"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 14
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Capítulo 14: Punhalada pelas Costas
Belle, desolada e vestindo trajes luxuosos de amante, estava diante de Solana. Os servos lançavam-lhe olhares de desprezo, exceto por seus amigos.
Pela manhã, Sheryl penteou cuidadosamente o cabelo de Belle, abraçando seu corpo magro com piedade.
Os fios castanhos de Selwyn estavam levemente bagunçados, carregando a aura preguiçosa de uma noite de luxúria.
Solana sorriu e aproximou-se, acariciando o cabelo de Belle com uma falsa compaixão: — Pobre Belle, não dormiu bem esta noite? Seus olhos são tão belos, a Deusa certamente irá protegê-la.
Os olhos dourados refletiam a luz do sol que entrava pela janela. Belle estremeceu, perdida em pensamentos, enquanto suas unhas se cravavam involuntariamente na própria carne.
— Obrigada, Condessa Solana — respondeu ela com o pescoço alvo curvado, o rosto pálido e entorpecido, tendo perdido todo o brilho de outrora.
Sui saiu apoiada no braço de Dina; em termos de beleza melancólica, ninguém superava a Santa da Igreja.
Ela parecia frágil, com um olhar que misturava medo e doçura.
Solana sorriu e perguntou com solicitude: — Sui está melhor?
Dina olhou para Sui, que deu um sorriso desamparado, percorrendo todos com um olhar gentil: — Muito melhor,
cof, cof, cof
. — Ela cobriu a boca às pressas, e o sangue manchou suas luvas de renda branca.
— O que disse o médico? — perguntou Solana, acompanhando o teatro com interesse.
Sui olhou ternamente para Dina, pois o médico não lhe dera detalhes, chamando apenas Dina para uma conversa particular.
Dina permaneceu em silêncio.
Solana já sabia de tudo. Ela caminhou até Dina e disse em tom firme: — Se o estado de Sui piorar, eu jamais aceitarei isso.
Num ângulo onde Belle não podia ver, ela encarou Dina seriamente, como numa ameaça silenciosa: "Dina, vejamos como você escolherá."
Dina assentiu e declarou com firmeza: — Vou cooperar com o médico para organizar o tratamento o quanto antes. A Santa salvou minha vida, farei de tudo para salvá-la. — Seu olhar recaiu sobre Belle, que estava logo atrás de Solana.
Belle arregalou os olhos de pavor. "Não, não pode ser... não será como no sonho! Não pode ser assim! Seria aquilo um sonho premonitório? A Deusa estaria me salvando?!"
Não, ela não aceitaria ser sacrificada assim. Não!
Suas mãos tremiam; o sangue já escorria por entre seus dedos escondidos nas costas. Sheryl observava aquela tremedeira com profunda preocupação.
Dina ajudou Sui a entrar para descansar, e Solana começou a lidar com a montanha de documentos oficiais. Andre, prestativo, trouxe todos os registros que precisavam de atenção.
Enquanto todos se dispersavam, Belle permaneceu no local, encostada na porta ouvindo a conversa entre o médico e Dina.
Aparentemente, a lesão acelerara as sequelas de uma maldição antiga. Para curar a Santa e eliminar o mal persistente, era necessário o sangue do coração de uma jovem nascida no mesmo ano, mês e dia que ela para fabricar um elixir.
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Todos sabiam que, anos atrás, a Santa sofrera uma maldição desconhecida e perdera seus poderes de cura por um tempo.
Tudo aquilo fora obra de Solana, na época apenas como um aviso para a Igreja, o Papa e a própria Santa.
Belle fugiu apressada, sem ouvir o restante da conversa de Dina.
— Eu realmente tenho aqui uma mulher que nasceu no mesmo dia que a Santa, mas esse método de extrair o sangue do coração... é seguro? — perguntou Dina, franzindo o cenho.
O médico balançou a cabeça e garantiu: — Fique tranquilo, não há perigo. É apenas a picada de uma pequena agulha.
O médico virou-se e ergueu uma sobrancelha. No mesmo instante, Solana ergueu a dela e acenou para Selwyn: — Venha aqui. Um bom espetáculo está prestes a começar. Você está ansioso?
Selwyn aproximou-se. Solana subiu em seus ombros, acariciou seus cabelos e buscou seus lábios. Selwyn fechou os olhos, mas ela parou no instante exato do contato, mantendo os lábios a milímetros de distância.
Selwyn abriu os olhos.
— Desta vez, é você quem me beija — disse Solana sorrindo.
Selwyn fechou os olhos e beijou-a com ímpeto. Solana riu e o afastou gentilmente, deixando um fio de prata entre eles.
— Tenho coisas a fazer, espere por mim lá fora. — Ela beijou a bochecha dele, e Selwyn partiu após hesitar um segundo.
Solana sentou-se na cadeira, recostou-se e olhou pela janela.
— Vai chover. As borboletas odeiam a chuva.
No caminho de volta, Belle teve a manga segurada por Sheryl, que passava por ali.
— Belle, todos estão preocupados com você. Quer vir conversar com a gente?
— Não preciso da sua hipocrisia, solte-me! — rugiu Belle.
Sheryl franziu o cenho: — Você está tensa demais, relaxe!
— Você não entende, nem acreditaria. Vocês sempre desprezaram os plebeus que vendem o corpo por status. Não pense que eu não sei como vocês me olham agora! Não se meta, vá embora!
Belle, com uma força súbita, empurrou Sheryl e correu para o quarto, trancando a porta. Sheryl observou-a partir com estranheza. "Hoje o Conde Dina não foi até a cozinha pedir especificamente o creme de cogumelos que ela gosta? Por que ela está tão nervosa?"
— Borboleta, borboleta, eu quero te ver! — a voz de Belle era urgente e colérica, mas abafada, como se gastasse suas últimas energias.
A borboleta apareceu, pousando suavemente em seu dedo.
— Você se arrependeu e não quer voltar para cá. Vou te dar uma espada. Se você cravá-la no coração de Dina, poderá retroceder no tempo, voltando ao momento em que decidiu vir para cá.
Cada palavra era como uma lâmina no coração de Belle, tirando-lhe o fôlego. Ela prostrou-se no chão, e as lágrimas molharam o piso.
Simultaneamente, Dina sentiu um aperto no peito; ele estava analisando as opções mais seguras listadas pelo médico.
Belle estendeu a mão, e uma adaga surgiu em sua palma.
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Alguns dias depois, no banquete de celebração do desenvolvimento da mina, onde grandes nobres estavam presentes, Solana sorriu e tomou um gole do vinho tinto que Selwyn lhe trouxera. As bebidas fortes estavam empilhadas, e o champanhe organizado em filas perfeitas.
— Pela nossa prosperidade mútua! — Dina ergueu a taça, e Solana respondeu ao brinde.
Ambos sorriam quando, de repente, um vulto cruzou a visão deles.
Um brilho frio surgiu: Belle, segurando a adaga, cravou-a com precisão no coração de Dina.
Dina arregalou os olhos; ele pensara que Belle viera apenas causar uma cena. Os guardas ao redor ficaram incrédulos — o mestre não dissera para não se preocuparem com a Senhorita Belle?
— Dina, eu me arrependi! Eu não deveria ter voltado por você! — o grito de Belle era lancinante, mas o tempo não retrocedeu como ela desejava.
Sheryl arregalou os olhos e tentou avançar, mas foi impedida por Selwyn. Ninguém entendia o motivo daquele ato, exceto Selwyn, que encarava Solana com fúria, já tendo percebido tudo.
"Certamente foi ela!"
"Por quê?!"
"Por que desta vez também?!"
Sentindo o olhar furioso de Selwyn, Solana sorriu. Ela ergueu a mão e moveu os dedos levemente; parecia um aceno casual, mas carregava um significado oculto: ela estava assumindo a autoria de sua obra-prima! Selwyn olhou para ela, confuso.
Belle foi arrastada à força, e o local caiu em caos. O Conde Dina morreu no ato. Após sua morte, toda a sua herança foi estatizada.
Tudo aconteceu tão rápido. Belle foi jogada na masmorra, balbuciando palavras desconexas que ninguém conseguia entender. Nem ninguém se importava.
No cadafalso, o vermelho do sangue era aterrador.
A família Lauren desapareceu, e viscondes e barões foram à falência junto com eles. Os nobres mercadores optaram por se render, e a família Weissman ocupou todos os postos comerciais, restando apenas um último relutante.
Selwyn desapareceu silenciosamente. Solana já previa isso; ela observou o quarto vazio com o olhar de quem tem tudo sob controle.
"Nobres... no fim, são apenas isso."
Sui ajoelhou-se aos pés de Solana, apertando o peito com as mãos enquanto as lágrimas jorravam: — Por favor, pare de usar magia... meu coração dói tanto.
Solana ergueu o queixo de Sui com um olhar gélido: — Sui, não pense que não sei das suas pequenas artimanhas. Isso é apenas uma lição.
Uma expressão de ferocidade cruzou o rosto de Sui antes que ela pudesse escondê-la. Como dizem, até a tartaruga mais mansa morde quando acuada.
Sendo assim, restavam apenas medidas drásticas.
Solana retirou uma gema branca brilhante e aproximou-a da testa trêmula de Sui.
A Santa estava em pânico absoluto, lutando para escapar de seu destino: — Não, não! Eu serei obediente de agora em diante! Não use magia em mim!
Entretanto, um flash de poder mágico brilhou, e a Santa desapareceu instantaneamente, deixando apenas o vazio.
Solana cerrou os punhos, furiosa: — Ían! Você é realmente desobediente! Eu deveria trancá-lo para sempre!
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Andre recebeu um novo assistente chamado Hyde, que possuía cabelos azuis chamativos e olhos da mesma cor profunda. Um nome comum; uma pessoa que, à primeira vista, não parecia especial.
Solana estava exausta de lidar com a papelada; a Santa estava desaparecida há um mês sem qualquer pista. Ela fechou os olhos, imersa em pensamentos.
Andre sugeriu suavemente: — Talvez a senhora devesse descansar em outro lugar.
Solana assentiu: — Está bem, deixo os preparativos com você. Afinal, nada no momento é urgente.
A voz de Hyde era clara como a de um jovem. Embora tímido, ele trabalhava com afinco; parecia um rapaz honesto.
Sob os cuidados de Andre, Solana foi para o Palácio dos Relevos — o antigo refúgio de verão do velho Imperador. A paisagem era pitoresca e o ar, puro. Acima de tudo, era silencioso.
Hyde parecia preparado, guiando Solana por cada detalhe da propriedade como se a conhecesse profundamente.
Eles chegaram à última construção, que diziam ser as ruínas de um deus.
— Há uma estrutura aqui sobre verdades e mentiras — disse Hyde com voz firme. — Basta colocar a mão lá dentro. Se disser uma mentira, será picado por uma agulha; a verdade não causará reação. — Sua voz carregava um tremor quase imperceptível.
Curiosa, Solana colocou a mão, achando a ideia um tanto monótona. Ela olhou nos olhos de Hyde e provocou: — Por que você não me faz algumas perguntas?
Ela esperava que ele recusasse por medo, mas ele perguntou sem hesitar:
— Condessa Solana, a senhora acha que o amor é importante?
— Não é importante — respondeu ela, acompanhada pelo som de uma gota d'água caindo.
— E o poder, é importante?
— É importante — a gota caiu novamente.
— O Imperador é importante?
... O som das gotas caindo ecoava na estrutura vazia.
... Mais uma gota.
... Por fim, o silêncio foi quebrado por outra gota.
— Não é importante — desta vez, a resposta de Solana veio com uma pontada de dor: sua mão fora picada.
"Ían, quem mais além de você faria perguntas tão tolas e profundas ao mesmo tempo?"
"Mas devo admitir, seu disfarce está cada vez melhor."
— Você acha que sou boba, Ían? Desta vez não será tão fácil fugir.
— Então, o Ían é importante? — Hyde olhou nos olhos dela, enquanto a cor do cabelo e suas feições voltavam ao normal.
— Não é importante, porque eu sequer te levo a sério — Solana sorriu, e sua palma foi picada novamente.
Com a outra mão, ela traçou rapidamente um enorme círculo mágico. Ían deixou-se capturar.
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