"Casei com o Irmão do Meu Ex" Capítulo 4
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"Você não vivia em pé de guerra com o Pietro?"
Bernardo perguntou, com a voz desprovida de emoção, mas Leticia sentiu um calafrio inexplicável.
"Por que agora... estão conversando com tanta frequência?"
Leticia desligou a tela do celular imediatamente e ergueu os olhos para ele.
"Isso não é da sua conta, cunhado."
Ela enfatizou bem as últimas duas palavras, carregadas de ironia e de uma clara intenção de estabelecer limites.
O coração de Bernardo estremeceu levemente.
Ao olhar para os olhos deslumbrantes de Leticia, agora repletos de frieza e distanciamento, ele sentiu uma estranha sensação de desconforto, como se algo estivesse fugindo do seu controle. No entanto, ele não disse nada; apenas baixou o olhar e se afastou.
Toda aquela cena foi observada de longe por Valentina. Pouco depois, após experimentar outro vestido, Valentina arrastou Leticia para dentro do provador para ajudá-la. Leticia não queria ir, mas a força de Valentina não era pequena; ela foi praticamente rebocada para dentro do espaço.
A cortina pesada caiu, isolando-as do mundo exterior. Ali estavam apenas Leticia, Valentina e uma jovem funcionária que organizava a cauda do vestido com a cabeça baixa. O sorriso terno de Valentina desapareceu num instante.
"Eu te trouxe aqui para ver o quanto o Bernardo me ama, para que você desistisse de vez. Não imaginei que, além de não desistir, você ainda teria coragem de seduzi-lo na minha frente."
Leticia sentiu nojo daquela mudança repentina de máscara. Ela curvou os lábios com desdém. "Valentina, você está com inveja porque sou bonita demais e acha que qualquer conversa minha é sedução? Ou será que você não tem confiança em si mesma ou no Bernardo?"
"Você!" Valentina ficou com o rosto desfigurado de raiva. O que ela mais odiava era ser comparada a Leticia fisicamente, já que sempre se considerou a mais elegante e adequada.
"Leticia, não se ache tanto! É de mim que o Bernardo gosta e é comigo que ele vai casar! Não importa o quanto você tente, não passa de uma palhaça!"
"É mesmo?" Leticia riu com escárnio. "Então por que está tão nervosa? Se ele te ama tanto, por que perder tempo tentando me provocar? Eu te digo uma coisa: eu não luto com você, não porque eu não possa vencer, mas porque acho isso sujo."
Valentina, incapaz de retrucar, começou a respirar com dificuldade. Ela fixou o olhar em Leticia com puro ódio e, de repente, sorriu. No segundo seguinte, ela se lançou violentamente contra o espelho ao lado!
O som do vidro estilhaçando foi agudo e ensurdecedor. Valentina caiu no chão com a testa sangrando, manchando o vestido de noiva. Ela começou a gritar de dor.
A porta do provador foi escancarada. Bernardo entrou e, ao ver a cena, empalideceu. "Valentina!"
Ele correu até ela e a amparou. "O que aconteceu?"
Valentina encostou-se no peito dele, pálida e com lágrimas caindo sem parar. "Bernardo, não culpe a Lê... a culpa é minha. Eu a chamei para escolher o vestido querendo a bênção dela... mas esqueci que ela ainda gosta de você. É compreensível que ela tenha me empurrado num momento de raiva..."
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Ela fechou os olhos, parecendo fraca demais para continuar falando de tanta dor. Bernardo ergueu o rosto e olhou para Leticia com um olhar gélido e afiado. "Leticia! Você enlouqueceu?!"
Leticia observou a cena — a atuação impecável de Valentina e a confiança cega de Bernardo — e sentiu seu coração se transformar num deserto de gelo.
"Eu não a empurrei", disse Leticia calmamente. "Se não acredita, pergunte à funcionária. Ela esteve aqui o tempo todo."
Ela apontou para a jovem funcionária, que estava paralisada de medo. Todos os olhares se voltaram para a garota. Tremendo, ela baixou a cabeça e disse com a voz quase inaudível: "Eu... eu vi a senhorita Leticia... empurrar a senhorita Valentina..."
As pupilas de Leticia se contraíram. Aquela pessoa havia sido comprada? Ou estava apavorada pela encenação de Valentina e pela presença intimidadora de Bernardo?
O rosto de Bernardo escureceu completamente. Seu olhar para Leticia era tão frio que parecia capaz de congelá-la. "Leticia, você ainda tem coragem de negar? Peça desculpas à sua irmã agora!"
Desculpas? Leticia olhou para os olhos que um dia a encantaram e que agora transbordavam desprezo. Ela começou a rir baixo, uma risada repleta de melancolia e sarcasmo.
"Bernardo, você não acredita em mim nem um pouco, não é?"
"As evidências estão aqui. Como quer que eu acredite em você? Leticia, assuma o erro! Peça desculpas!"
Leticia o encarou por um longo tempo. Então, limpou as lágrimas com força. "Tudo bem. Eu peço desculpas. Mas antes, preciso fazer com que o meu 'crime' seja real."
Sem dar tempo para reação, ela agarrou o braço de Valentina no chão e, com toda a sua força, a lançou novamente contra o outro espelho que ainda estava intacto!
O som dos estilhaços ecoou novamente. Valentina deu um grito agudo enquanto o sangue manchava ainda mais o vestido. Todos ficaram em choque. Bernardo ficou estático, sem conseguir acreditar no que via.
"Bernardo, olhe bem", Leticia apontou para Valentina ensanguentada no chão. "Isso sim foi um empurrão meu."
Então, ela se virou para Valentina e disse sem qualquer emoção: "Desculpe."
Sem olhar para mais ninguém, ela saiu da loja.
Capítulo 6
Bernardo olhou para as costas dela enquanto ela se afastava com determinação. Ele sentiu uma fúria misturada com uma irritação profunda e um pânico que nem ele mesmo entendia. Ele quis ir atrás dela, mas os gemidos de Valentina o trouxeram de volta à realidade. Ele lançou um olhar complexo na direção em que Leticia desaparecera, mas acabou carregando Valentina para fora em busca de socorro.
Leticia, ao sair da loja, não foi embora imediatamente. Sua mão havia sido cortada pelo vidro; o ferimento era profundo e a dor era lancinante. Ela foi ao hospital vizinho, onde levou sete pontos. Após as orientações médicas, ela pegou seus remédios e, ao sair do consultório, deu de cara com Bernardo.
Ele estava com o rosto péssimo. Ao vê-la, agarrou o pulso dela com força. "Você chegou na hora certa. A Valentina teve uma hemorragia por causa do seu empurrão e precisa de sangue. Vocês são irmãs e têm o mesmo tipo sanguíneo. Vá doar agora."
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"Eu não vou!"
"Leticia!" Bernardo rosnou, com o olhar gélido. "Você não tem escolha. Você deve isso a ela!"
"Eu devo a ela?" Leticia soltou-se bruscamente, com a voz alterada. "Bernardo, se não usa seus olhos, pode doá-los também! Eu já disse: ela se jogou! Ela me armou uma cilada! Eu prefiro morrer a dar meu sangue para ela!"
"Eu já disse que você não tem escolha!"
Bernardo não perdeu mais tempo e fez um sinal para dois seguranças. Eles avançaram e imobilizaram Leticia. "Bernardo! Seu miserável! Me solte! Isso é sequestro!" Leticia lutou desesperadamente, mas com a perna e a mão feridas, não era páreo para eles.
Ela foi arrastada à força para a sala de coleta. Bernardo a seguia, observando-a lutar e gritar, sentindo aquela pontada de desconforto no peito ficar ainda mais forte. Ele desviou o olhar.
No laboratório, Leticia foi forçada a se sentar. Quando a agulha perfurou sua veia, ela tremeu violentamente — não de dor, mas de uma humilhação e desespero avassaladores. Ver seu sangue fluindo para o tubo que alimentaria Valentina a fez sentir náuseas e um frio mortal. Foram coletados 400ml, o que a deixou exausta e sem vida.
Assim que terminou, os seguranças a soltaram. Leticia quase escorregou da cadeira, apoiando-se na parede fria para ficar de pé. Bernardo se aproximou, parecendo querer dizer algo ao vê-la tão fraca, mas apenas disse friamente: "De agora em diante, não machuque mais a Valentina. Siga sua vida."
Ele se virou e caminhou rapidamente em direção ao quarto de Valentina. Leticia, encostada na parede, começou a rir de forma rouca e amarga enquanto as lágrimas corriam. "Bernardo, esse é você... sempre ao lado dela, nunca acreditando em mim... sempre encontrando a forma mais cruel de me destruir."
Nos dias seguintes, Leticia ficou em casa se recuperando, até o dia do seu aniversário. Ela e Valentina faziam aniversário no mesmo dia, mas a festa sempre era apenas para a irmã. A celebração na mansão da família estava deslumbrante, com Valentina brilhando como um cisne branco no centro das atenções.
Leticia estava sentada num canto, com uma taça de champanhe, sentindo-se uma estranha. Seu celular vibrou: era uma transferência bancária de Pietro com um valor exorbitante e a nota: "Feliz aniversário, minha manquinha." Apesar das brigas, ele sempre se lembrava do aniversário dela.
Ela respondeu: "Valeu. Quer que eu dê algum recado para o seu grande amor?" Pietro respondeu instantaneamente: "Não precisa." Leticia insistiu: "Tem certeza? Afinal, hoje também é o aniversário dela."
O celular silenciou por alguns segundos antes de chegar um áudio. Pietro parecia furioso: "Leticia! Você é burra ou o quê?! Eu, caramba..."
Antes que o áudio terminasse, uma sombra parou diante dela. Era Bernardo, impecável em seu terno preto, segurando uma caixa de veludo azul.
"Feliz aniversário."
Leticia sentiu uma pontada no peito. Além de Pietro, Bernardo também costumava lembrar do seu aniversário, geralmente comprando algo para ela enquanto escolhia o presente de Valentina. Antigamente, ela ansiava por esse momento. Mas agora...
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"Não precisa", disse Leticia calmamente, desviando o olhar. "Obrigada, cunhado."
Bernardo travou com a caixa na mão. "Por que não? Você sempre adorou meus presentes."
"Isso era antes. Agora não gosto mais."
Antes que ele respondesse, Valentina se aproximou sorridente. "Bernardo, Lê, o que estão conversando?" Ela logo viu a caixa. "Ah, esse colar! Bernardo, como sabia que eu amava esse modelo? Mas você já não tinha me dado o seu presente?"
Bernardo ficou em silêncio por alguns segundos enquanto Leticia sentia a ferida em seu coração ser reaberta.
"Não tem problema dar dois", disse Bernardo, entregando a caixa para Valentina. "Se gostou, pode usar."
Leticia não quis mais ver aquilo. Foi ao banheiro e lavou o rosto com água fria. Quando estava saindo, Valentina entrou. Exibindo o colar de diamantes, ela sorriu vitoriosa. "O quê, não aguenta mais? Leticia, caia na real. Amanhã eu e o Bernardo vamos tirar as fotos de noivado e no fim do mês nos casamos. Fique longe dele. Caso contrário... não garanto que da próxima vez você terá sorte de apenas quebrar alguns ossos."
Leticia encarou-a. "Valentina, suas táticas são sempre as mesmas? Apenas armações e fingimento?"
"Não importa o que eu faço", riu Valentina. "O que importa é que o Bernardo acredita em mim e meus pais me amam. Você sempre será o barro sob meus pés."
Leticia sentiu um cansaço imenso. "Terminou? Então saia da frente."
De repente, a luz do banheiro diminuiu. Dois homens altos de terno entraram como fantasmas. Antes que Leticia ou Valentina pudessem gritar, sentiram uma dor aguda na nuca e tudo escureceu.
Leticia acordou amarrada à beira de um penhasco sobre o mar. Ao lado, Valentina tremia de medo. Um homem com um terno velho e uma faca sorriu sadicamente. "O Bernardo está chegando. Quero que ele sinta o que é a perda."
Bernardo chegou desesperado. "Solte-as! Eu te dou o que quiser!"
O homem riu. "Anos atrás, você destruiu minha empresa e minha família. Agora, escolha uma para viver e a outra morre. A noiva ou a garota que te perseguiu por anos?"
O vento soprava forte enquanto Leticia olhava para Bernardo. Ele parecia estar tomando a decisão mais difícil de sua vida. Finalmente, ele falou com voz clara e fria:
"Valentina."
Leticia fechou os olhos. Ela ouviu o riso maníaco do homem, o choro de Valentina e o grito de Bernardo para libertá-la. Então, Leticia foi empurrada para o abismo. Enquanto caía, ela pensou: quatro anos de amor transformados em ser a escolha descartada.
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