"A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos" Capítulo 2
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Clarice sentiu-se como se tivesse sido atingida por um raio; suas pupilas encolheram bruscamente. "Você... o que você disse?"
"Eu disse que você é a outra, a terceira pessoa que se meteu entre nós", Paola endireitou o corpo e cruzou os braços, observando com calma o rosto de Clarice empalidecer instantaneamente. "Henrique e eu crescemos juntos, somos de famílias do mesmo nível e nossos pais arranjaram nosso noivado desde que éramos crianças. Ele me ama loucamente e só quer se casar comigo."
Ela fez uma pausa, e o sorriso em seu rosto carregou um toque de timidez e impotência.
"O único pequeno problema é que o Henrique... ele é dotado demais, o tamanho dele é muito grande e eu simplesmente não aguento. Tentamos muitas vezes e não funcionou. Então, eu disse a ele para encontrar alguém lá fora, alguém limpa e que fizesse o estilo dele, para que ele pudesse se aliviar e não ficasse frustrado."
"Portanto," ela se inclinou, encarando o rosto pálido de Clarice, enfatizando cada palavra: "Eu sou a noiva dele, e você... você é apenas a amante."
A mente de Clarice ficou em branco, como se tivesse caído em um buraco de gelo; até seu sangue parecia congelado.
"Não... é impossível..." Ela balançou a cabeça, recusando-se a acreditar. "Eu tenho a nossa certidão de casamento! Somos marido e mulher perante a lei!"
"Certidão de casamento?" Paola soltou uma risada de deboche, com o olhar cheio de piedade e escárnio. "Senhorita Clarice, você é realmente de uma ingenuidade adorável. Por que não pega essa sua suposta certidão e vai ao cartório conferir se, no sistema, você realmente consta como casada?"
"O Henrique não te contou a verdade apenas porque você serviu bem a ele nesses últimos anos; ele quis te deixar um último resto de dignidade. Você deveria ter a consciência de que é apenas uma ferramenta, cumprir o seu papel e satisfazer as necessidades dele. Não fique alimentando ilusões sobre coisas que não te pertencem, e muito menos... tente me provocar, que sou a oficial."
Terminado o que tinha a dizer, como se estivesse cansada daquele massacre unilateral, ela fez um sinal para os seguranças ao lado. "Chega, joguem ela fora. Não sujem o meu lugar."
Um segurança se aproximou e, como se arrastasse um animal morto, puxou Clarice para fora da mansão e a jogou na beira da estrada.
O portão de ferro se fechou pesadamente atrás dela.
Clarice ficou sentada no chão frio por muito tempo antes de conseguir se levantar com esforço. Cambaleando até o meio-fio, ela parou um táxi.
"Para... para o cartório!"
Ao chegar, Clarice usou o que restava de suas forças para caminhar até o balcão de atendimento.
Com as mãos trêmulas, ela tirou da bolsa aquela certidão de casamento vermelha e a entregou.
"Por favor... verifique meu estado civil."
A funcionária pegou o documento, olhou para ela, olhou para o papel e operou o computador por alguns instantes.
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Momentos depois, ela levantou a cabeça e olhou para Clarice com uma expressão estranha:
"Senhora, o sistema mostra que você é solteira. Esta certidão... é falsa!"
Clarice não soube como conseguiu sair do cartório. Apesar do sol forte, ela sentia um frio congelante.
Ela caminhava atordoada pela rua, com as lágrimas correndo descontroladamente. Em sua mente, passava um filme de seu primeiro encontro com Henrique.
Três anos atrás, Clarice tinha acabado de concluir seu mestrado e começado a residência no melhor hospital da cidade.
Naquele dia, saindo de um plantão noturno, ela estava tão exausta que não viu o sinal vermelho ao atravessar a rua e foi atropelada pelo Maybach dele.
Ele desceu para verificar seus ferimentos, e aquele rosto frio e elegante a deixou sem fôlego por um instante.
Depois disso, ele passou a aparecer com frequência, dizendo que queria se desculpar. Ele a levava para jantar, dava presentes, conversava com ela... e Clarice, que nunca tinha namorado, sentiu seu coração se entregar aos poucos.
Mais tarde, em uma noite em que ele a levava para casa, ele perguntou de repente antes que ela entrasse: "Quer ser minha namorada?"
O coração de Clarice falhou uma batida e ela assentiu, corando.
Foi a primeira noite em que oficializaram o relacionamento. Ele a acompanhou até a porta, mas não parecia querer ir embora.
Ele a puxou para o sofá e começou a beijá-la, um beijo profundo e urgente, enquanto suas mãos exploravam sob a blusa dela.
Assustada, Clarice o empurrou. Criada de forma rígida, ela tinha a convicção de que aquilo só deveria acontecer após o casamento.
"Desculpe..." ela disse com o rosto ardendo, em uma voz quase inaudível. "Eu acho que... precisamos nos casar primeiro."
Henrique olhou para ela em silêncio, com um olhar profundo e indecifrável. Após alguns segundos, ele assentiu: "Tudo bem."
Pouco tempo depois, ele a levou para tirar a certidão de casamento.
Olhando para a foto dos dois no caderninho vermelho e o carimbo oficial, Clarice sentia o coração transbordando de felicidade e segurança.
Ela pensou que ele devia amá-la muito e respeitá-la demais para lhe dar um compromisso tão rápido.
Na noite de núpcias, ele a possuiu com urgência. Naquela noite, insaciável, ele a levou à exaustão.
Dali em diante, sempre que ele voltava para casa, aquilo se tornava rotina.
Sexo todas as vezes, mas o amor nunca era mencionado.
Clarice pensava que era apenas o jeito dele. Ele era o CEO de um grande grupo, ocupado, estressado... era normal não querer ficar de mimos ao chegar em casa. O fato de ele querer passar aquele tempo íntimo com ela já era uma demonstração rara de afeto, ela pensava.
Mas, na verdade, tudo não passava de autoengano.
Ele não estava ocupado, apenas não pensava nela; Ele não era frio, apenas guardava toda a ternura para outra pessoa; Ele "casou" com ela apenas para ter um objeto de prazer limpo e conveniente.
Até a certidão era falsa, apenas para mantê-la ao seu lado por vontade própria!
Clarice andava pela rua movimentada, as lágrimas banhando seu rosto silenciosamente. O peito doía como se um pedaço tivesse sido arrancado, tirando seu fôlego.
Ela sempre fora a filha exemplar, ótima aluna, dedicada inteiramente aos estudos.
Henrique foi o primeiro homem que amou. Ela entregou todos os seus sentimentos e seu corpo sem reservas, apenas para receber em troca uma decepção e uma humilhação total!
Sem perceber quanto tempo caminhou, ela se viu diante da porta do hospital.
Quando ia se virar para sair, o diretor apareceu e seus olhos brilharam ao vê-la: "Clarice! Que bom te encontrar. Sobre aquela especialização no exterior, já decidiu? Eles estão pedindo a lista final."
O corpo de Clarice estremeceu. Ela levantou os olhos avermelhados.
Há meio mês, o diretor a procurara falando sobre uma vaga extremamente rara para estudar por dois anos na Clínica Mayo, nos Estados Unidos. O hospital achava que ela, por sua base sólida e grande potencial, era a candidata ideal.
Na época, ela ficou tentada. Após tantos anos de medicina, sempre quis aprimorar seus conhecimentos em uma plataforma de alto nível.
Mas dois anos significariam ficar longe de Henrique. Por medo de que isso afetasse o relacionamento, ela hesitou e não deu uma resposta definitiva.
Pensando agora, que ironia!
Seus sentimentos, seu casamento... tudo não passava de uma piada. O que mais restava para hesitar ou sentir falta?
"Diretor," Clarice ouviu sua própria voz, estranhamente calma. "Eu decidi. Eu vou."
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