"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 5
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Capítulo 5: O Convite
Na mansão silenciosa, Solana caminhava sozinha, avançando do portão principal em direção ao escritório; cada centímetro daquele espaço agora lhe pertencia.
Com o auxílio de magos, o segundo andar, antes devorado pelas chamas, recuperara rapidamente sua aparência original.
No depósito, montanhas de moedas de ouro e diamantes cintilantes aguardavam. Folheando os pesados livros de contabilidade, ela percebeu que a liquidação de tamanha fortuna levaria, no mínimo, um mês.
Solana acariciava a pena de sua caneta decorada. A tinta não tinha o odor fétido das versões baratas, apenas um leve toque de almíscar camuflado por fragrâncias florais, lembrando o cheiro de livros antigos umedecidos pela chuva.
Para a Solana de agora, possuir dinheiro era tão natural quanto respirar.
Ela controlava vastas minas, era cercada por inúmeros servos e desfrutava da proteção do Império.
O antigo mordomo perecera no incêndio, sendo substituído por seu filho, Andre.
Ele era tão rígido quanto o pai, porém mais jovem e com rudimentos de magia. No entanto, sua origem plebeia limitara suas chances de aprofundar os estudos mágicos.
— Condessa Solana, a Viscondessa Rubi e o Barão Matheus solicitam audiência — anunciou uma voz.
Solana pousou o registro de relações interpessoais; já esperava por aqueles dois. Aos seus olhos, os outros nobres da família Weissman não passavam de inúteis viciados em prazeres.
Posicionada no topo da escadaria, ela observou os visitantes com uma postura elegante e superior, saudando-os com um sorriso: — Há quanto tempo, tia Rubi e primo Matheus.
Rubi vestia um vestido vermelho justo que realçava suas curvas sinuosas. Ela ascendera de plebeia a viscondessa graças à sua beleza vibrante e ambição desmedida. Solana verificara seus registros: casara-se três vezes, e cada matrimônio fora um degrau em sua escalada social.
O Barão Matheus, por sua vez, era seu eterno pretendente; um jovem de dezesseis anos obcecado por uma mulher de trinta, um caso raro de devoção cega.
— Condessa Solana, no fundo, somos farinha do mesmo saco — disse Rubi, com um olhar tão sedutor quanto uma rosa vermelha. Seus cabelos ondulados cor de vinho exalavam uma aura de nobreza embriagante.
— Viscondessa Rubi, você é indelicada — respondeu Solana friamente. Andre prontamente bloqueou o passo de Rubi, que tentava subir as escadas.
— Vossa Excelência, Condessa Solana, peço perdão pela minha falta de modos — Rubi inclinou-se levemente, expondo deliberadamente o colo, mas Andre a encarava de forma impassível, com seus olhos verdes carregados de advertência.
Seus cabelos verde-escuros estavam presos de forma simples por uma fita, as mãos atrás das costas, e o brasão dos Weissman no peito ostentava uma rara gema rosa, simbolizando o prestígio da família no mercado de joias do Império.
A família Weissman era o cofre da facção da Rainha, detentora de um poder financeiro absoluto.
O convite para a conferência ministerial havia chegado; Solana partiria para o palácio imperial depois de amanhã.
Rubi fitava os olhos de Andre com um semblante de injustiça fingida. Matheus, incapaz de ver Rubi sendo "maltratada", deu um passo à frente e retirou do peito um mapa das veias mineiras.
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— Exigimos a divisão da herança. Aqui estão as assinaturas de outros parentes. Você nem sequer é uma Weissman de sangue! Levaremos isso ao Império e faremos você ser expulsa desta família!
A arrogância juvenil e a ambição do rapaz estavam expostas, revelando uma imaturidade gritante.
Eles claramente não percebiam que a mansão estava repleta de espiões da Rainha. Vir ali de forma tão ostensiva era uma falta total de discernimento. Uma divisão da família Weissman enfraqueceria o poder financeiro da Rainha, algo que ela jamais permitiria.
— Andre, acompanhe-os até a saída. Estou cansada — disse Solana em tom gélido, virando-se para entrar em seu aposento.
Ela sabia que aqueles dois jamais chegariam vivos em casa.
Andre expulsou-os sem piedade. Ele removeu seu anel de esmeralda que emitia uma luz peculiar, trocou as luvas, jogou-as fora e recolocou o anel. A magia contida naquela joia fora suficiente para manipular os movimentos dos dois, fazendo-os serem arremessados para fora da propriedade com facilidade.
Do lado de fora, os servos tentaram amparar os dois nobres, mas receberam bofetadas em troca. Toda a fúria foi descarregada naqueles que eram ainda mais fracos.
Andre lançou-lhes um olhar de asco antes de se retirar. Matheus rugiu de ódio, arrancando o próprio casaco e jogando-o para o alto.
Solana observava tudo da janela, com um sorriso de escárnio. Aqueles nobres que se vangloriavam de sua elegância eram, na verdade, patéticos.
Seu olhar cruzou com o de Andre, que permanecia ereto entre a multidão; os olhos de esmeralda dele estavam anestesiados e analíticos.
Solana retribuiu o olhar sem temor, com as pálpebras semicerradas. Seus olhos de ouro pálido, sob a luz fraca, pareciam parte de uma pintura antiga.
Andre tinha que admitir a beleza de Solana, mas também suspeitava que aquele incêndio não fora um acidente. Aquela garota era, definitivamente, fora do comum.
A jovem à janela parecia uma musa em uma tela de óleo. Andre fez uma breve reverência e retirou-se.
Solana voltou à sua poltrona no escritório, mergulhando novamente nos registros históricos da família. Ela tocou a sineta e Andre subiu rapidamente, com os cabelos levemente desalinhados.
Ela ergueu o olhar brevemente, apontando para a lareira: — Coloque mais velas, está muito escuro.
Dito isso, voltou a focar nos livros, preparando-se para a conferência ministerial de depois de amanhã.
Andre assentiu, trouxe a iluminação e permaneceu de guarda à porta.
Solana passou a noite inteira memorizando as figuras importantes descritas nos livros. As experiências recentes de cada um estavam detalhadas ali, provando que Dom Diego não fora apenas um nobre tolo focado em romances.
Ele espalhara inúmeros informantes e, agora, toda essa rede estava nas mãos de Solana, pronta para ser usada.
Para sua surpresa, até a camareira pessoal que acompanhara a Rainha por anos era uma espiã de Diego. Não era de admirar que ele sempre soubesse de tudo antecipadamente.
Andre vigiou a porta a noite toda, sendo chamado três ou quatro vezes para repor as velas.
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— Aqueles dois morreram.
Observando o rosto levemente pálido de Andre, Solana assentiu e ordenou suavemente: — Vá descansar. Contrate novos servos para essas tarefas triviais.
Andre apenas assentiu. Ele não se importava com a identidade ou o caráter de Solana. Talvez seu destino já estivesse selado para ser como o de seu pai. Desde que fora expulso da Torre dos Magos, ele aceitara sua sorte.
A vida de um plebeu era cheia de restrições: não podiam estudar magia de alto nível, não recebiam tratamento da Santa, não podiam falar alto e nem exibir a pele livremente. Restava apenas a dormência e a aceitação do destino final.
Solana escolheu um vestido rosa pálido de cintura ajustada e mangas estreitas, acompanhado por uma gola de pele de raposa branca. Sem rendas excessivas ou babados, o conjunto era simples e sereno.
Antigamente, seus vestidos eram escolhidos por Diego e Liliana, mas aquilo servia mais para moldar uma imagem de fragilidade diante de Diego do que para satisfazer seu gosto pessoal.
Ninguém conhecia sua verdadeira face, o que a fazia desacreditar na sinceridade alheia; Kauan nunca amara a verdadeira Solana.
Ao chegar ao palácio imperial, Solana foi conduzida por uma criada aos salões laterais. Ao passar pelo pavilhão de vidro do jardim, captou um olhar específico.
Ao olhar de lado, viu o Príncipe Herdeiro tomando chá e conversando com alguns amigos nobres. As sobremesas na mesa indicavam que o encontro já durava algum tempo.
Diferente da opulência forçada dos banquetes, as vestimentas ali eram mais casuais. Aqueles jovens certamente acompanhavam seus pais, carregando seus próprios objetivos familiares.
Solana fez uma breve reverência, levantando levemente a saia com elegância, mantendo a postura baixa que o ambiente vigiado pela Rainha exigia.
Ficou claro que seu convite era para um horário posterior; antes de sua chegada, aquelas pessoas já haviam iniciado uma celebração antecipada.
O Príncipe levantou-se, achando Solana ainda mais deslumbrante naquela vestimenta. Na verdade, ele não gostava do estilo antigo dela, com decotes muito baixos e saias pesadas que pareciam desconfortáveis.
Entre a multidão, alguns mostravam fascínio, outros, desprezo. Havia ali não apenas membros da facção da Rainha, mas também nobres da facção do Imperador que organizaram seu próprio encontro.
Naquele momento, o foco estava todo na família Weissman. A facção do Imperador via ali uma chance de ouro: eliminando os Weissman, tomariam a dianteira financeira. A facção da Rainha, embora descontente, não ousava agir; a reunião convocada pela soberana certamente trataria disso.
Solana percebeu um traço de relutância nos olhos de Ían. Sem entender o motivo daquela expressão, ela manteve o sorriso e seguiu a criada para o local da reunião.
O Príncipe mergulhou em pensamentos. Ele não ignorava a complexa situação aristocrática. Ele organizara aquele chá matinal justamente para observar as movimentações das duas facções.
Ele não compreendia por que seus pais lutavam tanto; Ían não desejava o conflito, mas o Velho Duque que o apoiava encontrara-se com ele secretamente na confeitaria Yano, revelando a gravidade da situação.
Se não se preparasse, sua própria mãe poderia realmente tentar eliminá-lo.
Ele fechou os olhos, exausto. Sabia que não podia morrer agora, pois acabara de ficar noivo de Solana. Os preparativos para o banquete de noivado estavam a todo vapor, e ele não permitiria imprevistos.
Seus olhos azuis tornaram-se sombrios. Percebendo o mau humor de Ían, os outros convidados tiveram o bom senso de não incomodá-lo. Embora se chamassem de amigos, todos gravitavam em torno do poder dele.
De repente, Ían pareceu lembrar-se de algo e levantou-se.
— Divirtam-se. Eu volto logo — disse ele antes de partir.
Com a saída dele, as conversas tornaram-se dispersas e as pessoas relaxaram, revelando suas verdadeiras faces.
Toc, toc, toc.
A criada bateu suavemente à porta. De dentro, veio a voz da Rainha: — Entre.
A porta abriu-se e Solana entrou com passos comedidos.
Ao ver a única cadeira vaga adornada com uma gema rosa, ela saudou um a um os presentes à mesa e sentou-se naturalmente.
À sua frente, estava um homem de postura lânguida e vestes casuais, com o peito levemente à mostra.
Naquela sala, exceto por ela e pela Rainha, não havia outras mulheres; eram todos homens.
Na facção do Imperador, o equivalente ao seu status era um conde, também um grande minerador, mas de minas de ouro. E naquela facção oposta, exceto por ele e pelo Imperador, todos eram mulheres — incluindo a única cavaleira do Império.
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