"Sob o Olhar do Capitão" Capítulo 4
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Capítulo 4: Ora, ora! Ele é o Capitão da Polícia
Alice foi transferida para o departamento forense da Delegacia de Polícia da Zona de Desenvolvimento.
Ela alugou um apartamento em um condomínio não muito longe da delegacia.
O imóvel já estava mobiliado, então ela dirigiu diretamente para lá.
No caminho, recebeu uma ligação da mãe, que a instruiu a manter uma rotina regular, comer bem e não se sobrecarregar.
Após garantir várias vezes à mãe que ficaria bem, ela desligou o telefone.
Sobre o divórcio, ela teria que esperar um momento em que a mãe estivesse de bom humor para contar.
O apartamento alugado tinha apenas duas unidades por andar e o ambiente era agradável.
Parada na varanda, ela conseguia ver o prédio administrativo da Polícia Civil.
Ela cerrou o punho e deu a si mesma um incentivo silencioso em seu coração.
Alice, uma nova vida começou. Vamos lá!
Sem o incômodo de pessoas e assuntos tóxicos, Alice dormiu excepcionalmente bem naquela noite.
Ao acordar pela manhã, ela vestiu um conjunto profissional e elegante: uma camisa branca combinada com uma saia lápis preta.
Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e fez uma maquiagem leve.
Após se apresentar ao departamento forense, o diretor da unidade, Seu Jorge, a levou até a sala da equipe de investigação.
— Pessoal, quero apresentar a vocês a nova chefe do grupo forense, Alice.
Na sala, o som de digitação e as discussões sobre casos pararam instantaneamente.
Mais de dez pares de olhos se voltaram para ela ao mesmo tempo.
Diante da análise de todos, Alice cumprimentou de forma brilhante e generosa:
— Olá a todos, sou Alice. De agora em diante, participarei de todas as perícias de campo e exames necroscópicos da nossa unidade. Conto com a colaboração de vocês.
Assim que terminou de falar, uma salva de palmas calorosa ecoou pela sala.
— Bem-vinda, doutora Alice!
— A doutora é mais bonita que as atrizes de cinema!
Alguns investigadores mais jovens ficaram hipnotizados ao vê-la.
Alice era alta, de traços marcantes e tinha aquela pele alva natural que se destacava. Sua estrutura óssea era belíssima; parada ali, ela irradiava magnetismo.
Alice curvou levemente os lábios em um sorriso:
— Obrigada pelos elogios.
Os membros da equipe levantaram-se um a um para se apresentarem a ela.
— Onde está o chefe de vocês? — perguntou Seu Jorge.
— O chefe foi até a sala do delegado seccional — Felipe, apelidado de Lipe, mal terminou de falar e uma figura alta e imponente cruzou a porta.
O homem vestia o uniforme policial perfeitamente passado, sem um único vinco. O cinturão tático ajustado à cintura, a calça de corte reto moldando suas pernas longas e o quepe sobre a cabeça. Seus olhos eram gélidos, o nariz altivo e a linha da mandíbula severa.
Todo o seu corpo exalava uma retidão impossível de ignorar.
— O chefe voltou! — Lipe deu alguns passos rápidos até o homem e o apresentou com entusiasmo: — Chefe, chegou uma nova legista deslumbrante no departamento forense.
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Ricardo varreu o olhar na direção de Alice.
Alice o analisava de cima a baixo, e os olhares dos dois se chocaram de forma inesperada.
Ao ver que o olhar do homem era frio e afiado, Alice curvou os lábios em um sorriso quase imperceptível.
Ela realmente não esperava que o ex-noivo de Camila fosse justamente o capitão da sua nova unidade de trabalho.
Camila sempre enfatizava que ele era pobre e inútil; Alice achou que ele fosse alguém sem perspectivas.
Para se tornar capitão sendo tão jovem, ele devia ter competência de sobra.
E, vestindo aquele uniforme, ele parecia incrivelmente sexy e autoritário.
Por que a garganta dela ficou subitamente seca?
Ricardo olhou para Alice e, ao notar um leve movimento na garganta dela, sua expressão tornou-se ainda mais severa.
— Doutora Alice, este é o nosso chefe, Capitão Ricardo — apresentou Lipe.
Alice caminhou até Ricardo e estendeu a mão com um sorriso:
— Prazer em conhecê-lo, Capitão.
Ricardo estendeu a mão e retribuiu o aperto:
— Bem-vinda.
Seu rosto estava apático, e seu olhar não demonstrava nenhuma emoção, como se nunca tivesse visto Alice antes.
Observando aquela postura rígida e hipocritamente séria dele, Alice sentiu vontade de rir por dentro.
Finge ser tão certinho, mas não foi ele quem estava ofegando em cima dela?
Após um breve aperto de mão, Ricardo fez menção de soltá-la, mas a mulher segurou sua mão com firmeza.
Ele lançou um olhar sombrio e profundo para ela.
Alice arqueou as sobrancelhas discretamente, com um brilho provocante nos olhos.
O rosto de Ricardo endureceu ainda mais.
Ele puxou a mão com força. No momento em que ela soltou, a ponta de seu dedo indicador roçou a palma da mão dele, de forma quase imperceptível.
Foi como se uma pequena corrente elétrica tivesse passado, causando um formigamento.
Ricardo disse com uma voz fria e cortante:
— Doutora Alice, espero que sua competência profissional esteja à altura. Não me decepcione.
Olhando para aquele rosto resoluto e impessoal que agia como se não a conhecesse, Alice sentiu uma vontade súbita de rasgar aquela máscara de autocontrole.
Aproveitando que ninguém estava prestando atenção, ela deu um passo em direção a Ricardo e disse, em um tom que apenas os dois pudessem ouvir:
— Naquela noite, na cama... eu decepcionei o Capitão?
Ricardo: — ...
Sem olhar para Alice novamente, ele deu passos largos e caminhou em direção ao seu escritório.
...
Alice voltou ao departamento forense para se familiarizar com a nova mesa de necropsia e os armários de reagentes.
Justo quando se preparava para começar o trabalho, sua assistente, Vitória, aproximou-se apressadamente:
— Doutora Alice, um pescador fisgou uma mala no Lago Azul, e dentro há um corpo em decomposição...
No subúrbio, no Lago Azul.
Quando Alice chegou, Ricardo e seus homens já estavam lá.
Mesmo a uma certa distância, Alice já sentia o cheiro fétido.
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Ricardo estava interrogando o pescador que encontrou a mala. Lipe e outros investigadores jovens estavam com as mãos no rosto, claramente incomodados com o odor insuportável que emanava da bagagem.
— Doutora Alice, o cheiro está muito forte mesmo. Você aguenta? — Lipe perguntou com preocupação.
Alice assentiu:
— Sem problemas.
Ela colocou os óculos de proteção e as luvas de látex.
A mala já havia sido colocada sobre uma lona impermeável. A tampa estava aberta, e o odor forte de putrefação misturado ao cheiro de peixe do lago atingia o rosto de qualquer um que se aproximasse.
Atrás de Alice, Vitória, que fazia os registros, não conseguiu evitar algumas ânsias de vômito.
Alice, porém, não mudou de expressão. Ela examinou o cadáver decomposto com foco e seriedade totais.
Ricardo lançou um olhar pelo canto do olho para Alice.
Totalmente diferente da mulher sedutora e provocante daquela noite, enquanto trabalhava, ela era séria, calma e completamente concentrada.
— Doutora Alice, com o corpo nesse estado de decomposição, é possível identificar a vítima? — perguntou Lipe.
Alice estava examinando os ossos do quadril.
— A vítima é do sexo feminino, idade entre 40 e 45 anos, altura entre 1,60m e 1,65m. O tempo de morte é de pelo menos um ano. A causa exata da morte só poderá ser determinada após exames mais detalhados na sala de necropsia.
Para atender à ocorrência, Ricardo já havia retirado o quepe e o paletó do uniforme. Ele enrolou as mangas da camisa azul-marinho, revelando antebraços fortes e definidos.
Após ouvir todo o depoimento do pescador, ele distribuiu as próximas tarefas de investigação com voz firme:
— Lipe, entre em contato com o departamento de hidrografia. Obtenha os dados do fluxo do lago e as variações do nível da água no último ano para analisarmos o momento e o local onde a mala foi descartada.
Em seguida, olhou para outro investigador, Gabriel:
— Biel, verifique as mulheres desaparecidas na cidade no último ano. Filtre as que batem com a idade e altura. Além disso, rastreie a origem desse modelo de mala.
Todos se ocuparam com suas tarefas.
À tarde.
Ricardo foi até a sala forense e olhou para Alice, que estava diante da mesa de necropsia:
— Já saiu o resultado da causa da morte?
Alice assentiu:
— Sim...
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