"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 8
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Capítulo 8: Ruptura sob Encanto
No palácio resplandecente, rosas deslumbrantes adornavam cada canto.
Solana vestia um vestido sereia que restringia seus movimentos e um véu leve como névoa, parecendo o ensaio de um casamento onírico.
Diante de Ían, ela exalava uma aura de santidade meticulosamente cultivada.
A Rainha e o Imperador sentavam-se lado a lado, uma visão rara, mas mantinham um silêncio absoluto, como se uma muralha invisível bloqueasse qualquer troca emocional.
Os dois velhos duques na plateia franziam o cenho, inquietos — todos os magos enviados para assassinar Solana haviam desaparecido misteriosamente.
Para surpresa geral, a Igreja elogiara publicamente a bondade de Solana, declarando-a reconhecida pela Deusa e nomeando-a representante da Santa, aclamada como a "Mais Nobre".
Solana lembrou-se daquela Santa de cabelos rosa e temperamento covarde; o tremor nas mãos da garota ao segurar a xícara de chá durante o encontro delas ainda estava vívido em sua mente.
Ciel permanecia na plateia com o olhar vago; já os membros das famílias Bruce e Heather observavam Solana com sorrisos, agora consolidados como os aliados mais próximos da família Weissman.
Graças a Solana, ambas as casas não apenas recuperaram sua força, mas floresceram nas artes, com exposições de pintura espalhadas por todo o Império.
Simultaneamente, música, dança e design de joias tornaram-se tendências populares sob a influência de Solana.
Em retribuição, um jovem mago promissor da família Bruce fora entregue a ela como "presente", tornando-se seu mago pessoal com acesso às minas de pedras mágicas do Príncipe Ían.
Contudo, esses recursos valiosos acabavam nas mãos de Solana; o tal mago não passava de um fantoche.
Neste momento, imersa em música suave, Solana detinha o controle total. Comparados a ela, o Imperador e a Rainha, perdidos em seus jogos de poder mútuo, pareciam ridículos.
De fato, devido às medidas severas de Solana contra a nobreza imperial, metade da facção do Imperador enfrentava a falência.
A Rainha chegara a organizar um grande banquete para dançar com Solana, declarando publicamente seu favor e reconhecimento.
Embora a Rainha oferecesse o título de Duquesa como recompensa, isso não era o que Solana desejava.
Ao cair da noite, sob uma melodia nostálgica, Solana pousou a mão na palma de Ían e recebeu o anel de noivado de gema rosa, símbolo de amor eterno.
A cerimônia, descrita como a mais romântica do século, chegava ao fim.
Entretanto, por trás da alegria, escondia-se um segredo — muitos perderiam a vida naquela noite.
A Rainha ergueu sua taça com elegância, seguida pelo Imperador e por todos os presentes.
Pessoas diferentes, vinhos diferentes.
O leal Andre já havia preparado tudo.
Ían conduziu Solana pelos caminhos do palácio, discutindo detalhes do futuro casamento.
O vento gélido do inverno dissipou o último vestígio de sorte da linhagem real Aslan.
Subitamente, Solana enlaçou os ombros de Ían e beijou-o profundamente. Conforme o efeito da poção agia, o rosto dele corou e seu olhar tornou-se turvo.
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Em meio ao banquete de risos e iguarias, os amantes deixaram o público e retiraram-se para o espaço privado de Ían dentro do palácio.
Enquanto os convidados ainda festejavam, eles já estavam sobre o leito macio.
Nesse momento, Ciel deixou o local da festa em um estado quase autômato.
Seus olhos sem brilho pareciam ter perdido a vida; como o primeiro alvo controlado pela magia negra de Solana, o colar de rubi em seu pescoço nunca fora removido e jamais poderia ser.
Ciel caminhou lentamente em direção aos aposentos do Príncipe, parando diante das portas cerradas.
— Solana, me perdoe. — Ao ouvir o pedido de desculpas de Ían, Solana estremeceu levemente. A dor aguda em seu corpo tornou-se uma dormência, e uma lágrima dele caiu em seu pescoço.
A cintura fina era apertada por mãos largas; Solana arquejou, inclinando a cabeça para receber seus beijos.
Ao fim do ato, Solana fechou os olhos, reprimindo o grito na garganta, e perguntou contida: — Por que está pedindo perdão?
— Nós ainda não tivemos nosso casamento. — Os fios dourados de Ían caíram enquanto ele se inclinava para beijar a clavícula dela.
Solana fitou aqueles olhos azuis com aversão, cravando as unhas na carne dos ombros dele; a dor abaixo dela a fez soltar um gemido baixo.
Ao ver o olhar de êxtase turvo de Ían, ela mordeu o pescoço dele com força, deixando marcas profundas.
Tarde da noite, Ían caiu em sono profundo abraçado a ela. Solana abriu seus olhos dourados e, com um gesto, fez as marcas em seu corpo desaparecerem — ao menos na superfície. Suportando a exaustão, vestiu-se e saiu.
Ciel a observava com apatia. Solana acenou diante dela, e a garota começou a se despir, entrando nos lençóis para abraçar o Ían adormecido. Ele a empurrou no sono; a fragrância estranha o fez franzir o cenho.
O cansaço dos preparativos do noivado o exaurira. Ele se enrolou na coberta macia e sonhou com a infância.
Naquela época, não importava o quanto tentasse agradar seus pais, nada funcionava. A solidão ressurgiu, a mesma que sentira até encontrar Solana em um banquete.
"Ela com certeza me entende", pensou o Ían adormecido.
Solana retornou ao salão do banquete com um sorriso, mas encontrou o caos.
Metade dos convidados estava no chão, com sangue jorrando de suas bocas.
A Rainha estava confusa: por que seus próprios seguidores também estavam morrendo? O acordo era eliminar apenas os partidários do Imperador.
De repente, um gosto metálico subiu à garganta da Rainha; ela também cuspiu sangue negro. O Imperador assistia a tudo chocado.
Nesse instante, Solana correu até a Rainha com o rosto banhado em lágrimas fingidas, gritando: — Rápido! Chamem os médicos! A Rainha foi envenenada!
A Rainha agarrou o colarinho de Solana, encarando-a com incredulidade, enquanto o Imperador se levantava com os olhos trêmulos.
Como se tudo estivesse meticulosamente coreografado, na manhã seguinte veio a notícia: a Rainha falecera.
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Todas as evidências apontavam o Imperador como o mentor; a Igreja acusou-o de crueldade e anunciou punição severa, alegando que a Deusa chorara lágrimas de sangue.
Ao mesmo tempo, o Príncipe foi flagrado na cama com Ciel. Solana rompeu o noivado, anunciando uma separação bombástica.
Diante do desespero da família real, Solana optou por "perdoar" o Príncipe e deu apoio total à sua ascensão ao trono.
Diante do povo, ela defendeu-o com coragem.
O gesto rendeu-lhe aclamação popular; alguns até clamavam para que ela fosse a Imperatriz.
No entanto, Solana recusou títulos, pedindo que as recompensas fossem dadas aos plebeus.
Ela propôs que plebeus aprendessem magia, ganhando uma legião de fiéis seguidores.
Sob sua pressão, Ían assinou um decreto abolindo o status dos dois duques e seus poderes militares e econômicos; os marqueses perderam a maioria de seus privilégios. A classe nobre perdia sua influência.
Ela permanecia entre as fileiras de condes, observando Ciel — agora sob seu controle total — segurando o braço de Ían enquanto caminhavam à frente.
Ían parecia mais magro. Após o choque inicial, ele buscara explicações de Solana, apenas para ser forçado por magia a assinar os selos reais. Restava-lhe apenas suportar e esperar por uma chance de reviravolta.
Ele enviou o próprio pai ao cadafalso. O velho Imperador olhou para o filho; Ían, sob a coroa, tinha o rosto mergulhado em confusão. O Imperador gritou: — Há uma pintura de quem eu amo na Torre dos Magos. Pelo bem do nosso passado, deixe que ela seja enterrada comigo.
Dito isso, seu olhar final pousou em Solana. Ela tinha uma expressão fria e um leve sorriso no rosto.
Com a ordem executada, o Império entrou em uma nova era.
O olhar de ódio de Ían perfurou Solana.
Ela retribuiu o olhar com triunfo; aqueles olhos azuis estavam muito mais interessantes agora.
Com a poeira baixada, a Cidade Baixa conheceu um novo mundo.
Solana iniciou planos de reconstrução, encorajando a agricultura e a criação de vinícolas.
Ela entrou no palácio carregando um vinho tinto recém-fermentado.
O casamento de Ciel e Ían estava marcado para o início da primavera, dali a três meses.
O inverno se fora para a Cidade Baixa, mas o palácio parecia ainda sob o gelo. Criados removiam a neve restante, e ninguém ousava impedir Solana de entrar naquele lugar silencioso.
A aura de Ían mudara; a suavidade de outrora fora substituída por uma indiferença fria, tornando-o cada vez mais parecido com sua falecida mãe.
Embora o rosto lembrasse o pai, seu temperamento agora era o reflexo da Rainha.
— Saudações ao Sol do Império, Vossa Majestade. Peço perdão pela visita súbita, mas este vinho é tão bom que precisei vir compartilhar. A Senhorita Ciel também parece gostar.
Ciel surgiu como uma sombra atrás de Solana, com olhos vazios.
Solana acariciou o cabelo dela gentilmente e então encarou Ían.
O ar estava pesado com uma mistura de aversão, frieza e dor.
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Ían parou de escrever; a pedra mágica em sua mesa perdeu o brilho.
Ele baixou o olhar, sentindo o poder nas pontas dos dedos: o último trunfo que seu pai lhe deixara.
Solana puxou Ciel para sentar-se no sofá coberto de documentos, a maioria já revisada e anotada por ela.
Ían sentou-se à frente delas. Em dois meses, qualquer traço de inocência nele desaparecera.
— Planeja me aprisionar? — Solana perguntou, inclinando a cabeça e jogando os relatórios na mesa. — Tenho gente minha na Torre dos Magos. Esse círculo mágico é bom, mas não se sabe quem ele realmente prenderá.
Ela sorriu e virou uma taça de vinho.
Com a liberação de seu imenso poder mágico, seus olhos brilharam.
Ían cerrou os punhos; não podia ser acorrentado ali.
Um brilho de determinação cruzou seus olhos azuis e um círculo mágico complexo surgiu sob seus pés. Em um flash de luz, ele desapareceu.
Solana, calma, serviu-se da segunda taça.
Ela tocou o sino. Uma criada apareceu rapidamente, tremendo.
Aos olhos da criada, Solana, em sua camisa branca simples e calças largas, com joias nos punhos e uma aura poderosa, parecia a verdadeira soberana.
— O Imperador desapareceu. O que devemos fazer? — Com um gesto de Solana, as portas se fecharam.
A criada caiu de joelhos: — Eu não sei de nada!
— Silêncio — ordenou Solana.
Ela agachou-se diante da criada, erguendo o queixo dela: — Então você será o Imperador.
A criada tremia em confusão.
— Abra a boca — sorriu Solana. A criada obedeceu. Solana mordeu o próprio dedo, deixando o sangue cair na boca da mulher e pressionou o topo de sua cabeça.
Com um grito abafado, o corpo da criada mudou drasticamente — ossos cresceram, a voz engrossou, até que ela se tornou a cópia exata de Ían.
— Agora você obedece apenas a mim — disse Solana, levantando-se. — Coloquei uma restrição em você; qualquer informação que eu não queira, você não poderá falar ou escrever, nem mesmo na morte.
Solana retirou-se.
Ciel ajudou o falso "Ían" a se levantar.
Deixando o vinho inacabado na mesa, Solana sorriu friamente: quem diria que aqueles que serviam ao Imperador e à Rainha agora estavam todos, secretamente, do lado do Príncipe.
Que ridículo.
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