"O Beijo Amargo da Serpente: Minha Segunda Chance de Reinar" Capítulo 5
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Dante segurava o guarda-chuva para mim e perguntou confuso: "O raio atingiu o Mário, por que sua irmã é quem parece ter ficado louca?"
Eu respondi: "Quem sabe? Com essa chuva, acho que o treinamento físico que você planejou para mim hoje terá que ser cancelado."
Pensei um pouco e acrescentei: "Vamos mudar para um treinamento indoor."
Dante e Mário nunca se deram bem, então Dante não se importou com o estado do irmão; apenas ordenou que os médicos cuidassem daquela cobra chamuscada.
Soraia não saiu de perto de Mário, lançando-nos olhares vigilantes, como se temesse que fôssemos matá-lo naquele momento.
Mas ela estava enganada; exceto por nós duas, todos no clã achavam que seria melhor se Mário tivesse morrido ali mesmo.
Quanto a matá-lo secretamente, eu nunca considerei isso.
Quero ver a esperança ser estraçalhada diante dos olhos de Soraia.
Quero ver Mário descobrir que, mesmo com um talento superior ao de Dante, ele ainda será derrotado.
Eu ajudaria Dante a vencer o duelo familiar no ano seguinte.
Mas eu podia esperar; outros não.
Encorajado por Soraia, Mário, com seu novo poder despertado, propôs antecipar o grande torneio do clã.
Quando Dante me contou isso, sua expressão era de pura incompreensão.
"Mesmo que ele tenha despertado o talento, como poderia dominá-lo em apenas um mês? Se fosse daqui a um ano, talvez ele pudesse lutar comigo de igual para igual. Agora, isso é pura arrogância."
Toquei os músculos firmes de Dante.
"Com certeza, eles estão com pressa demais. Mas você ainda deve ser cuidadoso no palco."
Dante envolveu minha cintura com sua cauda e me puxou para seus braços.
"Não vamos falar deles. A noite é uma criança, vamos fazer algo mais produtivo."
Devido à insistência de Mário, o torneio foi realmente antecipado.
Senti até um pouco de pena, pois havia preparado uma série de planos de treinamento e várias cestas de ervas para Dante que agora não seriam usados.
No dia do torneio, o som dos tambores ecoava pelos céus.
Dante e Mário subiram ao palco simultaneamente. Mário deu tudo de si, e por um momento pareceu ter a vantagem graças ao seu novo talento.
Mas Dante, sob meus cuidados com a medicina chinesa, possuía um vigor físico superior ao de antes e logo encontrou a fraqueza de Mário.
Com uma chicotada de cauda, ele derrubou Mário do palco sem esforço.
Soraia, à minha frente, ficou boquiaberta, sem acreditar que a luta terminou tão rápido.
Afinal, na vida passada, Mário e Dante lutaram um dia inteiro antes de Mário conseguir matá-lo.
Mário tossia sangue no chão, encarando Dante com ressentimento: "Por quê? Por que eu nunca consigo te vencer, desde pequeno!"
Dante limpou a poeira de seu terno e olhou para a cobra branca no chão.
"Você teve pressa demais."
O olhar sombrio de Mário então recaiu sobre Soraia, que tremia de medo.
"Ora, Soraia... você queria me ver passar vergonha, não é?"
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Soraia balançava a cabeça, chorando desesperada.
"Não, eu não queria..."
Dante me abraçou e saímos.
Fiquei pensativa sobre o que fazer a seguir.
Mário não poderia ser poupado, mas eu não poderia agir contra ele dentro das regras da família.
9
Antes que eu pudesse arquitetar um plano perfeito, parece que Soraia apressou-se em dar novas ideias a Mário.
Ela estava mais ansiosa que ele; simplesmente não suportava me ver vivendo um pouco melhor do que ela.
Soraia vestiu-se com esmero antes de vir me encontrar.
Olhei para o colar de pedras preciosas pendurado em seu pescoço esquelético e fiquei sem palavras.
Ela continuava tentando se gabar: "Mário é tão bom para mim! Veja, este diamante enorme, ele arrematou em um leilão especialmente para mim há alguns dias."
"Ah, sim, ele também me comprou uma ilha paradisíaca. Maninha, você e o Dante estão livres? Que tal passarem uns dias na minha ilha?"
Bebi meu chá lentamente, escondendo o leve sorriso que surgia no canto da boca.
"Claro, adoraria."
Depois de insistir muito com Dante, ele finalmente concordou em me levar.
Seu hálito quente soprava em meu ouvido, mas meu coração permanecia gélido.
Toquei minha cintura, um pouco mais cheia hoje, e refleti se deveria continuar dando a Dante a poção para aumentar seu poder.
Embora encurtasse sua vida, com as habilidades dele, em seu tempo limitado, ele certamente levaria os Silveira ao posto de família número um do mundo, não?
A viagem para a ilha foi marcada para logo.
No iate, Soraia, estranhamente, serviu o chá para mim pessoalmente.
"Clarice, eu não fui uma boa irmã no passado, não me culpe. Depois desta viagem, vamos viver em harmonia como irmãs comuns, está bem?"
Bebi o chá diante dos olhos dela.
Dante, ao me ver beber, também tomou o dele obedientemente.
Sob os olhares tensos de Soraia e Mário, nós "desmaiamos" suavemente no convés.
Ouvi Soraia exclamar: "Conseguimos! Conseguimos!"
Ao chegarmos à ilha, Soraia veio me amarrar, enquanto Mário cuidava de Dante.
Ambos seguravam facas, parecendo decididos a nos torturar antes de nos matar.
No instante em que as lâminas desceram, Dante rompeu as cordas e, de quebra, soltou as minhas.
Mário questionou Soraia desesperado: "Você não disse que deu a droga de paralisia para eles?"
Soraia estava à beira das lágrimas.
"Eu não sei! Eu vi os dois bebendo!"
Soraia tentou me esfaquear, mas eu me esquivei, desarmei-a e a imobilizei no chão.
Ela ficou chocada novamente: "Como você sabe lutar?"
Do outro lado, Dante usou sua cauda de serpente para erguer Mário no ar, apertando-o com força.
O rosto pálido de Mário ficou vermelho pela asfixia. Retirei um frasco do bolso.
Era a pílula que eu queria ter dado a Mário na vida passada, mas cujos ingredientes nunca consegui reunir.
Joguei a pílula para Dante: "Dante, force-o a engolir e depois quebre a cauda dele."
Mário foi obrigado a engolir a pílula e me lançou um olhar feroz.
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Dante disparou duas pedras com os dedos, atingindo os olhos dele: "Quem te deu permissão para olhar para ela assim?"
Examinei a faca em minha mão e, com um sorriso, fiz cortes precisos nos pulsos de Soraia.
"Nada mal, esta faca é bem mais afiada que o grampo de prata que você usou em mim da última vez."
Soraia arregalou os olhos aterrorizada: "Você..."
Mas ela não teve tempo de dizer nada, pois desloquei sua mandíbula.
O vento começou a soprar forte ao redor da ilha, o céu mudou drasticamente e nuvens negras cobriram tudo.
Olhei para a paisagem e apontei para a árvore mais robusta no topo da montanha, em frente à vila.
"Dante, leve-os lá para cima e amarre-os naquela árvore. Com este tempo, os raios não devem demorar."
Soraia gemia de dor segurando o queixo, enquanto Mário permanecia em silêncio cobrindo os olhos.
Ambos me olharam.
Dei um sorriso gentil: "Há gente demais na Mansão Silveira, seria um problema lidar com seus corpos lá. Não imaginei que vocês mesmos escolheriam um lugar tão bonito para morrer. Fiquem tranquilos, Dante e eu viremos visitar o túmulo de vocês no futuro."
Soraia tentou me alcançar com seus pulsos sangrentos.
"Não... não..."
Afastei-me dela e suspirei com pesar: "Irmã, antes de ir, deixo um conselho: na próxima vida, foque em melhorar a si mesma. Não coloque todas as suas esperanças nas mãos de outros."
Assim que terminei de falar, o trovão ressoou. Em seguida, veio a chuva torrencial.
Sob meu comando, Dante assumiu sua forma de serpente e levou os dois para o topo da montanha.
Os raios caíram exatamente como eu desejava. Destruíram a árvore, derrubaram a casa e incendiaram a ilha.
Dante e eu partimos no iate, deixando para trás as chamas que consumiam tudo.
10
Dei à luz um ovo de serpente, e Dante passava o dia todo girando com ele nos braços.
Vivíamos como um casal verdadeiramente apaixonado, esperando juntos pelo nascimento de nosso filho.
Mas eu sabia: era tudo falso.
Era a poção que o fazia me amar. E se um dia o efeito passasse?
Ano após ano, continuei aplicando os remédios, fazendo-o me amar e incentivando-o a lutar pelo poder.
Finalmente, no ano em que nosso filho atingiu a maioridade, os Silveira tornaram-se o clã de transmorfos número um do mundo.
Então, decidi interromper as duas poções que usei por mais de vinte anos, planejando dar um fim a ele no dia em que acordasse totalmente lúcido.
Agora, meu domínio sobre a medicina era absoluto.
Preparei uma nova fórmula, capaz de matar um transmorfo instantaneamente.
No entanto, quando levei a tigela para Dante, ele, como sempre, segurou minha mão para que eu me sentasse em sua cauda e beliscou meu rosto sorrindo.
Só então pegou a tigela, intrigado: "Por que mudou o remédio? O cheiro está mais forte que o de costume."
Eu estava mais confusa que ele.
Se parei com as poções antigas, por que ele ainda me abraçava com tanta alegria?
O efeito não passou? Isso não estragaria a eficácia do veneno?
No instante em que ele ia beber, cobri sua boca com a mão.
O líquido amargo e quente molhou meus dedos.
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