"Casei com o Irmão do Meu Ex" Capítulo 31
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— Bernardo, eu te dei inúmeras chances.
— Em cada uma delas, você escolheu a Valentina.
— Quando eu mais precisei de você, quando eu te entreguei meu coração sincero, quando eu fui mal interpretada e acusada por todos... você escolheu acreditar nela, protegê-la e ficar contra mim.
— Agora, eu não preciso mais de você.
— Meu coração também morreu.
— No momento em que você escolheu me abandonar repetidamente, ele já estava morto.
— Um afeto tardio vale menos que nada.
— Vá embora. Não venha mais.
— Entre nós, tudo já terminou faz tempo.
Ela disse cada palavra de forma clara e lenta, como se proferisse uma sentença final.
As mãos de Bernardo, que agarravam as pernas dela, foram perdendo a força e soltaram-se lentamente.
Ele permaneceu ajoelhado, com o rosto erguido e banhado em lágrimas, olhando para ela. Seu olhar passou do súplico frenético inicial para um desespero de cinzas mortas.
Ele sabia. Ele sabia de tudo.
Foi ele quem a perdeu com as próprias mãos. Foi ele quem a afastou vez após vez.
Foi ele quem transformou aquela garota, que só tinha olhos para ele, nesta mulher que agora o encarava como se fosse um completo estranho.
Leticia virou-se e não olhou mais para ele.
Suas costas demonstravam uma determinação absoluta, sem um traço de saudade.
Bernardo, ajoelhado no chão frio, observou aquela silhueta partir sem piedade, vendo a porta que levava ao mundo dela fechar-se lentamente diante de si.
Finalmente, ele desmoronou por completo.
Depois daquela noite, Bernardo pareceu realmente ter desaparecido. Ele não apareceu mais na mansão em frente à de Leticia, nem tentou qualquer contato.
Foi como uma gota d'água que evaporou no ar barulhento de São Paulo. A vida de Leticia parecia ter retornado totalmente à paz.
Até que, um mês depois, a Sra. Pietro ligou subitamente, com a voz carregada de um pânico incontido.
— Lê... o Bernardo... ele não está bem, você poderia... vir vê-lo?
Leticia segurou o telefone e silenciou por um instante.
— Eu e o Bernardo não temos mais nenhum vínculo — disse ela calmamente.
— Eu sei, eu sei... sei que o Bernardo foi um miserável com você... — A Sra. Pietro começou a chorar do outro lado da linha. — Mas Lê, eu te imploro... venha vê-lo, apenas uma vez, uma única vez... O médico disse que ele... disse que ele...
A Sra. Pietro não conseguia terminar a frase de tanto soluçar. Leticia acabou indo. Não por compaixão, mas talvez apenas para colocar um ponto final definitivo.
No quarto VIP do hospital particular de luxo, o cheiro de antisséptico e remédios era onipresente.
Bernardo estava deitado na cama, muito mais magro do que na última vez.
Suas bochechas estavam encovadas, seu rosto exibia uma palidez doentia e olheiras profundas marcavam seus olhos.
Apenas as pupilas brilharam levemente ao vê-la entrar, mas logo se apagaram.
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Ele vestia o pijama listrado do hospital e estava recostado na cabeceira, com um soro aplicado nas costas da mão.
Ao ver Leticia, tentou instintivamente sentar-se ereto, mas sentiu um incômodo e começou a tossir baixo.
— Não se mexa — Leticia o impediu, com tom monótono.
Ela parou a alguns passos de distância da cama, sem se aproximar mais.
A Sra. Pietro, com os olhos vermelhos, olhou para o filho e depois para Leticia, retirando-se em silêncio e fechando a porta. Restaram apenas os dois no quarto, tão silencioso que era possível ouvir o som das gotas do soro caindo.
— Você veio — Bernardo falou primeiro, com a voz rouca e seca.
— Sim — respondeu Leticia.
Bernardo olhou para os olhos dela, calmos e sem ondas, e aquela terra gelada em seu coração começou a doer de forma aguda.
— Eu estou bem — disse ele, e após uma pausa, acrescentou: — Problema antigo, o estômago não está bom, só preciso de repouso.
Leticia assentiu e não disse mais nada. Houve outro momento de silêncio.
— Você... — Bernardo a observava, engolindo em seco, parecendo fazer um esforço imenso para fazer a pergunta: — Com ele... você está bem?
Leticia sabia de quem ele estava falando.
— Muito bem — respondeu ela sem hesitar.
O último vestígio de luz nos olhos de Bernardo se extinguiu. Ele baixou a cabeça, olhando para a própria mão magra, e curvou os lábios tentando sorrir, mas a expressão era mais triste que um pranto.
— Que bom — sussurrou ele.
Houve outro silêncio sufocante.
— Bernardo, entre nós, o passado ficou para trás faz tempo.
— Eu sei — Bernardo não ergueu a cabeça, com a voz abafada.
— Então, não se torture mais, nem deixe sua mãe preocupada — o tom de Leticia continuava neutro. — Trate-se bem e siga sua vida.
Bernardo ergueu a cabeça bruscamente, olhando para ela com emoções intensas: dor, luta, inconformismo e, por fim, um desespero profundo.
— Siga sua vida... — ele repetia as palavras como se mastigasse um fruto amargo. — Sem você, como eu posso seguir minha vida?
— Leticia, eu tentei... eu realmente tentei... me mudei para longe, parei de buscar notícias suas, parei de te ver... eu trabalhava o dia todo, ia a eventos, me cansava até desabar de sono... mas nada adiantou...
— Basta eu fechar os olhos e você aparece. Sorrindo, chorando, brava, com os olhos brilhando ao me olhar... e, por fim, me olhando com aquele gelo e desprezo...
— Não consigo comer, não consigo dormir, tudo o que como eu vomito, e quando durmo tenho pesadelos... O médico diz que estou deprimido, que tenho tendências suicidas... ha... — ele riu de si mesmo, um riso amargo. — O que eles entendem? Eles não entendem... a sensação de que estar vivo é mais doloroso do que morrer...
— Leticia, aqui, — ele apontou para o próprio coração, e lágrimas rolaram sem aviso — está vazio. Desde o dia em que você partiu, ficou vazio. Ele não bate mais, ele morreu...
Leticia observava-o chorar em silêncio, vendo sua agonia. No entanto, em seu íntimo, havia apenas uma calma entorpecida. Sem compaixão, sem satisfação, nada. Era como observar as dores e alegrias de um estranho.
— Bernardo, — ela começou lentamente — você sabe? Quando eu estava com você, sentia que sempre tinha que olhar para cima. Eu me esforçava para ficar na ponta dos pés para te alcançar, mas você estava sempre no alto. Eu analisava minuciosamente seus gostos, mudava a mim mesma para te agradar, apenas para ganhar um olhar de aprovação ou um sorriso contido.
— Eu vivia exausta, de forma humilhante. Mas naquela época eu não percebia, achava que aquilo era amor.
— Com o Pietro, eu olho nos olhos. Eu posso ser eu mesma: posso chorar, fazer cena, ser arrogante ou ficar quieta. Não preciso fingir maturidade nem agir com cautela. O que ele ama é a Leticia real, com qualidades e defeitos, ele aceita tudo.
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