"Obcecado por Ela: Domando a Fera" Capítulo 5: Atormentando-a
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A luz matinal atravessava as finas cortinas do quarto de serviço ao lado da mansão da família Murilo, caindo suavemente sobre o rosto de Nina.
Ela acordou naquele quarto estranho e opressor e, ao abrir os olhos, lembrou-se imediatamente de sua situação atual de viver de favor, sentindo o coração cheio de desamparo e amargura.
Após uma higiene rápida, Nina ouviu Dona Helena chamando-a do lado de fora da mansão: "Nininha, venha para a casa principal, a comida já está pronta!".
Ela respondeu prontamente e saiu do quarto de serviço, seguindo Dona Helena até a sala de jantar da mansão.
Na sala de jantar, Murilo já estava sentado à mesa, bebendo café tranquilamente.
Ao ver Nina entrar, um sorriso de escárnio surgiu no canto de seus lábios: "Ora, parece que dormiu muito bem".
Nina manteve o olhar baixo e sentou-se em silêncio à mesa, ignorando a provocação.
O café da manhã era um banquete ocidental requintado, mas para Nina a comida não tinha sabor; seu coração estava repleto de ansiedade em relação à vida escolar que estava por vir.
Nesse momento, a mãe de Murilo entrou na sala e ele imediatamente assumiu uma postura entusiasmada, dizendo a Nina:
"Vamos juntos para a escola daqui a pouco, no meu carro".
Ele falava em tom leve, como se fizesse um convite amigável.
Ao ouvir isso, Dona Helena sorriu e disse: "Que bom que vocês dois estão se dando tão bem agora".
Murilo também exibia um sorriso no rosto, mas no instante em que sua mãe se virou, ele lançou um olhar gélido para Nina e sussurrou uma ameaça que apenas os dois podiam ouvir:
"Acha que vai conseguir proteção na escola através de mim? Não sonhe acordada. Vou mandar o motorista te deixar antes de chegarmos, não espere ter qualquer ligação comigo, entendeu?".
Nina mordeu o lábio inferior, fervendo de indignação por dentro, mas manteve um sorriso no rosto e respondeu:
"Isso seria ótimo, eu estava justamente preocupada por não saber o caminho".
**
Perto da escola, Nina desceu do carro antes de chegarem, conforme Murilo havia ordenado.
Ela caminhava de cabeça baixa e sozinha pelo caminho que levava ao colégio, enquanto grupos de alunos passavam por ela, apontando e zombando com expressões de desprezo.
Discussões em voz baixa e insultos ásperos entravam em seus ouvidos a todo momento:
"Vejam, é ela. O protesto de ontem no portão da escola foi por causa do projeto da família dela. Tanta gente morreu no desabamento da ponte, por que não acabaram com ela também!".
"Pois é, ouvi dizer que muitas famílias foram destruídas, e ela ainda tem a cara de pau de vir à escola como se nada tivesse acontecido".
Nina sentia o rosto arder de vergonha, enquanto apertava as alças da mochila com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
Ela apressou o passo, desejando ter asas nos pés para fugir o mais rápido possível daqueles olhares que a perseguiam.
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Dentro do carro, Murilo observava a cena pela janela com um sorriso discreto e um lampejo de prazer doentio nos olhos.
Para ele, os insultos e o desprezo dos colegas contra Nina eram como um espetáculo fascinante.
**
Na escola, durante a aula de educação física.
Nina tentava manter a discrição para não atrair atenção, porém, alguns rapazes decidiram provocá-la propositalmente.
Na quadra de basquete, um deles arremessou a bola com força em sua direção; Nina não conseguiu desviar a tempo e foi atingida no ombro, franzindo a testa de dor.
"Ei, não tem olhos?" gritou o rapaz em tom áspero, com o rosto cheio de desdém.
A fúria no coração de Nina explodiu instantaneamente e ela ergueu a cabeça, encarando o rapaz com raiva: "Claramente você me atingiu de propósito!".
O rapaz não esperava que Nina reagisse; ele deu um passo largo à frente com os olhos arregalados e disse ferozmente:
"O quê, a filha do corrupto ainda ousa retrucar? Veja bem quem você é antes de falar!".
Enquanto falava, ele estendeu a mão fazendo menção de empurrá-la.
Nesse exato momento, Lucas apareceu, colocando-se como um relâmpago à frente de Nina e encarando o rapaz com fúria:
"Que tipo de homem vocês são para intimidar uma garota? Não passem dos limites!".
Lucas vinha de uma família abastada que geria um grande negócio de materiais de construção; as duas famílias já haviam sido vizinhas e eram próximas no passado.
Ao verem que era Lucas, os rapazes recuaram um pouco, mas ainda não aceitavam desistir tão facilmente.
Um deles resmungou em voz baixa: "Hunf, só sabe bancar o herói. Quem sabe o quanto o pai dela realmente roubou".
Lucas, com um olhar penetrante, virou-se imediatamente para o rapaz e rebateu de forma incisiva:
"Se você é tão capaz, pare de cochichar pelas costas e apresente provas! Só saber falar mal dos outros por trás é algo desprezível".
————————————
Na aula de educação física, Lucas tomou a frente e protegeu Nina contra os rapazes mal-intencionados.
Seu olhar era firme, agindo como uma barreira sólida ao mantê-la em segurança atrás de si.
Embora relutantes, sob a intimidação de Lucas, os rapazes não tiveram escolha a não ser se retirarem de forma patética, resmungando insultos vazios enquanto se afastavam.
Debaixo de uma cesta de basquete ali perto, Murilo manuseava uma bola com apenas uma das mãos, examinando o pátio de forma despreocupada.
Ao presenciar a cena entre Lucas e Nina, ele arqueou levemente a sobrancelha e um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.
Murilo vestia uma regata esportiva folgada, revelando seus braços de músculos firmes; os fios de cabelo em sua testa estavam úmidos de suor, mas isso em nada diminuía sua nobreza inata.
— Hunf, o herói salvando a mocinha... que tédio.
Murilo resmungou baixinho e bateu a bola contra o chão com força; a bola quicou alto, produzindo um som abafado.
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Era como se ele estivesse extravasando uma irritação inexplicável naquele momento.
**
Do outro lado, Lucas virou-se e colocou as mãos suavemente sobre os ombros de Nina, com um olhar repleto de preocupação e carinho.
— Nina, você está mesmo bem? Se sentir qualquer desconforto, precisa me falar.
Aos olhos dele, nada no mundo era mais importante do que a segurança daquela garota.
Nina balançou levemente a cabeça e forçou um sorriso, tentando tranquilizá-lo: — Lucas, eu estou bem, de verdade. Graças a você hoje, senão eu nem saberia o que fazer.
A voz da jovem era suave, carregando gratidão, mas também o cansaço de quem já passou por muitas provações.
Lucas sentiu uma pontada de dor ao ver Nina fingindo estar calma.
Aquela garota, outrora alegre e extrovertida, agora estava sempre cercada por sombras, o que o deixava profundamente angustiado.
Ele prometeu a si mesmo que protegeria Nina ainda mais de agora em diante, não permitindo que ela sofresse qualquer outro dano.
— Por que tanta cerimônia comigo? Crescemos juntos, eu jamais suportaria ver você sendo maltratada. Se alguém voltar a te incomodar, me avise; eu não vou deixá-los em paz.
Lucas cerrou os punhos com uma determinação inquestionável em sua voz.
No entanto, Nina sabia que a família de Lucas sempre se opusera à relação deles e ela não queria que ele entrasse em problemas por causa dela.
— Lucas, não faça isso. Não quero que você brigue com sua família por minha causa. Além disso, estou tentando resolver meus próprios problemas. — Nina abaixou levemente a cabeça, com um lampejo de solidão nos olhos.
Lucas levantou delicadamente o rosto de Nina, fazendo-a olhar em seus olhos:
— Nina, não se importe com o que minha família diz, eu só sei que não posso te abandonar. Você não está sozinha, eu estarei sempre ao seu lado.
— Nina, mas você morando na casa dos Murilo... eu ainda fico preocupado. Aquele Murilo não parece confiável, tenho medo que ele te maltrate. Se você sofrer qualquer injustiça na casa dele, por favor, não esconda de mim.
O olhar de Lucas era firme e gentil, transmitindo a Nina uma força infinita.
Nina deu um suspiro baixo, com uma pontada de desamparo nos olhos:
— Lucas, eu sei que você se preocupa, mas no momento eu realmente não tenho outro lugar para ir. A família Murilo me deu um teto e permitiu que eu continuasse na escola, e os pais de Murilo têm sido bons para mim. Só posso ficar lá por enquanto e ver o que acontece.
Ela franziu levemente a testa, com um tom de amargura; as experiências desses dias na casa de Murilo e a incerteza sobre o futuro a deixavam sob grande pressão.
Lucas olhou para Nina com pena e disse: — Eu entendo, é que eu realmente não consigo ficar tranquilo. Tome muito cuidado na casa deles; se o Murilo ousar fazer qualquer coisa contra você, me conte imediatamente. Não importa como, eu vou te ajudar.
— Se você não estiver feliz morando lá, eu posso até implorar aos meus pais para ver se você pode morar na minha casa.
Lucas segurou a mão de Nina com firmeza, fazendo-a sentir seu apoio inabalável.
Ao longe, Murilo jogou a bola de lado e ela rolou para longe.
Ele colocou as mãos nos bolsos, observando Lucas e Nina com um olhar gélido, e soltou um murmúrio de desprezo: — Que teatrinho, que coisa mais "comovente".
Seus olhos azul-escuros estavam cheios de ironia, demonstrando total desdém pela cena à sua frente!
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