"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 3
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O coração de Talita pesou, mas ela conteve as emoções.
Somente após o almoço, encontrou Sabrina por acaso na escadaria.
Os olhos de Sabrina estavam um pouco inchados. Ao ver Talita, ela caminhou diretamente em sua direção: "Talita Rocha, precisamos conversar."
Ao ouvir a mudança na forma como era chamada, o canto da boca de Talita tremeu levemente.
Realmente, não havia mais volta.
As duas foram para um canto mais reservado da escada. Sabrina virou-se bruscamente, erguendo um pouco o queixo: "O Xavi me explicou tudo sobre vocês ontem. Eu penso da mesma forma que ele: quero que você fique longe de nós."
A mão de Talita, ao lado do corpo, fechou-se bruscamente: "O que ele te disse?"
Ao ouvir isso, um lampejo de desprezo passou pelos olhos de Sabrina: "Sobre como você o persegue... Talita, eu não imaginei que você fosse tão cara de pau."
"O Xavi não se lembra mais de você faz tempo. Não adianta insistir."
"Além disso, se você realmente o amasse, deveria querer a felicidade dele, mesmo que a felicidade dele não seja você."
Cada palavra de Sabrina era como um prego martelado implacavelmente no coração de Talita, que já estava quase anestesiado pela dor.
Ela olhou para Sabrina, que tinha uma postura de vencedora, e de repente lembrou-se da mãe de Xavier, um ano atrás, implorando em prantos: "Tali, considere isso um pedido de uma mãe. O Xavier não se lembra de você. Se você o ama, não o faça sofrer mais."
Os apelos dos pais de Xavier e os olhares de pena dos amigos pesavam sobre os ombros de Talita. Todos pediam para que ela desistisse, todos pediam para que ela deixasse Xavier em paz.
Mas ninguém disse a Talita o que ela tinha feito de errado para perder o seu amor.
Ninguém disse a ela como ela deveria fazer para desistir serenamente do homem que amou por tantos anos.
Até hoje, Talita ainda não tinha a resposta.
Os cantos de seus olhos ficaram levemente avermelhados, e havia uma emoção intensa reprimida ao olhar para Sabrina.
Sabrina pareceu não se importar com a resposta dela e, após o desabafo, deu meia-volta para sair.
Ao passar por Talita, exalava um perfume amadeirado familiar—
Era o perfume que Xavier costumava usar.
O brilho nos olhos de Talita se fragmentou centímetro a centímetro, e toda a luz finalmente se apagou.
...
No fim de semana, o bar Luar do Porto estava fervilhando.
Assim que Talita entrou, sentiu a onda de vozes a atingir.
Seu coração angustiado teve um breve alívio.
Ao vê-la entrar, o barman conhecido se aproximou apressado: "Olá, Srta. Rocha, quanto tempo! Você chegou um pouco tarde hoje, hein? Seus companheiros de equipe já começaram a agitação."
Talita paralisou por um momento antes de entender o que ele quis dizer.
Aquele bar era onde ela, Xavier e os antigos companheiros comemoravam após cada resgate.
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Desde que deixou a equipe, ela não voltava lá há muito tempo.
"Onde eles estão?" Havia um leve tom de nostalgia na voz de Talita.
O barman estranhou por um segundo, mas respondeu em voz alta: "No lugar de sempre."
Talita caminhou naquela direção, mas parou após poucos passos.
Ela captou uma voz familiar.
Ao ouvir a palavra "cunhada", Talita olhou instintivamente.
Lá estava Sabrina, sentada entre as pessoas que Talita conhecia tão bem, encostada em Xavier, com o rosto levemente corado e em uma postura de total intimidade.
Capítulo 6
A euforia do grupo aumentava a cada segundo. Talita Rocha observava a cena de longe, sentindo-se em um transe.
O lugar que um dia foi dela agora pertencia a outra pessoa. Seus antigos companheiros e o homem que amava aceitavam aquela nova realidade com naturalidade, como se apenas ela tivesse ficado presa ao passado.
Uma dor aguda atingiu seu peito. Ela cerrou os punhos, lutando para conter a indignação e a humilhação que borbulhavam em seu interior.
Entre os que estavam sentados à mesa, um jovem de pele bronzeada e olhos sorridentes passou o olhar por Talita.
No instante seguinte, seu sorriso congelou. Ele se levantou abruptamente e, por instinto, começou a dizer: "Cunha..."
Mas a voz morreu em sua garganta ao notar Xavier Silva ao seu lado, que olhava para Talita com uma expressão gélida.
"Tali."
Com apenas uma palavra, o grupo no camarote parecia ter apertado o botão de pausa.
Embora o barulho ao redor continuasse ensurdecedor, o clima ali dentro estagnou de forma incontrolável.
Todos os olhares se voltaram para Talita. Sabrina Santos também a viu e seu corpo ficou rígido.
Ao seu lado, Xavier percebeu a mudança instantaneamente. Ele virou o rosto devagar e, sob aquele olhar coletivo e silencioso, começou a consolar Sabrina em voz baixa, como se estivessem sozinhos.
Ele ignorou completamente a presença de Talita.
Talita sentiu o corpo gelado. Seus olhos seguiam cada movimento de Xavier.
Um segundo, dois segundos... ela não aguentava mais.
Talita fugiu dali em um estado de pânico, deixando para trás um rastro de olhares confusos.
A longa estação chuvosa trazia consigo o vento do início do inverno, cortante e implacável.
Talita caminhava pela calçada desolada, sem parecer notar o frio.
Olhando para as ruas familiares, lembrou-se de uma noite, anos atrás, quando celebraram no bar Vila Sombria. Em um impulso, ela implorou para que Xavier a carregasse nas costas por todo o caminho.
Naquela época, Xavier prometeu que a carregaria pela vida inteira.
Mas, em poucos anos, tudo mudou.
Ele provavelmente já havia sobreposto as memórias que eram exclusivas deles com a presença de Sabrina. Ela era apenas alguém que ele esqueceu, e ela era a única que ainda não tinha caído na real.
Nas ruas próximas à meia-noite, os pedestres passavam apressados, sem notar as lágrimas silenciosas de Talita.
...
Hospital.
Talita focava em atender seus pacientes, tentando manter a mente vazia de distrações.
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Ao longo do último mês, os boatos sobre ela haviam diminuído. Às vezes surgiam novas fofocas, mas ela tentava ignorar.
Sabrina, como a "vítima", estava prosperando no hospital, enquanto Talita se tornara uma figura marginalizada.
Mas ela não se importava. Talita saiu da enfermaria e respirou o ar frio para acalmar os pensamentos.
Ao se virar, deparou-se com Xavier, a quem não via há algum tempo, parado logo atrás dela. Sabrina estava ao seu lado.
Talita comprimiu os lábios, lembrando-se do aviso de Xavier, e tentou passar por eles para sair.
Entretanto, Sabrina falou primeiro, chamando-a com naturalidade: "Tali, faz tempo que não nos esbarramos."
O tom era tão íntimo que parecia que as cenas agressivas do passado tinham sido apenas um pesadelo de Talita.
Talita parou por um instante, olhando para o casal. Sua voz soou tensa: "Aconteceu alguma coisa?"
Ela não era boba a ponto de achar que Sabrina queria fazer as pazes.
Sabrina, ignorando a frieza, tocou o braço de Xavier.
Xavier, que permanecia em silêncio, tirou um convite com detalhes dourados e falou com sua habitual frieza.
"A Sah gostaria que você comparecesse ao nosso casamento."
Capítulo 7
Talita baixou o olhar para o convite e sua respiração parou no mesmo instante.
Sentiu-se como se tivesse sido lançada em um abismo; a injustiça e a dor sufocavam sua garganta.
"Tali, você vai, não vai?" Sabrina exibia um sorriso suave, mas seus movimentos eram ansiosos.
Ela deu um passo à frente e empurrou o convite para a mão de Talita. O gesto brusco fez Talita recuar instintivamente.
Sabrina aplicou força, como se exigisse uma resposta definitiva, enquanto Xavier observava tudo com um olhar de complacência.
"Sim." Talita puxou a mão avermelhada com força e respondeu com um murmúrio.
Sabrina virou-se imediatamente para Xavier: "Eu te disse que a Tali aceitaria."
Em seguida, voltou-se para Talita: "Você pode trazer o Zeca com você."
"Está bem." Talita baixou os olhos, com os cílios tremendo para esconder sua expressão.
"Se não houver mais nada, eu vou indo. Tenho trabalho."
Sem dar chance para resposta, ela praticamente fugiu do local.
Ao chegar ao consultório, percebeu que o convite em sua mão estava todo amassado pela força com que o segurava.
Sentou-se exausta em sua mesa por um longo tempo antes de abrir o convite com as mãos trêmulas.
Os nomes "Xavier Silva" e "Sabrina Santos" estavam alinhados. As palavras "Noivo" e "Noiva" feriam os olhos de Talita.
Seu coração, que já estava por um fio, desmoronou completamente naquele momento.
Não havia mais volta.
...
No último dia de novembro, o clima estava sombrio, mas isso não impedia a atmosfera festiva e movimentada do casamento.
Os lustres de cristal brilhavam; a decoração era romântica e acolhedora.
Talita, que raramente se maquiava, estava sentada na plateia, olhando para tudo aquilo em transe.
Ao seu lado, Zeca parecia mais à vontade do que ela: "Se estiver se sentindo mal, podemos ir embora agora."
O canto da boca de Talita tremeu em um esforço de sorriso. Ela baixou o olhar, com um tom amargo: "Não precisa, estou bem. Só estou curiosa."
Curiosa para ver como ele entraria no matrimônio, curiosa para ver como ele estaria hoje, curiosa para ver como era tudo aquilo que ela um dia sonhou para si.
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