"O Príncipe e a Vilã: Um Jogo de Sedução e Poder" Capítulo 4
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Capítulo 4: O Príncipe Ían
O Príncipe Ían estava diante dela, erguendo a mão com elegância em um convite silencioso.
Solana repousou sua mão sobre a dele com delicadeza. Ela reprimiu o descontentamento que fervia em seu interior e sorriu, fixando o olhar naqueles profundos olhos azuis.
O olhar de Ían era terno, e um sorriso quase imperceptível pairava em seus lábios, mas, para ela, cada detalhe dele era repugnante.
Seus passos de dança eram fluidos e refinados, executados com uma cortesia impecável.
"Com certeza já dançou com inúmeras mulheres. Que nojo," pensou ela.
A música era melódica e envolvente.
Mas parecia um desperdício ser dedicada a ele.
— Senhorita Solana, feliz décimo oitavo aniversário — disse ele. Sua voz era grave, parecendo suprimir deliberadamente o tom juvenil de um adolescente, soando um tanto ingênua.
Entre giros e o toque firme em sua cintura, os dois exibiam uma sincronia perfeita. Suas aparências se harmonizavam de tal forma que pareciam um casal de jovens saídos de uma pintura a óleo.
— É uma honra receber as bênçãos de Vossa Alteza Real — respondeu ela com um elogio distante. Se realmente quisesse seduzi-lo, teria falado com muito mais fervor e sinceridade.
Ían não respondeu; ele apenas se deixou envolver pela fragrância de rosas e pela profundidade dourada dos olhos de Solana.
Solana jamais saberia que, em cada banquete onde ela estivera presente, os olhos de Ían a seguiam. Ninguém imaginava que o soberano Príncipe Herdeiro do Império pudesse nutrir um amor secreto por alguém.
No entanto, a Rainha percebia tudo com clareza. Para ela, transformar Solana em Princesa Consorte era o plano perfeito.
Uma filha adotiva de um conde, vinda da plebe.
O Príncipe ainda era jovem demais.
A Rainha fazia seus cálculos: isso não apenas a aproximaria do filho e ganharia sua gratidão, mas também limitaria a expansão das alianças políticas dele. O caminho para o seu domínio absoluto estava cada vez mais livre.
Observando os dois dançando no centro do salão, a Rainha soltou uma risada triunfante.
— Vamos todos, juntem-se a eles! — convidou ela com entusiasmo.
Quando a música terminou, os convidados invadiram a pista, e Solana e Ían se retiraram.
Kauan encarava os olhos do pai com incredulidade; olhos que nunca haviam refletido a sua existência.
Ninguém se importava com ele, exceto sua irmã, Solana.
Ele sentiu uma vontade desesperada de se aproximar dela, mas recuou, intimidado pelo olhar severo de Diego.
Com o coração traspassado pela dor, ele deu as costas, agarrou uma garrafa de vinho e saiu. Sua partida repentina causou espanto em todos, inclusive na Rainha.
Solana franziu a testa observando-o partir, cheia de incompreensão. "Ele tem coragem para abandonar o salão, mas não tem coragem para dizer uma única palavra?"
Ela apertou os punhos até que as unhas ferissem a palma da mão; a dor aguda a mantinha lúcida.
Erguendo o olhar, viu a Rainha brindar como se nada tivesse acontecido. Solana pegou uma taça da bandeja de um criado e retribuiu o brinde.
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Ían permanecia ao lado de Solana, olhando para a mãe com gratidão. Ele não esperava que o "presente" de que ela falara fosse este; aquele era o dia mais feliz de sua vida.
O jovem de dezessete anos lutava para conter a agitação interna de um amor puro e ardente.
Cabelos dourados, olhos azul-claros... ele parecia uma divindade descendendo à terra, mas Solana jamais acreditou em deuses.
Se divindades existissem, os primeiros a serem protegidos seriam os camponeses que trabalhavam arduamente na Cidade Baixa, e não a nobreza e a realeza que viviam no desperdício.
Os clérigos da Igreja nem sequer se davam ao trabalho de enganar o povo da Cidade Baixa, enquanto a classe baixa da Cidade Alta acreditava piamente na Deusa enquanto desprezava os miseráveis, agindo como se não fossem, eles mesmos, meros servos.
Solana respirou fundo, observando os nobres imersos na dança. A alegria e a liberdade deles eram construídas sobre o sofrimento dos escravos da Cidade Baixa.
A Rainha e Dom Diego posicionaram-se lado a lado e anunciaram solenemente o noivado entre Solana e o Príncipe Herdeiro.
Um clamor de surpresa percorreu o salão. Liliana e Solana trocaram olhares, transmitindo uma mensagem silenciosa.
O olhar da mãe dizia a Solana: o plano continua.
O noivado fora selado, mas isso não mudaria o destino final da família Weissman.
Entretanto, Solana já tinha uma nova estratégia em mente; ela pretendia arrastar mais nobres, e até a própria realeza, para o abismo.
Ela virou o rosto para Ían com um sorriso, apenas para descobrir que ele não parara de observá-la.
Aqueles olhos... eram verdadeiramente detestáveis.
Dom Diego abençoou Solana, confirmando seu status nobre, e em seguida retirou-se com Liliana.
A Rainha e o Príncipe decidiram pernoitar na mansão. A presença de guardas, cavaleiros e magos do lado de fora trouxe uma pontada de preocupação a Solana; ela não tinha certeza se o plano de sua mãe teria sucesso diante de tal segurança.
Solana foi convidada por Ían para tomar chá no jardim de rosas. No caminho, depararam-se com a Rainha nos braços de um amante. A audácia dela era espantosa, levando seus favoritos para todos os lugares.
Ao notar o rosto desconhecido, Solana percebeu que a Rainha já trocara de amante novamente.
E os anteriores, sem exceção, haviam desaparecido sem deixar rastros.
Solana forçou um sorriso e fez uma reverência profunda; aquilo era um aviso silencioso da Rainha.
A Rainha acenou com desdém: — Vá encontrar meu filho, ele já está impaciente, hummm~
Dito isso, ela arrastou o amante apressadamente, com uma luxúria evidente no olhar.
Solana sentiu uma onda de náusea subir pelo peito e apressou o passo para longe dali.
Ao avistar Ían sentado serenamente no jardim de rosas, ela respirou fundo, buscando o frescor daquele ambiente.
O jardim fora construído por Diego para Liliana; dentro da estufa, rosas de todas as cores floresciam em uma exibição magnífica.
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— Senhorita Solana! — Ían levantou-se apressado para puxar a cadeira para ela.
— Obrigada, Vossa Alteza — agradeceu Solana. Ían sorriu ao servir o chá: — Experimente este chá de rosas. Adicionei mel, espero que seja do seu agrado.
Chá de rosas com mel... tal combinação seria motivo de chacota entre as damas da nobreza.
— É uma ideia única — disse Solana após um pequeno gole. — O sabor é excelente.
Ían sorriu abertamente, revelando dentes brancos enquanto uma brisa suave soprava.
"Como pode haver vento em uma estufa fechada?" Solana estranhou, mas pensou que talvez fosse apenas o seu nervosismo devido ao plano da mãe.
Ela provou o chá novamente. De fato, estava bom; o mel mascarava o amargor das rosas. Ela não era fã de doces, mas felizmente ele não exagerara na dose.
Ían, por outro lado, parecia adorar. Ele acrescentou mais uma colherada generosa de mel em sua própria xícara.
— Ah, eu sou apaixonado por doces — explicou Ían ao notar o olhar de Solana.
Solana sorriu de volta: — Então Vossa Alteza deveria experimentar as sobremesas da Yano.
Ían reagiu como se tivesse encontrado uma alma gêmea: — Você conhece a Yano? Eu costumo ir lá escondido. Acho o trabalho dela muito superior ao dos confeiteiros reais.
Solana apenas sorriu em silêncio. Um Príncipe Herdeiro revelando suas fraquezas de forma tão honesta diante dela... ele era genuinamente tolo ou verdadeiramente sincero?
Ela não conseguia compreender.
Vendo que ela não dizia nada, Ían corou levemente, recostou-se na cadeira e piscou os olhos: — Assim que meu baile de dezoito anos passar, você será minha princesa. Está feliz?
Solana, pega de surpresa pela pergunta direta, hesitou por um segundo antes de responder: — Sinto-me profundamente honrada.
A resposta causou uma leve decepção em Ían. Ele sentiu um conflito interno, mas acabou guardando para si, consolando-se: "Afinal, acabamos de nos conhecer, com o tempo as coisas vão melhorar."
— Em alguns dias, acompanhe-me para escolhermos os trajes. Na próxima semana, o jovem mestre da família do Duque se casará; iremos juntos para que você possa conhecer meus amigos.
O sorriso dele irritava Solana; era puro demais, beirando o insuportável.
— FOGO! — Um grito rasgou o silêncio da noite.
— O Conde e a Condessa estão lá dentro! — alguém gritou em desespero.
— E o jovem mestre também! — outra voz acrescentou.
O caos se instalou instantaneamente do lado de fora.
Dentro da estufa, os dois haviam conversado até tarde da noite, e ninguém ousara interrompê-los.
Ao saírem, depararam-se com os corpos do Conde, da Condessa e de Kauan envoltos em lençóis brancos, estendidos no chão.
Solana forçou uma expressão de choque, mas seus olhos já estavam marejados e seu corpo vacilou, como se fosse desmaiar. Ían a amparou a tempo.
As lágrimas transbordaram e ela começou a soluçar violentamente, lembrando-se de seu pai biológico.
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Anos de humilhação e fúria foram descarregados naquele momento. Em pensamento, ela repetia: "Mãe, finalmente nos vingamos! Finalmente!"
A dor reprimida por tanto tempo encontrou uma saída.
Seu sofrimento parecia tão real que ninguém ousou duvidar da sinceridade da única herdeira sobrevivente.
Toda a fortuna da família Weissman agora pertencia a ela.
Graças à intervenção rápida dos magos, os corpos foram preservados.
A Rainha ainda estava em seus aposentos, indiferente à confusão externa.
O fogo começara em uma cortina próxima a uma vela, e o óleo capilar da Condessa servira como combustível.
Os cavaleiros concluíram que o casal estava tão imerso um no outro que não percebeu as chamas até que fosse tarde demais.
Incidentes assim eram comuns, e as pessoas não questionaram muito.
No silêncio da madrugada, Solana entrou furtivamente no quarto de Kauan e pegou o bilhete sobre a mesa, que dizia: "Encontre-me no segundo andar da ala leste."
Ela respirou fundo. Tudo fora o plano de sua mãe, uma estratégia preparada por dez anos para tomar a fortuna e se vingar.
Sua mãe dissera que usaria o dinheiro para ajudar as crianças da Cidade Baixa.
Mas Solana tinha uma ideia muito mais radical.
O que Solana jamais saberia é que Kauan nunca leu aquele bilhete.
Ele havia bebido e, por conta própria, fora confrontar o pai com uma faca.
Diante do incêndio na ala leste, ele teve a chance de fugir.
Mas ele viu Liliana, que segurava Diego com todas as forças para impedi-lo de escapar, desmaiar primeiro. Quando Diego tentou se levantar para fugir, Kauan o empurrou de volta, escondeu a faca em um vaso e pereceu no fogo junto com ele.
As chamas consumiram tudo, enterrando os segredos para sempre.
Sob a proteção de Ían, Solana assumiu formalmente o controle da mansão.
Os parentes distantes permaneciam em silêncio, mas Solana percebia em seus olhares que eles não desistiriam tão facilmente.
Na igreja, o funeral era conduzido com solenidade pelo clérigo, enquanto os presentes permaneciam em silêncio absoluto.
Solana vestia preto, exibindo uma dignidade austera. Ían estava ao seu lado o tempo todo, e a Rainha também compareceu para prestar homenagens.
A Rainha não se importava com a morte do Conde.
Mas ela sabia que precisava manter as aparências para seus aliados, mostrando-se leal e compassiva.
Ela até usou a ocasião para espalhar entre sua facção que a união entre o Príncipe e Solana era um prêmio pela lealdade histórica da família Weissman.
No entanto, o noivado já estabelecido causou descontentamento entre alguns nobres da facção da Rainha, que questionavam por que suas próprias filhas não foram escolhidas.
Diante das pressões, a Rainha não respondeu diretamente, limitando-se a dizer: — Conquistem por conta própria.
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