"O Erro do Magnata: Uma Noite para Sempre" Capítulo 55: Quase um Mal-entendido
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As palavras de Jasmine deixaram Ricardo estático.
Aquele homem tão altivo parecia agora um bobo, quase duvidando dos próprios ouvidos.
— Você...
Seus lábios finos se abriram levemente e seu pomo de Adão oscilou. Veias saltaram no dorso de sua mão pálida enquanto ele segurava a mão dela com urgência, querendo ouvir aquela resposta mais uma vez.
Antes que ele pudesse realizar seu desejo, vozes surgiram subitamente na porta.
— A Jasmine deve estar neste quarto, não?
— Hein? Mas este é um quarto VIP privativo. Ela está internada aqui?
As vozes familiares de seus colegas ecoaram na mente de Jasmine, fazendo sua cabeça latejar como se fosse explodir.
Embora tivesse concordado em reatar com Ricardo, ela não estava pronta para contar a todos sobre eles de forma tão direta. Não queria se tornar o tópico de fofocas da empresa, nem ser tratada de forma diferente. Se possível, ela ainda queria conviver normalmente com seus colegas, como antes.
Pensando nisso, ela empurrou apressadamente o insistente Ricardo: — Rápido, esconda-se!
Ela mal conseguia mover aquele corpo alto e robusto, mas Ricardo levantou-se por conta própria, com o rosto cheio de interrogações.
— Por que eu tenho que me esconder?
— Eles não podem me ver aqui?
— Agora não.
— Está bem.
Ao ouvi-la dizer que era apenas "agora", Ricardo não discutiu. Jasmine, em pânico ao ver que os colegas estavam prestes a entrar, empurrou o digníssimo CEO da HS e o enfiou no estreito banheiro, amarrotando aquele terno artesanal caríssimo no processo.
Mal ela se sentou na cama, o grupo apareceu à porta. Ao verem Jasmine em trajes de hospital, todos entraram para visitá-la.
— Jasmine! Como você está?
Bianca foi a primeira a entrar, carregando sacolas cheias de suplementos e presentes. Jasmine suspirou ao ver tudo aquilo.
— Foi só um ferimento leve, você não precisava comprar tanto.
Bianca tinha acabado de se formar e não tinha muito dinheiro; Jasmine não queria aceitar presentes tão caros.
— Você me ajudou tanto daquela vez; se não fosse por você, eu certamente estaria desempregada agora.
Bianca segurou as mãos dela, examinando-a por toda parte. — Como você está? Soubemos que o carro capotou. Suas pernas estão bem?
— Já estou bem, não dói nada. Foi só um arranhão.
Ignorando os olhares apreensivos de todos, Jasmine levantou-se e deu duas voltas pelo quarto.
A Sra. Wang, assustada, prontamente a ajudou a voltar para a cama. — Descanse bem, não faça loucuras!
Em seguida, todos começaram a admirar o quarto luxuoso, impressionados.
— Uau, que chique! Tem até copa e banheiro privativo. Imagino quanto custa uma diária aqui.
— Esqueça, isso aqui não se compra apenas com dinheiro. Parece que são reservados para VIPs.
— Ouvi dizer que quem fica nesta ala são as figuras mais importantes de Pequim.
— Meu Deus, Jasmine, você por acaso é uma herdeira disfarçada vivendo uma experiência de vida comum?
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Jasmine sentiu um calafrio com os comentários e balançou a cabeça rapidamente.
— Não, não... — Ela tossiu levemente. — Lembram-se do Secretário Silas, que vocês conheceram? Ele é como um veterano para mim, ele quem conseguiu o quarto.
Para evitar que pensassem algo errado sobre ela e Silas, e para não criar problemas desnecessários (afinal, Ricardo certamente estava ouvindo tudo de dentro do banheiro), ela acrescentou rapidamente: — Nós temos um certo grau de parentesco distante.
Ao ouvir isso, todos entenderam.
— Ah, com razão!
— Com esse vínculo, faz sentido o Secretário Silas ter nos recebido tão bem naquele dia.
— Com o cargo dele, conseguir um quarto VIP não seria problema.
Os colegas ficaram satisfeitos com a explicação, e Jasmine finalmente relaxou.
Após conversarem por um tempo, Bianca pareceu um pouco sem jeito.
— É... eu preciso usar o banheiro. Minha barriga começou a doer de repente.
— Pode ir!
— Vá logo, vá logo!
Todos incentivaram Bianca, mas Jasmine sentiu o couro cabeludo formigar. Quando Bianca tentou abrir a porta do banheiro, percebeu que estava trancada.
Jasmine disse rapidamente: — A porta parece estar emperrada. Deve haver um banheiro social lá fora no corredor.
— Ah, entendi!
Bianca saiu correndo.
O problema foi que, após ela sair, os outros colegas se aproximaram da porta, querendo gentilmente chamar alguém para consertar.
— Jasmine, a diária aqui é tão cara, não dá para ficar com o banheiro quebrado. É muito inconveniente.
— É verdade, não podemos deixar esse desperdício. Vou procurar alguém da manutenção agora.
Jasmine estava quase chorando de gratidão pela prestatividade deles, mas precisava impedi-los. Ela segurou a roupa da Sra. Wang, baixando a cabeça, encabulada.
— Na verdade...
— Er... tem alguém no banheiro.
Os colegas se entreolharam e, ao verem o rosto dela corado e belo, alguém começou a brincar.
— Hum, acho que já sei quem é.
Lembrando-se do dia em que ela ficou bêbada e o Diretor Shen a levou para casa, todos "entenderam" imediatamente.
— Entendido, entendido! Não vamos mais ficar aqui servindo de vela.
— Se ficarmos mais tempo, o namorado da Jasmine vai ficar bravo.
Todos riram e saíram empurrando uns aos outros, achando que tinham descoberto o segredo. Logo, restou apenas Jasmine no quarto, confusa.
"Namorado? Será que adivinharam que é o Ricardo? Não pareceu..."
Enquanto ela ponderava, Ricardo saiu do banheiro com o rosto literalmente "verde" de irritação. Ele caminhou até a cama, pegou Jasmine no colo sem dizer uma palavra e a beijou intensamente.
Jasmine ficou tonta com o beijo e, com o rosto em brasas, conseguiu afastá-lo. Ricardo deixou-se afastar, com os lábios agora corados, mas logo a abraçou novamente.
— Jasmine.
— Quando é que você vai me dar um "status" oficial?
Jasmine surpreendeu-se com o pedido. Ela não se importava em casar com ele; ela só não queria tornar tudo público imediatamente, mas não era contra a união. Já que decidira ficar com ele, não hesitaria mais.
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Mas, vendo Ricardo "implorar" daquele jeito, ela sentiu que toda a frustração de ter sido intimidada por ele antes desapareceu.
Ela sorriu levemente.
— Depende do seu comportamento.
Os ferimentos de Jasmine não eram graves, e no dia seguinte ela recebeu alta e foi trabalhar. No meio do expediente, o Diretor Shen a chamou em particular para conversar em seu escritório.
Quando Jasmine se levantou, percebeu os olhares cúmplices e sorrisos maliciosos dos colegas. Ela suspirou; estava claro que eles tinham entendido tudo errado. Provavelmente achavam que o homem no banheiro do hospital era o Diretor Shen.
No escritório, Shen Si-rong pediu desculpas assim que a viu.
— Sinto muito. Eu deveria ter insistido em te levar para casa naquele dia.
Desde que soube do acidente, ele se arrependera amargamente de não ter sido mais firme. Como pôde confiar que Ricardo cuidaria dela? Mesmo sendo o pai da criança, em apenas um dia ele permitiu que ela se ferisse.
Jasmine olhou para a expressão ansiosa de Shen, um pouco perdida. Então, naquela noite, ele pretendia levá-la?
Ela balançou a cabeça: — Tudo bem, já estou recuperada. O acidente não teve nada a ver com a bebida. O senhor não precisa se culpar.
— Ricardo Holanda não é uma boa pessoa — disse Shen Si-rong. — Fique longe dele. Veja como ele te tratou no passado.
— Não se preocupe, ele não ousará fazer isso de novo. — Jasmine disse suavemente: — Nós reatamos.
Shen Si-rong parou de falar. Ele olhou nos olhos dela, medindo as palavras:
— Você tem certeza de que o conhece? Você deve ter ouvido o quão implacável ele é. Não quero separá-los, mas peço que considere mais uma vez.
Diante da pergunta, Jasmine percebeu que estava mais firme do que imaginava. Desde que recuperara as memórias, ela conhecia Ricardo profundamente. Não perdoar antes era, em parte, medo de que ele tivesse mudado e, em parte, ressentimento. Mas, ao vê-lo correr para salvá-la sem pensar na própria vida, o rancor se dissipou.
Desde pequena, ela desejava alguém que a amasse incondicionalmente. Ricardo provou que podia ser esse homem. Por isso, ela estava disposta a lhe dar uma chance.
Vendo a determinação dela, Shen Si-rong deu um último suspiro. Os ingressos de cinema sobre a mesa acabaram não sendo entregues.
Quando Jasmine saiu do escritório, os olhares dos colegas estavam quase "grudados" nela. Embora não ousassem brincar abertamente, as insinuações eram constantes. Ela suspirou e decidiu esclarecer as coisas de vez.
— Eu não tinha contado antes, mas na verdade já sou casada e tenho um filho.
O anúncio deixou a Sra. Wang e os outros em estado de choque.
— O quê?
Olhando para a aparência jovem e esguia de Jasmine, ninguém conseguia imaginar que ela já fosse mãe. Isso significava que ela e o Diretor Shen definitivamente não eram um casal. Todos ficaram atônitos.
Alguém não aguentou e perguntou: — Então, aquele no banheiro do hospital era...
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— Meu marido.
A revelação causou um alvoroço silencioso. Alguns sentiram pena por ela. Todos torciam por ela e pelo Diretor Shen porque achavam que formavam um par perfeito, e era óbvio que o Diretor tinha sentimentos por ela. Fora o jovem, bem-sucedido e belo Diretor Shen, eles não conseguiam imaginar quem mais mereceria que Jasmine se casasse tão jovem.
Agora que a empresa estava no centro da cidade, cercada por homens de elite, todos se perguntavam quem seria esse marido. Certamente não era o Secretário Silas, já que ela dissera serem parentes. Pelo fato de Jasmine ter mantido segredo por tanto tempo, muitos suspeitaram que o marido talvez fosse alguém "abaixo do nível" dela. Muitos lamentaram em silêncio.
Naquela noite, Ricardo veio buscá-la como de costume para ver o filho. No caminho, ele franziu o cenho: — Jasmine, você não pode se mudar de volta? Aquele lugar é pequeno demais.
Jasmine balançou a cabeça.
Ricardo baixou o olhar, achando que ela ainda estava brava pelo passado, e pediu desculpas seriamente.
— Eu errei ao te expulsar antes. Se você aceitar voltar, de agora em diante...
— Não é por isso — interrompeu Jasmine. — Eu já paguei três meses de aluguel adiantado. Tenho que morar lá até o fim do contrato.
Jasmine ainda tinha o instinto de economizar; pagar e não usar a deixaria angustiada. E pedir ao Sr. Shen que devolvesse o dinheiro era algo que ela não aceitaria. Além disso, Ethan gostava do quarto atual, e ficar mudando a criança de ambiente o tempo todo não era bom.
O mais importante era que ela não amava tanto assim as grandes mansões. Casas grandes eram boas, mas suas memórias nelas não eram felizes, fosse na casa dos Lin ou na dos Holanda. Por isso, ela não sentia pertencimento em lugares vastos. Ela preferia espaços de tamanho moderado, como o apartamento atual ou a casa onde moraram na Alemanha. Aqueles lugares carregavam memórias acolhedoras.
Ao chegarem, Ricardo brincou com Ethan por um longo tempo. Como ele vinha todos os dias e tratava Jasmine bem, Ethan já o aceitava bem. Tanto que, quando deu o horário de Ricardo ir embora, o menino não o expulsou.
— Viu? Nosso filho não me mandou embora — disse Ricardo, refestelando-se no sofá. — Já que vocês não voltam para a mansão, eu me mudo para cá, pode ser?
Jasmine riu ao ver aquele homem tão alto deitado em um sofá estreito.
— Você não acha aqui pequeno demais? Um herdeiro como você vai se acostumar?
— A nossa casa na Alemanha tinha esse mesmo tamanho.
Ricardo parecia perfeitamente adaptado e foi direto para o quarto dela. Sem saída, Jasmine permitiu que ele ficasse.
No entanto...
À noite, Jasmine dormia com Ethan na cama de casal, enquanto Ricardo se espremia em uma pequena cama de solteiro ao lado. A cama era mais estreita que um beliche de dormitório estudantil; Ricardo mal conseguia se mexer, precisando dormir encolhido. Ninguém imaginaria que o poderoso CEO que abalava Pequim dormiria em um lugar tão humilde.
Jasmine achou que ele desistiria no meio da noite e iria para o chão, mas ele não reclamou e acordou cheio de energia no dia seguinte.
— Você não se sente cansado dormindo ali?
— Como eu poderia estar cansado estando ao lado de vocês?
Ricardo ajeitava a gravata; seu terno imponente contrastava totalmente com a simplicidade do quarto. — Se você não me expulsar, estou disposto a dormir aqui para sempre.
Jasmine comprimiu os lábios. Ela acabou não deixando Ricardo na cama pequena por muito tempo; devolveu a cama para Ethan e passou a dividir a cama de casal com Ricardo.
Ele estava radiante, com o humor excelente todos os dias, e portava-se com respeito, sem forçar nada.
Dali em diante, quase todas as noites a família de três saía para jantar e se divertir. Ricardo usava seu jato particular para levá-los em viagens curtas nos fins de semana. A vida parecia ter voltado aos tempos de juventude, quando moravam em uma casinha e usavam todo o tempo e dinheiro que tinham para criar memórias. Jasmine estava satisfeita. As memórias ruins pareciam desbotar com a convivência.
Até que chegou o primeiro dia de agosto.
Ao entrar no prédio da empresa pela manhã, ela percebeu diversos olhares estranhos sobre si. Eram olhares muito diferentes da admiração de antes, mas eram olhares que ela conhecia bem. Seu coração disparou. Mesmo dentro da empresa, pessoas de outros departamentos cochichavam ao vê-la passar. Apenas os colegas de seu setor agiam normalmente, embora parecessem hesitar em falar.
Jasmine procurou uma colega próxima para perguntar o que estava acontecendo. Como esperado, alguém trouxera seu passado à tona de forma distorcida e maldosa. Agora, quase todos "sabiam" que ela tentara dar o golpe em Ricardo Holanda no passado, fora expulsa de casa por ele, e que seu filho era um bastardo que ninguém queria.
A Sra. Wang contava tudo com cautela, observando a reação de Jasmine.
— Não se preocupe tanto — suspirou ela, tentando consolar. — Essas pessoas não te conhecem, esses boatos não têm fundamento. Logo o assunto morre.
Ao lado, o Sr. Zhang comentou indignado: — Esse povo não tem o que fazer. O que a vida pessoal dos outros interessa a eles?
Jasmine ficou surpresa com a reação deles. Antes, ela temia que os colegas soubessem da verdade e a olhassem com desprezo. A reação deles agora era diferente do que ela imaginava.
Ela percebeu que o círculo social em que vivia antes é que era tóxico. Nem todo mundo seria como aquelas pessoas, prontas para morder com força ao encontrar uma fraqueza.
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