"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 15
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Ao ouvir aquilo, Talita sentiu um calor no coração; ela sabia que Sofia estava usando o nome do irmão para dizer que não se importava com a cegueira dela e que também cuidaria dela.
Ouvindo a conversa de Sofia com seus pais e sentindo os aromas do pátio, o coração de Talita finalmente encontrou paz.
No dia seguinte, assim que Talita entrou na floricultura, Bia veio recebê-la cheia de fofocas.
"Tali, Tali! Você conhece um homem alto, meio frio, mas muito gato?"
A descrição de Bia era genérica, mas a imagem de Xavier Silva surgiu instantaneamente na mente de Talita.
"O que houve?"
Bia explicou animada: "Lembra que na semana passada você saiu com a professora Sofia? Na hora de fechar, um homem veio te procurar."
"Me procurar? Ele disse o que queria?" Talita perguntou, comprimindo os lábios.
Bia balançou a cabeça: "Ele só perguntou se você estava e foi embora."
Talita ficou confusa, mas antes que pudesse dizer algo, o tom de Bia ficou malicioso.
"Eu acho que é um pretendente seu, Tali."
"Por que você acha isso?" Talita ergueu as sobrancelhas, curiosa.
"Porque eu já vi esse homem muitas vezes." Para convencer Talita, Bia enfatizou o "muitas vezes" e explicou rápido: "Lembra que eu disse que tinha alguém esperando do outro lado da rua? Era ele. Depois vi ele várias vezes por perto. Mas falar comigo, foi a primeira vez."
O coração de Talita deu um solavanco. Seria ele...?
Talita ficou em silêncio por um longo tempo. Bia, sentindo-se um pouco sem jeito, disse: "Pode ser que eu esteja enganada."
Talita colocou o celular sobre a mesa e o empurrou para Bia, como se tivesse tomado uma decisão difícil: "Bia, abra minha galeria de fotos. Tem uma pasta oculta. Veja se o homem da foto é o mesmo que veio aqui."
Enquanto Bia mexia no aparelho, as mãos de Talita apertavam-se com força. Ela não sabia explicar o que sentia; parecia estar suspensa no ar.
Bia seguiu as instruções e inseriu a senha. No momento em que a foto apareceu, ela soltou um grito de surpresa.
"É ele mesmo! Mas o homem da foto parece um pouco mais jovem."
Capítulo 34
Assim que Bia terminou de falar, Talita Rocha sentiu como se tivesse levado um golpe avassalador.
Era realmente o Xavier Silva. O que ele estava fazendo ali?
Talita empalideceu e sua respiração tornou-se superficial.
A ideia de ele vê-la em seu estado atual a fazia sentir uma pontada de humilhação.
"Tali, você está bem?" Desde que abrira o álbum de fotos, Bia começara a criar mil teorias sobre uma história de amor e ódio entre os dois.
Estava claro que a relação daquele homem com Talita não era comum.
Ele nunca viera procurar por Talita antes; será que fora imprudente da sua parte contar aquilo de forma tão direta?
Bia olhava apreensiva para a amiga, que finalmente despertou de seus pensamentos.
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Talita mordeu o lábio inferior e, após refletir por um instante, disse: "Bia... eu quero ir para casa agora."
Bia concordou imediatamente.
Talita saiu da loja guiada por Babu; sua mão apertando com força a alça da bolsa denunciava seu estado emocional alterado.
O dia estava nublado. Talita caminhava imersa em seus próprios pensamentos até que uma mão a segurou por trás, fazendo-a despertar sobressaltada e recuar por instinto.
"Sinto muito, eu te assustei?"
A voz familiar fez com que o rosto de Talita, já pálido, perdesse o restante da cor.
Sabrina Santos, vendo o estado desnorteado de Talita, sentiu-se frustrada consigo mesma.
Chamá-la fora um impulso; ao ver que ela não respondia, segurou seu braço sem pensar, esquecendo-se completamente de que ela não podia ver e que já não era a mesma Talita de antes.
Sabrina recuou alguns passos, dando a Talita um espaço mais confortável.
"Eu te chamei algumas vezes, mas como você não respondeu, acabei te segurando", explicou Sabrina.
As pontas dos dedos de Talita cravavam-se na palma da mão devido à tensão. Apenas a dor a ajudava a manter a sobriedade naquele momento.
"O que você quer comigo?" Talita tentava manter a voz firme, mas ela tremia levemente.
Sabrina hesitou por um segundo antes de perguntar: "Podemos conversar?"
Talita comprimiu os lábios e, após longa hesitação, acabou aceitando.
Sentadas no canto de uma casa de chá, as duas ficaram frente a frente.
"Como você tem passado esses anos?" Sabrina observava a figura de Talita com um misto de melancolia e surpresa.
"Bem, na medida do possível", respondeu Talita de forma ríspida.
"Eu me casei e estou grávida de cinco meses", disse Sabrina, com a voz transbordando a alegria de uma futura mãe.
Talita ficou estática. Ela levantou o rosto por instinto, mas só encontrou a escuridão.
Ela não respondeu; não sabia o que dizer naquela situação.
Sabrina, notando a rigidez de Talita, percebeu que seu raciocínio — mais lento devido à gravidez — demorara a processar o impacto de suas palavras e apressou-se em explicar: "Não entenda mal, meu marido não é o Xavier."
Ouvir aquele nome novamente, e vindo da boca de Sabrina, pareceu a Talita algo carregado de ironia dramática.
"Você e ele... o Xavier... se divorciaram?" Talita sentiu um amargor ao pronunciar o nome dele.
Sabrina fez uma careta de desdém, mas logo suavizou a expressão ao pensar no próprio marido: "Claro que não. Nós nunca registramos o casamento. A cerimônia foi interrompida no meio. Depois do acidente com vocês, ele recuperou a memória e, naturalmente, as coisas entre nós não foram adiante."
Ao saber que eles nunca haviam se casado, o coração de Talita encontrou uma estranha paz.
"Eu sempre achei que você tivesse morrido, e o Xavier também. Ele passou esses anos muito mal", as palavras de Sabrina fizeram o coração de Talita estremecer.
Suas pálpebras tremeram, mas ela não disse nada de imediato.
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Após um longo silêncio, Talita sussurrou: "Esqueça. Tudo isso faz parte do passado. Eu e ele não teremos mais nenhum contato de agora em diante."
Capítulo 35
"Mas o Xavier não vai desistir de você." Sabrina lembrou-se do comportamento obsessivo daquele homem e não pôde deixar de murmurar um "louco" mentalmente.
"Ele é ele, eu sou eu. Não adianta nada ele não desistir", afirmou Talita com determinação.
Sabrina a observou em silêncio por um longo tempo antes de dizer suavemente: "Sinto muito."
Talita ergueu o rosto em sua direção, surpresa.
"Na verdade, quando o Xavier se 'apaixonou' por mim, houve uma manipulação deliberada da minha parte."
"Você lembra daquela pulseira que me deu no ensino médio? O motivo de ele ter vindo falar comigo pela primeira vez foi por causa daquela pulseira."
As lembranças eram muito antigas e Talita mal conseguia recordar o modelo exato.
Se não falhava a memória, a sua própria pulseira fora perdida no acidente em que Xavier a protegera.
"Na época, eu gostava muito dele. Temos que admitir que, talvez por sermos amigas, nosso gosto para homens era bem parecido."
Talita permaneceu em silêncio, aguardando o restante da história.
Sabrina continuou, falando sob a perspectiva de uma observadora do próprio passado: "Mais tarde, quando descobri que você era a ex-namorada dele e que ele só via sua sombra em mim, senti como se estivesse afundando em um pântano. A partir dali, meu sentimento mudou; não era mais amor puro, era uma obsessão, eu queria prendê-lo a qualquer custo."
"Cometi muitos erros nesse processo. Quero te pedir perdão."
Talita relaxou levemente a postura: "Gostar de alguém não é um crime, amar também não."
Os olhos de Sabrina ficaram marejados e sua voz tornou-se mais leve: "Depois que você se foi, eu insisti muito com ele, mas ele era extremamente frio. Depois, conheci meu marido. Ele é um homem maravilhoso e, através dele, entendi o que é o amor verdadeiro."
"Parabéns", disse Talita com a garganta apertada.
"No dia em que decidi desistir do Xavier, disse a mim mesma: 'Em vez de ser uma presença detestável na vida dele, prefiro buscar uma vida nova em paz'."
As palavras de Sabrina deixaram Talita em silêncio, com um turbilhão de sentimentos no peito.
"Eu não vim aqui apenas para dizer que estou bem ou como foi difícil chegar até aqui. Talita, quero te contar algumas coisas para compensar as intrigas que fiz no passado."
O coração de Talita deu um salto quando Sabrina continuou: "Você provavelmente não sabe, mas em muitos pequenos detalhes eu sentia que ele apenas me tratava como se eu fosse você na memória dele."
"Lembro que você adora cogumelos, certo? Toda vez que o Xavier comia comigo, ele pedia pratos com cogumelos, embora eu não gostasse nem um pouco."
"E os presentes... vinham sempre em papel de embrulho lilás. Quem gosta de lilás é você."
"Ele me via como a pessoa da memória dele; ele nunca gostou de mim de verdade."
Ao dizer isso, Sabrina parecia finalmente libertada de seu passado.
"Ele só ama você."
Mesmo após voltar para casa e sentar-se na cama, aquelas palavras continuavam ecoando nos ouvidos de Talita.
Xavier raramente fazia promessas, e Talita raramente as pedia.
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