"Divórcio Recusado: O General Beastman Perdeu a Memória" Capítulo 1
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Meu marido beastman perdeu a memória e esqueceu tudo o que vivemos.
Ele não conseguia acreditar que, sendo um beastman de nível S, tivesse se casado com uma simples humana.
Durante o período de internação, Hugo recusou todas as minhas visitas.
Assim que se recuperou, a primeira coisa que fez ao entrar em contato comigo foi pedir o divórcio.
"Sra. Sâmia, sinto muito, mas me casar com você deve ter sido uma decisão que tomei em um momento de total falta de clareza mental".
"Vamos escolher um horário para oficializarmos o nosso divórcio".
Ao ler aquela mensagem, não pude evitar um suspiro de alívio.
Ter um marido beastman tem seus lados bons, mas... ele era intenso demais todas as noites, eu mal conseguia aguentar.
Se eu for procurar um novo marido depois do divórcio, quero alguém bem menos feroz.
1
"Tudo bem".
Respondi à mensagem sobre o divórcio sem qualquer hesitação. Do outro lado, ele pareceu aliviado.
"Que ótimo, Sra. Sâmia. Agradeço pela sua cooperação. Todos os bens adquiridos durante o casamento serão seus. Se tiver qualquer problema no futuro, pode entrar em contato com meu assistente a qualquer momento para te ajudar".
Eu: "Combinado".
"Obrigado por concordar com o divórcio. Alguém entrará em contato com você em breve".
Eu: "Beleza".
Terminada a conversa, me joguei na cama toda feliz.
Peguei o cartão de salário do Hugo e comecei a conferir o saldo. Unidade, dezena, centena, mil...
Depois de cinco dígitos, ainda vinham mais quatro zeros. Não consegui conter um sorriso radiante.
Fiquei rica.
De qualquer ângulo que se olhasse, eu estava muito rica.
Como o beastman nível S mais prestigiado da Aliança, Hugo se tornou o general mais jovem do império logo após se formar, recebendo um dos salários mais altos da elite.
Em três anos de casados, ele não só me deu uma mansão, como também a encheu de bolsas de grife, e ainda sobrava todo esse dinheiro.
Comecei a rolar na cama, planejando como gastar aquela fortuna. Primeiro, venderia a mansão e as bolsas.
Com o dinheiro em mãos, iria para algum planetinha pacato procurar um beastman coelho ou um gatinho lindo, gentil e prendado para passar o resto da vida tranquilamente.
Só de pensar, eu já me sentia radiante.
Enquanto eu começava a pesquisar por planetas charmosos e baratos, meu telefone tocou.
Era o Lucas, e ele parecia desolado.
"...Sra. Sâmia. O Hugo ficou com o juízo afetado, mas a senhora não vai se divorciar dele de verdade, vai?".
2
Lucas é o assistente do Hugo.
Ele é um beastman tradicional que acredita que beastmans devem ficar com beastmans, especialmente alguém do nível S como o Hugo, que deveria ter tido uma união poderosa com uma linhagem perfeita.
Quando Hugo se apaixonou por mim à primeira vista, Lucas teve um colapso.
No nosso casamento, ele teve outro.
Agora que estamos nos divorciando, por algum motivo, ele parece estar à beira de um novo surto.
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Cutuquei minhas unhas e lembrei baixinho: "Não fui eu quem quis o divórcio. O próprio Hugo que pediu".
Lucas parecia estar se despedaçando: "Mas Sra. Sâmia, ele está com o cérebro avariado! Completamente avariado! Antes do casamento, eu o ajudei a escolher flores, carros e bolsas. No casamento, enfrentei a pressão daqueles velhos conservadores para organizar a cerimônia perfeita. Depois de casados, eu passava os dias conversando com ele sobre como te agradar... Agora que me tornei o maior fã de vocês dois, você me diz que vão se divorciar???".
"O que faço com todos esses anos de dedicação da minha juventude? O que eles valeram???".
Eu: "...".
Até eu senti uma pontada de culpa agora.
Massageei minha barriga e murmurei hesitante: "Bem, então, talvez...".
Lucas se animou: "Sra. Sâmia, no fundo você ainda ama o Hugo e não quer se separar, não é? Não se preocupe, deixe tudo comigo. Garanto que em menos de um mês farei ele se lembrar de tudo!".
Eu: "...".
Um mês.
Não seria tempo demais?
Enquanto Hugo esteve em coma, as marcas que ele deixou em meu corpo tinham acabado de sumir.
Minhas coxas ainda estavam um pouco doloridas ao caminhar.
Lucas continuava tentando me convencer: "Apenas um mês e vocês voltarão a ser aquele casal doce de antes. Por favor, aguente um pouco mais. Pense nos momentos românticos que tiveram, você tem coragem de abandonar o Hugo assim?".
Pressionei minha barriga.
De repente, lembrei de quando Hugo apertava minha cintura, pousando sua mão grande exatamente ali.
A voz dele ficava bem baixa quando ele ria: Você é tão obediente, bebê.
Senti um calafrio percorrer meu corpo. Sentei-me ereta de uma vez e disse com determinação: "Esqueça isso, Lucas. Nada forçado dá certo. Se o Hugo quer o divórcio, deve ser uma decisão bem pensada da parte dele. Por favor, organize tudo o mais rápido possível para assinarmos a papelada!".
Lucas: "...?".
3.
Após dizer aquilo, desliguei o telefone com firmeza, ignorando qualquer outra coisa que Lucas tivesse a dizer.
Eu e Hugo nos conhecemos em um encontro às cegas. Dizem que, antigamente, ele detestava a ideia de se casar.
Mas, como seu nível genético era excepcional, o Centro de Dados vivia no encalço dele todos os dias.
Cansado da insistência, ele finalmente perdeu a paciência, escreveu uma lista imensa de exigências e a jogou para o Centro, dizendo que, se não encontrassem alguém que preenchesse todos os requisitos, ele destruiria o lugar.
O resultado?
O Centro de Dados postou as exigências na Rede Estelar e, em apenas um segundo, houve um match perfeito comigo.
No dia do encontro, Hugo estava com uma cara péssima.
Mas, ao me ver pela primeira vez, ele disse: "Oi, querida".
Eu: "?"
E foi assim que me casei.
No começo, achei que tinha tirado a sorte grande.
Mas, dois dias após o casamento, me arrependi...
Porque Hugo era realmente feroz.
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E muito malvado.
Nas noites em que ele voltava para casa, mesmo que eu tentasse fugir chorando, ele me puxava de volta.
Ele me prendia em seus braços, rindo com malícia das minhas tentativas, e só parava quando eu desmaiava.
...
Mordi o lábio e comecei a revisar os detalhes do divórcio. Lucas enviou vários emojis de choro, mas depois ficou em silêncio.
Para ser sincera, eu confiava plenamente na competência dele. Ouvi dizer que sua forma original é a de um adorável vira-lata caramelo.
Ele é fofo, bonito e muito leal.
Quando Hugo quis ficar comigo, Lucas resolveu tudo com perfeição, apesar de seu colapso nervoso.
Agora que Hugo quer o divórcio, imagino que ele também cuidará de tudo impecavelmente.
Como esperado, após um tempo em silêncio, Lucas cumpriu seu dever e me enviou o horário e o local: três dias depois, à tarde, no Registro Civil.
Eu: "Recebido".
Com tudo decidido, meu coração se acalmou um pouco.
Mas, ao pensar no Hugo desmemoriado, não pude deixar de sentir preocupação.
As informações sobre o ferimento dele eram confidenciais; a Aliança bloqueou tudo rigidamente, então não vi nenhuma notícia na mídia.
Enquanto ele estava internado, também não permitiu que eu o visitasse.
Por isso, até ele receber alta, eu não sabia que tipo de ferimento ele teve ou se era grave.
Hesitei por um momento e não resisti a perguntar: "O Hugo... está bem?".
Lucas respondeu na hora: "Buááááá!".
"Sra. Sâmia!!! Eu sabia que você ainda amava o Hugo!".
Fiquei um pouco sem graça.
Com o divórcio batendo à porta, para que falar de amor?
Mas Lucas não se deixou abater pela minha frieza e enviou uma enxurrada de mensagens, incluindo fotos recentes do Hugo.
Nas imagens, ele parecia indiferente, com o rosto levemente pálido.
Lucas: "Sra. Sâmia, o ferimento dele foi realmente grave desta vez, senão ele não teria esquecido você. Agora as feridas externas cicatrizaram, mas ele ainda está fraco. O médico recomendou meses de repouso, mas ele se recusa a ouvir e insiste em voltar às missões. Quando a senhora o vir, por favor, tente convencê-lo a descansar".
Abri a foto.
Ao ver aquele semblante familiar demonstrando sinais de fragilidade, senti um aperto estranho no peito.
Não sabia em que posição estaria para aconselhá-lo, mas acabei aceitando o pedido de Lucas.
Afinal, além de ser meu marido, Hugo era um herói da Aliança. Por dever ou consideração, eu deveria pedir que ele cuidasse da saúde.
Os três dias passaram voando.
Pensando que talvez fosse nosso último encontro, fiz uma maquiagem completa e vesti um conjunto formal, querendo tratar o divórcio com a devida seriedade.
Mas, antes de sair, ao me olhar no espelho, lembranças desagradáveis surgiram na minha mente.
Ele me prensando contra o espelho, com a voz rouca: Querida, está tão linda assim para ver quem? Ah, é para me ver... Por que você é tão obediente, meu amor?
Estremeci violentamente.
No mesmo instante, tirei toda a maquiagem e coloquei um vestidinho branco qualquer.
Olhei-me novamente: rosto lavado, parecendo que peguei a primeira roupa que vi pela frente.
Totalmente informal.
Perfeito. Balancei a cabeça satisfeita, peguei o acordo de divórcio e saí de casa.
4
Por causa da confusão antes de sair, acabei me atrasando um pouco.
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