simples quanto imaginavam.
Capítulo 37
A localização do coágulo de Talita Rocha era tão incomum que até mesmo aquele renomado especialista se sentia inseguro.
No entanto, médicos daquele calibre adoram desafios complexos e imediatamente convocaram uma junta médica para analisar o prontuário.
Ao ouvir que teria que "apostar a vida", a reação instintiva de Murilo Rocha foi recusar.
Mas os médicos leram seus pensamentos de imediato. Uma das médicas disse, em tom significativo: "Ninguém consegue entender plenamente o que o paciente sente; talvez ela tenha uma opinião diferente."
Murilo, lembrando-se do estado de Talita, sentiu sua determinação vacilar. Por isso, ligou primeiro para casa, recebendo uma reação extremamente agressiva de sua mãe.
O coração de Murilo apertou ao lembrar do período em que Zilah desmoronou completamente após receber a notícia do acidente de Talita, anos atrás.
"Como você pretende escolher?" Murilo perguntou a Xavier Silva, olhando-o nos olhos com uma ponta de malícia.
O coração de Xavier se contraiu. Como ele deveria escolher?
Ele não queria perder Talita; não tinha coragem de enfrentar aquela esperança sufocante e desesperadora mais uma vez.
Mas ele conhecia bem o orgulho de Talita. O esforço e a força que ela demonstrava agora eram apenas uma fachada.
Nas madrugadas, ela provavelmente chorara muitas vezes, pela sua cegueira e por um futuro sem direção.
"Vamos ouvir a opinião da Tali. Eu não tenho o direito de fazer essa escolha por ela."
"Se ela não operar e tiver que ser cega para o resto da vida... eu vou acompanhá-la para sempre." A voz de Xavier estava carregada de amargura. Ele sentia que não tinha o direito de usar a palavra "cuidar", ao menos não por enquanto.
Usar o verbo "acompanhar", com toda a sua ambiguidade, era sua forma de declarar que, mesmo que Talita nunca melhorasse ou nunca mais o aceitasse, ele estaria lá.
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Murilo, sendo um homem inteligente, entendeu o recado imediatamente.
Ele apenas esboçou um sorriso de escárnio, mas acabou não dizendo nada.
Os dois se cruzaram, e Xavier dirigiu-se ao consultório médico, tentando extrair, pergunta após pergunta, um prognóstico que fosse mais próximo do que eles esperavam.
Durante uma semana inteira, os dois praticamente moraram no hospital.
Finalmente, o médico estrangeiro deu um ultimato: "Ficarei no país por mais dois meses. Se vocês não se decidirem, não vou esperar por vocês."
Xavier e Murilo mantinham olhares sombrios; ambos os rostos, igualmente imponentes, demonstravam frieza, mas seus corações estavam em conflito absoluto.
Murilo voltou para casa antes de Xavier, e Sofia foi buscá-lo.
Exausto, ele encostou-se no banco do passageiro, cobrindo os olhos com uma das mãos, com uma expressão indecifrável.
"O que houve? Está muito cansado?" Sofia baixou o tom de voz instintivamente.
"Sim", murmurou Murilo.
Um brilho de alegria surgiu nos olhos de Sofia. Desde aquela ligação, Murilo mudara muito; parecia que finalmente estava começando a aceitá-la.
"O que aconteceu?"
"Na verdade, eu não fui viajar a trabalho. Fui procurar um médico que pudesse tratar os olhos da Tali", disse Murilo com voz pesada.
Sofia, que se animara com a ideia de um tratamento, sentiu o ânimo desabar: "O resultado foi ruim?"
"Se ela operar, há cinquenta por cento de chance de não acordar. A maior probabilidade é morrer na mesa de cirurgia."
Cada palavra de Murilo pesava no coração de Sofia. Ela conhecia Talita há pouco tempo, mas já gostava muito dela.
Sendo irmã de Murilo, ela conseguia imaginar o tamanho da pressão que ele sentia.
"Como você acha que deve ser a escolha?" Murilo fixou o olhar em Sofia.
Sofia olhava para frente, com um raciocínio claro: "Murilo, do meu ponto de vista, eu não gostaria que ela operasse. E acho que seus pais pensam da mesma forma."
Lembrando-se do humor abatido dos pais de Murilo nos últimos dias, Sofia entendeu tudo.
"Todos nós instintivamente achamos que o estado atual é o melhor, que o importante é ela estar viva, não importa como."
"Mas a vida é da Tali. Seja qual for o caminho, ela é quem deve decidir."
Capítulo 38
Murilo ficou em silêncio por um longo tempo antes de responder: "Eu entendi."
Quando os dois voltaram ao Beco Treze, a mesa no pátio já estava montada, repleta de pratos aromáticos e apetitosos.
Naquele jantar, a única pessoa que parecia estar com a mente em outro lugar era Talita; o clima durante a refeição foi morno.
Assim que a última pessoa pousou os talheres, Murilo preparou-se para falar.
Zilah tentou impedi-lo instintivamente, mas foi contida pelo marido.
Um brilho de compaixão passou pelos olhos de Sofia, mas ela permaneceu em silêncio.
Talita não podia ver, mas sua sensibilidade ao ambiente era altíssima.
Como agora, seu coração batia acelerado.
"Tali, o seu irmão encontrou um médico para você." Murilo raramente chamava Talita daquela forma ou falava de si mesmo na terceira pessoa.
Assim que ele falou, Talita percebeu que algo estava errado.
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