"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 10
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“Ela é uma graça, educada, esforçada e muito forte. É realmente uma lástima.”
A voz da senhora transbordava compaixão.
Sabrina sentiu-se mal. Justo naquele momento, sua sogra saiu da loja, convidando-a alegremente para ir para casa.
Ela não teve escolha a não ser guardar aquele encontro chocante no coração.
...
Quando Talita chegou em casa, Dona Zilah ainda não havia voltado, mas Murilo estava lá.
“Murilo”, chamou Talita, um pouco preocupada. “A panela está queimando?”
Ao ouvir o chamado, Murilo levantou-se às pressas, mas acabou batendo com força na perna da mesa.
O impacto foi forte e ele soltou um gemido de dor.
Talita instintivamente tentou correr para ajudá-lo, mas lembrou-se de que não enxergava e estancou bruscamente.
Sua voz era de pura ansiedade: “O que houve? Foi grave?”
Murilo respondeu com um "hm" baixo e foi para a cozinha.
Ao passar por Talita na porta, embora não pudesse vê-lo, ela sentiu que o humor dele estava péssimo.
Durante o jantar, a atmosfera permaneceu pesada.
Na verdade, Murilo sempre fora de poucas palavras.
Desde pequeno ele era sério, cuidando de Talita como se fosse seu pai.
Mas ele nunca deixara suas emoções transparecerem tanto diante dela como agora.
Talita comeu em silêncio e, ao terminar, pousou os talheres.
“Murilo, o que aconteceu com você hoje?” a voz de Talita era suave.
A mão de Murilo, que ia recolher os pratos, parou. Ele disse rispidamente: “Não foi nada. Não seja tão sensível.”
“Você está triste.”
O tom de certeza de Talita despertou o interesse de Murilo. Ele, que ia se levantar, sentou-se novamente.
“Por que diz isso?”
Talita sentiu-se um pouco irritada com o tom de quem fala com uma criança. Ela foi direta: “É por causa da professora Sofia, não é?”
O rosto de Murilo escureceu instantaneamente. Sua mente rápida logo conectou os pontos.
“Naquele dia em que você foi me levar os documentos... você ouviu?” a voz de Murilo era séria.
O coração de Talita apertou, mas ela não negou.
“Então, por isso você disse que queria ajudar a mamãe na loja. Foi por minha causa.”
“Não é isso...” Talita tentou se explicar ao ouvir a voz irritada do irmão.
“Talita Rocha, você não precisa fazer nada disso. Mesmo que você fique cega pelo resto da vida, eu vou cuidar de você. Se quiser ficar em casa, fique; não importa.”
“Eu sou seu irmão, não vou te abandonar. Não importa o que aconteça, eu vou te proteger.”
O nariz de Talita ardeu. Ela comprimiu os lábios e sussurrou: “Eu sei, mano.”
“Mas você também tem a sua própria vida!”
Os olhos de Talita ficaram vermelhos, embora permanecessem sem brilho. Ela disse com convicção na direção de Murilo: “Além disso, você gosta tanto da professora Sofia.”
Capítulo 22
Murilo não esperava que ela dissesse aquilo e ficou paralisado.
“Você e a professora Sofia já se conheciam, não é? Eu vi o nome dela em um dos seus livros antigos.”
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“Da última vez que vocês brigaram, mesmo que você não tenha dito, eu percebi que você ficou muito mal.”
“Se não fosse por minha causa, você poderia estar com ela...”
Antes que Talita terminasse, Murilo a interrompeu bruscamente: “Talita, eu não estou com ela por motivos nossos, não tem nada a ver com você. Entendeu?”
O tom de Murilo foi extremamente severo e alto, o que assustou Talita por um momento.
Os pais, que acabavam de chegar, também se assustaram com o grito de Murilo.
Zilah correu para abraçar Talita e olhou para Murilo com reprovação: “Murilo Rocha, o que deu em você? Não importa o que aconteça, você não pode gritar assim com a Tali! Saia daqui, vá para a sua faculdade, não fique aqui incomodando!”
Zilah não sabia o que estava acontecendo, mas ver Talita quase chorando e Murilo com uma expressão péssima a deixou furiosa.
O pai de Talita agiu como mediador: “Pronto, pronto. Somos uma família. Já passou.”
Dito isso, ele tirou um bicho de pelúcia de uma sacola e entregou a Talita: “Olha só o que o papai comprou para você. É fofinho e macio.”
Com a intervenção do pai, o clima tenso se dissipou.
O pai fez um sinal para Murilo, que pegou o paletó e saiu de casa.
Ele não estava bravo com a mãe; sabia que, desde a cegueira de Talita, Zilah estava sempre à beira de um ataque de nervos.
Murilo observou o beco escuro e pensou "naquela" pessoa, deixando escapar um sorriso amargo.
Eram tantas as circunstâncias... afinal, amar não significava necessariamente estar junto.
...
Bia percebeu logo cedo que algo estava errado com Talita.
Após muito hesitar, ela finalmente perguntou: “Tali, o que está acontecendo com você?”
Talita pareceu voltar de um transe: “Como assim?”
“Você se distraiu várias vezes hoje e até pegou as flores erradas”, enumerou Bia.
Ao ouvir aquilo, o rosto pálido de Talita corou instantaneamente: “Sinto muito, não foi por querer.”
Bia tocou o ombro dela: “Tudo bem, eu não estou brava. Só estou preocupada. Aconteceu alguma coisa?”
Talita mordeu o lábio inferior por um longo tempo antes de dizer: “Bia, você poderia me fazer um favor?”
“Qual favor?” Bia ficou séria.
“Poderia ir até a Universidade e procurar pela professora Sofia, do departamento de Letras? Diga que eu gostaria de falar com ela. Diga que é a Talita Rocha e marque um encontro na casa de chá aqui do beco.” Talita estava nervosa, apertando as mãos com força.
Bia não entendeu o motivo, mas percebeu a ansiedade de Talita e concordou sem fazer perguntas.
A universidade não era longe, ficava no caminho para sua casa.
“Para quando?” Bia confirmou os detalhes.
Após organizar tudo, Talita suspirou aliviada.
Nesse momento, a porta da floricultura se abriu.
Bia rapidamente assumiu seu sorriso profissional: “Bom dia, seja bem-vinda! Em que posso ajudá-la?”
Sabrina Santos entrou nervosa, seu olhar caindo imediatamente sobre Talita, que estava ao lado.
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De tão perto, era óbvio que Talita realmente não enxergava.
Bia perguntou novamente: “Deseja algum arranjo específico?”
Sabrina pegou o celular e, inventando uma desculpa sobre estar com as cordas vocais inflamadas, escreveu seu pedido nas notas.
Bia disse para Talita: “Tali, um buquê de frésias e lírios brancos, por favor.”
Capítulo 23
Talita Rocha murmurou um "hum" de confirmação e caminhou para o interior da loja com passos práticos e seguros.
Sabrina Santos observava suas costas, notando o cuidado oculto sob aquela movimentação tão familiarizada com o ambiente.
"Se for para compor um arranjo, as frésias não combinam muito bem com os lírios brancos", alertou Talita.
Bia olhou para Sabrina, que rapidamente digitou no celular: "Não tem problema, pode embalar separado."
Bia repetiu a instrução para o interior da loja e, em pouco tempo, Talita retornou com os buquês corretos.
A partir daí, Bia assumiu o atendimento, mas o olhar de Sabrina permanecia fixo em Talita.
Talita, naturalmente, sentiu aquela atenção repentina, mas conteve-se e não disse nada.
Bia foi ágil; Sabrina pagou, desviou o olhar e saiu da loja.
Observando a silhueta se afastar, Bia brincou: "Nossa Tali é mesmo apaixonante, até a moça não parava de te encarar."
Talita já estava acostumada com as brincadeiras constantes de Bia e apenas sorriu em concordância.
No entanto, ela ainda sentia uma certa inquietude sobre aquele olhar; o perfume daquela pessoa também lhe parecia estranhamente familiar.
Ao sair da loja, Sabrina soltou um longo suspiro de alívio.
Ela sentia uma culpa latente em relação a Talita Rocha, um sentimento que se tornara ainda mais profundo após a notícia de sua suposta morte.
Agora, vendo que ela estava viva, o peso em seu coração desapareceu completamente.
Ela pegou o celular e discou um número que não chamava há muito tempo.
Do outro lado, Xavier Silva olhou para o nome de Sabrina Santos na tela e hesitou por um instante.
Ele quase sentiu como se tivesse voltado seis meses no tempo, mas acabou atendendo.
"Xavier, você tem tempo para nos encontrarmos?" Sabrina perguntou de forma direta.
Xavier franziu o cenho e respondeu com voz gélida: "Sabrina, você está casada."
Para sua surpresa, ela soltou uma risada: "Xavier, você não acha que eu estou tentando reatar com você, acha?"
Xavier não respondeu, claramente sem paciência para ela.
Sabrina revirou os olhos e disse pausadamente: "É sobre a Talita Rocha. Quer ouvir?"
No segundo seguinte, Sabrina percebeu que a respiração do outro lado ficou pesada.
Como esperado, Xavier jamais conseguiria ser indiferente a qualquer assunto relacionado a Talita, por menor que fosse.
"Hora e local", a voz de Xavier soou extremamente tensa.
Sabrina não fez mais mistério e marcou o encontro imediatamente.
Um instante antes de desligar, ela ouviu o aviso sombrio dele: "Sabrina, é bom que seja mesmo sobre a Tali, caso contrário..."
A ligação caiu.
Sabrina guardou o celular, olhou para as flores em seus braços e acariciou levemente o ventre: "Considere isso uma boa ação para abençoar o meu bebê."
Sempre que o assunto era Talita Rocha, a paciência da qual Xavier tanto se orgulhava esgotava-se em segundos.
No dia seguinte, ele encontrou Sabrina em uma cafeteria.
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