"A Noiva Substituta do Magnata" Capítulo 23: Não se separe
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Capítulo 23: Não se separe
No quarto, Arthur olhou para o celular e franziu o cenho. Já passava das onze da noite; por que ela ainda não tinha voltado? Será que sua tática de "atrair para depois afastar" tinha sido exagerada e a assustado de vez?
Ele saiu e começou a abrir as portas dos cômodos, um por um. Como esperado, ao chegar ao quarto de hóspedes, percebeu que a porta estava trancada por dentro. Sabendo que Alice estava lá, ele bateu levemente.
— Alice, volte para o nosso quarto para dormir.
Alice acordou com a voz dele, mas ao lembrar da cena de mais cedo, não pôde evitar o rubor no rosto.
— Eu vou dormir no quarto de hóspedes hoje, não vou voltar!
— Tem certeza?
— Absoluta! — respondeu Alice, convicta.
Do lado de fora, Arthur arqueou as sobrancelhas. "Já que você não sai, então eu entro." Ele buscou a chave mestre e abriu a porta com facilidade.
Percebendo a movimentação, Alice acendeu a luz e deu de cara com Arthur encostado no batente, observando-a em silêncio.
— Como você entrou? — Ela tinha certeza de que havia trancado a porta.
Arthur balançou a chave na mão.
— Pela porta, oras.
Com naturalidade, ele deitou-se na cama com seu travesseiro. Alice imediatamente se arrastou para a beirada, mantendo distância.
— O que você está fazendo?
— Dormindo.
— Por que não vai dormir no seu quarto? O que veio fazer aqui?
— Dormir na mesma cama que você. Algum problema? Não esqueça que somos marido e mulher, legalmente.
— Quem é marido e mulher? Logo não teremos mais vínculo nenhum!
— Você acha que, sem a minha permissão, conseguirá se divorciar? — Arthur exibiu uma expressão provocadora.
Alice cobriu o rosto em desespero. Nunca imaginara que Arthur pudesse ter um lado tão audacioso e persuasivo. Sem alternativa, ela apagou a luz e deitou-se. Achou que fugindo para o quarto de hóspedes estaria segura, mas agora ele a perseguira até ali. Parecia que não teria uma noite de sono tranquila.
Ela suspirou mentalmente e tentou se afastar mais um pouco. No entanto, para cada centímetro que ela recuava, Arthur avançava outro, até que não houvesse mais espaço entre eles. Um par de braços fortes envolveu seus ombros, puxando-a para o peito dele.
Um pânico súbito tomou conta de Alice. Ela tentou resistir, mas Arthur a segurava com tanta firmeza que ela não conseguia se mover nem um milímetro.
— Arthur, o que você está fazendo?
Eles estavam tão próximos que podiam ouvir os batimentos cardíacos um do outro. Arthur enterrou o rosto na curva do pescoço dela e sussurrou, quase para si mesmo:
— Alice, não se separe de mim.
A respiração dela travou e seu coração saltou uma batida.
— O que você disse?
— Eu disse: não se divorcie de mim.
Arthur olhou diretamente nos olhos dela. Aqueles olhos brilhavam como uma galáxia, convidando-a a se perder sem chance de retorno. Alice desvencilhou-se do abraço, com um sorriso irônico nos lábios.
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— Por quê? Não me diga que você gosta de mim. — Ela achou a ideia absurda, quase cômica.
Arthur pegou a mão dela e a colocou sobre o seu peito, fazendo-a sentir o ritmo acelerado de seu coração.
— Você não está errada.
Alice ficou estática. Então... seus sentimentos anteriores não eram delírios? Ele realmente... gostava dela?
Pontas de dedos quentes roçaram seus lábios e, no segundo seguinte, Arthur a beijou. O beijo repentino foi como uma tempestade, arrebatador e intenso. Alice sentiu o corpo formigar sob o calor daquele contato, perdendo todas as forças para resistir.
Ela havia fantasiado mais de uma vez em ser a verdadeira amada de Arthur. Jamais imaginou que esse dia chegaria. Se aquilo fosse um sonho, preferia nunca mais acordar. Ela enlaçou os ombros dele, fechou os olhos e entregou-se totalmente.
A noite foi longa. A energia do homem parecia inesgotável; Alice sentia-se como um pequeno barco sendo lançado repetidamente pelas ondas gigantes, até que ambos ficaram exaustos.
Pela manhã.
Arthur observava o rosto sereno da garota dormindo ao seu lado. Ele se inclinou e deixou um beijo suave em sua testa. Alice se virou, abraçou a cintura dele e suas mãos tatearam seu abdômen de forma distraída.
— Não vai levantar? Já é quase meio-dia. — Havia um traço de riso na voz dele.
— O quê? Meu Deus! Estou atrasada para o trabalho!
— Por que o medo? O seu chefe não está bem aqui?
Alice despertou de vez, mas sentiu o corpo doer intensamente. Ela massageou os ombros e questionou Arthur:
— Arthur! Não diziam os boatos que você era indiferente às mulheres?
Ele arqueou as sobrancelhas, estreitando os olhos.
— Querida, você não sabe que não se deve acreditar em boatos? Além disso, quando se trata de você... parece que perco o controle.
Alice ficou boquiaberta.
— Como você me chamou?
— De "querida". Algum problema, minha esposa? — Ele fez questão de repetir.
Alice suspirou, cobrindo o rosto. Agora ela percebia que Arthur não era apenas audacioso; ele era um verdadeiro lobo.
Arthur a pegou no colo e ajudou-a a se vestir, peça por peça. Ao ver a cicatriz em seu ombro, Alice sentiu uma pontada de tristeza.
— É feia, não é? — perguntou ela, olhando para ele.
— O quê? — Arthur ficou confuso.
Alice apontou para a marca. Arthur entendeu e depositou um beijo suave sobre a cicatriz.
— Não é feia. Se faz parte de você, eu amo.
Alice sentiu um calafrio doce percorrer seu corpo. Ela pulou da cama e correu para o banheiro. Ao se olhar no espelho, viu marcas profundas de beijos em seu pescoço e soltou um grito:
— Arthur! Olha o que você fez!
Arthur encostou-se na porta, observando-a com diversão.
— O que houve?
Ela apontou para o próprio pescoço.
— Como eu vou sair de casa assim?
As marcas eram tão nítidas que seriam impossíveis de esconder. Sem saída, ela teve que vestir uma blusa de gola alta. Arthur a esperava na porta e, de mãos dadas, desceram as escadas.
Na sala, Dona Helena quase explodiu de alegria ao vê-los tão próximos e correu para ordenar que servissem o almoço. Alice, que não comia desde o dia anterior, estava faminta. Arthur não parava de colocar comida no prato dela, formando uma pequena montanha.
Os sogros mal tocavam na comida, apenas observavam os jovens com sorrisos radiantes. Apesar da gola alta, algumas marcas leves ainda eram visíveis, e o casal de idosos trocou olhares cúmplices. O Sr. Ricardo limpou a garganta com o jornal na mão, num tom fingidamente sério:
— Dizem que uma noite de núpcias vale ouro, mas... os jovens precisam aprender a ter moderação...
Dona Helena deu um tapinha no braço dele.
— Moderação por quê? Eu estou esperando meus netos! — Ela olhou para o casal à frente, radiante. — Não deem ouvidos ao seu pai, o que ele diz não conta.
Alice ficou vermelha como um pimentão, cobrindo o pescoço e lançando um olhar de reprovação para Arthur. Ele apenas deu de ombros, com a cara mais inocente do mundo.
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