"Memórias de um Amor Perdido" Capítulo 2
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Um homem vestindo uma camisa preta impecável e óculos de armação prateada sorria gentilmente.
Ao olhar para ele, um lampejo passou pela mente de Talita.
Ela disse, incerta: "Zeca... Oliveira?"
Zeca assentiu com um sorriso leve: "Sou eu. E também sou a pessoa por quem você estava esperando."
Ao ouvir isso, Talita ficou atônita por um momento.
Mas logo percebeu que aquele amigo de infância, que cresceu com ela, era o seu encontro de hoje.
No entanto, aquelas palavras ambíguas soaram de forma bem diferente aos ouvidos de Sabrina.
Os olhos dela brilharam e ela se aproximou de Talita.
"Tali, você está namorando? Por que não me contou?"
Talita despertou do transe e acenou negativamente: "Não, ele..."
Mas antes que pudesse terminar, foi puxada por Sabrina para dentro do restaurante: "Já que é uma coincidência tão grande, vamos jantar todos juntos."
Ela não deu chance para Talita recusar.
Os quatro se sentaram à mesa e logo os pratos começaram a ser servidos.
Sabrina olhou curiosa para Zeca.
"Como você e a Tali se conheceram?"
Zeca deu uma risada leve: "Nossas famílias eram vizinhas, nos conhecemos desde pequenos."
"Então são amigos de infância!" O tom de Sabrina era de pura inveja.
Quando ela ia dizer algo mais, Xavier colocou uma porção de cogumelos frescos na tigela dela e a interrompeu com naturalidade: "Certo, vamos focar na comida."
Aquele tom carinhoso fez a mão de Talita, que segurava os talheres, se apertar bruscamente.
Nesse momento, uma colher de carne bovina foi colocada em seu prato.
Simultaneamente, a voz suave de Zeca soou em seu ouvido: "Lembro que você adora isso."
Talita paralisou e, instintivamente, olhou para Xavier.
Mas os olhos do homem estavam fixos apenas em Sabrina, sem dar a mínima importância ao que acontecia ao lado.
A amargura se espalhou por seu coração. Talita desviou o olhar desolada e agradeceu em voz baixa.
A refeição foi insossa.
No meio do jantar, Talita se levantou para ir ao banheiro.
Ao sair para lavar as mãos, Sabrina também estava lá.
Ela sorriu e deu uma piscadela para Talita: "Tali, não esqueça de me convidar para o seu casamento, hein?"
Talita parou o movimento e comprimiu os lábios lentamente.
Após hesitar por um momento, ela olhou para Sabrina, querendo explicar a confusão daquela noite.
Mas, ao se virar, acabou batendo acidentalmente no celular que estava na borda da pia.
Com um baque, o aparelho caiu no chão.
Talita ia se curvar para pegá-lo, mas Sabrina se agachou primeiro: "Deixa comigo, suas mãos estão molhadas..."
A voz dela parou subitamente.
O corpo de Sabrina congelou, e a luz azul da tela do celular refletiu em seu rosto, que mudou de expressão instantaneamente—
No papel de parede da tela, via-se claramente Xavier e Talita abraçados em um momento de intimidade.
Capítulo 4
A respiração de Talita parou e seus cílios tremeram violentamente.
Ela jamais imaginou que um acidente desses aconteceria.
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"Sah..."
"O que significa isso?" Sabrina a interrompeu, levantando-se com o celular na mão, com os olhos já avermelhados. "Eu te considerava minha melhor amiga."
Talita entrou em pânico e tentou se aproximar para explicar: "Sah, não é o que você está pensando, eu..."
Mas sua mão foi repelida por Sabrina.
O ar entre as duas parecia ter congelado.
Após um impasse angustiante, uma voz fria soou de repente: "O que vocês estão fazendo?"
Talita olhou instintivamente e viu Xavier caminhando apressado até Sabrina, com uma expressão tensa.
Até o tom de voz dele suavizou: "Sah, o que houve?"
Com os olhos cheios de lágrimas, Sabrina segurou a manga da camisa de Xavier e ergueu a outra mão com a tela ainda acesa.
"Qual é a sua relação com ela? Vocês... não disseram que não se conheciam?"
Xavier baixou o olhar e, ao ver a foto no papel de parede, seus olhos esfriaram instantaneamente.
"Não tenho nada com ela, não pense bobagens."
Dito isso, ele pegou o celular, deu dois passos à frente e o entregou para Talita, que permanecia paralisada.
Talita olhou para cima e encontrou os olhos gélidos de Xavier: "Troque isso. Não deixe que ninguém mais veja."
Em seguida, ele puxou Sabrina e saiu sem olhar para trás.
Talita ficou ali, vendo as costas dos dois, sentindo uma dor profunda, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dela.
Ela apertou o celular, com os lábios pálidos e sem sangue.
Por que... o que ela tinha feito de errado?
Enquanto estava perdida em seus pensamentos, uma figura parou à sua frente.
"O que aconteceu? Sua colega e o Xavier foram embora."
A garganta de Talita estava sufocada: "Não foi nada, vamos embora também."
Ela tentou passar por Zeca, mas foi segurada pelo pulso.
"Tali, já se passaram dois anos e você ainda não conseguiu esquecê-lo."
Não era uma pergunta, mas uma afirmação.
A acidez subiu aos olhos de Talita.
Ela apertou a palma da mão para se conter e desviou o olhar sem responder.
Ao ver isso, Zeca soltou um suspiro silencioso, não disse mais nada e a conduziu para fora.
Somente ao sair do restaurante Talita conseguiu acalmar suas emoções complexas.
Ela soltou a mão suavemente: "Zeca, sobre o encontro de hoje... vou explicar para minha mãe para ela não tentar juntar quem não deve mais."
"Fui eu quem sugeriu o encontro."
Zeca falou de repente, olhando seriamente para Talita: "Tali, sei que você ainda não superou o passado, mas... não acha que deveria me dar uma chance?"
A declaração repentina deixou a mente de Talita em branco.
Ela olhou para a expressão séria de Zeca e soube que ele não estava brincando.
Mas ela não sabia como responder.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, trocando olhares.
Nesse momento, uma voz se intrometeu.
"Talita Rocha, precisamos conversar."
Era Xavier, que deveria ter ido embora, mas que, por algum motivo, havia retornado.
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Ao ver a expressão indiferente do homem, o coração de Talita se apertou.
"Eu..." Ela olhou hesitante para Zeca.
Zeca deu um sorriso reconfortante: "Já que o Sr. Silva quer falar com você, eu vou indo."
Em seguida, olhou para Xavier: "Acredito que o Sr. Silva levará a Tali em segurança para casa, certo? Afinal, o Sr. Silva é um homem de responsabilidade."
Ele enfatizou as palavras "de responsabilidade" com um tom cheio de significado.
Xavier franziu a testa, mas assentiu.
Talita se despediu brevemente de Zeca e seguiu Xavier.
Os dois se sentaram em uma cafeteria.
Frente a frente, Talita conseguia sentir o descontentamento de Xavier.
Ela estava pensando em como explicar o que acontecera pouco antes, quando o homem subitamente estendeu um cartão de visitas diante dela.
Em letras pretas sobre fundo branco, lia-se claramente: Hospital Municipal de Porto Sul, Diretor Luis.
Talita paralisou.
Antes que pudesse perguntar, ouviu a voz plana e sem emoção de Xavier:
"Já falei com ele. Você pode começar a trabalhar lá quando quiser."
Capítulo 5
Após a frase, Talita ficou estática por alguns segundos antes que um choque de incredulidade passasse por seus olhos.
Xavier queria que ela saísse do hospital atual!
Mas... com que direito?
Debaixo da mesa, as mãos de Talita se apertaram com força: "Só por causa do incidente de hoje à noite, você quer me expulsar?"
"Incidente?" O olhar de Xavier era afiado. "Eu já te avisei antes para não deixar a Sabrina saber sobre o passado."
"Ou você acha que fazendo isso pode destruir nosso relacionamento e ter uma oportunidade?"
As palavras do homem eram mais frias e cortantes que o vento de dezembro.
Os olhos de Talita ficaram vermelhos instantaneamente: "Eu nunca pensei assim!"
Ela não ousava olhar para os olhos negros e implacáveis de Xavier. Baixou a cabeça fixando a tela escura do celular, com a voz cada vez mais embargada: "O que aconteceu hoje foi um acidente. Esta foto... eu a uso há muitos anos."
"Ela é o meu único consolo."
No entanto, Xavier foi indiferente à tristeza de Talita: "Você deve apagar essa foto. Ela já está afetando a minha vida."
Terminando de falar, ele se levantou: "O que eu tinha para dizer já foi dito. Vamos, vou chamar um táxi para você."
O nariz de Talita ardeu e uma sensação avassaladora de injustiça se espalhou.
Como eles chegaram a esse ponto?
Após um longo transe, percebendo o desagrado de Xavier, Talita voltou a si.
Ela pegou o cartão e disse com a voz fraca: "Não precisa, eu mesma posso chamar um táxi."
Sem esperar pela resposta de Xavier, ela fugiu da cafeteria.
Ao chegar em casa, o cartão em sua mão já estava amassado.
Ela olhou para ele por um longo tempo e, por fim, levantou-se e o jogou decididamente na lixeira.
Foi uma noite sem sono.
No dia seguinte, após esconder suas emoções e recompor seu estado, Talita voltou ao hospital.
Mas, ao entrar no prédio da cirurgia, percebeu que as pessoas ao redor a olhavam com julgamento.
Ela cumprimentou as enfermeiras conhecidas com a naturalidade de sempre, mas elas apenas deram sorrisos superficiais e desviaram o olhar com constrangimento.
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