"Renascida para Amar o CEO: Protegendo Meu Destino" Capítulo 006
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Capítulo 006: A Beleza Clássica
Pérola disse que chamaria Felipe e Lara, mas, no fim, apenas Lara conseguiu vir.
Felipe tinha a mesma idade de Pérola, mas, ao contrário dela — que pulou anos na escola e terminou a faculdade precocemente —, ele seguiu o currículo padrão. Estavam em outubro e ele havia se formado há apenas três meses. Assim que pegou o diploma, ele mergulhou de cabeça nos negócios da família Vasconcelos e agora vivia em sua fase mais atarefada.
Pérola escolheu um vestido longo retrô, com um toque que remetia à elegância clássica do início do século XX, para sair. Seu longo cabelo negro caía em cascata até a cintura, adornado por uma tiara de seda violeta que combinava perfeitamente com o tom do vestido.
Aquela produção, somada à sua beleza hipnotizante e à aura de "grande dama" que exalava de seus poros, fazia dela uma paisagem viva por onde passava.
Pérola era a personificação da serenidade; Lara era o oposto absoluto. E isso ficava evidente logo no visual.
Enquanto Pérola caminhava em direção à cafeteria, Lara já a esperava sentada perto da vitrine de vidro. Ela usava um minivestido justo de alças finas; seu cabelo comprido estava estilizado em ondas largas e tingido de um castanho claro acobreado. Grandes brincos de argola pendiam de suas orelhas e um colar delicado adornava seu pescoço.
Lara tinha uma beleza vibrante e audaciosa, realçada por uma maquiagem marcante que, embora intensa, não perdia a sofisticação. Sentada com as pernas cruzadas, ela atraía os olhares de quase todos no local.
Ao ver Pérola entrando, Lara abriu um sorriso radiante e acenou com entusiasmo: — Pérola! Aqui!
Se uma beldade já chamava atenção, a chegada de outra ainda mais deslumbrante fez com que a cafeteria quase parasse. Felizmente, o movimento era baixo naquele horário e a maioria dos clientes estava acompanhada, então ninguém se atreveu a abordá-las, limitando-se a observá-las com admiração por alguns instantes.
Tendo crescido sob os olhares de admiração alheia, Pérola estava acostumada e não sentia nenhum desconforto. Após as experiências de sua vida passada, a opinião dos outros importava menos ainda. Sem desviar o olhar, ela foi direto para a mesa de Lara.
Sentou-se à frente da amiga, colocou a bolsa ao lado e sorriu: — Como chegou tão rápido? Minha casa é mais perto daqui do que a sua. Saí assim que desligamos o telefone e, mesmo assim, você chegou primeiro.
— Ah, eu já estava por aqui por perto — respondeu Lara, apontando para o café sobre a mesa. — Como você ainda não tinha chegado, pedi um para você do jeito que você gosta.
Lara pertencia à família Oliveira, uma linhagem influente de São Paulo, e era amiga de infância de Pérola. Sendo sua melhor amiga, não era surpresa que conhecesse seus gostos.
Pérola olhou para a xícara à sua frente e hesitou por um momento. Aquele era o seu gosto de muito tempo atrás. Após a tragédia familiar e durante os anos ao lado de Thiago, ela passou a beber o café o mais amargo possível, como se quisesse que o paladar acompanhasse a dureza de sua vida.
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Ao notar que Pérola encarava a bebida sem dizer nada, Lara parou de mexer o próprio café e perguntou confusa: — O que houve? Não está do seu agrado? Estranho... sempre que saíamos, era esse o sabor que você mais pedia.
— Não é isso — Pérola sorriu levemente. — Só me perdi em pensamentos por um segundo.
— Ah, entendi. Achei que eu tivesse errado o pedido e já ia chamar o garçom para trocar. — Lara a observou com um olhar inquisitivo. — Mas diga, Pérola, o que te deu para me chamar assim do nada? Você não é do tipo que prefere ficar trancada em casa quando não está trabalhando?
— Eu fiquei tanto tempo em casa que minha mãe acabou me expulsando — brincou Pérola.
Na vida passada, ela e Lara mantiveram contato por muito tempo. Embora Lara não tivesse o poder de fogo de Thiago, ela foi o suporte emocional de Pérola nos momentos mais sombrios, especialmente nos três anos antes de Pérola partir para o Rio de Janeiro. No Rio, a distância e as circunstâncias perigosas acabaram afastando-as gradualmente. Mas, para Pérola, Lara sempre seria uma amiga leal.
— Eu acho que, se você não tivesse essa carreira que te obriga a viajar, você seria uma completa ermitã — analisou Lara. — Mas combina com você. Você parece aquelas damas de época que viviam protegidas em seus casarões.
Pérola ignorou a provocação, tomou um gole lento do café e perguntou: — E você, como vão as coisas? No que tem trabalhado?
— No que mais eu trabalharia? Tentando fazer aquele meu estúdio falido decolar — suspirou Lara.
Lara era designer de moda, mas ainda não tinha fama e seu ateliê não prosperava. A família Oliveira desaprovava sua escolha e queria que ela assumisse um cargo na empresa da família, mas a moda era a paixão de Lara. Por causa disso, as brigas em casa eram constantes.
— Meu pai me deu um ultimato: tenho apenas um mês. Se em trinta dias o ateliê continuar nesse marasmo, serei obrigada a aceitar o cargo na empresa. E se eu recusar, ele corta minha conta bancária.
— Pérola, o que passa na cabeça dele? Eu não sei fazer nada além de desenhar roupas. O que eu vou fazer em uma empresa de logística?
Pérola respondeu com uma seriedade irônica: — Ah, tem muita coisa que você pode fazer. Pode varrer o chão, servir café, ser a estagiária faz-tudo...
Lara: — ... — Ela deu um olhar de indignação. — Eu aqui sofrendo e você tirando sarro da minha cara? Que falta de coração!
— Eu posso te ajudar — disse Pérola subitamente.
Lara paralisou, achando que tinha ouvido errado: — Pérola... o que você disse? Repete.
Pérola a encarou com um sorriso doce, mas um brilho de determinação inegável nos olhos. Lara a conhecia desde a infância e sabia que aquele olhar não era de brincadeira.
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— Eu disse que posso te ajudar.
— Você está falando sério? — a voz de Lara saiu carregada de descrença.
— Eu pareço estar brincando?
— Não, mas... por que agora? Você nunca se interessou por negócios. Minha paixão é design, mas para o estúdio sobreviver, precisamos entrar no jogo comercial de verdade.
Pérola deu um sorriso enigmático: — Digamos que eu queira ganhar um dinheiro extra. Não posso?
Lara soltou uma risada sarcástica. — E você acha que eu acredito nisso? "Dinheiro extra"? A herdeira da família Paes, a maior de São Paulo, precisando de trocados? Sem contar que o seu cachê por apresentação deve ser uma fortuna.
Pérola se juntou à Starry Orchestra aos quinze anos, um feito que chocou o meio artístico na época. Aos vinte e dois, já tinha participado de mais de cinquenta festivais internacionais, era membro da Associação Internacional de Konghou... dinheiro definitivamente não era o problema dela.
— Tudo bem, não vou te pressionar sobre o "porquê" agora. Mas como exatamente você pretende me ajudar?
— Ouvi dizer que o seu estúdio tem outros designers além de você, certo?
Lara ficou confusa com a pergunta. — Sim, tem. Por quê? — Ela hesitou, um pouco sem graça. — Olha, eu amo moda, mas tenho autocrítica suficiente para saber que meu nível técnico ainda é... limitado. Tentar sustentar um ateliê sozinha seria impossível. Então, você sabe como funciona...
— Eu posso investir capital no seu estúdio.
Os olhos de Lara brilharam por um segundo, mas logo se apagaram ao pensar nas condições que seu pai exigiria. Foi então que ouviu Pérola continuar:
— Mas eu tenho uma exigência... Eu quero ser uma das designers do seu ateliê.
O barulho da colher de Lara batendo na xícara ecoou na cafeteria. Ela estava em choque.
— ... Pérola, o que você disse? Acho que meus ouvidos falharam. Repete isso, por favor.
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