"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 11
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Capítulo 11: O Atentado contra o Imperador
Após ser empurrado, o Imperador partiu fingindo indignação.
Ciel permaneceu estática como uma marionete sem alma até que Solana, com um leve aceno, pareceu despertá-la para que a seguisse.
Abel percebeu algo estranho e fixou o olhar nas costas de Ciel enquanto ela se afastava.
Ele pensara que ela se tornaria mais dócil após um período de confinamento, mas agora a situação parecia mais complexa.
Desde que se tornara noiva, Ciel raramente tomava a iniciativa de falar com ele; passava a maior parte do tempo em silêncio, sentada no balanço que ele preparara para Solana, mergulhada em pensamentos.
Solana disse suavemente: — A Marquesa Alice me convidou para o seu banquete de aniversário. Ouvi dizer que as pétalas de seu roseiral podem cobrir todo o solo do Império. Venha comigo.
— Está bem — respondeu Abel com a voz grave.
Ele não tivera muito contato com a Marquesa Alice; ela fora treinada pelo patriarca da família desde cedo e raramente entrava no palácio. Eles haviam se visto apenas uma ou duas vezes na infância.
Desde que Alice perdera a proteção do pai aos quinze anos, assumira a responsabilidade da família e tornara-se uma das subordinadas mais confiáveis do velho Imperador.
Uma criada entrou levemente no recinto, segurando um envelope azul claro como o amanhecer.
— Milady Condessa, uma carta urgente acaba de chegar.
Solana aceitou o envelope com um sorriso, afastou Abel gentilmente e olhou-o de soslaio.
Ela encostou o envelope nos lábios e sussurrou: — Abel, o destino do Império está prestes a ser reescrito. O final de "Terra dos Sonhos" foi revelado — 3812. Diz a lenda que aquele que testemunhar o 3812º nascer do sol receberá a bênção da Deusa.
Abel ficou confuso com suas palavras, mas não conseguia desviar o olhar daquelas órbitas cheias de mistério e fascínio, gravando a frase em sua mente.
— Você estaria disposto a testemunhar comigo esse misterioso 3812º nascer do sol? — O tom de Solana era calmo, como se discutisse algo trivial.
— Seja por dez, vinte ou trinta anos, estou disposto a estar ao seu lado — disse Abel com um olhar sincero; não era mentira, embora pudesse carregar outros significados.
Solana soltou um riso curto: — Faz tão pouco tempo que nos conhecemos, dormimos apenas uma vez e você já diz algo tão tocante. Você realmente tem talento para ser um amante.
Solana retornou sozinha ao escritório e rompeu o selo do envelope.
A caligrafia era afiada e rígida, refletindo a personalidade da remetente.
"Cavaleira Silvia, você finalmente entendeu que somos nós quem mais deveríamos colaborar."
O conteúdo dizia:
Solana, vi o novo rosto da Cidade Baixa. Talvez você esteja certa: a hora da mudança chegou.
Peço perdão por minha teimosia passada.
Não cresci nas sombras da Cidade Baixa; estudei na escola para plebeus da Cidade Alta, onde os livros eram escritos por nobres.
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A educação que recebi na infância era sobre obediência em troca de paz.
Em contrapartida, os filhos dos nobres aprendem a arte do engano e da pilhagem desde cedo.
O Príncipe Herdeiro é uma criança ingênua mimada pela mãe. O pai tentou salvá-lo, mas ele vive preso nas mentiras da Rainha.
Como sua instrutora de esgrima, o que posso fazer por ele é esperar que, no fim, você poupe a vida dele.
A celebração de aniversário de Alice é, na verdade, um círculo mágico meticulosamente preparado, sacrificando o sangue de mil plebeus inocentes; o poder de sua maldição não deve ser subestimado.
Tome muito cuidado.
Solana ateou fogo ao papel. Nas chamas dançantes, refletia-se a verdade do sacrifício cruel dos nobres — talvez a raiz da traição definitiva de Silvia, uma mulher obstinada e teimosa.
Quando o último vestígio de papel se transformou em cinzas e tocou a ponta de seus dedos, a dor atravessou seu coração como uma corrente elétrica.
A pontada no peito era surda e ambígua.
Assemelhava-se aos arquejos na cama ou ao estímulo de um afogamento.
No dia do banquete, Solana desceu da carruagem de braço dado com Abel, seguida de perto pela carruagem real.
O local estava decorado com rosas vermelhas deslumbrantes, belas e com uma aura aterrorizante.
Solana pegou uma taça com serenidade, enquanto a Marquesa Alice perdia o interesse em atuar; ela quebrou discretamente um frasco sob a mesa, ativando o círculo de maldição de sangue.
Conforme as rosas sangrentas vertiam líquido como cabeças decepadas, os outros nobres recuaram horrorizados para os cantos.
Solana sorriu levemente e olhou para Silvia, que estava ao lado de Alice.
Sem hesitar, Silvia desembainhou a espada e selou a garganta da Marquesa com um golpe.
— Protejam o Imperador! A Marquesa Alice tentou assassinar Sua Majestade! — gritou ela. — Cavalaria, escutem minhas ordens: escoltem todos os nobres para fora daqui!
Os cavaleiros que aguardavam emboscados do lado de fora invadiram o salão.
Solana permaneceu sorrindo, degustando elegantemente seu vinho tinto.
Ao lado dela, Abel arregalou os olhos, incrédulo: a cavaleira mais leal escolhera a traição?
O local foi rapidamente esvaziado. Alice, agarrando o pescoço, olhou para Silvia sem acreditar.
— Mestra... — conseguiu dizer com dificuldade.
— Você não tem mais salvação — respondeu Silvia friamente.
Aquela menina que jurara proteger os fracos e permanecer pura parecia existir apenas em memórias; a Alice de agora fora completamente corrompida pela nobreza.
Alice caiu ao chão. Sua última visão foi Solana, com metade do corpo presa pelo círculo mágico.
Ao sentir o olhar triunfante da outra, Solana cortou o próprio pulso e usou o sangue para desenhar um círculo mágico no ar.
Os dois círculos colidiram. Chamas brotaram sob os pés de Solana, consumindo todo o espaço do ritual.
As rosas carmesim rodopiaram no fogo até virarem cinzas dispersas pelo vento.
— Solana! Você terá uma morte terrível! — rugiu Alice, encarando Solana até o último suspiro.
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— Ían não é assim... eu o amo! Eu queria protegê-lo! Com que direito você o trata assim?! Ele é o Sol do Império, e você não passa de uma plebeia baixa, baixa! — Com esse grito furioso, seu sangue jorrou mais rápido.
Silvia olhou para Solana com espanto: seria este o poder de uma maga de nível especial?
O fogo vermelho ardia nos olhos de Solana.
Abel baixou a cabeça pensativo; ele sabia que, com a reserva de mana atual de Solana, ninguém poderia enfrentá-la — ela era poderosa como o Rei Demônio das lendas.
— Felizmente sua ação rápida interrompeu a influência do círculo; se eu estivesse totalmente imobilizada, talvez tivesse morrido de verdade — disse Solana sorrindo, com um tom de escárnio.
Silvia virou-se para Abel com uma expressão de alerta.
— Não se preocupe, não faz mal que ele saiba. Fico feliz em colaborar com você, Comandante da Cavalaria. — Solana ergueu a mão sorrindo.
Silvia não apertou a mão dela; fez uma breve reverência e partiu trêmula. Ela acabara de matar a própria discípula.
Solana e Abel sentaram-se lado a lado na carruagem de volta. Ela observou a confusão no rosto dele e sorriu.
— Abel.
Ela pressionou o joelho na perna dele, puxou-o pelo cabelo para erguer sua cabeça e o beijou.
O retrogosto do vinho era como fogo queimando entre os lábios.
Solana arquejou, com a voz embriagada: — Príncipe Herdeiro...
Ao ouvir isso, o olhar de Abel focou instantaneamente nos olhos turvos dela.
— Abel, eu sou uma pessoa baixa da Cidade Baixa. O que você é? — Após dizer isso, Solana mordeu levemente o pescoço dele.
— Eu também sou uma pessoa baixa da Cidade Baixa — respondeu Abel, abraçando-a com força. Ele pretendia matá-la.
Ódio e amor se entrelaçavam; ele não conseguia distinguir.
A mãe não o amava, o pai não o amava, e ele aceitara isso; mas por que até você, Solana, não me ama?
Quando as lágrimas caíram silenciosamente em seu ombro, Abel aninhou-se no abraço dela.
Solana soltou a mordida, abraçando-o de volta e acariciando seu cabelo com doçura, embora seu olhar fosse profundo e complexo.
Solana enlaçou o pescoço dele e seus corpos se fundiram em desejo durante toda a noite.
Taças de vinho foram esvaziadas uma após a outra até que as garrafas secassem, deixando apenas marcas entrelaçadas em suas peles.
Ao meio-dia, a luz forte do sol atravessou as cortinas, iluminando o casal que dormia abraçado.
Os fios de cabelo de Solana estavam emaranhados no pescoço de Abel.
Uma cena de ternura.
Solana abriu os olhos levemente, virou-se preguiçosa e encostou a testa no pescoço dele.
Eles haviam caído no sono apenas de madrugada e passaram a manhã toda sonhando.
Momentos depois, Solana ergueu a cabeça; na verdade, ambos já haviam despertado, mas mantinham um silêncio cúmplice, apenas aproveitando a proximidade.
— Vamos levantar para comer — disse Solana com cansaço; ela estava sem forças.
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Abel abriu os olhos, desvencilhou gentilmente os cabelos dela de seu pescoço e organizou os fios dourados com cuidado.
Na noite anterior, ele vira por acaso o mapa da masmorra sobre a mesa; ele precisava agir hoje.
Se fosse descoberto, sua única opção seria o teletransporte.
Solana sabia exatamente cada passo dele; ela deixara o mapa ali de propósito.
"Abel, mostre-me do que você é capaz."
— À noite, estarei no escritório tratando de alguns assuntos. Divirta-se pela mansão — disse ela, beijando o canto da boca dele antes de sair.
Abel baixou a cabeça e cerrou os punhos.
Os magos subordinados ao velho Duque foram todos capturados por ela, incluindo aqueles que o protegeram desde a infância. Ele precisava resgatá-los.
Abel escreveu um bilhete e o escondeu cuidadosamente na manga.
Se falhasse desta vez, significaria a ruptura total; entre eles, sobraria apenas uma luta até a morte.
Ao entardecer, Solana parou diante da janela, observando o céu sombrio. Suspirou: — Parece que o céu não quer te ajudar, Ían. Vai chover.
A água da chuva afetaria a estabilidade do círculo mágico, causando desvios.
Solana, segurando um castiçal, caminhou passo a passo até a porta de madeira aparentemente comum.
Com um rangido estridente, a porta se abriu. Vultos lá dentro se assustaram, escondendo-se atrás de barris.
Garrafas de vinho vazias estavam espalhadas por todo lado, revelando magos decadentes.
O homem à frente estava sentado no chão, prostrado, com a barba por fazer e cabelos desgrenhados; a autoridade do antigo Mestre da Torre desaparecera.
— E então? Estão com tanta fome a ponto de devorar seus próprios companheiros? — Solana perguntou com escárnio.
Ao lado, ossos brancos exibiam marcas de mordidas humanas.
— Plebeia baixa da Cidade Baixa! — rosnou o homem entre dentes.
Solana sorriu resignada: — Pode usar uma palavra nova? Já cansei de ouvir essa.
— Você morrerá sob a Espada Sagrada! Receberá o julgamento e a punição! — berrou um jovem mago, com voz transbordando ódio e frustração.
Solana segurou as barras de ferro da cela com um olhar afiado: — Os deuses não se importam se vocês vivem ou morrem. Mas as pessoas comuns que vocês usaram como cobaias jamais os perdoarão. Elas voltarão do inferno para arrastá-los ao abismo.
O jovem mago emudeceu; o ar congelou instantaneamente.
Solana deu de ombros e sorriu: — Eu sabia que vocês gostariam de ouvir isso.
— Aqueles plebeus vieram por vontade própria! — rugiu outro jovem mago, quase em um urro. — Eles precisavam de dinheiro, nós pagamos! Com que direito nos acusa?!
Solana batucou nas barras de ferro com desprezo: — Ah? Vontade própria? Eles tinham escolha? Se não fizessem isso, morreriam de fome! Vocês realmente acham que ninguém sabia de nada?
O antigo Mestre da Torre permaneceu em silêncio.
Solana sorriu e olhou para o lado.
— Quem veio resgatá-los é realmente habilidoso para quebrar meu círculo mágico.
Assim que ela terminou de falar, o poder mágico fluiu. Com um golpe, o barril explodiu em pedaços; o vulto de Abel desaparecera, deixando apenas papéis rasgados pelo chão.
Um relâmpago cortou o céu escuro, seguido por uma chuva torrencial.
Solana abaixou-se para recolher os fragmentos, envolvendo-os cuidadosamente em um lenço, e caminhou até a cela.
Ela tocou o solo com a ponta do pé; o círculo mágico foi ativado com um brilho radiante. A vida dos magos aprisionados foi drenada, e ela, a iniciadora do ritual, absorveu aquela força.
Quando tudo terminou, Solana abriu o guarda-chuva e partiu lentamente. A luz fraca da vela foi engolida pelo vento e pela chuva, retornando à escuridão.
Os fragmentos de papel em sua mão formavam uma frase nítida: "Eu matarei você com minhas próprias mãos."
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