"A Fuga da Esposa Morta: O Desejo do CEO Obsessivo" Capítulo 5: O Silêncio da Desilusão
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Ondas de calor atingiam seu rosto.
Embora Lívia não pudesse enxergar, sentia a aproximação gradual de uma muralha de fogo.
Ela estendeu a mão freneticamente, tentando alcançar o homem à sua frente.
— Não! Bernardo, eu não consigo enxergar...
Mas sua mão agarrou apenas a barra de um paletó que passou como um vulto.
O som dos passos dele se afastando apressadamente parecia esmagar o seu coração.
Aquela promessa de que ele voltaria não passava, mais uma vez, de uma ilusão passageira.
Na verdade, Lívia já não esperava nada de Bernardo, mas confirmar, naquela escuridão e solidão, que ele realmente não voltaria para salvá-la, fez seu coração tremer de dor.
Ela soltou uma risada amarga e, com dificuldade, usou os cotovelos para arrastar o corpo, movendo-se centímetro a centímetro enquanto o sangue escorria de seus olhos feridos.
Ao cruzar a porta do terraço, a cegueira a fez errar o degrau. Ela rolou escada abaixo e, antes mesmo de atingir o chão, perdeu os sentidos.
Quando recuperou a consciência, havia uma faixa branca cobrindo seus olhos.
A dor aguda a fez soltar um gemido involuntário.
Ela levou a mão ao rosto para tocar o curativo, mas foi imediatamente contida.
— Livi, você acordou? Como se sente? Ainda dói? Quer que eu chame o médico?
Diante de tanta ansiedade e preocupação na voz de Bernardo, o coração de Lívia permaneceu gélido.
Ela puxou a mão com força, sua voz carregada de um asco reprimido:
— Saia daqui.
Bernardo hesitou por um segundo, o tom agora tingido de culpa.
— Livi, você está brava porque eu não te salvei primeiro? Deixe-me explicar... A Sthefany desmaiou de susto, a vida dela correu perigo naquele momento. Eu precisei tirá-la de lá primeiro, mas voltei correndo assim que a deixei em segurança. Quando cheguei, você já estava caída... Me perdoa, eu não sabia que seus olhos...
As palavras dele eram fervorosas, a voz embargada pelo choro. Mas Lívia não teve reação. Ela sabia a verdade: ele nunca voltou.
Ela engoliu em seco e assentiu com uma calma assustadora.
— Entendi. Estou cansada, saia.
Não havia gritos, nem cobranças, nem questionamentos. Mas aquela indiferença fez Bernardo sentir um vazio no peito.
O comportamento dela o deixava inexplicavelmente inquieto. Ele segurou a mão dela com força.
— Livi, não fique brava comigo, está bem? Eu já fiz aqueles que venderam os fogos defeituosos pagarem o preço. Eles nunca mais sairão da prisão. Nunca mais deixarei ninguém te machucar, inclusive eu mesmo. Foi tudo culpa minha, pode me punir como quiser.
Lívia sentiu vontade de rir. Ele já não a tinha machucado o suficiente? E sobre esse incidente... seriam os fogos realmente defeituosos ou quem os comprou tinha intenções sinistras?
Ele sabia perfeitamente a resposta, mas escolheu ignorar a verdade para proteger Sthefany.
Sendo assim, ela não tinha mais nada a dizer. Lívia afastou a mão dele lentamente e virou o rosto para o lado, afundando no travesseiro.
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— Quero dormir.
O vazio novamente em suas mãos fez o olhar de Bernardo escurecer. A impaciência começou a surgir em sua voz.
— Lívia, eu já me expliquei, o que mais você quer? Os culpados já estão presos. O que ainda te desagrada? Se você não gostou dessa solução, então me diga...
Antes que ele terminasse, Lívia sentou-se abruptamente, interrompendo-o com um grito que não conseguia mais conter:
— Tudo bem, eu te digo! A Sthefany é a verdadeira culpada. Quero que você a mande para a prisão também! Você tem coragem?!
O silêncio caiu sobre o quarto de hospital como uma mortalha.
Após um longo tempo, Lívia soltou uma risada de desprezo, percebendo que havia se humilhado mais uma vez.
Manchas vermelhas de sangue começaram a brotar na gaze que cobria seus olhos.
Bernardo franziu a testa, parecendo genuinamente confuso.
— Então é por isso que você está brava? Mas eu salvaria qualquer pessoa naquela situação. O que a Sthefany tem a ver com isso?
Lívia não tinha mais energia para discutir. Era inútil.
— Sim, eu fui mesquinha. Pode sair agora?
A atitude dela o deixou sem palavras. Todo o discurso que ele havia preparado ficou preso na garganta.
Olhando para aquele rosto pálido e para os olhos vendados, Bernardo sentiu uma estranha premonição, algo que ele não conseguia definir.
Ele tentou dizer algo mais, mas Lívia já havia se coberto com o lençol. Sem jeito, ele apenas ajeitou a coberta dela e suspirou antes de sair.
— Livi, descanse. Vou resolver algumas coisas no trabalho e volto para ficar com você.
Assim que o som da porta se fechando ecoou, o celular de Lívia tocou.
— Tudo será resolvido em uma semana. Quando chegar a hora, é bom que você suma imediatamente. Não tente nenhum truque comigo — disse a voz de Dona Beatriz.
Lívia sorriu levemente. — Não tentarei. Vou desaparecer de Jingbei como prometido, e nunca mais nos veremos.
Mal as palavras saíram de sua boca, a porta do quarto foi aberta abruptamente.
— O que quer dizer com "nunca mais nos veremos"?
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